quinta-feira, 16 de abril de 2015

CAPES: Cientista Carlos Nobre recebe convite e assumirá presidência

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, convidou nesta quarta-feira, 15, o professor e pesquisador Carlos Nobre, da Academia Brasileira de Ciências (ABC), para o cargo de presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “Carlos Nobre é um dos maiores cientistas brasileiros, com forte experiência na coordenação da área interdisciplinar da Capes”, disse o ministro. “Ele também é uma referência importante no debate ético sobre vida e sustentabilidade.”
O professor Jorge Guimarães deixa a presidência do órgão após 12 anos. “A história da Capes é exemplar, uma história de êxitos”, destacou o ministro. “A história da agência será contada antes e depois de Jorge Guimarães.”
Segundo o ministro, Guimarães se sobressai por todas as mudanças e aperfeiçoamentos que introduziu no órgão. “A Capes aprimorou a avaliação e o fomento da pós-graduação, reforçou o mestrado profissional, expandiu os doutorados e mestrados e estimulou novas fronteiras de pesquisa”, afirmou Janine Ribeiro. “E, além de tudo isso, constituiu um vasto setor voltado à formação de professores para educação básica, que é o grande desafio do Brasil hoje.”
Natural da cidade de São Paulo, Carlos Afonso Nobre formou-se em engenharia eletrônica em 1974, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP). Concluiu o doutorado em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) em 1983. Iniciou a carreira profissional no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em 1975. Atuou como pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 1983 a 2012. Na Capes, atuou como coordenador da Comissão de Cursos Multidisciplinares (2006-2008). Exerce, desde fevereiro de 2011, a função de secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Atualmente, Nobre representa o Brasil no International Institute for Applied System Analysis (Iiasa). É membro do International Scientific Advisory e do High Level Scientific Advisory Panel on Global Sustainability, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Assessoria de Comunicação Social               

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Escola Agrícola de Jundiaí promove a Semana Acadêmica das Ciências Agrárias

A Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), Unidade acadêmica especializada em ciências agrárias da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), promove, entre os dias 27 e 30 de abril, a quarta edição da Semana Acadêmica das Ciências Agrárias (Semagrária).
Com o intuito de reunir todas as semanas acadêmicas numa só, a IV Semagrária é o evento destinado às produções de pesquisa, ensino e extensão dos cursos de nível médio, técnico, graduação e pós-graduação da EAJ. O principal objetivo da ação de extensão é a integração dos estudantes nos diversos cursos das Ciências Agrárias, assim como produtores e estudantes da região de Macaíba.
Além das atividades desenvolvidas pelas coordenações, temas como gestão das águas, agronegócio no Rio Grande do Norte, extensão rural e produtos transgênicos serão abordados nas palestras gerais de cada dia da programação do evento.


São oferecidas mil vagas, que podem ser consultadas na aba “Extensão” do Sistema Integrado de Gestão e Atividades Acadêmicas (SIGAA). O evento é aberto a toda a comunidade acadêmica.

Outras informações no link: http://goo.gl/QlYISV.

Fonte: AGECOM-UFRN.

Relatório mundial sobre bioenergia e sustentabilidade será lançado na FAPESP

Agência FAPESP – Cento e trinta e sete especialistas de 24 países e 82 instituições debruçaram-se por dois anos sobre as diversas questões relacionadas com a produção e o uso de bioenergia e sustentabilidade e produziram o relatório Bioenergy & Sustainability.
O volume será lançado na terça-feira, 14/04, na sede da FAPESP, no primeiro simpósio internacional para o lançamento do relatório e discussão das suas conclusões e recomendações.
O trabalho foi coordenado por cientistas ligados aos programas FAPESP de Pesquisa em Bioenergia, Mudanças Climáticas Globais  e BIOTA – de pesquisa sobre a biodiversidade – e teve apoio da FAPESP e do Comitê Científico para Problemas do Ambiente (Scope, na sigla em inglês), agência intergovernamental responsável pela iniciativa associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
No encontro, que terá a participação de pesquisadores e especialistas do Brasil e do exterior ligados a instituições de ensino e pesquisa e à indústria, além de representantes de organizações não governamentais, serão apresentados o estado e as tendências atuais na produção de bioenergia e seus efeitos na elaboração de estratégias nas áreas política, de inovação e de comunicação.
Com base em mais de 2 mil referências e estudos, o relatório fornece uma análise abrangente de tecnologias e práticas atuais da bioenergia, incluindo produção, sistemas e mercados, e o potencial de expansão sustentável e de maior adoção da bioenergia, em paralelo com uma revisão crítica dos seus impactos.
Os autores consideraram como a expansão da bioenergia e seus impactos afetam os sistemas atuais de energia, a produção de alimentos, a segurança ambiental e climática e o desenvolvimento sustentável, tanto em regiões desenvolvidas como em desenvolvimento. A partir dessa análise abrangente, os autores apresentam recomendações embasadas cientificamente para a adoção de políticas e a implantação de diferentes opções de uso da bioenergia, nas diferentes regiões do mundo: biocombustíveis líquidos, bioeletricidade, biogás e produtos químicos de base biológica, entre outros.
O relatório está dividido em cinco Seções, sendo a primeira de apresentação e a segunda um Sumário Executivo do relatório, abrangendo o Sumário Técnico e os Números da Bioenergia – amplo levantamento de dados de produção atual de biomassa e de uso da terra, de tecnologias de conversão e números referentes às necessidades futuras, considerando benefícios sociais e ambientais.
A Seção III traz as sínteses de temas transversais, cada um com suas respectivas conclusões e recomendações: segurança energética, bioenergia e segurança alimentar, segurança ambiental e climática, desenvolvimento sustentável e inovação e as lacunas do conhecimento para a expansão sustentável da bioenergia. A Seção IV apresenta o estado da arte levantado pelos experts que subsidiou um intenso debate dos especialistas de várias áreas ao definir as recomendações e destaques apresentados na Seção III, como uso da terra, fontes de biomassa para bioenergia, integração com agricultura e silvicultura, água e solo, emissões de gases de efeito estufa até os impactos dos biocombustíveis na biodiversidade e serviços ecossistêmicos e as questões sociais e econômicas envolvidas.
Destaques
O relatório Bioenergy & Sustainability confirma o valor da bioenergia como alternativa energética e para a redução dos impactos da queima de combustíveis fósseis. Destaca ainda as possibilidades de aumentar a segurança energética e a mitigação das mudanças climáticas pelo uso de tecnologias avançadas de conversão de biomassa, que também contribuiriam para compensar impactos ambientais negativos causados pelo desmatamento e degradação de terras cultivadas e pastagens.
Outra conclusão é que sistemas de produção de bioenergia que adotam práticas sustentáveis podem compensar emissões de gases de efeito estufa resultantes de mudanças no uso da terra ou perda da biodiversidade. Essas tecnologias e procedimentos incluem a combinação de diferentes matérias-primas, utilização de coprodutos, integração da bioenergia com a agricultura, intensificação de pastagens, zoneamento agroecológico, planejamento de paisagens, aumento de produtividade e outras práticas de gerenciamento da terra adaptadas a condições locais.
Os autores concluem ainda que existem áreas suficientes no mundo para ampliação do cultivo de biomassa, que a maioria das terras está na América Latina e na África e que o uso dessas áreas não representa uma ameaça para a segurança alimentar e a biodiversidade. E confirmam evidências de que a adoção de tecnologias para melhoria do solo, a integração de cadeias produtivas e o uso de subprodutos da bioenergia em áreas rurais pobres podem melhorar o desempenho da economia, aumentar a qualidade dos alimentos, diminuir a poluição e criar empregos.
A íntegra do relatório Bioenergy & Sustainability está publicada em: bioenfapesp.org/scopebioenergy/index.php/chapters

Mais informações no site:www.fapesp.br/9206

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Plantio de eucalipto aumenta chuva em regiões altas das Serras do Mar e Mantiqueira

Elton Alisson | Agência FAPESP – A substituição da vegetação natural das encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira pelo plantio de eucalipto aumenta o volume de chuva sobre as áreas mais altas e, consequentemente, os riscos de deslizamentos de terra nessas regiões serranas durante a estação chuvosa – entre dezembro e fevereiro.
A constatação é de uma pesquisa de doutorado realizada pela tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Viviane Regina Algarve, no âmbito do Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, apoiado pela FAPESP.

Substituição da vegetação natural das encostas aumenta volume de precipitações no topo de montanhas, culminando em riscos de deslizamentos de terra, aponta estudo do Inpe

“Observamos que a mudança da vegetação natural por eucalipto nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira altera as trocas de energia entre a superfície e a atmosfera, modificando o padrão de circulação de vento que ocorre entre o vale e a montanha e, em razão disto, o transporte de calor e umidade para o topo das serras”, disse Regina Alvalá, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e orientadora do estudo, à Agência FAPESP.
“O aumento da convergência de umidade sobre os topos das montanhas facilita a formação e alimentação de nuvens, nevoeiros e tempestades”, explicou.
De acordo com dados do Anuário Estatístico da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas, há mais de 6 milhões de hectares de florestas de eucalipto no Brasil, em regiões com diferentes topografias e padrões de chuva.
Em São Paulo, as plantações de eucalipto estão concentradas em cidades situadas próximas das Serras do Mar e da Mantiqueira, à exceção de Ribeirão Preto.
Com o aumento da demanda por celulose e madeira, as plantações de eucalipto têm sido expandidas para encostas íngremes em municípios próximos a essas duas regiões serranas do estado.
Em razão dessa e de outras mudanças no uso e cobertura da terra – como a conversão para área de pastagem –, que têm ocorrido nas últimas décadas nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira, está aumentando o volume de chuvas sobre as áreas mais altas dessas regiões serranas, o que pode resultar em riscos de deslizamentos, apontam os autores do estudo.
“Como o eucalipto é uma vegetação de porte alto, absorve muita radiação e, com isso, altera os balanços de energia e de água entre a superfície e a atmosfera. Isso acaba culminando em um aumento do volume de chuvas”, disse Alvalá.
Os pesquisadores analisaram séries históricas de dados de chuvas, referentes ao período de 1961 a 1990, de 25 estações meteorológicas distribuídas por municípios localizados próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.
“Observamos que, embora as alterações mais significativas no volume de chuvas tenham ocorrido sobre as áreas mais elevadas das Serras do Mar e da Mantiqueira, também houve um aumento do número de episódios de chuvas em algumas áreas na região do Vale do Paraíba”, afirmou Alvalá.
Projeções
A fim de avaliar os impactos da conversão de áreas de floresta para plantio de eucalipto ou para pastagem no regime de chuva das Serras do Mar e da Mantiqueira, os pesquisadores fizeram projeções usando o modelo climático regional ETA-CPTEC, com resolução espacial de 10 quilômetros, desenvolvido pelo Inpe.
As projeções indicaram que tanto a troca da vegetação natural por plantio de eucalipto como para área de pastagem levam ao aumento no volume diário de chuvas durante o verão, principalmente sobre as áreas mais elevadas das regiões serranas.
“A análise dos dados observacionais do período entre 1941 e 2012 e as simulações com o modelo meteorológico ETA para o período entre 1981 e 1990 indicam que as mudanças no uso e cobertura da terra observadas nas Serras do Mar e da Mantiqueira causaram o aumento no volume de chuvas em algumas áreas dessas regiões serranas”, avaliou Alvalá.
“Esse tipo de diagnóstico da evolução da mudança de uso da terra e suas implicações climáticas são essenciais para orientar tomadores de decisão de órgãos governamentais e da Defesa Civil na identificação de áreas de risco”, afirmou.
Em outro estudo, publicado no International Journal of Geo-Information, os pesquisadores avaliaram a suscetibilidade ao deslizamento de terra em áreas ocupadas por plantações de eucalipto em diferentes fases de desenvolvimento, ou convertidas em áreas de pastagem, em 16 municípios próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.
Os resultados do estudo indicaram que as áreas convertidas para pastagem apresentam os maiores níveis de suscetibilidade, seguidas pelas que receberam novas plantações de eucalipto e as ocupadas por moradias.
“Há uma preocupação sobre a área crescente de plantações de eucalipto em encostas íngremes no Estado de São Paulo uma vez que não há estudos específicos sobre o impacto do reflorestamento em processos de movimento de massa”, ressaltam os autores do estudo.
De acordo com os pesquisadores, o eucalipto tem diferentes fases de desenvolvimento, que podem contribuir em maior ou menor escala para a ocorrência de deslizamentos de terra.
No estágio inicial de desenvolvimento – que dura entre dois e três anos –, as árvores de eucalipto possuem uma grande quantidade de folhas, que bloqueiam a exposição do solo à luz solar, tornando-o mais úmido e vulnerável a deslizamentos.
Já na fase adulta, diminui a quantidade de folhas das árvores de eucalipto, permitindo que a luz solar atinja e reduza a vulnerabilidade do solo.
Durante a fase da colheita do eucalipto, contudo, o solo fica completamente exposto à chuva e aumenta sua taxa de erosão, o que pode deflagrar deslizamentos de terra, apontam os autores do estudo.

“A taxa de erosão de uma área de colheita de eucalipto pode ser até quatro vezes maior do que a de uma região com vegetação preservada”, destacam.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

USP: Instituto Oceanográfico promove exposição “Cultivando Água Boa”

Da Agência USP de Notícias 
No dia 10 de abril, às 16 horas, no Museu Oceanográfico do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, acontece a abertura da Exposição Cultivando Água Boa. A mostra temporária poderá ser visitada entre os dias 14 de abril e 26 de junho, de terça a sexta, das 9 às 17 horas.

Criada por Itaipu Binacional e o Instituto Ecoar para a Cidadania, a Exposição retrata o programa de mesmo nome, que é o movimento que reconhece a água como um recurso universal e um bem de uso comum a todos os seres vivos. Caracterizado como o primeiro grande programa de gestão de bacias hidrográficas do Brasil, já conseguiu recuperar mais de 200 unidades no período de 12 anos e por isto, foi premiado como o projeto me Melhores Práticas de Gestão Ambiental (Best Water Management Practices) componente do programa Water for life 2005-2015 da ONU.

domingo, 5 de abril de 2015

Mapping the Spread of Drought Across the U.S.


Droughts appear to be intensifying over much of the West and Southwest as a result of global warming. Over the past decade, droughts in some regions have rivaled the epic dry spells of the 1930s and 1950s. About 37 percent of the contiguous United States was in at least a moderate drought as of March 31.
Things have been particularly bad in California, which has just imposed its first mandatory water restrictions, the latest in a series of drastic measures to reduce water consumption. California farmers, without water from reservoirs in the Central Valley, are left to choose which of their crops to water. Parts of Texas, Oklahoma and surrounding states are also suffering from drought conditions.
The relationship between the climate and droughts is complicated. Parts of the country are becoming wetter: East of the Mississippi, rainfall has been rising. But global warming also appears to be causing moisture to evaporate faster in places that were already dry. Researchers believe drought conditions in these places are likely to intensify in coming years.

There has been little relief for some places since the summer of 2012. At the recent peak last May, about 40 percent of the country was abnormally dry or in at least a moderate drought.

For a more detailed view of the history of droughts in the United States since 1895, here’s an updated version of a chart The Times ran in 2012, based on the Palmer Index.

*In full, with illustrations @ nytimes 

Vegetação do mundo cresce

A vegetação mundial se expandiu, acrescentando quase 4 bilhões de toneladas de carbono a plantas desde 2003, graças ao plantio de árvores na China, crescimento de florestas nos antigos estados soviéticos e savanas mais viçosas devido a mais chuva.
De acordo com os pesquisadores, há diversos fatores que explicam o crescimento. “O aumento de vegetação veio principalmente de uma combinação feliz de fatores ambientais e econômicos, e de plantação maciça de árvores na China” disse Yi Liu, da Universidade de Nova Gales do Sul e principal autor do estudo.
As descobertas foram feitas com uma técnica inteiramente nova de mudança de mapas de biomassa no correr do tempo, com uso de mensurações de satélites e ondas naturais de rádio emitidas da superfície da Terra. “Análises anteriores de biomassa focavam em mudança na cobertura florestal”, afirmou o co-autor Albert van Dijk, da Universidade Nacional da Austrália. “Com nossa abordagem descobrimos grandes e inesperados aumentos de vegetação nas savanas do norte da África e Sul da Austrália”.
Os cientistas descobriram o acréscimo de carbono, apesar do desmatamento em grande escala nas florestas tropicais no Brasil e Indonésia, de acordo com pesquisa publicada ontem na Nature Climate Change.
O carbono flui entre os oceanos, ar e terra. Está presente na atmosfera primariamente como dióxido de carbono – o gás principal da mudança do clima – e armazenado nas árvores como carbono. Através da fotossíntese, as árvores convertem dióxido de carbono no alimento que precisam para crescer, aprisionando o carbono na madeira.

O aumento de 4 bilhões de toneladas é minúsculo se comparado às 60 bilhões de toneladas de carbono liberadas na atmosfera pela queima de combustível fóssil e pela produção de cimento no mesmo período, disse Yi Liy, principal autor do estudo e cientista da Universidade de Nova Gales do Sul, informa o Science a Go Go.

Por José Eduardo Mendonça via Planeta Sustentável.

Seca no Sudeste pode durar 30 anos, aponta especialista

O cenário da atual seca no Sudeste, que passa pela pior crise hídrica dos últimos 85 anos, pode durar por 30 anos mais, segundo afirmou neste sábado (4) um especialista em meteorologia.

O meteorologista e sócio da empresa de consultoria especializada Somar Meteorologia, Paulo Ethichury, explicou à Agência Efe que o clima atual no país obedece a um ciclo de esfriamento do oceano Pacífico nos últimos anos, que se opõe às décadas de 1980, 1990 e 2000, quando o clima era mais quente.

O início do ano assustou, em termos climáticos, a agroindústria, com um atraso do cultivo da soja e perspectivas de queda da produtividade em outras matérias-primas agrícolas, como o café.

Segundo Ethichury, os períodos de seca mais amplos podem se repetir no ano que vem.

"A atual fase é a mesma que vivemos nos anos 1940, também com menores volumes de chuva. Trata-se de um novo ciclo, também chamado de 'interdecadal', no qual estamos voltando para esta fase seca", assinalou o especialista, que aponta que os ciclos têm intervalos, às vezes, de 30 anos.

De acordo com Ethichury, é "um ciclo que traz um comportamento climático de padrão mais seco".

"Isso significa que, por exemplo, antes se cultivava milho em ciclos de 130 a 140 dias e hoje esses cultivos são feitos entre 100 e 105 dias para que sejam mais efetivo na época de chuvas", destacou Ethichury.

A crise hídrica do Sudeste deixou em alerta os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e, principalmente, São Paulo.

O sistema Cantareira, que abastece 5,6 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, já utilizou as duas cotas do chamado "volume morto", uma reserva técnica adicional dos reservatórios.

As chuvas de fevereiro e março, que superaram a média para esses meses, elevaram parte dos níveis das reservas, mas não o suficiente para melhorar a situação.

A 3ª Conferência da Agroindústria, da qual participaram na semana passada centenas de empresários e executivos do setor, expressou a preocupação pelo atual cenário climático do país, que também pode afetar a geração de energia.

"Sabemos que está chovendo, mas chove menos e por isso estamos com problemas nos reservatórios. O calendário agrícola torna-se, então, menor", acrescentou o meteorologista.

O aquecimento pelo fenômeno do El Niño, segundo Ethichury, ameniza em parte os efeitos do esfriamento do Pacífico, mas a formação de chuvas foi insuficiente e a previsão é similar para os próximos anos.

"Sem alarmismo, trata-se de um momento de adequação na alternância de períodos ou décadas mais ou menos chuvosas", concluiu Ethichury.

Por outro lado, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mauricio Antônio Lopes, a seca ajudou a incorporar novas tecnologias e a fomentar a produção de transgênicos no país.

Lopes concordou com Ethichury sobre o fato de que "há uma tendência muito forte na agricultura de produzir com ciclos mais curtos", principalmente pela falta de chuvas e de abastecimento de água para os cultivos de soja, milho, algodão e feijão.

Fonte: Portal UOL
Por Cleyton Vilarino

segunda-feira, 30 de março de 2015

Mossoró e mais 152 municípios do RN estão em situação de calamidade por causa da seca

O governo do Rio Grande do Norte decretou calamidade pública em 153 municípios do Rio Grande do Norte por causa da seca. O decreto foi publicado no Diário Oficial de sábado (28) e tem validade de 180 dias. Segundo o documento, as chuvas ocorridas no segundo semestre de 2014 e neste início de 2015 no RN foram insuficientes para a formação de estoques de água potável nos reservatórios que atendem parte da zona rural.
Seca causou prejuízos financeiros de R$ 3,8 bilhões no RN em 2014. (Foto: Célio Duarte)
Seca causou prejuízos financeiros de R$ 3,8 bilhões no RN em 2014. (Foto: Célio Duarte)


Dentre os municípios incluídos no decreto estão Mossoró, Apodi, Nova Cruz, Currais Novos, Caicó e São Miguel do Gostoso. Confira aqui todos os municípios incluídos no decreto.
De acordo com a publicação, para decretar calamidade o governo considerou a previsão da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (EMPARN) de chuvas abaixo da média histórica para 2015 e ainda que os prejuízos financeiros ocasionados pela escassez hídrica verificada no ano de 2014, em todo o território do estado do Rio Grande do Norte, chegam a R$ 3.8 bilhões de reais.
Ainda segundo informações do governo, dos 167 municípios do estado, 120 são abastecidos por carros-pipa atualmente, o que corresponde a 260 mil pessoas abastecidas por carros-pipa.
O decreto permite que os municípios contratem com dispensa de licitação “as obras e os serviços que se mostrarem aptos a mitigar as consequências provocadas pela estiagem”.


Fonte: G1/RN via Gazeta do Oeste


sexta-feira, 27 de março de 2015

Inpe desenvolve metodologia para mapear risco de deslizamento de terra

Elton Alisson | Agência FAPESP – Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desenvolveram uma metodologia para mapear áreas suscetíveis a deslizamentos de terra em municípios brasileiros a partir de dados e softwares de domínio público.
Desenvolvida no âmbito do Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, realizado com apoio da FAPESP, a metodologia foi descrita em um artigo publicado na revista Natural Hazards and Earth System Sciences.
Sistema usa dados e softwares livres e pode auxiliar municípios que ainda não possuem levantamentos de regiões vulneráveis (foto:IPT)

“A ideia de usar dados e softwares livres foi para possibilitar que a metodologia possa ser utilizada de forma prática e confiável por gestores públicos de municípios brasileiros que ainda não possuem mapeamentos de áreas suscetíveis a deslizamentos de terra e que muitas vezes sofrem com esse tipo de problema”, disse Pedro Ivo Camarinha, doutorando no Inpe e um dos autores da metodologia, à Agência FAPESP.
A metodologia utiliza um sistema de processamento de informações georreferenciadas chamado Spring, desenvolvido pelo Inpe e disponibilizado gratuitamente na internet, além de um banco de dados geomorfométricos do Brasil, denominado Topodata, também criado pelo Inpe a partir de dados da missão Shuttle Radar Topography Mission (SRTM).
Realizada em fevereiro de 2000 pelo ônibus espacial Endeavour, da agência espacial americana (Nasa), a SRTM teve o objetivo de obter a mais completa base de dados topográficos digitais e de alta resolução da Terra por meio de um sistema de radar.
“O Topodata conseguiu melhorar a resolução dos dados de topografia fornecidos pela SRTM – que era de 90 metros – para toda a América do Sul e, especialmente para o Brasil, oferecendo ao usuário uma série de dados topográficos com resolução espacial de 30 metros”, disse Camarinha.
“Isso colabora para elaboração de mapas de suscetibilidade a deslizamentos de terra de municípios brasileiros com resolução aceitável”, avaliou.
Serra do Mar
A fim de avaliar sua confiabilidade, a metodologia foi usada inicialmente para estimar a suscetibilidade e riscos de deslizamento de terra nos municípios de Caraguatatuba, Ubatuba, Santos e Cubatão, situados na região da Serra do Mar, no litoral paulista.
De importância estratégica para a economia do estado e do país em razão de concentrar portos, estradas, oleodutos e gaseodutos, além de serem centros turísticos, os quatro municípios registram frequentemente desastres naturais envolvendo deslizamentos de terra devido, entre outros fatores, às características geofísicas e ao crescimento populacional desordenado, que levou à ocupação de áreas próximas a encostas e morros.
Por essas razões, essas quatro cidades têm sido consideradas prioritárias nos mapeamentos de áreas de risco de deslizamentos feitos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) – o órgão oficial de assessoramento dos municípios e da Defesa Civil na gestão de riscos de desastres naturais.
“Os municípios de Caraguatatuba, Ubatuba, Santos e Cubatão já contam com um mapeamento de áreas suscetíveis a deslizamentos de terra, elaborado pelo CPRM, devido a seus históricos de desastres naturais relacionados a esse tipo de processo geológico”, disse Camarinha.
Ao comparar o levantamento de suscetibilidade a deslizamento de terra feito com a metodologia desenvolvida pelo Inpe com o levantamento de áreas de risco de deslizamento realizado pelo CPRM nesses quatro municípios, os pesquisadores constataram que a metodologia é bastante eficiente.
Além de áreas de risco de deslizamentos de terra já identificadas pelo CPRM em campo, a metodologia indicou que há regiões com suscetibilidade alta e muito alta nos quatro municípios situadas, em sua maioria, em áreas de expansão urbana.
“A metodologia que desenvolvemos foi capaz de identificar com considerável precisão onde estão localizadas as áreas de risco de deslizamento de terra nos quatro municípios analisados”, afirmou Camarinha.
“Ela pode ser usada tanto em cidades que já possuem mapeamento de suscetibilidade a deslizamento de terra para reforçar e nortear as análises feitas in loco pelo CPRM, como também por municípios que ainda não têm esse tipo de levantamento”, afirmou.
Levantamento nacional
De acordo com a The International Emergency Disasters Database (EM-DAT) – uma base de dados de desastres ocorridos em todo o mundo desde 1900 –, no período de 1900 a 2013 foram registrados 150 grandes desastres naturais no Brasil, que afetaram 71 milhões de pessoas, causaram mais de 10 mil mortes e perdas estimadas em US$ 16 bilhões.
Devido ao aumento da frequência e intensidade de desastres naturais relacionados a deslizamentos de terra nas cidades brasileiras nas últimas duas décadas – especialmente nas regiões Sudeste e Sul do país –, o CPRM começou a realizar a partir de 2013, por solicitação do governo federal, um mapeamento de suscetibilidade, perigo e risco em 821 municípios considerados prioritários por registrarem o maior número de ocorrências.
O trabalho vem avançando nos últimos anos, mas ainda há uma série de municípios prioritários que ainda não possuem esse tipo de mapeamento, apontou Camarinha.
“Além desses municípios considerados prioritários, há uma série de outros onde também ocorrem deslizamentos de terra, mas com menor frequência e intensidade”, afirmou.
“Para esses casos, a metodologia que desenvolvemos pode auxiliar a Defesa Civil e secretarias municipais que tratam de riscos de desastres naturais a fazer um planejamento urbano melhor, como também identificar áreas de risco a deslizamentos de terra”, avaliou
Além de Caraguatatuba, Ubatuba, Santos e Cubatão, após ser validada, a metodologia também foi usada para avaliar a suscetibilidade a deslizamento de terra em cerca de outros 60 municípios paulistas, situados na Baixada Santista, Litoral Norte, região metropolitana de Campinas, Serra da Mantiqueira e no Vale do Paraíba.

Os pesquisadores também estão avaliando a possibilidade de adaptar a metodologia para analisar áreas de risco suscetíveis à inundação, que representa o tipo de desastre natural mais frequente (58% do total) e que causa maior número de óbitos no Brasil, seguido por deslizamentos de terra (15,6%), segundo o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, elaborado pelo Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).