segunda-feira, 12 de março de 2012

Para evitar que Kiribati 'suma do mapa', governo cogita mudar todo o país para Fiji

Para evitar que o arquipélago de Kiribati, no Oceano Pacífico, literalmente ‘suma do mapa’, o presidente do país, Anote Tong, está considerando deslocar toda a população para a principal ilha de Fiji, Viti Levu. Kiribati tem 103 mil habitantes.
“Não gostaríamos de colocar todo mundo em um pedaço de terra, mas se isso se tornar absolutamente necessário, sim, podemos fazer”, Tong disse à agência Associated Press. “Isso não seria uma medida para mim, pessoalmente, mas para a geração mais nova. Para eles, mudar não seria questão de escolha. Isso vai ser uma questão de sobrevivência”.
As autoridades de Kiribati estão considerando comprar uma área de 6.000 acres (24 km2) colocada à venda por um grupo religioso por cerca de US$ 9,6 milhões.
Fiji, que tem uma população de 850 mil habitantes, fica aproximadamente 2.250 quilômetros ao sul de Kiribati. O governo local está estudando os planos do arquipélago vizinho para se manifestar oficialmente sobre o assunto.
Já o presidente de Kiribati espera a aprovação da compra pelo Parlamento do país – o que está previsto para ocorrer em abril – para discutir a mudança formalmente com as autoridades fijianas.
O governo kiribaitiano já considerou outras opções para contornar o problema, como escorar as ilhas com muros no mar ou mesmo construindo uma ilha artificial flutuante – alternativa considerada muito cara pelas autoridades locais.
O temor é que o aumento do nível do mar por conta do aquecimento global inunde todo o arquipélago, que fica cerca de 4.000 km ao sul do Havaí e tem área total de 811 km2. Quase a totalidade das ilhas de Kiribati são atóis.

Matéria completa neste link.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Diretrizes nacionais para programa de redução de emissões

Por Karina Toledo
Agência FAPESP – O Brasil é o único país com condições de colocar em prática um programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD), mecanismo pelo qual nações que reduzem o desmatamento poderiam vender créditos de carbono no mercado internacional. Por conta disso, o governo brasileiro deveria apresentar diretrizes sobre o tema até a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada em junho no Rio de Janeiro.
A análise foi f eita por Paulo Moutinho, diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), durante o “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”. O workshop foi realizado pela FAPESP nos dias 6 e 7 de março em São Paulo.
De acordo com Moutinho, embora a queima de combustíveis fósseis seja a principal responsável pelas emissões de gases-estufa, a forma mais rápida e barata de combater a mudança climática é deter o desmatamento de florestas, principalmente nas regiões tropicais do planeta. “Mas isso não quer dizer que o esforço que Brasil e outras nações estão fazendo para conter a derrubada de árvores tenha de valer pouco”, disse.
O diretor do Ipam foi um dos idealizadores do conceito de “Redução Compensada de Emissões”, que deu origem ao REDD. O argumento é que os países tropicais ajudam a estabilizar o clima do planeta por meio de suas florestas e, assim, os custos para mantê-las em pé devem ser divididos por todos.
A ideia foi apresentada pela primeira vez em 2003, durante a 9ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-9), na Itália. As discussões continuaram nas conferências seguintes. O conceito, que inicialmente focava o desmatamento evitado, passou a englobar ações como degradação florestal evitada, aumento de estoques de carbono e conservação florestal, sendo rebatizado como REDD+.
Mas, até hoje, o mecanismo não foi devidamente regulamentado em nenhum lugar do mundo e, por esse motivo, passou a sofrer o que Moutinho chama de “efeito Saci-Pererê”: todo mundo já ouviu falar, mas ninguém viu.
“Se isso não ocorrer no Brasil, não vai acontecer em nenhum outro lugar do mundo. Vários elementos fazem do país o lugar ideal para colocar esse grande experimento em andamento”, disse.
Segundo dados do Ipam, o Brasil está entre os cinco maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa. Mais de 60% das emissões brasileiras são resultantes de mudanças de uso do solo e desmatamento. Indonésia e Congo seriam os dois outros países tropicais com “desmatamento a ser tratado”, mas não têm as mesmas condições favoráveis do Brasil.
O país, de acordo com Moutinho, avançou muito ao criar a Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e estabelecer metas para a redução do desmatamento até 2020.
“Além disso, temos o Fundo Amazônia, um bom sistema de monitoramento, 185 bilhões de hectares de áreas protegidas – que abrigam 26 bilhões de toneladas de carbono, uma sociedade organizada, uma comunidade científica de excelência e uma governança crescente”, disse.
Entre os obstáculos mencionados por Moutinho está o fato de que os grandes projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não têm salvaguardas ambientais explícitas. Ele cita também a demanda crescente por commodities como bioetanol e soja, os assentamentos florestais e a flexibilização da legislação ambiental, que pode ocorrer se for aprovado o novo Código Florestal.
Estratégia regulamentada
O Estado do Acre, segundo Moutinho, possui o programa de REDD mais avançado do mundo. “Outros estados amazônicos e também do Sudeste, como São Paulo, têm feito esforços para reduzir suas emissões por desmatamento. Mas falta uma estratégia nacional”, ressaltou.
Para o diretor do Ipam, se não houver uma legislação federal que articule as estratégias estaduais, a instabilidade afastará os investidores internacionais. “Se cada programa tiver uma lógica diferente e sua própria forma de calcular as emissões, o investidor não vai saber o que está comprando. Até a RIO+20 o governo teria de dar diretrizes mais claras do que ele quer realmente implantar em âmbito nacional”, disse.
Regulamentar uma estratégia de REDD, de acordo com Moutinho, é a grande oportunidade de mudar a lógica de produção e estimular uma economia de baixo carbono. “Não precisa deixar de produzir. É possível aumentar a produtividade em áreas menores e ainda ganhar dinheiro pela floresta que ficou em pé”, disse.
A princípio, seria possível colocar isso em prática mesmo sem auxílio internacional, contando com recursos de isenção fiscal e fundos de compensação ambiental. “Mas a remuneração externa é importante, pois o mundo tem de reconhecer o esforço do Brasil em proteger a floresta”, disse Moutinho.

Mais destaque para os oceanos nas discussões ambientais

Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Os oceanos precisam passar a ganhar mais destaque na agenda de discussões dos fóruns ambientais internacionais, como a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.
A reivindicação foi feita por pesquisadores da área de oceanografia durante o workshop preparativo para a RIO+20 “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”, realizado pela FAPESP nos dias 6 e 7 de março no Espaço Apas, em São Paulo.
O objetivo do evento foi contribuir para as discussões sobre tópicos que estarão em pauta durante a RIO+20 a partir de pesquisas realizadas no Brasil sobre clima, biodiversidade, meio ambiente e energia, entre outros temas, no âmbito dos programas BIOTA-FAPESP, FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e FAPESP de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).
Na avaliação de cientistas presentes no encontro, é preciso que a questão dos oceanos, que tem sido sistematicamente subestimada nas discussões ambientais, passe a ganhar maior relevância a partir da RIO+20.
“Até o momento, os oceanos têm aparecido de maneira secundária na agenda ambiental e na agenda dos países, em parte pela falta de informações sobre eles. A expectativa da comunidade científica é que eles sejam contemplados de forma mais efetiva a partir da RIO+20”, disse José Henrique Muelbert, professor da Universidade Federal do Rio Grande, à Agência FAPESP.
Na opinião do cientista, apesar de os oceanos e ambientes marinhos em geral terem merecido mais de dez parágrafos no documento preparatório da RIO+20 – mais conhecido como Zero Draft –, a agenda de discussões sobre o tema na Conferência ainda está um pouco tímida.
“Existem muitos aspectos relacionados aos oceanos que ficaram de fora da agenda da conferência, e o principal é a questão da observação dos oceanos, principalmente em ambientes costeiros, onde existe uma grande relação entre a ocupação humana e os ambientes oceânicos”, avaliou Muelbert.
De acordo com o pesquisador, um dos poucos itens relacionados aos ambientes marinhos mencionados no Zero Draft diz respeito à necessidade de implantar um sistema de observação para acidificação dos oceanos.
Observado a partir da década de 1990, o fenômeno caracterizado pelo aumento na acidez da água do mar devido ao aumento de CO2 nos oceanos acelera a dissolução do carbonato de cálcio e da aragonita presentes na composição do esqueleto e exoesqueleto de muito organismos que vivem nos oceanos, como mariscos, mexilhões e ostras, que perderão suas capacidades de formar carapaças.
Em função disso, o fenômeno poderá causar o desaparecimento dessas espécies, além de outras muito importantes para os ecossistemas aquáticos, como corais e plânctons, que são fontes de alimentos de peixes e baleias e realizam fotossíntese.
“Alguns estudos recentes demonstraram que alguns oceanos, em especial o Atlântico e o Índico, vão ter uma variabilidade muito grande da taxa de pH”, disse Muelbert.
Segundo Muelbert, além da diminuição da biodiversidade marinha, outros impactos que poderão ser causados pela acidificação dos oceanos serão nas propriedades óticas e na temperatura dos mares.
Com a dissolução das carapaças dos organismos marinhos, provocada pela diminuição do pH da água do mar, os pesquisadores estimam que ocorrerá um aumento significativo da quantidade de carbonato em suspensão. Como consequência desse processo, o fundo dos oceanos poderá se tornar mais escuro e a capacidade de as plantas realizar fotossíntese e crescer nesse ambiente aquático poderá ficar restrita à superfície.
“Isso também poderá ter interferência na transferência de calor entre a coluna d’água dos oceanos e a atmosfera. A presença de mais elementos em suspensão no mar fará com que ele reflita mais luz”, explicou Muelbert.
Carência de informações
Na avaliação do professor da Universidade Federal do Rio Grande, é preciso obter muito mais informações do que as disponíveis hoje para acompanhar e gerenciar os problemas relacionados em parte às mudanças climáticas globais que estão afetando os oceanos.
Segundo Muelbert, é necessário obter mais dados meteorológicos de séries temporais de 20 a 30 anos, por exemplo, que permitam aos pesquisadores da área analisar as modificações que estão ocorrendo nos oceanos a longo prazo.
“Não sabemos praticamente nada sobre o centro dos oceanos. Já em relação às regiões costeiras, onde ocorrem os maiores impactos e são mais fáceis de pesquisar, temos uma boa quantidade de informações, principalmente sobre biodiversidade”, comparou.
Nesse sentido, Muelbert avalia como louvável a iniciativa da FAPESP de financiar a aquisição de um navio oceanográfico que permitirá obter mais dados sobre áreas oceânicas. “O navio possibilitará ao Brasil atuar mais nessas regiões, das quais não dispomos de muitas informações”, afirmou.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Nota à imprensa - reunião sobre a continuidade das pesquisas na Antártica

01/03/2012 - 18:58
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação esteve reunido, nesta data, com grupo de dez pesquisadores associados ao Programa Antártico Brasileiro, oriundos de várias instituições de pesquisa nacionais, com o propósito de efetuar um balanço sobre as pesquisas antárticas realizadas por instituições brasileiras, particularmente os projetos que vêm sendo executados a partir da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), e avaliar o que precisa ser feito para garantir a continuidade dos projetos de pesquisa na Antártica.

Os cientistas relataram, em balanço preliminar efetuado, que estão preservados, e sem risco de descontinuidade, 60% dos projetos em execução na região antártica. Destacam-se as investigações executadas nos navios polares brasileiros, em acampamentos remotos e a partir do verão de 2011/2012 no módulo científico Criosfera (2.500 quilômetros ao sul da Estação Ferraz). Dentre os 40% de projetos de pesquisa atingidos pelo incêndio, foram mais prejudicados os estudos de biologia marinha.

Foram sugeridas pelos cientistas ações emergenciais, a serem adotadas em curto e médio-prazos:

1. Inicialmente, será feito levantamento sobre a capacidade de se manter operacionais aqueles projetos que são realizados nas proximidades da Estação, colocando em funcionamento os módulos que foram preservados do acidente. A Secretaria da CIRM oferecerá a possibilidade de embarque de pesquisadores no próximo voo de apoio da FAB, quando esses projetos, provavelmente, serão reativados, minimizando o período sem coleta de dados.

2. Será também elaborado inventário sobre todos os equipamentos que foram perdidos no incêndio da EACF, buscando garantir a sua pronta reposição.

3. Foi recomendado que o Navio Polar Alte. Maximiano permaneça dedicado a apoiar as pesquisas oceanográficas que se desenvolvem em áreas mais distantes da Baía do Almirantado e da EACF. Adicionalmente, está em estudo a possibilidade de arrendamento de uma terceira plataforma flutuante para apoiar a pesquisa originalmente realizada a partir da Estação.

4. A comunidade científica nacional, amparada pelas manifestações de solidariedade já demonstradas por instituições de outros países com os quais o Brasil tem sólida cooperação na Antártica, buscará viabilizar atividades conjuntas em estações estrangeiras, durante o tempo de reconstrução da EACF.


Decidiu-se também criar um grupo de trabalho composto de cientistas engajados no Proantar, para as especificações técnicas que embasarão o novo projeto arquitetônico para a futura Estação Ferraz, levando em conta o estado-da-arte de construções polares modernas e obedecendo aos princípios de sustentabilidade e de energia limpa vigentes.

O MCTI detalhará nos próximos dias, com apoio da comunidade científica, as demandas acima elencadas, avaliando viabilidade de execução e custos.

Fonte: Portal do MCTI.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nota do INPE sobre o acidente em Ferraz

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
Com forte atuação no Programa Antártico Brasileiro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) lamenta profundamente o acidente na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) e se solidariza aos familiares dos dois militares que foram vítimas da tragédia, bem como a todos os envolvidos no PROANTAR.

No momento do acidente, estavam na EACF dois profissionais do INPE. José Roberto Chagas, da Divisão de Geofísica Espacial, e José Valentin Bageston, da Divisão de Aeronomia, estavam na Antártica desde o dia 10 de fevereiro e tinham retorno previsto para o início de março. Eles estão bem e desembarcaram no Rio de Janeiro na madrugada desta segunda-feira, com o grupo trazido de Punta Arenas, Chile, em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Ainda hoje ambos devem chegar a São José dos Campos.

Segundo relatos dos técnicos, logo que foram detectadas as chamas na Casa das Máquinas o Grupo Base da Marinha, responsável pela manutenção da EACF, orientou que se deixasse imediatamente a Estação, seguindo as instruções do treinamento que todos recebem rotineiramente para atuar em Ferraz. Até serem levados para a base chilena Eduardo Frei, os técnicos do INPE aguardaram no módulo utilizado para pesquisas na área de Ozônio. Outros pesquisadores foram para o módulo Meteoro, que também abriga instalações do instituto.

Nenhum dos laboratórios do INPE foi atingido pelo incêndio. Os dois mais próximos da estação são os módulos de Ozônio e o Meteoro. Já o módulo Ionosfera fica a aproximadamente 300 metros da estação, enquanto o módulo da Alta Atmosfera, onde estão um radar e instrumentos ópticos, está a cerca de um quilômetro de distância.

Estavam em andamento atividades que preparam as instalações para enfrentar o próximo inverno. Com o acidente, não foi possível tomar nenhuma ação para proteger os equipamentos. Os pesquisadores agora avaliam o retorno à Ferraz para evitar danos à instrumentação, que está sem energia, e dar prosseguimento aos projetos de pesquisas.

Projetos

O INPE possui três projetos na EACF. Sob a coordenação da Dra. Neusa Paes Leme, o primeiro é denominado “A Atmosfera Antártica e Conexões com a América do Sul”. Vinculado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), o projeto mantém atividades nos seguintes temas: Alta Atmosfera Neutra, Monitoramento da Ionosfera, Ozônio e Radiação UV, Meteorologia e Gases Minoritários.

O segundo é o “ATMANTAR”, que reúne ações em continuidade aos projetos do Ano Polar Internacional, também coordenado pela Dra. Neusa Paes Leme. E o terceiro é chamado “Monitoramento da alta atmosfera na região Antártica e na América do Sul”, que tem como coordenadora a Dra. Emilia Correia. Os projetos são realizados em colaboração com outras instituições nacionais e estrangeiras.

Além dos projetos baseados na EACF, o INPE realiza atividades no âmbito do PROANTAR com o apoio de navios oceanográficos e, desde janeiro, conta com o módulo Criosfera, instalado no interior do continente (na latitude 85°S, a cerca de 500 quilômetros do Pólo Sul geográfico – já a Estação Ferraz, inaugurada há 28 anos, está localizada na latitude 62°S, na borda do continente).

O INPE conduz pesquisas na região desde o início do Programa Antártico Brasileiro, há 30 anos, com estudos sobre a dinâmica da atmosfera, a camada de ozônio, meteorologia, gases do efeito estufa, a radiação ultravioleta, a relação sol-terra, o transporte de poluição, oceanografia e interação oceano-atmosfera.
Fonte: Portal de notícias do INPE.
Nota do Blog
A Dra. Neusa Paes Leme, que faz parte do PPGCC-UFRN atuando no INPE-CRN, deveria iniciar atividades de pesquisa no domingo passado na EACF. Recentemente, entre janeiro e fevereiro deste ano, o Dr. José Henrique Fernandez, docente da ECT-UFRN e membro do PPGCC, esteve realizando atividades de pesquisas nessa estação.

Nota da Presidente Dilma sobre o acidente na Estação Antártica

Nota à Imprensa
Acidente na Estação Antártica Comandante Ferraz
A presidenta Dilma Rousseff recebeu com grande consternação, neste sábado, a informação sobre o incêndio ocorrido na Estação Antártica Comandante Ferraz, que vitimou os militares da Marinha suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e sargento Roberto Lopes dos Santos, e provocou ferimentos no sargento Luciano Gomes Medeiros.
A presidenta determinou ao Ministro da Defesa, Celso Amorim, a adoção de todas as medidas necessárias para salvaguardar a segurança dos cientistas, militares e visitantes que se encontravam na Base.
A presidenta destaca o heroísmo dos militares no combate ao incêndio e, consternada, manifesta sua solidariedade e do seu governo com as famílias dos dois militares, mortos ao servir a Pátria.
A presidenta reafirma a importância do programa de pesquisas desenvolvido na Estação e elogia a abnegação e o desprendimento dos brasileiros que lá trabalham. A Presidente manifesta, ainda, a firme disposição do País de reconstruir a Estação Antártica Comandante Ferraz.
Em telefonema hoje à tarde, ela agradeceu ao presidente do Chile, Sebastián Piñera, o apoio daquele país no socorro e no resgate dos brasileiros atingidos pelo incêndio.
Agradece, também, o apoio e a solidariedade prestados pelos Governos da Argentina, e da Polônia.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

sábado, 25 de fevereiro de 2012

MCTI: Nota sobre o acidente na Estação Comandante Ferraz, na Antártica

25/02/2012 - 13:43
O Ministério da Ciência,Tecnologia e Inovação (MCTI) lamenta profundamente o acidente ocorrido na madrugada deste sábado (25) na Estação Comandante Ferraz, na Antártica, que acarretou o desaparecimento de dois militares da Marinha Brasileira.

O MCTI, que sempre contou com apoio da Marinha, lembra a importância da presença estratégica do Brasil no continente, por meio da Estação Comandante Ferraz, que tem como fim exclusivo a pesquisa científica.

A estação abriga pesquisadores brasileiros que realizam estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas na Antártica e suas consequências para o planeta, além de pesquisas sobre a vida marinha e a atmosfera. Os trabalhos são financiados por bolsas concedidas pelo Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O ministro Marco Antonio Raupp vem neste momento se solidarizar com os trabalhadores da Estação Comandante Ferraz e seus familiares, e com os cientistas de todo o país, e reafirmar seu empenho em manter, sem interrupções, em parceria com a Marinha, as importantes pesquisas realizadas pelo Brasil na região.

Fonte: portal do MCTI.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cientistas chamam atenção para futuro dos oceanos

Por Carlos Eduardo Lins da Silva, de Vancouver Agência FAPESP – A conferência anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS) foi realizada de 16 a 20 de fevereiro em Vancouver, cidade à beira-mar no Canadá. Não por acaso, diversos relatos de pesquisas relevantes sobre a vida e o futuro dos oceanos foram apresentados durante o encontro e chamaram a atenção do público em geral e especialmente da comunidade local.
Uma das exposições de grande repercussão foi a de James Hansen, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, a agência espacial norte-americana. Segundo Hansen, o uso intensivo de combustíveis fósseis e o consequente aumento das temperaturas médias dos oceanos (já bastante superiores às do Holoceno) podem levar, entre outras consequências, a elevações de vários metros do nível dos oceanos e à extinção de entre 20% e 50% das espécies do planeta.
A elevação do nível dos mares coloca em risco a própria existência física de cidades em áreas costeiras de baixa altitude, como é o caso de Vancouver, entre muitas outras. O fenômeno é intensificado pelo derretimento de parte das calotas polares, também decorrente do aquecimento global, especialmente em regiões mais próximos dos polos, como também é o caso da cidade canadense.
O alerta de Hansen, uma das grandes estrelas da reunião da AAAS, teve, portanto, grande impacto na opinião pública da cidade anfitriã da conferência, inclusive porque suas autoridades públicas tomaram recentes decisões que seguem na contramão das advertências do cientista.
Por exemplo, há planos para dobrar a produção de carvão metalúrgico e fazer crescer significativamente a de gás natural liquefeito, não só para atender à demanda local por energia, mas também para exportação.
Menos célebre do que Hansen, mas também muito respeitado na comunidade científica internacional, Villy Christensen, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, apresentou resultados iniciais, mas impressionantes, de seu projeto Nereus, cujo nome homenageia o deus grego que previa o futuro e morava no mar Egeu.
Segundo Christensen, as melhores estimativas atuais são de que há nos oceanos cerca de 2 bilhões de toneladas de peixe, ou seja, cerca de 300 quilos para cada habitante do planeta. No entanto, pelo menos metade disso está em zonas muito profundas dos mares, é constituída de espécies pequenas demais em tamanho e, por isso, é inviável para exploração comercial e consumo humano.
E na outra metade, de peixes que medem pelo menos 90 centímetros e são apropriados para alimentação de pessoas, houve um declínio da biomassa de 55% de 1970 até agora. “É uma mudança dramática e global”, disse.
Christensen defendeu que se invista mais em pesquisa sobre a vida marinha e especialmente sobre o impacto do aquecimento global sobre ela para que decisões políticas apropriadas possam ser tomadas, mas – apesar da necessidade de mais estudos – ele acha que o que já se sabe é suficiente para muita preocupação com o futuro.
Por exemplo, há a previsão de que o aumento da temperatura das águas vai fazer com que muitas espécies de animais marinhos procurem as águas mais frias das regiões mais próximas dos polos, o que poderia beneficiar os habitantes dessas áreas.
Mas William Cheung, que trabalha no mesmo projeto Nereus, argumenta que essa conclusão otimista pode ser apressada e errada: diferenças de quantidade de oxigênio em águas frias e quente e a crescente acidificação dos oceanos, outra consequência das mudanças climáticas, também comprometem negativamente a produtividade marítima.
Lisa Levin, do Instituto de Oceanografia Scripps, da Califórnia, em outra atividade da conferência da AAAS, corroborou indiretamente a fala de Cheung. Levin mostrou conclusões de sua pesquisa, segundo as quais o aquecimento dos oceanos produzidos pelas mudanças climáticas está causando a expansão de zonas submarinas de baixo oxigênio, o que afeta negativamente a produção pesqueira de diversas regiões, inclusive as da costa da Colúmbia Britânica.
Levin chama o fenômeno de “compressão de habitat” e disse que ele afeta áreas que se estendem por mais de 150 mil quilômetros em torno das beiradas dos oceanos. Segundo suas previsões, até o ano de 2050, peixes que habitam nessas regiões podem perder 50% na variação da profundidade em que vivem.
Os canadenses são bastante sensíveis para este tipo de problema por já terem visto como podem ser socialmente dramáticos os seus efeitos. Há cerca de 20 anos, a escassez da produção de bacalhau na região de Newfoudland, na costa leste do país, provocou o fim de 40 mil empregos. Diversas espécies de peixe – como o do bacalhau atlântico daquela cidade – estão sendo consideradas como ameaçadas de extinção e sua pesca está sendo restringida ou totalmente proibida.

Mais detalhes na Agência FAPESP.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

ANÁLISE E PREVISÃO CLIMÁTICA PARA O PERÍODO DE MARÇO A MAIO DE 2012 NA REGIÃO NORTE DO NORDESTE DO BRASIL

Análise das Condições Oceânicas e Atmosféricas e Previsão da Temperatura da Superfície do Mar
No oceano Pacífico, persiste a condição de resfriamento das águas com predomínio de anomalias negativas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM), principalmente no setor centro-oeste da bacia, típico de um evento de La Niña de intensidade fraca (Figura 1). Com relação à previsão, os resultados dos modelos numéricos e estatísticos indicam a permanência de águas mais frias no Pacífico Tropical, pelo menos até o final do outono no Hemisfério Sul (junho de 2012), indicando a continuidade do evento de La Niña nos próximos meses. No Oceano Atlântico a temperatura da superfície do mar continuou mostrando o setor sul com aguas mais frias do que o normal e um setor norte com águas próximo da normalidade. No campo da pressão atmosférica ao nível do mar, a principal mudança foi a intensificação do centro de alta pressão do Atlântico Norte, o que poderá contribuir para o resfriamento das águas do setor norte desse oceano, possibilitando um deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (Principal Sistema Meteorológico causador de chuvas na Região Nordeste do Brasil, no período de fevereiro a maio).
Em síntese, as condições oceânicas e atmosféricas nos oceanos Pacífico e Atlântico Tropical indicam: no Pacífico, condição favorável a um quadro de chuvas regulares com totais em torno da média no Nordeste do Brasil (região semiárida); no Atlântico Tropical, há evidências de condições associadas a anos com chuvas em torno a abaixo da média no semiárido nordestino. É importante ressaltar que um contínuo monitoramento das condições térmicas do Atlântico Tropical, nos próximos meses, é fundamental para definir a qualidade da estação chuvosa no setor norte do Nordeste do Brasil.