quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

París y el camino hacia la neutralidad climática


El 19 de enero, Halldór Thorgeirsson, director de Estrategia de la Secretaría de Cambio Climático de la ONU, participó en la Conferencia Internacional Fronteras Árticas sobre Clima y Energía 2015, que tuvo lugar en Tromsø, Noruega.

El Sr. Thorgeisson subrayó la importancia de este 2015 como un año clave para la toma de decisiones sobre cambio climático y, de manera más amplia, sobre el desarrollo sostenible. En diciembre los gobiernos se darán cita en París, Francia, en la COP 21/CMP 11, para alcanzar un nuevo acuerdo universal sobre cambio climático que mantenga el calentamiento global por debajo de los 2ºC y haga posible la neutralidad climática en la segunda mitad de siglo. El mensaje clave del discurso del Sr. Thorgeisson fue:

    "Se puede mantener el calentamiento global bajo ese límite y a la vez hacer posibles las aspiraciones legítimas de desarrollo y erradicación de la pobreza. Pero si esto se sigue retrasando, aumentarán los costes y los riesgos de perturbaciones mayores como resultado de un cambio apresurado en las políticas. que implicaría cambiar las políticas de manera acelerada."

Lea el discurso completo en inglés.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Seca no NE: Previsão de chuvas para o Semiárido é abaixo do normal para 2015

Os meteorologistas do Nordeste e outros especialistas nacionais de institutos de meteorologia, reunidos ontem (19) e hoje (20), em Fortaleza/CE, na Fundação Cearense de Meteorologia, no XVII Workshop Internacional de Avaliação Climática para o Semiárido Nordestino, concluíram a análise climática para o período de fevereiro a abril de 2015. Segundo o prognóstico, “existe uma tendência de que as chuvas para os próximos três meses (fevereiro, março e abril de 2015) apresentem valores abaixo da normalidade, com grande variabilidade temporal e espacial, conforme os seguintes percentuais: 45% abaixo do normal; 35% dentro do normal e apenas 20% acima do normal.
Segundo os meteorologistas, na análise dos resultados dos modelos oceânicos, que simulam o comportamento da temperatura da superfície dos oceanos para os próximos meses, mostra uma tendência de diminuição do Fenômeno El Niño no Pacífico e um quadro de normalidade para o oceano Atlântico. Essa simulação foi utilizada para estimar o comportamento das chuvas para os próximos meses, dando como resultado uma condição de chuva abaixo da média histórica para o período.
Assim, com as análises dos parâmetros climáticos globais referentes ao mês de dezembro de 2014 e os resultados dos principais modelos oceânicos/atmosféricos (CPTEC/INPE, FUNCEME, IRI, UK MetOffice) e estatístico (INMET), existe uma tendência de que as chuvas para os próximos três meses (fevereiro, março e abril de 2015) apresentem valores abaixo da normalidade, com grande variabilidade temporal e espacial.
No primeiro momento do encontro, os Estados apresentaram as condições pluviométricas referentes ao mês de dezembro e início de janeiro de 2015, destacando os baixos índices de chuvas ocorridos nos Estados do Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia. Para a primeira quinzena de janeiro as chuvas também foram de pequena intensidade e localizadas mesmo com a atuação de vários Vórtices Ciclônicos em Ar Superior (Sistema Meteorológico Transiente que atua sobre a região durante o verão).

Reservatórios
Com relação à condição hídrica do Rio Grande do Norte, prevalece uma alta deficiência no armazenamento de água nos principais reservatórios do seu semiárido, com algumas regiões em situação próximo ao colapso total no abastecimento, caso das Microrregiões do Seridó Ocidental e Oriental, Borborema Potiguar e o Alto Oeste. Os maiores reservatórios do Estado (Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, Santa Cruz e Umari) apresentam uma situação volumétrica que varia de 30 a 45% dos seus volumes máximos.

Em seguida, foram apresentados os parâmetros atmosféricos que influenciam diretamente na ocorrência de chuvas na região, com destaque à condição de temperatura das águas superficiais dos oceanos Atlântico e Pacífico. Essa variável, pelo lado do Oceano Atlântico apresentou durante o mês de dezembro passado uma condição ainda desfavorável, uma vez que na bacia tropical sul as águas superficiais apresentaram anomalias negativas, isto é, águas mais frias do que o normal, enquanto que na bacia tropical norte deste oceano as águas estiveram um pouco mais aquecidas do que o normal, comportamento esse desfavorável para o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (Principal Sistema Meteorológico causador das chuvas no Nordeste Brasileiro no período de fevereiro a maio), para posições mais próximas do Nordeste.

Outro comportamento não favorável a ocorrência de chuvas de modo satisfatório na região nordeste para os próximos meses foi a condição térmica apresentada pelas águas superficiais do Oceano Pacífico que, mesmo apresentado uma redução na anomalia ainda estiveram mais quentes do que o normal.

Fonte: TNonline

Extreme Weather Watch: 2014 Hottest Year on Record

By John Lawrence
It’s official: NOAA and NASA have confirmed that 2014 was the hottest year on record. Despite the fact of Arctic cold winters on the US east coast, the average earth surface temperature was the hottest on record. Those cold temperatures were more than made up for elsewhere.
The fact that the three hottest years on record are 2014, 2010 and 2005 points in the direction that climate change is indeed a reality, a reality that is only getting worse as time goes on.
The 10 warmest years have all occurred since 1997, a reflection of the relentless planetary warming that scientists say is a consequence of human activity. Climate change deniers have pointed to 1998 as the year they say the earth stopped warming. Despite the fact that 1998 was the hottest year on record up to that point, that record has since been broken … many times!
Oceans were unusually warm everywhere except Antarctica fueling extreme Pacific ocean storms. Since the year 2000 there have been seven major typhoons in the Philippines, the country most exposed to deadly storms in the world. These storms have cost between $193 million and $2.86 billion in damages and clean-up each.
The remarkable thing about 2014 is that the heat record did not occur during an El Nino year which is the type of weather system that usually produces heat records. The next time there is an El Nino, records will probably be blown away.
According to the New York Times:
[Scientists] expect the heat to get much worse over coming decades, but already it is killing forests around the world, driving plants and animals toextinction, melting land ice and causing the seas to rise at an accelerating pace.
“It is exceptionally unlikely that we would be witnessing a record year of warmth, during a record-warm decade, during a several decades-long period of warmth that appears to be unrivaled for more than a thousand years, were it not for the rising levels of planet-warming gases produced by the burning of fossil fuels,” Michael E. Mann, a climate scientist at the Pennsylvania State University, said in an email.
climate 365As heat records continue to pile up, climate change deniers will have an increasingly tough time explaining their position. Berkely Earth has shown that the rise in average world land temperatures is approximately 1.5 degrees C in the past 250 years, and about 0.9 degrees in the past 50 years.
As a result of recent calculations, many scientists now say that sea levels are likely to rise perhaps three feet by 2100 — an increase that, should it come to pass, would pose a threat to coastal regions the world over. A rise of three feet would inundate low-lying lands in many countries rendering some areas uninhabitable. It would cause coastal flooding of the sort that now happens once or twice a century to occur every few years. It would cause much faster erosion of beaches, barrier islands and marshes. It would contaminate fresh water supplies with salt.
Coastal cities like New York, Miami, London, Cairo, Bangkok, Venice and Shanghai could be inundated. Many areas of the US east coast would be subject to punishing storm surges on a yearly basis. Melting ice in Greenland seems to be accelerating which is an ominous sign because, if Greenland’s ice disappears, that alone could raise sea levels worldwide by 20 feet. The fact that 2014 saw seven straight months of record high ocean temperatures from May to November bodes ill for polar glaciers.
Sea levels have varied by hundreds of feet in the past but that was before humans evolved.
With the waxing and waning of ice ages, driven by wobbles in the earth’s orbit, sea level has varied by hundreds of feet, with shorelines moving many miles in either direction. “We’re used to the shoreline being fixed, and it’s not,” said Robin E. Bell, a scientist at the Lamont-Doherty Earth Observatoryof Columbia University.
But at all times in the past, when the shoreline migrated, humans either had not evolved yet or consisted of primitive bands of hunter-gatherers who could readily move. By the middle of this century, a projected nine billion people will inhabit the planet, with many millions of them living within a few feet of sea level.
Melting glaciers will also affect the world’s fresh water supply.The Himalayas supply water to 1.5 billion of the earth’s people through three major rivers: the Indus, the Ganges and the Yangtze. Glaciers in the Andes Mountains supply the Amazon River, and glaciers in the Alps provide the water for the Rhine, the Rhone and the Danube. Shipping across Europe wouldn’t be possible without adequate water flows in these rivers.
no water no jobsThe drought in California is the worst in over 1200 years. Record wildfires were experienced in Washington State including the largest wildfire in the state’s history with 400 square miles of land burned and 300 structures lost. Major floods and hurricanes occurred throughout the world. 2015 promises more of the same.
Will Republicans provide the funds to deal with emergencies that extreme weather events will cause in the next two years while they are controlling Congress and to a large extent the fate of the nation? I don’t think so. Adaptation and mitigation will be ignored. The red states stand to lose the most as tornadoes wreak havoc in Tornado Alley. People there may be left to their own devices as Republicans in Congress, climate change deniers all, will also not be very charitable in putting up funds to assist those who have experienced weather related extreme events.

Source: San Diego Free Press


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Global Warming Linked To More Extreme Weather And Weaker Jet Stream


We have seen a quantum jump in extreme weather events in the Northern Hemisphere in the last several years. Droughts, deluges, and heat waves are increasingly getting “stuck” or “blocked,” which in turn worsens and prolongs their impact beyond what might be expected just from the recent human-caused increase in global temperatures.
A growing body of research ties that unexpected jump to a weakening of the jet stream — in particular to “more frequent high-amplitude (wavy) jet-stream configurations that favor persistent weather patterns,” as a new study puts it.
Much of this new research ties the weakening jet stream to “Arctic amplification (AA) — defined here as the enhanced sensitivity of Arctic temperature change relative to mid-latitude regions,” in the words of the new study, “Evidence for a wavier jet stream in response to rapid Arctic warming” by Jennifer Francis and Stephen Vavrus. But that is no by no means a universally accepted explanation. I’ll review some of the evidence in this post.


MunichRe2015

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Grupo de especialistas divulga previsão do clima para o próximo trimestre

por Ascom do MCTI

Chuvas abaixo da média na região Semiárida do Nordeste e na região Norte do Brasil, com possibilidade de queimadas e incêndios em Roraima, e continuidade de precipitação acima da média na região Sul. Essas são as tendências climáticas para os próximos três meses (fevereiro, março e abril). Elas foram apresentadas nesta sexta-feira (16) na primeira reunião de 2015 do Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Paulo Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI), atribuiu os resultados da avaliação do grupo à continuidade do fenômeno El Niño. "Temos uma condição sazonal dessas três regiões onde é possível hoje cientificamente e tecnologicamente fazer essas previsões", afirmou o especialista que conduziu as atividades do primeiro encontro do GTPCS.
Participam do grupo de trabalho, instituído pelo MCTI em novembro de 2013, as principais lideranças na área de previsão climática no País. A cada mês os especialistas se reúnem para traçar prognósticos para o trimestre seguinte. O objetivo é dar subsídios aos tomadores de decisões sobre o cenário climático que se aproxima.
O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, alertou que a previsão climática para o próximo trimestre inspira atenção. "O Brasil está vivendo um momento de diferentes extremos climáticos em diferentes partes do país com impactos na economia e na sociedade", destacou o secretário que também coordena do GTPCS. "As informações geradas pelo grupo de trabalho alimentam imediatamente ministérios e a presidência da República para que sejam tomadas as medidas necessárias."
Na abertura do encontro, que aconteceu pela primeira vez em Brasília, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, enfatizou a importância de haver previsão climática de curto prazo. "O trabalho dos pesquisadores do GTPCS já contribuiu no ano passado para reduzir os danos da seca no Nordeste e das enchentes em Rondônia", exemplificou.
Participam do grupo pesquisadores do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe; do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST); do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI); e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). A cada reunião um dos membros conduzirá as atividades. Nesta sexta, o meteorologista Paulo Nobre, pesquisador do Inpe, coordenou os trabalhos.
Para outras regiões do país não há previsibilidade climática, a exemplo do Sudeste. "O Nordeste, por exemplo, é a região com maior previsibilidade sazonal porque tem a dependência do Oceano e um tempo de variação bem lento. Na região Sudeste, o que causa chuva são as frentes frias que tem um tempo de previsibilidade de uma semana, no máximo duas", explica Paulo Nobre, pesquisador do Inpe. No limite do conhecimento científico o que se pode afirmar é que as chuvas continuarão abaixo da média neste período.
Acesse aqui o relatório completo emitido pelo GTPCS.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Mudanças climáticas exigem ação urgente – via Marcos Aurélio de Sá

João Guilherme Sabino Ometto
Engenheiro, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas da entidade
O Brasil tem grande contribuição a dar ao mundo na luta contra a poluição do meio ambiente e o aquecimento global, problemas que tendem a se agravar nos próximos anos. Com capacidade para produzir, consumir e exportar biocombustíveis em larga escala (a partir de culturas como cana de açúcar, sorgo, oleaginosas e biomassas celulósicas em geral), sucedâneos da gasolina e do diesel com a vantagem de não serem emissores de dióxido de carbono na atmosfera, nosso empresariado espera apenas que se coloquem em prática políticas públicas de incentivo à atividade. Já no que diz respeito à exploração de fontes energéticas sustentáveis (como a eólica e a solar), os primeiros passos vêm sendo dados com sucesso em nosso meio – inclusive aqui no Rio Grande do Norte – mas ainda em ritmo lento, se comparado com o que está acontecendo hoje na China, nos Estados Unidos e em diversos países europeus. Para que o leitor da coluna compreenda melhor a urgência do país se envolver com mais ênfase na campanha mundial pela substituição de matrizes energéticas prejudiciais à natureza e ao próprio homem, cedemos hoje este espaço ao artigo abaixo.

Para reduzir o aquecimento global, cada país teria de fazer investimentos equivalentes a apenas 0,06 por cento de seu PIB. É muito pouco, em especial se considerarmos a gravidade das mudanças climáticas e suas consequências. Todo o mundo será afetado, em especial as nações mais pobres, e poderá haver graves riscos à segurança alimentar, além do surgimento de novos bolsões de miséria.
Os alertas, incluindo informações de que a presença de dióxido de carbono na atmosfera é a maior em 800 mil anos, feitos na recente apresentação, em Copenhague, Dinamarca, do relatório síntese do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), tornam decisivas as próximas negociações, que precisam ir muito além de acordos bilaterais, como o recém firmado por China e Estados Unidos, que é importante, mas insuficiente. O entendimento e adoção de providências são impreteríveis, pois o fenômeno, se não for controlado logo, aumentará a probabilidade de impactos severos, invasivos e sem volta para os ecossistemas.
É instigante a ponderação feita pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na apresentação do documento do IPCC, de que se não forem tomadas as providências necessárias, a oportunidade de manter o aumento da temperatura global abaixo da meta de dois graus Celsius não será mais possível em menos de 10 anos. O novo relatório, considerado o mais abrangente sobre o tema até hoje realizado, mostra que, mesmo cessando as emissões de carbono de imediato, ainda levaria um bom tempo para normalizar a situação do clima.
Em contrapartida, é alentadora a conclusão dos especialistas de que há boas condições para se concretizar um planeta mais sustentável, com ações rápidas e uso de tecnologias e ferramentas já disponíveis. Nesse sentido, todos concordam que as energias renováveis, cada vez mais competitivas economicamente, são uma das soluções indispensáveis. Isso reafirma a importância do Brasil na luta da humanidade contra as mudanças climáticas, o que deve colocar o etanol, o biodiesel, os biocombustíveis em geral e a hidroeletricidade dentre as pautas prioritárias do País nos próximos anos. Independentemente do pré-sal, é preciso olhar com muita atenção para as demais fontes energéticas presentes em nossa generosa natureza.
Por outro lado, é prudente salientar uma ressalva feita pelo secretário-geral da ONU em Copenhague, que não teve a devida atenção: as nações mais pobres e vulneráveis, as maiores vítimas do aquecimento global, são as que menos contribuíram para potencializar o problema. Por isso, é justa a proposta que vem sendo defendida pelo Brasil, de que o acordo a ser firmado na Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP 21), em Paris, no mês de novembro de 2015, considere as ações já realizadas e estabeleça metodologia para quantificar e qualificar as responsabilidades anteriores pelas emissões de carbono.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que concorda com essa posição e espera que ela seja acolhida, participa oficialmente das COPs desde 2009. Defende, ainda, que as decisões ligadas à agropecuária garantam a segurança alimentar e os sistemas produtivos, mas sem medidas disfarçadas que permitam a adoção de barreiras ao comércio. Além de engajada a essa agenda internacional, a entidade realiza numerosas ações voltadas a contribuir para a sustentabilidade ambiental, social e econômica da indústria.
O relatório síntese do IPCC é taxativo: a inércia custará muito caro à humanidade. As soluções existem e permitem a continuação do desenvolvimento econômico. Porém, é essencial a vontade de mudar!

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Aldo Rebelo recebe presidentes da ABC e SBPC

As reuniões com Jacob Palis (ABC) e Helena Nader (SBPC) trataram do fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, recebeu na manhã desta quarta-feira (14) o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, o vice-presidente da ABC, Hernan Chaimovich Guralnik, e o diretor da entidade João Fernando Gomes.
No encontro, ocorrido em Brasília, eles debateram questões relativas ao fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação (CT&I) nos próximos anos. "O ministro nos fez esse convite e temos as portas abertas para fazer sugestões e propostas com o mesmo objetivo de aumentar a importância da CT&I no País", disse Palis.
Na avaliação dele, um dos maiores desafios do setor é fazer crescer o "engajamento" da comunidade científica nas conquistas socioeconômicas do Brasil. "Um País que não tem uma estrutura forte de CT&I não consegue avançar em termos econômicos e sociais. Precisamos de apoio para cumprir as nossas metas", avaliou o presidente da ABC.
SBPC
À tarde, Aldo recebeu a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader. Entre os vários assuntos abordados na audiência, mereceram destaque as matérias de interesse do setor que tramitam no Congresso Nacional.
Dentre elas, o Projeto de Lei (PL) 7735/2014, que trata do acesso ao patrimônio genético, e a mudança na Constituição Federal com a aprovação, em dezembro do ano passado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12 e o Projeto de Lei (PL) 2177/2011, que trata de aperfeiçoamentos do marco regulatório de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Helena Nader, que considerou a reunião "muito produtiva", disse que a expectativa é a de que o ministro contribua para fortalecer o setor. "Esperamos que ele, que conhece o Congresso Nacional como poucos e tem um diálogo muito presente com a presidenta Dilma, possa trazer uma força política para o ministério", disse, ao apontar o MCTI e o Ministério da Educação (MEC) como pastas-chave para o desenvolvimento do País. "São aqueles [ministérios] do investimento, da aposta de para aonde o Brasil quer ir. É o que queremos que aconteça e acredito que ele vá lutar por isso".
O ministro e a presidenta da SBPC também conversaram sobre a transversalidade do MCTI e a necessidade de ampliar a interação com outras pastas, com os estados brasileiros e com outros países.

por Ascom do MCTI

Reunião em Fortaleza para a análise climática

Na próxima segunda-feira, dia 19, acontecerá em Fortaleza/CE, sob coordenação da Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME) o XVII WorkShop Internacional de Avaliação Climática para o Semiárido Nordestino. As reuniões ocorrem todos os anos, entre os meses de dezembro e abril, para tentar estabelecer um prognóstico para o inverno no Nordeste.

Nesse encontro de Fortaleza serão analisadas as informações referentes às condições dos oceanos Pacífico Atlântico e da atmosfera das últimas semanas, para a elaboração do Prognóstico Climático para o período de fevereiro, março e abril de 2015.

Para este encontro, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) enviará os pesquisadores Gilmar Bristot e Josemir Araújo Neves. Além de participarem do encontro com pesquisadores do Nordeste e de organismos nacionais, os pesquisadores discutirão também a participação da EMPARN na execução de projetos em parceria com a FUNCEME.

Fonte: ASSECOM/EMPARN

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Pesquisa geoquímica aprimora modelos climáticos

Por José Tadeu Arantes
Agência FAPESP – Qual o impacto das oscilações naturais de longa e média durações na configuração climática? Como evoluiu, nos últimos 50 mil anos, aquela que é atualmente a maior floresta do mundo? Em que medida os dados do passado validam as projeções para o futuro?
Perguntas como essas compuseram o pano de fundo do projeto de pesquisa “Variabilidade do sistema de monção da América do Sul dos últimos três milênios integrando registros lacustres, espeleotemas e marinhos”, coordenado por Francisco William da Cruz Junior, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IG-USP), e por Renato Campello Cordeiro, do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (IQ-UFF). O projeto foi apoiado por acordo de cooperação entre a FAPESP e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
A pesquisa fez reconstituições do clima e do ambiente de milhares de anos atrás, no território que hoje é o Brasil, investigando o fundo de lagos e cavernas. Segundo Cruz, da USP, esse tipo de pesquisa, que investiga o chamado “paleoclima”, poderá ajudar os climatologistas atuais. “Hoje em dia, são bem conhecidos os ciclos de alta frequência, como os do El Niño e La Niña, que se repetem em intervalos de dois a sete anos. Mas existem ciclos naturais mais longos, que duram várias décadas, séculos ou até mesmo milênios, e há uma limitação estatística para detectá-los, pois nossas séries temporais não são extensas o suficiente, uma vez que dependem da idade das estações de coleta”, disse.
Conforme os autores, a pesquisa abrangeu um intervalo de tempo muito maior do que os 3 mil anos referidos no título do projeto. O trabalho realizado por Cruz foi analisar amostras de cavernas (espeleotemas), mais especificamente de estalagmites, que foram datadas pelo método de decaimento radioativo do urânio para o tório e depois submetidas a análises geoquímicas. Já a pesquisa de Cordeiro utilizou perfis sedimentares lacustres – o lodo parcialmente endurecido dos fundos dos lagos – e fez a datação das diversas seções dessas colunas mediante o método do carbono 14.
Uma das constatações foi a de que a Floresta Amazônica adquiriu a exuberância que a caracteriza hoje em época extremamente recente, nos últimos 4 mil anos.
Amostras de cavernas
No caso dos espeleotemas, como se trata de material inorgânico – carbonatos infiltrados pelas águas das chuvas e depositados nas cavernas –, não pôde ser aplicada a técnica mais conhecida do carbono 14, que é efetiva apenas para amostras orgânicas.
“Medindo-se as concentrações de urânio e de tório, por meio do espectrômetro de massa, é possível estimar, pela relação entre os dois valores, a idade da amostra, com uma margem de erro de apenas 1%”, disse Cruz.
Uma vez datadas, as amostras foram submetidas a análises geoquímicas. A composição química de cada secção do material correlaciona-se com as condições ambientais prevalentes no período de formação da camada.
“É difícil traduzir composição química em milímetros de chuva por ano. Mas é possível detectar oscilações de precipitações, caracterizando períodos mais ou menos chuvosos, e, com base nisso, construir um mapa de distribuição de chuvas em escala continental”, detalhou Cruz.
Segundo o cientista, o indicador mais seguro, no caso de suas amostras, é a razão dos diferentes isótopos do oxigênio – como a razão entre o oxigênio 18, que é raro, e o oxigênio 16, o mais abundante. Essa relação possibilitou determinar, inclusive, a procedência das precipitações, se foram geradas pela umidade proveniente da Amazônia ou do Atlântico, por exemplo.
Sedimentos de lagos
“O estudo do paleoclima me fez rever alguns conceitos da Ecologia”, lembrou Cordeiro. “A Ecologia opera com a ideia de clímax, de que o ecossistema atinge um apogeu de complexidade, a partir do qual começa a declinar. No entanto, a ciência paleoclimática mostra que os sistemas mudam em estrutura e funcionamento em função do clima, estando sempre em equilíbrio com as mudanças climáticas.”
“Os sistemas florestais amazônicos, tais como os conhecemos hoje em relação às suas biomassas, são um produto da relativa estabilidade climática dos últimos 4 mil anos. Nesse período, a biomassa aumentou de forma significativa e com crescente acumulação de carbono até os dias atuais, compondo hoje o mais importante bioma em estoques e captura de carbono da biosfera terrestre. Esse patrimônio encontra-se, agora, fortemente ameaçado pela ação humana”, disse o professor da UFF.
De acordo com Cordeiro, o nível dos lagos existentes na Amazônia apresentou um movimento descendente no período que vai de 50 mil a 18 mil anos atrás. E muitos lagos secaram entre 25 mil e 18 mil anos, em função da última era glacial, quando o regime hidrológico global diminuiu com a retenção de água nas geleiras.
Depois, entre 15 mil e 8 mil anos atrás, o clima voltou a ficar mais úmido. E, entre 8 mil e 4 mil anos, ocorreu novamente um período de diminuição da umidade, chamado de “fase seca do Holoceno Médio”.
“Nessa fase, o clima foi extremamente variável, com épocas nas quais a floresta cresceu e outras em que sofreu intensos distúrbios, com a ocorrência de muitos incêndios. A partir de 4 mil anos – com períodos secos intercalados menos intensos que o do Holoceno Médio –, o clima tornou-se consistentemente mais úmido. Em especial nos últimos 400 anos, a floresta registrou um aumento expressivo em sua biomassa. Nas amostras mais recentes, percebemos o impacto da presença humana pelo grande aumento de partículas carbonizadas”, disse Cordeiro à Agência FAPESP.
“A taxa de sedimentação varia de lago para lago. Uma coluna de 1 metro pode ter até 40 mil anos em um caso e apenas 100 anos em outro. Se a taxa de sedimentação for elevada, a amostra apresentará alta resolução temporal. Por outro lado, se a taxa de sedimentação for baixa, um mesmo comprimento de coluna, embora com menor resolução, possibilitará mergulhar muito mais profundamente no passado. Temos registros da Lagoa da Pata, que fica na Amazônia, perto da linha do Equador, quase na fronteira com a Venezuela, nos quais uma coluna de 1,20 metro nos permitiu recuar até 50 mil anos”, disse.
O cálculo da taxa de sedimentação é simples, ao menos do ponto de vista conceitual. Basta dividir a distância entre duas seções da coluna pelo intervalo de tempo compreendido entre suas respectivas idades, estimadas por meio do carbono 14. O quociente é expresso em centímetros por ano.
Mas o objetivo da pesquisa, que continua a ser desenvolvida por Cordeiro após o fim do projeto FAPESP-Faperj, é bem mais ambicioso. Consiste em colher a coluna de sedimentos, datar as diferentes seções e investigar, em cada seção, indicadores correlacionados com as condições ambientais. “Cada coluna demanda cerca de dois anos de trabalho”, comentou.
O conjunto dos indicadores engloba a granulometria (o tamanho dos grãos encontrados informa sobre a hidrodinâmica do meio), a geoquímica inorgânica (a partir da composição mineral é possível determinar as fontes dos sedimentos) e a geoquímica orgânica (por exemplo, se a vegetação existente em torno do lago no período considerado era de tipo florestal ou de gramínea), entre outros fatores.
“Trabalhamos em cooperação com pesquisadores que estudam a composição dos grãos de pólen depositados nos sedimentos. Se há pólens de vegetação arbórea, isso informa que o clima era mais úmido naquela época. Ao passo que pólens de gramíneas e outros vegetais adaptados a condições de estresse hídrico indicam um clima mais seco. E pólens de espécies cultivadas sinalizam a intervenção humana”, explicou Cordeiro.
Outro indicador bastante utilizado pelo pesquisador é a quantificação de partículas carbonizadas. São indícios de momentos nos quais a floresta sofreu distúrbios relacionados com a ocorrência de climas mais secos ou com a intervenção humana. “Cruzando dados geoquímicos com os dados de pólens, é possível interpretar se as queimadas foram eventos espontâneos ou resultados da ação humana”, acrescentou.
O passado desvendando o futuro
Tanto no caso dos espeleotemas de Cruz como dos perfis lacustres de Cordeiro, é a integração de uma grande massa de dados que possibilita construir cenários sobre o clima do passado. E, com base nisso, fornecer aportes valiosos para os modelos atuais.
“Nossa expectativa é determinar padrões naturais, para que aqueles que trabalham com modelos possam diferenciar tais ocorrências daquelas causadas por fatores antrópicos e entender o acoplamento de uma coisa com a outra”, resumiu Cruz.
“Começamos estudando os efeitos de fenômenos de longa duração, como os Ciclos de Milankovich, já bem descritos na literatura, que resultam de diferentes processos astronômicos [como a variação da distância Terra-Sol causada pelas interações gravitacionais da Terra com outros planetas e o Sol, gerando ciclos de precessão de 23 mil e 19 mil anos ]”, afirmou o pesquisador.
“Depois, transitamos para ciclos de variação climática mais curtos, de poucos milhares de anos, de séculos e de décadas, como a Oscilação Multidecadal do Atlântico [Atlantic Multidecadal Oscillation ou AMO], gerada por mudanças na circulação oceânica. O desafio é chegar a ciclos cada vez mais curtos, com alta recorrência na atualidade”, continuou.
“Em uma série temporal muito curta, a atual seca que aflige a região Sudeste do país tende a ser considerada um evento singular. Mas, com a incorporação de dados paleoclimáticos e a composição de séries mais longas, talvez possam ser detectados outros períodos de seca severa há centenas de anos. E, a partir disso, estimar o quanto a intervenção humana está magnificando os eventuais ciclos naturais.”
Os dados fornecidos pelo estudo do paleoclima podem contribuir não apenas para o aprimoramento dos modelos climáticos, mas também para a gestão ambiental. Isso fica claro, por exemplo, em uma linha de pesquisa desenvolvida atualmente por Cordeiro na Amazônia, que investiga a correlação entre as variações climáticas e a acumulação de carbono nos lagos de várzea.
“Hoje, sabemos razoavelmente bem quanto carbono há na floresta em pé e quanto carbono existe nos solos. Foram publicados também, por colegas, dois trabalhos importantes sobre o transporte de carbono pelos rios amazônicos rumo ao mar. Mas ainda temos poucos estudos sobre a acumulação de carbono nos lagos de várzea”, disse.
“Dos 6 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia, cerca de 800 mil quilômetros quadrados correspondem a áreas inundáveis: é razoável supor que a acumulação de carbono nas várzeas constitua um fator muito importante em relação à dinâmica na biosfera desse elemento fundamental para o equilíbrio climático do planeta”, disse Cordeiro.
Estimar o montante dessa reserva torna-se especialmente urgente diante da perspectiva de construção de um numeroso conjunto de barragens na Amazônia.
“O impacto poderá ser muito grande, pois as barragens, caso sejam concretizadas, mudarão fortemente o regime hidrológico, praticamente extinguindo os sistemas de várzeas, que no conjunto atuam como importante compartimento acumulador de carbono”, alertou Cordeiro.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Nature: Political appointments spur concerns for Amazon

Environmentalists worried after Brazilian president picks ministers with ties to agriculture lobby.


by Jeff Tollefson

Brazilian president Dilma Rousseff survived an unexpectedly strong challenge from a prominent environmentalist to stay in office. Now, less than three months into her second term, Rousseff has sparked controversy by appointing an avowed climate-change sceptic as science minister.
The choice of Aldo Rebelo, a Communist law-maker who last July called the idea of global warming “incompatible with current knowledge”, follows a decade in which Brazil has slowed Amazon deforestation and claimed a leadership role in international climate policy. Rebelo promised to uphold the government’s climate stance when he assumed his post at the Ministry of Science, Technology and Innovation on 2 January, but his appointment has stirred fears that Brazil may backslide on environmental protection.
“In general, scientists are sceptical and disappointed,” says Jean Ometto, coordinator of the Earth System Science Centre at the government’s National Institute for Space Research in Sao Jose dos Campos. “But the scientific centre is strong, and there’s going to be pressure from the scientific community not to change the way that climate change is governed.”
Rebelo earned his reputation as a skilful politician in the lower house of Brazil’s National Congress, and he played a leading part when the ‘ruralistas’ — a voting bloc representing rural agriculture — weakened protections for Brazil’s forests in 2012. Most scientists say that Rebelo largely ignored the scientific community during that debate, although some think that he may move to the political centre as minister of science.
In a written statement provided to Nature, Rebelo dismissed concerns about his position on global warming. “The debate about climate change exists independent of my opinion,” he said. More broadly, Rebelo said that his duty as minister of science is to listen to — and fight for — the academic and scientific community in Brazil.
He has limited power to influence climate policy, although the ministry does oversee some national assessments and some climate reports to the United Nations. One area that will receive considerable attention is the ministry’s funding for science, which has been squeezed by competing demands in recent years.
But Rebelo is not the only appointment to raise eyebrows. Rousseff named Kátia Abreu, who fought environmentalists as a senator and agricultural lobbyist, to head Brazil’s agriculture ministry. And both appointments come at a sensitive time: although the rate of Amazon deforestation has dropped by 82% since 2004, the pace of land clearing spiked sharply in 2013 — and it seems to be on the rise once again.
Rousseff has never had a good relationship with environmentalists, who say that she is hiding behind Brazil’s relative success in reducing deforestation while pushing for major dams and ports that will only increase pressure on forests. Now, after a bruising election, she is looking to rebuild support in Congress in the middle of corruption scandals that have tainted her party.
The Communist party, of which Rebelo is a member, has been a “small but loyal” member of the governing coalition led by Rousseff’s Workers’ Party, and it is also friendly with the agricultural caucus, says Steve Schwartzman, an anthropologist with the Environmental Defense Fund in Washington DC, who has worked in Brazil for decades.
One key to Brazil’s success in curbing deforestation and carbon emissions over the past decade was the involvement of multiple agencies, but that kind of coordinated approach could be more difficult today, Schwartzman says. “These ministerial appointments cast a lot of doubt on what we can expect from this government.”
Helena Nader, president of the Brazilian Society for the Advancement of Science, takes a more conciliatory approach: she says that scientists should give Rebelo some time at the ministry before judging him. More broadly, Nader says that she isn’t expecting a major backslide on environmental issues by the new Rousseff government.
“Nevertheless,” she says, “only time will show.”
Source: Nature 517, 251–252 ()
doi:10.1038/517251a