O blog foi alertado que o MCTI deverá instalar uma unidade do futuro INPO no Nordeste do Brasil, na capital do Ceará (CE), Fortaleza.
A notícia no portal do governo do CE pode ser lida neste link.
Neste blog são divulgados tópicos relacionados às questões de clima e ambiente, de interesse científico, tecnológico, educacional ou social. (In this blog we deal with some topics concerning climate and environment, with focus on scientific, technological, educational or social issues).
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Instituto Nacional de Pesquisas sobre os Oceanos
Em
audiência no Senado nesta quinta-feira (13), o ministro da Ciência, Tecnologia
e Inovação, Marco Antonio Raupp, recebeu apoio para a criação do Instituto
Nacional de Pesquisas sobre os Oceanos (Inpo). O presidente da Comissão de
Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH), senador Paulo Paim
(PT-RS), propôs-se a defender a aprovação do projeto.
Segundo o
ministro Raupp, a criação do Inpo vai articular uma infraestrutura para
sustentar pesquisas de longo prazo nos 8,5 mil quilômetros do litoral
brasileiro, que se estendem por 17 estados e 463 municípios. “O oceano que
temos aqui para estudar começa lá no Amapá, na foz do Amazonas, e vai até o Rio
Grande, sem contar com a Antártica”, apontou, durante a sessão da CDH. “Esse
grande instituto que queremos construir tem que contemplar essa extensão e essa
variabilidade.”
Para
Raupp, o oceano se destaca, ao lado da região amazônica, como um grande
ecossistema no qual o país deve interferir com bastante ciência e tecnologia.
“O ministério tem políticas especiais e uma estrutura de centros de pesquisa na
Amazônia, mas há outro grande depositário de recursos naturais que temos
intenção de utilizar para o desenvolvimento do Brasil. Nós temos que nos
dedicar ao oceano tanto quanto nos dedicamos à Amazônia”, enfatizou. “Os
oceanos brasileiros são a Amazônia azul. Então, temos duas ‘amazônias’ para
cuidar.”
O
secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento da pasta,
Carlos Nobre, lembrou que um documento do Centro de Gestão e Estudos
Estratégicos (CGEE) já sugeria, em 2007, a implantação do Inpo. “Essa ideia vem
amadurecendo, é um pleito antigo da comunidade científica nacional, para quem o
Brasil necessita de uma estrutura no governo federal que dê vazão às políticas
científicas e tecnológicas, pelo aproveitamento adequado de nossos recursos
naturais e pela preservação da biodiversidade do vasto Oceano Atlântico sob
nossa responsabilidade”, contextualizou.
De acordo
com Nobre, o instituto contribuiria para resolver certo atraso nacional em
ciências oceânicas. “Em relação a esse potencial e a essa responsabilidade,
temos muito a fazer”, disse. “É um diagnóstico muito claro, que temos há muitos
anos, e o momento é mais que indicado para recuperarmos esse passivo de
conhecimento e de uso dos recursos oceânicos em prol da sociedade brasileira e
do desenvolvimento sustentável do país.”
O
secretário explicou que a produção de conhecimento pode ajudar a entender o
papel do oceano na regulação climática e facilitar a exploração de uma fonte de
alimentos, energia e riqueza mineral. “Esse potencial tem que ser realizado e o
Brasil tem que se preparar para isso”, afirmou Nobre, que ainda ressaltou a
“enorme responsabilidade com a conservação da biodiversidade” e o
desenvolvimento da biotecnologia, “uma área que está emergindo com muita força,
talvez a que mais reserva boas surpresas nas próximas décadas”.
“A
independência energética que o Brasil tem em relação a óleo e gás vem do
oceano”, acrescentou o secretário. “Mas, depois que esse recurso acabar – e ele
vai acabar –, precisamos pensar qual serão as fontes futuras, e elas são
inegavelmente as renováveis”. Segundo Nobre, cabe à ciência e à tecnologia
demonstrar a viabilidade econômica das novas energias. “A eólica já está
pronta, mas nem começamos a fazer sua exploração offshore, oceânica, cujo
potencial é até maior do que em terra. Também podemos tirar energia da agitação
marítima, das ondas e da maré, além do biodiesel de algas.”
Modelo
Instituições
dos Estados Unidos, da França, do Japão e do Reino Unido servem de inspiração
para o Inpo. “São países onde a oceanografia é muito bem estabelecida,
tradicional, centenária”, explicou o secretário de Pesquisa e Desenvolvimento
do MCTI. “Os exemplos do Japão e da França se aplicam ao conceito que nós
queremos propor para o Brasil”, avaliou. Em comum, segundo ele, os dois modelos
têm unidades regionais, sem uma instalação física central.
A
articulação sugerida pelo ministro Raupp busca unir iniciativas de centros já
estabelecidos. “É um esforço conjunto em respeito à história dessas atividades,
algo semelhante à nossa atuação na Antártica”, disse. “O governo precisa abrir
espaço para as organizações que têm e tiverem essa tradição.”
Ao fim da
audiência, o senador Paulo Paim reiterou seu apoio à proposta. “Entendo que é
unanimidade, que todos querem o Instituto Nacional de Pesquisas sobre os
Oceanos”, afirmou. “Claro que o debate deve ser aprofundado, mas nós tentaremos
junto com outras comissões [do Senado] garantir também a questão do orçamento.”
Navio
oceanográfico
Em
paralelo à criação do Inpo, o MCTI participa da compra de uma plataforma de
relevância mundial. “Estamos às vésperas de assinar um acordo histórico para o
Brasil, porque vamos adquirir pela primeira vez um navio que realmente
representa o estado da arte de pesquisa oceanográfica de mar aberto”, antecipou
Carlos Nobre. “Ele estará, assim que chegar ao Brasil, possivelmente em 2013,
entre os cinco mais importantes navios da especialidade no planeta, com
possibilidade de multiplicar em até dez vezes nossa capacidade de pesquisa.”
“Precisamos
de plataformas oceânicas para explorar o nosso objeto de pesquisa”, completou
Marco Antonio Raupp. “Por isso, estamos articulando uma parceria, de
responsabilidade do MCTI e da Marinha, mas também com recursos da Vale e da
Petrobras – empresas que têm interesse na exploração do mar.
Além das
atividades científicas e tecnológicas, portanto, atividades econômicas estão se
manifestando nesse interesse por desenvolver uma infraestrutura para fazer
pesquisas que façam jus ao nosso paradigma de desenvolvimento, que é o
crescimento econômico com sustentação ambiental e social.”
Fonte: Portal do MCT.
Nota do
Blog
Sem
dúvida uma excelente iniciativa e deve ser apoiada por toda a comunidade
científica. Particularmente, somos favoráveis a implantação da sede desse
Instituto em Natal, devido à posição geográfica estratégica do estado do Rio
Grande do Norte. Em termos de costa brasileira, fica aproximadamente a meio
caminho entre o Amapá e o Rio Grande do Sul. Apesar da distante da Antártida,
Natal está mais próxima, em termos gerais, da África, Europa e Américas do
Norte e Central. Além disso, estaria em consonância com as palavras do Ministro
Raupp, uma vez que seria o primeiro Instituto Nacional de Pesquisas no Nordeste
brasileiro.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Pesquisadora da Nasa está no Brasil pelo Ciência sem Fronteiras
O Ciência sem Fronteiras (CsF) foi a oportunidade para a astrônoma
Rosaly Lopes voltar ao país após mais de 20 anos trabalhando no
Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência espacial dos Estados
Unidos (Nasa), na Califórnia. Além de promover o intercâmbio e levar
alunos brasileiros para estudar no exterior, o programa busca atrair
pesquisadores renomados ao Brasil para atuarem em setores estratégicos,
como é o caso da área aeroespacial.
Com o objetivo de estreitar os laços entre os cientistas da Nasa com o Brasil, a pesquisadora esteve em audiência com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, nesta quarta-feira (12), em Brasília, acompanhada do diretor de Ciências da Terra do JPL, Jim Graff, e do gerente do departamento, Amit Sen e do conselheiro para assuntos de meio ambiente, ciência e saúde da Embaixada dos Estados Unidos, Paul Hanna. “O Ciência sem Fronteiras é um ótimo instrumento para a colaboração internacional e para a educação”, comentou Rosaly Lopes.
Com o objetivo de estreitar os laços entre os cientistas da Nasa com o Brasil, a pesquisadora esteve em audiência com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, nesta quarta-feira (12), em Brasília, acompanhada do diretor de Ciências da Terra do JPL, Jim Graff, e do gerente do departamento, Amit Sen e do conselheiro para assuntos de meio ambiente, ciência e saúde da Embaixada dos Estados Unidos, Paul Hanna. “O Ciência sem Fronteiras é um ótimo instrumento para a colaboração internacional e para a educação”, comentou Rosaly Lopes.
Os representantes do JPL apresentaram ao ministro Raupp e ao presidente
da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Coelho, as possibilidades
de cooperações futuras nas áreas de percepção remota, estudos da terra e
da Amazônia e ciclo de carbono.
O ministro Marco Antonio Raupp também conversou com Rosaly sobre o que
classificou de “importante missão” da brasileira, diante da
possibilidade de atuar como intermediadora no processo de intercâmbio
dos estudantes e entre as duas agências espaciais. “Estamos muito
entusiasmados em explorar as colaborações entre o JPL e a AEB. Eu tenho
uma missão agora, que já considerava que tinha, de estreitar os laços
entre as nossas organizações”, disse ela.
Rosaly Lopes destacou as cooperações já existentes entre as
instituições, além do CsF. Em 10 de junho de 2011, por exemplo, o
satélite SAC-D/Aquarius foi lançado por um foguete Delta 2, da base de
Vandenberg, na Califórnia (EUA), para estuar a relação entre os níveis
de salinidade dos oceanos, o clima terrestre e as mudanças ambientais.
De junho de 2010 a março de 2011, o satélite passou por ensaios
ambientais no Laboratório de Integração de Testes (LIT) do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI), em São José dos Campos
(SP).
José Raimundo Coelho avaliou a reunião como um passo importante para
aumentar essa parceria com objetivos concretos. “Rosaly trabalha há
muito tempo no JPL. É uma pessoa competente e dedicada à arte da
ciência, comprometida com isso, e, estando no Brasil, vai certamente nos
criar oportunidades novas de cooperação”, disse.
Júpiter
Ainda jovem, a carioca e ex-Garota de Ipanema trocou a Cidade
Maravilhosa pelo sonho de desvendar os mistérios do Universo. Apoiada
pela família, ela saiu do Rio de Janeiro, aos 18 anos, para estudar
astronomia na Universidade de Londres, pela falta de recursos no Brasil
na época. Lá, se encantou com os vulcões ao cursar uma disciplina sobre a
geologia dos planetas.
A cientista, que já esteve à frente da Missão Cassini (que explora, com
um satélite, o planeta Saturno e suas luas), é considerada uma das
maiores especialistas em vulcões do mundo. Ela encontrou 71 deles ativos
em Io, lua de Júpiter. Por esse feito, entrou para o Guiness americano,
o livro dos recordes.
“É importante estudar os processos vulcânicos de outros planetas por
funcionarem como laboratórios naturais para entender melhor os processos
geológicos na Terra”, comentou a astrônoma. Agora ela ficará três anos
no Brasil, onde pretende desenvolver um trabalho sobre ciência
planetárias dos vulcões da lua de Io.
Rosaly está atuando no Inpe em parceria com o físico Walter Gonzalez,
da Divisão de Geofísica Espacial, que estuda as tempestades
geomagnéticas. “Essa lua, Io, por causa das erupções vulcânicas, causa
efeitos no sistema magnetosférico que tem ao redor de Júpiter. E o
doutor Gonzales é um especialista nesta parte de magnetosfera e eu sou
especialista na Lua Io e nos vulcões, então nós fizemos esse casamento”,
comentou. A magnetosfera é a parte exterior da atmosfera de um astro.
Texto: Denise Coelho – Ascom do MCTI
Bolsas na Alemanha para estudos sobre proteção do clima e de recursos naturais
Agência FAPESP – A Fundação Humboldt (AvH) oferece 15 bolsas
de estudos para jovens profissionais de países emergentes e em
desenvolvimento que atuam em áreas de proteção do clima e de recursos
naturais.
As bolsas serão concedidas para a realização de estudos no meio
acadêmico-científico, seja em empresas, organizações estatais ou
não-governamentais. As inscrições estão abertas até 1º de dezembro de
2012.
Para se inscrever é necessário ter curso superior concluído há no
máximo 12 anos, qualificação adicional acadêmica ou profissional,
confirmação de orientação por parte de um professor na Alemanha, esboço
de projeto próprio e capacidade de liderança.
O programa prevê estadia de um ano na Alemanha, bolsa mensal entre
2150 e 2750 euros, curso intensivo de idioma de até dois meses, além de
outros benefícios. A implementação da bolsa está prevista para 1º de
setembro de 2013. Os bolsistas serão financiados com recursos da
Iniciativa Internacional de Proteção Climática do Ministério do Meio
Ambiente (BMU).
Os bolsitas selecionados permanecerão na Alemanha por um ano para
realizar um projeto, juntamente com um orientador por ele escolhido, com
a finalidade de trocar conhecimentos, métodos e técnicas. O objetivo é
criar uma rede, na qual especialistas alemães e estrangeiros cooperem
internacionalmente a longo prazo, para combater o aquecimento global e
suas consequências mundiais.
Mais informações: www.daad.org.br
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Inpe inaugura rede de detecção de descargas atmosféricas no RS
A partir desta quarta-feira (12), a região Sul do país passa a contar
com um importante aliado contra as incertezas do tempo. Trata-se da Rede
Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT), que o
grupo de eletricidade atmosférica (elat) do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais inaugura no plenário Mercosul da sede da Federação
das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Durante o lançamento, o diretor da BrasilDAT e pesquisador do INPE,
Osmar Pinto Junior, apresentará detalhes técnicos da BrasilDAT, e de
como acessar suas informações para pesquisa e para diferentes aplicações
da sociedade.
O novo sistema tem a capacidade de identificar descargas atmosféricas
nas nuvens e, por isso, emitir alertas com antecedência sobre a
proximidade de tempestades severas, que podem vir acompanhadas de fortes
chuvas, fortes ventos, granizo e tornados. A rede também tem como
diferencial a capacidade de registrar com maior precisão os raios que
atingem o solo.
Os novos sensores, instalados nos municípios de Santa Maria, Rio
Grande, Uruguaiana, Santa Rosa, Viamão e Casca, beneficiarão o sistema
de monitoramento responsável por emitir alertas para empresas quando
tempestades e raios se aproximam.
As novas informações vão ser utilizadas em novos projetos de pesquisa,
desenvolvimento e inovação, que atendam às necessidades do setor
elétrico e do setor de telecomunicações, entre outros setores da região
Sul do País.
Há mais de 10 anos o Elat/Inpe, em parceria com diversas empresas do
setor elétrico, de energia e construção civil, vem executando projetos
de pesquisa e desenvolvimento voltados a novas metodologias, tecnologias
e serviços para monitoramento, análise e previsão de tempestades e de
descargas atmosféricas, com amplas aplicações nas áreas de engenharia e
segurança. Com a nova rede, o ELAT/INPE poderá atuar agora também no Rio
Grande do Sul.
As inscrições poderão ser feitas no local do evento ou pelo e-mail fabio.mantezi@inpe.br.
Fonte: Portal do MCT
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Campanha anglo-brasileira estuda emissões de queimadas na Amazônia
Até o final dessa semana, a aeronave britânica de última geração FAAM
BAE-146 decola pela primeira vez de Porto Velho (RO), com o objetivo de
monitorar a emissão de gases na região da Amazônia legal.
Ao todo, a campanha anglo-brasileira denominada South American Biomass
Burning Analysis (Sambba) prevê, ao longo desse mês de setembro, a
realização de 20 vôos (80 horas-voo) sobre o entorno de Porto Velho,
Alta Floresta e Manaus.
Nesse período, serão feitas diversas missões de amostragem para
caracterizar plumas recém-emitidas e envelhecidas (fumaça resultante das
queimadas), além de realização de medidas de concentrações de aerossóis
(particulas sólidas em suspensão na atmosfera), de gases traços
relevantes (que existem em menor proporção na atmosfera) e medidas de
microfísica (aferir as características das nuvens) e radiação solar.
O foco das preocupações dos técnicos e cientistas é com os impactos
diretos e indiretos sobre o tempo e clima, devido à concentração dos
aerossóis, como também como isso afeta a produtividade da floresta
amazônica, seus recursos naturais e potenciais econômicos. Na questão
climática, a concentração de partículas de fumaça pode levar à redução
das chuvas e de sua distribuição em toda a região.
Investigação
A intenção da campanha é investigar a emissão de fogos próximos da
borda da floresta Amazônica ou queimadas agrícolas nas regiões de
Cerrado. Participam da iniciativa técnicos e cientistas do Instituto
Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe/MCTI) – liderados pela pesquisadora
Karla Longo e Saulo de Freitas – e da Universidade de São Paulo (USP),
pelo pesquisador Paulo Artaxo. Karla e Saulo coordenam o grupo de
modelagem da atmosfera e interfaces do Inpe, e são responsáveis pelo
desenvolvimento do modelo de previsão de qualidade do ar.
(CCATT-Brasms). O lado britânico terá representantes do UK-Met-Office e
das universidades de Manchester e Leeds.
Coincidindo com o pico da temporada de queimadas na Amazônia e regiões
adjacentes, o Sambba tem como foco “avançar na capacidade de Reino
Unido, Brasil e comunidade científica internacional de quantificar o
impacto dos aerossóis de queimada e biogênicos no clima regional da
Amazônia e redondezas.
Parâmetros
Os dados amostrados da experiência terão como base: parâmetros
meteorológicos (pressão, temperatura, umidade relativa, velocidade e
direção do vento); parâmetros de aerossóis (distribuição de tamanho e
concentração em número, espalhamento e absorção de radiação,
higroscopicidade); parâmetros de nuvens (distribuição de tamanho de
gotas e de precipitação, conteúdos de água total e na fase líquida, e
concentração de núcleos de condensação de gotas de nuvens; parâmetros de
gases (concentração atmosférica dos gases CO, NO, NO2 , NOx, NOy, O3,
CO2, SO2, PAN e HCHO) e parâmetros radiativos e de sensoriamento remoto:
propriedades radiométricas relacionadas a fluxos de irradiâncias de
origem solar e terrestre.
A expectativa do Inpe é que a análise posterior dos dados coletados e
produção de artigos científicos contribuam para a melhoria dos modelos
de química atmosférica utilizados pelo instituto.
O mesmo grupo britânico envolvido no Sambba já cumpriu outras missões
importantes, como o Amas (do inglês, African Monsoon Multidisciplinary
Analysis) em 2006, de sobrevoo da África Ocidental analisando aerossóis
de poeira e de queimadas na região do Sahel. O trabalho mais recente
ocorreu na floresta tropical da Indonésia sobre a química atmosférica e
formação de aerossóis biogênicos naturais.
A seguir, um resumo dos objetivos científicos da campanha:
. Medir as propriedades físicas, ópticas e químicas dos aerossóis
naturais e de queimadas na América do Sul, incluindo seu estado de
mistura e sua higroscopicidade. Avaliar como essas propriedades são
associadas às fontes emissoras (emissão natural, incêndios florestais,
incêndios nas regiões de Cerrado, e incêndios em áreas de agricultura e
pastagem) e sua idade/ciclo de desenvolvimento.
. Determinar as taxas de emissão de gases traço por queimadas, incluindo compostos orgânicos voláteis e semi-voláteis. Investigar a formação e evolução do aerossol orgânico secundário e como isso se relaciona com a química dos ambientes natural e poluído.
. Medir os efeitos diretos dos aerossóis naturais e de queimadas sobre a radiação solar e avaliar como isso afeta o balanço radiativo da região.
. Investigar o impacto dos aerossóis de queimadas na microfísica de nuvens (núcleos de condensação de nuvens, concentração de gotículas de nuvens e espectros de tamanho de gota) e a supressão da precipitação.
. Investigar o transporte e mistura vertical de aerossóis na América do Sul, incluindo aspectos como levantamento da pluma de fumaça e circulações atmosféricas de mesoescala.
. Gerar medidas para validação dos produtos de sensoriamento remoto por satélite, como os desenvolvidos para identificar os incêndios ativos, áreas queimadas, altura da pluma de fumaça, a profundidade óptica do aerossol atmosférico e os encargos dos constituintes químicos da América do Sul (Modis, Misr, Calipso, Schiamacy, Aatsr, etc).
. Fornecer dados observacionais para a inicialização e validação de estudos de modelagem, como modelos climáticos, modelos de transporte regional em diferentes escalas.
. Fornecer dados observacionais para avaliar o modelo de levantamento de pluma de fumaça implementadas nos modelos atmosféricos do Brasil e do Reino Unido.
. Fornecer caracterização das partículas de aerossol na região de escoamento das emissões de queimadas na bacia Amazônica, a distribuição vertical da fumaça, bem como os fluxos e balanço de massa.
. Determinar as taxas de emissão de gases traço por queimadas, incluindo compostos orgânicos voláteis e semi-voláteis. Investigar a formação e evolução do aerossol orgânico secundário e como isso se relaciona com a química dos ambientes natural e poluído.
. Medir os efeitos diretos dos aerossóis naturais e de queimadas sobre a radiação solar e avaliar como isso afeta o balanço radiativo da região.
. Investigar o impacto dos aerossóis de queimadas na microfísica de nuvens (núcleos de condensação de nuvens, concentração de gotículas de nuvens e espectros de tamanho de gota) e a supressão da precipitação.
. Investigar o transporte e mistura vertical de aerossóis na América do Sul, incluindo aspectos como levantamento da pluma de fumaça e circulações atmosféricas de mesoescala.
. Gerar medidas para validação dos produtos de sensoriamento remoto por satélite, como os desenvolvidos para identificar os incêndios ativos, áreas queimadas, altura da pluma de fumaça, a profundidade óptica do aerossol atmosférico e os encargos dos constituintes químicos da América do Sul (Modis, Misr, Calipso, Schiamacy, Aatsr, etc).
. Fornecer dados observacionais para a inicialização e validação de estudos de modelagem, como modelos climáticos, modelos de transporte regional em diferentes escalas.
. Fornecer dados observacionais para avaliar o modelo de levantamento de pluma de fumaça implementadas nos modelos atmosféricos do Brasil e do Reino Unido.
. Fornecer caracterização das partículas de aerossol na região de escoamento das emissões de queimadas na bacia Amazônica, a distribuição vertical da fumaça, bem como os fluxos e balanço de massa.
Fonte: Portal do MCT
Crise da água deve ser prioridade para ONU
O planeta enfrenta uma crise crescente em relação à água, advertiram
nesta segunda-feira ex-chefes de Estado em um informe, no qual
consideraram que o tema deveria ser reconhecido como prioridade pelo
Conselho de Segurança das Nações Unidas.
"O impacto político da insuficiência de água poderá ser devastador no
futuro", afirmou o ex-primeiro-ministro canadense Jean Chretien,
co-presidente do Conselho do InterAction, grupo formado por 40 chefes de
Estado e governo, entre eles o ex-presidente americano Bill Clinton.
"Usar a água como usamos hoje não permitirá responder às necessidades da
humanidade no futuro", insistiu, em teleconferência com jornalistas.
Por causa disto, "o Conselho do InterAction faz um apelo ao Conselho de
Segurança da ONU para que a água seja considerada uma das principais
preocupações que a comunidade internacional enfrenta", acrescentou
Chretien.
Matéria completa no portal UOL.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Mulheres são mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas globais
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – As mulheres e meninas representam atualmente 72% do total de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza no mundo. Em função disso e da combinação de uma série de outros fatores socioeconômicos e culturais, elas representam hoje as maiores vítimas de desastres provocados por eventos climáticos extremos, como inundações e furacões.
Os dados foram apresentados pela médica e antropóloga mexicana Úrsula Oswald Spring durante o workshop “Gestão dos riscos dos extremos climáticos e desastres na América do Sul – O que podemos aprender com o Relatório Especial do IPCC sobre os extremos?”, realizado em agosto pela FAPESP, em São Paulo.
Professora da Universidade Nacional Autônoma do México, a pesquisadora mexicana, que é membro do IPCC, explica em entrevista concedida à Agência FAPESP as razões e quais ações são necessárias para diminuir a vulnerabilidade das mulheres e meninas aos impactos das mudanças climáticas.
Agência FAPESP – Quais são os grupos humanos mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas globais?
Úrsula Oswald Spring – Primeiro, as mulheres e meninas. Em segundo lugar, os grupos indígenas refugiados em comunidades com línguas e culturas diferentes das suas. E em terceiro todas as pessoas que vivem em cidades em pobreza extrema, em zonas de alto risco e de violência, sem apoio governamental, ilegais, sem emprego e expostas às intempéries climáticas. Coincidentemente, esses três grupos humanos também são os mais discriminados. Há um problema de discriminação estrutural e uma combinação catastrófica de fatores socioeconômicos, ambientais e culturais que potencializam as vulnerabilidades desses três grupos humanos aos impactos das mudanças climáticas.
Agência FAPESP – O que torna as mulheres e meninas mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas?
Úrsula Oswald Spring – Mundialmente, elas representam 72% dos pobres extremos e, sem recursos financeiros, é muito difícil enfrentar os impactos dos eventos climáticos extremos. Além disso, as mulheres foram educadas a cuidar dos outros e, por isso, assumimos o papel de “mãe de todos”. Esse processo, que chamo de teoria das representações sociais, também nos torna mais vulneráveis, porque temos o papel de proteger primeiramente os outros, para depois nos preocuparmos conosco. Por trás de tudo isso também persiste há milhares de anos um sistema político excludente, reforçado por todas as crenças religiosas, denominado sistema patriarcal, que preceitua a autoridade de um ser – o homem –, resultando em muita violência, exclusão e discriminação contra as mulheres. O capitalismo, por sua vez, se aproveitou do sistema patriarcal e construiu um sistema vertical, excludente, autoritário e violento, que permitiu que hoje 1,2 mil homens comandem a metade de todo o planeta e que as mulheres tivessem pouco poder de decisão e de veto em questões que lhes afetam diretamente.
Agência FAPESP – Diante desta realidade, o que é preciso fazer para diminuir a vulnerabilidade das mulheres e meninas aos impactos dos eventos climáticos extremos?
Úrsula Oswald Spring – Não vale a pena destruir, por exemplo, essa capacidade das mulheres em querer ser a mãe de todos. Mas é necessário treiná-las para que esse processo de cuidar dos outros seja mais eficiente e que não seja realizado ao custo de sua própria vida, mas que possa beneficiar todo um conjunto de pessoas, incluindo ela e suas filhas. E isto implica em mais condições para que possam ter maior poder de decisão.
Agência FAPESP – Como seria possível realizar esse processo?
Úrsula Oswald Spring – Sobretudo, possibilitando o maior acesso das mulheres à educação. De acordo com o Banco Mundial, todo país islâmico que investe na educação de suas mulheres aumenta imediatamente 1% de seu PIB. Outra ação é dar mais visibilidade ao trabalho das mulheres, que muitas vezes não é valorizado. Nos Estados Unidos o trabalho feminino representa 38% do PIB. É preciso dar visibilidade a essa participação econômica das mulheres. Alem disso, são necessárias leis que garantam maior equidade e participação das mulheres em todos os processos decisórios. Teríamos que usar sistemas de cotas para mulheres para reverter a discriminação, que seria um passo para garantir maior equidade. Desgraçadamente, as catástrofes e os desastres provocados pelos eventos climáticos extremos irão ajudar no processo de dar maior poder às mulheres.
Agência FAPESP – De que maneira?
Úrsula Oswald Spring – No México, por exemplo, a produção campesina está nas mãos dos homens. Mas está passando para as mãos das mulheres, porque os homens migraram para os Estados Unidos em busca de emprego. Na nova condição de chefes de família, elas estão tendo que tomar decisões sobre as mais variadas questões. Nós precisamos ajudá-las nesse processo de “empoderamento”, possibilitando que elas tenham acesso a tecnologias sustentáveis, que lhes permitam, por exemplo, se proteger dos riscos de desastres causados pelos eventos climáticos extremos.
Agência FAPESP – Além da questão do “empoderamento”, que é um processo que demanda longo prazo, que ações mais urgentes devem ser tomadas para preparar as mulheres para enfrentar os eventos climáticos extremos?
Úrsula Oswald Spring – É preciso possibilitar e treinar as mulheres para que em um momento de perigo iminente, por exemplo, elas tenham o direito de sair de casa. Muitas comunidades proíbem que uma mulher saia de casa se não está acompanhada por um homem. Isso é uma discriminação e uma forma de controle que é preciso superar com leis de equidade de gênero. Além disso, é preciso treinar mulheres para aprender a nadar, a correr, a trepar em uma árvore, e permitir que possam usar uma roupa mais adequada para realizar essas atividades. Eu assisti os Jogos Olímpicos de Londres e me chamou a atenção a vestimenta das atletas da natação e de corrida da Arábia Saudita. Apesar de estarem vestidas de forma diferente das atletas de outros países, ao menos elas vestiam uma calça que lhes permitia correr, sem infringir os códigos religiosos. Esse é um tipo de ação que poderíamos socializar. Poderíamos aproveitar os Jogos Olímpicos para promover em todos os países islâmicos esse tipo de ação, e dar cursos de natação e de corrida para as mulheres.
Agência FAPESP – Dentre os três grupos humanos que a senhora aponta como os mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, qual apresenta maior resiliência?
Úrsula Oswald Spring – Só os indígenas têm a capacidade adquirida ao longo de milhares de anos de administrar situações muito difíceis sem contar com ajuda internacional, nacional ou estatal, mas sim sozinhos. Eles se adaptaram às mudanças climáticas e cultivaram durante milhares de anos e da mesma maneira vegetais, como batatas, resistentes à seca, ao frio e ao calor, e desenvolveram sistemas muito eficientes e baratos de irrigação e fertilização da terra. É preciso aproveitar esses conhecimentos tradicionais e vinculá-los às tecnologias modernas para nos adaptarmos às mudanças climáticas. Mas estamos perdendo esses conhecimentos tradicionais porque a última geração de indígenas que ainda detêm esses conhecimentos, que são jovens, já passou pela escola, fala outras línguas que não a materna e está perdendo sua cultura indígena. Se não fizermos nada, vamos perder mundialmente esses conhecimentos tradicionais que permitiriam desenvolver soluções locais para enfrentar as mudanças climáticas.
Agência FAPESP – Que iniciativas existem hoje para promover essa aproximação de conhecimentos tradicionais com os científicos?
Úrsula Oswald Spring – No México, por exemplo, foi criada a Universidade Campesina do Sul. Lá são integrados grupos locais, que são constituídos hoje basicamente por mulheres – há 20 anos eram formados, em sua maioria, por homens –, e com base nas necessidades desses grupos nós disseminamos um processo de educação baseado no método de Paulo Freire, em que eles aprendem a partir de sua própria realidade.
Agência FAPESP – O que é ensinado na Universidade Campesina do Sul?
Úrsula Oswald Spring – Um dos temas com os quais trabalhamos é agricultura orgânica, ensinando as mulheres a trabalhar com hortas familiares, para garantir seus próprios alimentos e de sua família. Outro tema é o manejo de água. Há muita água não potável, como a utilizada para lavar as mãos, por exemplo, que é muito fácil de tratar e que pode ser utilizada junto com dejetos orgânicos de sanitários secos como melhoradores de solo para ajudar a recuperar a fertilidade natural do solo. Outro tema ao qual temos nos dedicado é o da medicina alternativa. A medicina moderna é muito cara e a maior parte das pessoas não tem recursos para utilizar o sistema de saúde. Em função disso, estamos criando modos de integrar a medicina tradicional mexicana, que utiliza ervas e métodos tradicionais de cura, como vapores, com a medicina moderna. É um conjunto de ações voltadas para potencializar o uso dos conhecimentos científico e tradicional e tentar buscar soluções para enfrentar coletivamente problemas das mais variadas ordens, como o das mudanças climáticas. Porque não são grandes obras que protegem as pessoas de uma catástrofe provocada por um evento climático extremo, como uma inundação, mas sim pequenas obras, contanto que sejam muito eficientes.
Agência FAPESP – Na opinião da senhora, como será possível enfrentar os riscos das mudanças climáticas em escala mundial, em um momento em que diversos países passam por graves crises econômicas e têm problemas mais urgentes para resolver?
Úrsula Oswald Spring – Há condições de grande incerteza em relação às mudanças climáticas porque, além das crises econômicas, grande parte das pessoas no mundo nunca presenciou uma situação de desastre causado por um evento climático extremo. Mas se algumas pessoas ainda não passaram por uma situação dessas, é preciso justamente pensar em maneiras de se preparar para enfrentar os eventos climáticos extremos, que ocorrerão com maior frequência nos próximos anos. E uma das formas de se fazer isso é descentralizando a gestão dos riscos das mudanças climáticas, levando em contas as condições próprias de cada região. O problema climático na Amazônia, por exemplo, não é o mesmo que ocorre na parte alta dos Andes. Os tipos de manejos nessas regiões são muito diferentes. Por isso, os países precisam descentralizar as ações. A gestão dos riscos de mudanças climáticas pelos países irá depender de uma boa gestão local. Os primeiros 10 minutos de uma situação de risco, como uma inundação ou deslizamento, são cruciais e não há ajuda internacional que possa socorrer. Por isso, é preciso investir fortemente em prevenção e treinamento em nível local para enfrentar os riscos de um evento climático extremo.
Agência FAPESP – As mulheres e meninas representam atualmente 72% do total de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza no mundo. Em função disso e da combinação de uma série de outros fatores socioeconômicos e culturais, elas representam hoje as maiores vítimas de desastres provocados por eventos climáticos extremos, como inundações e furacões.
Os dados foram apresentados pela médica e antropóloga mexicana Úrsula Oswald Spring durante o workshop “Gestão dos riscos dos extremos climáticos e desastres na América do Sul – O que podemos aprender com o Relatório Especial do IPCC sobre os extremos?”, realizado em agosto pela FAPESP, em São Paulo.
Professora da Universidade Nacional Autônoma do México, a pesquisadora mexicana, que é membro do IPCC, explica em entrevista concedida à Agência FAPESP as razões e quais ações são necessárias para diminuir a vulnerabilidade das mulheres e meninas aos impactos das mudanças climáticas.
Agência FAPESP – Quais são os grupos humanos mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas globais?
Úrsula Oswald Spring – Primeiro, as mulheres e meninas. Em segundo lugar, os grupos indígenas refugiados em comunidades com línguas e culturas diferentes das suas. E em terceiro todas as pessoas que vivem em cidades em pobreza extrema, em zonas de alto risco e de violência, sem apoio governamental, ilegais, sem emprego e expostas às intempéries climáticas. Coincidentemente, esses três grupos humanos também são os mais discriminados. Há um problema de discriminação estrutural e uma combinação catastrófica de fatores socioeconômicos, ambientais e culturais que potencializam as vulnerabilidades desses três grupos humanos aos impactos das mudanças climáticas.
Agência FAPESP – O que torna as mulheres e meninas mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas?
Úrsula Oswald Spring – Mundialmente, elas representam 72% dos pobres extremos e, sem recursos financeiros, é muito difícil enfrentar os impactos dos eventos climáticos extremos. Além disso, as mulheres foram educadas a cuidar dos outros e, por isso, assumimos o papel de “mãe de todos”. Esse processo, que chamo de teoria das representações sociais, também nos torna mais vulneráveis, porque temos o papel de proteger primeiramente os outros, para depois nos preocuparmos conosco. Por trás de tudo isso também persiste há milhares de anos um sistema político excludente, reforçado por todas as crenças religiosas, denominado sistema patriarcal, que preceitua a autoridade de um ser – o homem –, resultando em muita violência, exclusão e discriminação contra as mulheres. O capitalismo, por sua vez, se aproveitou do sistema patriarcal e construiu um sistema vertical, excludente, autoritário e violento, que permitiu que hoje 1,2 mil homens comandem a metade de todo o planeta e que as mulheres tivessem pouco poder de decisão e de veto em questões que lhes afetam diretamente.
Agência FAPESP – Diante desta realidade, o que é preciso fazer para diminuir a vulnerabilidade das mulheres e meninas aos impactos dos eventos climáticos extremos?
Úrsula Oswald Spring – Não vale a pena destruir, por exemplo, essa capacidade das mulheres em querer ser a mãe de todos. Mas é necessário treiná-las para que esse processo de cuidar dos outros seja mais eficiente e que não seja realizado ao custo de sua própria vida, mas que possa beneficiar todo um conjunto de pessoas, incluindo ela e suas filhas. E isto implica em mais condições para que possam ter maior poder de decisão.
Agência FAPESP – Como seria possível realizar esse processo?
Úrsula Oswald Spring – Sobretudo, possibilitando o maior acesso das mulheres à educação. De acordo com o Banco Mundial, todo país islâmico que investe na educação de suas mulheres aumenta imediatamente 1% de seu PIB. Outra ação é dar mais visibilidade ao trabalho das mulheres, que muitas vezes não é valorizado. Nos Estados Unidos o trabalho feminino representa 38% do PIB. É preciso dar visibilidade a essa participação econômica das mulheres. Alem disso, são necessárias leis que garantam maior equidade e participação das mulheres em todos os processos decisórios. Teríamos que usar sistemas de cotas para mulheres para reverter a discriminação, que seria um passo para garantir maior equidade. Desgraçadamente, as catástrofes e os desastres provocados pelos eventos climáticos extremos irão ajudar no processo de dar maior poder às mulheres.
Agência FAPESP – De que maneira?
Úrsula Oswald Spring – No México, por exemplo, a produção campesina está nas mãos dos homens. Mas está passando para as mãos das mulheres, porque os homens migraram para os Estados Unidos em busca de emprego. Na nova condição de chefes de família, elas estão tendo que tomar decisões sobre as mais variadas questões. Nós precisamos ajudá-las nesse processo de “empoderamento”, possibilitando que elas tenham acesso a tecnologias sustentáveis, que lhes permitam, por exemplo, se proteger dos riscos de desastres causados pelos eventos climáticos extremos.
Agência FAPESP – Além da questão do “empoderamento”, que é um processo que demanda longo prazo, que ações mais urgentes devem ser tomadas para preparar as mulheres para enfrentar os eventos climáticos extremos?
Úrsula Oswald Spring – É preciso possibilitar e treinar as mulheres para que em um momento de perigo iminente, por exemplo, elas tenham o direito de sair de casa. Muitas comunidades proíbem que uma mulher saia de casa se não está acompanhada por um homem. Isso é uma discriminação e uma forma de controle que é preciso superar com leis de equidade de gênero. Além disso, é preciso treinar mulheres para aprender a nadar, a correr, a trepar em uma árvore, e permitir que possam usar uma roupa mais adequada para realizar essas atividades. Eu assisti os Jogos Olímpicos de Londres e me chamou a atenção a vestimenta das atletas da natação e de corrida da Arábia Saudita. Apesar de estarem vestidas de forma diferente das atletas de outros países, ao menos elas vestiam uma calça que lhes permitia correr, sem infringir os códigos religiosos. Esse é um tipo de ação que poderíamos socializar. Poderíamos aproveitar os Jogos Olímpicos para promover em todos os países islâmicos esse tipo de ação, e dar cursos de natação e de corrida para as mulheres.
Agência FAPESP – Dentre os três grupos humanos que a senhora aponta como os mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, qual apresenta maior resiliência?
Úrsula Oswald Spring – Só os indígenas têm a capacidade adquirida ao longo de milhares de anos de administrar situações muito difíceis sem contar com ajuda internacional, nacional ou estatal, mas sim sozinhos. Eles se adaptaram às mudanças climáticas e cultivaram durante milhares de anos e da mesma maneira vegetais, como batatas, resistentes à seca, ao frio e ao calor, e desenvolveram sistemas muito eficientes e baratos de irrigação e fertilização da terra. É preciso aproveitar esses conhecimentos tradicionais e vinculá-los às tecnologias modernas para nos adaptarmos às mudanças climáticas. Mas estamos perdendo esses conhecimentos tradicionais porque a última geração de indígenas que ainda detêm esses conhecimentos, que são jovens, já passou pela escola, fala outras línguas que não a materna e está perdendo sua cultura indígena. Se não fizermos nada, vamos perder mundialmente esses conhecimentos tradicionais que permitiriam desenvolver soluções locais para enfrentar as mudanças climáticas.
Agência FAPESP – Que iniciativas existem hoje para promover essa aproximação de conhecimentos tradicionais com os científicos?
Úrsula Oswald Spring – No México, por exemplo, foi criada a Universidade Campesina do Sul. Lá são integrados grupos locais, que são constituídos hoje basicamente por mulheres – há 20 anos eram formados, em sua maioria, por homens –, e com base nas necessidades desses grupos nós disseminamos um processo de educação baseado no método de Paulo Freire, em que eles aprendem a partir de sua própria realidade.
Agência FAPESP – O que é ensinado na Universidade Campesina do Sul?
Úrsula Oswald Spring – Um dos temas com os quais trabalhamos é agricultura orgânica, ensinando as mulheres a trabalhar com hortas familiares, para garantir seus próprios alimentos e de sua família. Outro tema é o manejo de água. Há muita água não potável, como a utilizada para lavar as mãos, por exemplo, que é muito fácil de tratar e que pode ser utilizada junto com dejetos orgânicos de sanitários secos como melhoradores de solo para ajudar a recuperar a fertilidade natural do solo. Outro tema ao qual temos nos dedicado é o da medicina alternativa. A medicina moderna é muito cara e a maior parte das pessoas não tem recursos para utilizar o sistema de saúde. Em função disso, estamos criando modos de integrar a medicina tradicional mexicana, que utiliza ervas e métodos tradicionais de cura, como vapores, com a medicina moderna. É um conjunto de ações voltadas para potencializar o uso dos conhecimentos científico e tradicional e tentar buscar soluções para enfrentar coletivamente problemas das mais variadas ordens, como o das mudanças climáticas. Porque não são grandes obras que protegem as pessoas de uma catástrofe provocada por um evento climático extremo, como uma inundação, mas sim pequenas obras, contanto que sejam muito eficientes.
Agência FAPESP – Na opinião da senhora, como será possível enfrentar os riscos das mudanças climáticas em escala mundial, em um momento em que diversos países passam por graves crises econômicas e têm problemas mais urgentes para resolver?
Úrsula Oswald Spring – Há condições de grande incerteza em relação às mudanças climáticas porque, além das crises econômicas, grande parte das pessoas no mundo nunca presenciou uma situação de desastre causado por um evento climático extremo. Mas se algumas pessoas ainda não passaram por uma situação dessas, é preciso justamente pensar em maneiras de se preparar para enfrentar os eventos climáticos extremos, que ocorrerão com maior frequência nos próximos anos. E uma das formas de se fazer isso é descentralizando a gestão dos riscos das mudanças climáticas, levando em contas as condições próprias de cada região. O problema climático na Amazônia, por exemplo, não é o mesmo que ocorre na parte alta dos Andes. Os tipos de manejos nessas regiões são muito diferentes. Por isso, os países precisam descentralizar as ações. A gestão dos riscos de mudanças climáticas pelos países irá depender de uma boa gestão local. Os primeiros 10 minutos de uma situação de risco, como uma inundação ou deslizamento, são cruciais e não há ajuda internacional que possa socorrer. Por isso, é preciso investir fortemente em prevenção e treinamento em nível local para enfrentar os riscos de um evento climático extremo.
sábado, 8 de setembro de 2012
Avaaz: Esperança para o Clima
Abaixo reproduzimos manifesto/petição do grupo AVAAZ.
Caros amigos, As mudanças climáticas estão acelerando, mas há um luminoso raio de esperança: a energia limpa está bombando, produzindo quase 20% da eletricidade mundial! Inacreditavelmente, os EUA e a União Europeia estão ameaçando sufocar esse avanço -- mas juntos podemos impedí-los. Na última década, o governo chinês investiu bilhões em energia solar, fazendo o preço dos painéis despencar e fazendo a tecnologia limpa e verde ser quase tão barata quanto os combustíveis fósseis sujos. Mas os EUA e a União Europeia, que dão bilhões em subsídios dos contribuintes para energia fóssil, estão prestes a provocar uma nova alta dos preços ao impor tarifas à China, e agora a China ameaça retaliar. Uma guerra aberta comercial está sendo gestada que poderia matar a imprescindível revolução da energia verde. Os EUA e a União Europeia irão tomar uma decisão agora. A maior parte da indústria de energia solar é contra as tarifas, e é neste momento que um apoio gigante do público pode fazer a diferença. Assine essa urgente petição para salvar a energia solar – se chegarmos a 500.000 assinaturas, a Avaaz fará um pedido formal na Comissão de Comércio Internacional dos EUA e junto ao Comissário Europeu do Comércio para pedir negociações, não tarifas: http://www.avaaz.org/po/a_ray_of_hope_on_climate/?bYxjdab&v=17661 A China tem um histórico de direitos humanos e meio ambiente pobre, e sua estratégia de inundar o mercado global com produtos subsidiados pode ser considerada agressiva demais. Mas a resposta correta para isso não são tarifas, e sim investimento. Enquanto a China, União Europeia e Estados Unidos repassam bilhões de dólares para as indústrias de carvão e petróleo para destruir nosso planeta, a China também está facilitando grandes empréstimos e subsídios para a indústria de energia solar. Isto é exatamente o que outros governos não conseguiram fazer. Após a falência de uma série de fabricantes de tecnologia solar dos EUA e UE, alguns lobistas estão pressionando políticos a culparem a China, em vez de seus próprios subsídios insuficientes e inadequados. Algumas pessoas alegam que o mercado de trabalho doméstico está ameaçada pelos painéis de baixo custo chineses, mas na verdade é o oposto – especialistas preveem que as tarifas custariam 60.000 empregos apenas nos Estados Unidos. A grande maioria dos empregos no setor de energia solar fora da China são para instalação e serviços de paineis, não a produção. Portanto, painéis mais baratos significam mais trabalho e mais empregos. E menos mudanças climáticas. Hoje, o comissário de Comércio da UE deu início a uma investigação sobre as tarifas e os processos dentro da CCI dos EUA já começaram. Declarações por escrito em ambos os órgãos devem ser enviadas em alguns dias para serem analisadas. Estamos numa corrida contra o tempo para esverdear nossas economias e prevenir as catastróficas mudanças climáticas. O sucesso chinês em tecnologia verde pode ser o catalisador perfeito para que o resto do mundo aumente a produção dessa tecnologia e derrube os preços de forma sustentável. Vamos garantir que os EUA e a UE não destruam nosso raio luminoso de esperança: http://www.avaaz.org/po/a_ray_of_hope_on_climate/?bYxjdab&v=17661 No mundo que a maioria das pessoas quer, nossos governos incentivariam a energia limpa e não os repasses de nossos impostos para poluidores que fazem lucros históricos ao sujar nossa terra, ar e águas, e ao destruir nosso planeta. Hoje, podemos salvar a energia solar e dar um passo adiante para o futuro. Com esperança, Iain, Joseph, Alice, David, Julien, Emma, Ricken e toda a equipe da Avaaz PS - A Avaaz lançou o site Petições da Comunidade, uma plataforma emocionante, rápida e fácil de usar para criar uma campanha sobre qualquer tema que lhe seja importante. Comece sua própria campanha clicando aqui: http://www.avaaz.org/po/petition/start_a_petition/?do.ps.solar Mais informações: China diz que apoio dos EUA a energia limpa viola regras da OMC (Reuters Brasil) http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE87J03S20120820 Poderiam Tarifas Sobre Painéis Solares Chineses Fazer Mais Mal do que Bem? (Technology Review) http://www.technologyreview.com.br/read_article.aspx?id=39945 Painéis solares motivam guerra comercial entre Europa e China (Público) http://m.publico.pt/Detail/1561962 EU investiga China sobre paineis solares (Info) http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/eua-investiga-china-sobre-paineis-solares-05122011-2.shl Guerra comercial em torno de painéis solares (PressEurop) http://www.presseurop.eu/pt/content/news-brief/2647791-guerra-comercial-em-torno-de-paineis-solaresA
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Uma esplendorosa erupção solar
Uma enorme erupção solar foi registrada recentemente. Conforme o site da NASA:
Em tradução livre: "31 de agosto de 2012 - Uma Magnífica Ejeção de Massa Coronal (EMC): No dia 31 de agosto de 2012 um longo filamento de material solar que estava pairando na atmosfera solar foi lançada no espaço às 4h36 (hora local, no centro de observação da NASA). A massa coronal foi ejetada a uma velocidade de 1.500 kilometros por segundo. A EMC não se dirigiu diretamente para a Terra, mas conectou-se com o ambiente magnético terrestre, a magnetosfera, provocando o surgimento da aurora na noite de segunda-feira, 3 de setembro."
O material ejetado é um plasma constituído basicamente de elétrons e prótons, partículas carregadas que formam os átomos, além de outras partículas e núcleos atômicos. Abaixo um imagem impressionante, comparando o tamanha do filamento com a Terra.
August 31, 2012 Magnificent CME
On August 31, 2012 a long filament of solar material that had been hovering in the sun's atmosphere, the corona, erupted out into space at 4:36 p.m. EDT. The coronal mass ejection, or CME, traveled at over 900 miles per second. The CME did not travel directly toward Earth, but did connect with Earth's magnetic environment, or magnetosphere, with a glancing blow. causing aurora to appear on the night of Monday, September 3.
Em tradução livre: "31 de agosto de 2012 - Uma Magnífica Ejeção de Massa Coronal (EMC): No dia 31 de agosto de 2012 um longo filamento de material solar que estava pairando na atmosfera solar foi lançada no espaço às 4h36 (hora local, no centro de observação da NASA). A massa coronal foi ejetada a uma velocidade de 1.500 kilometros por segundo. A EMC não se dirigiu diretamente para a Terra, mas conectou-se com o ambiente magnético terrestre, a magnetosfera, provocando o surgimento da aurora na noite de segunda-feira, 3 de setembro."
O material ejetado é um plasma constituído basicamente de elétrons e prótons, partículas carregadas que formam os átomos, além de outras partículas e núcleos atômicos. Abaixo um imagem impressionante, comparando o tamanha do filamento com a Terra.
Para mais informações ver site da NASA.
Assinar:
Postagens (Atom)
