segunda-feira, 20 de outubro de 2014

USP: Mudanças climáticas

Do USP Online
O Núcleo de Pesquisa em Políticas e Regulação de Emissões de Carbono (NUPPREC) do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP e a Faculdade de Direito (FD) da USP, realizam o Seminário Climate Change: Brazil and United States Comparative Vulnerabilities, Regulation and Polices.
O evento acontece dia 22 de outubro, das 9 às 12 horas, no auditório do primeiro andar da FD, Largo São Francisco, 95.
O objetivo é discutir os seguintes tópicos: (i) o papel do Brasil e dos Estados Unidos nas negociações climáticas; (ii) iniciativas de governança climática no âmbito sul-americano e a relação do Brasil com elas; (iii) aspectos das legislações nacionais e subnacionais de ambos os países e como aperfeiçoá-las, sobretudo no tocante às vulnerabilidades decorrentes das mudanças climáticas.
As inscrições devem ser feitas exclusivamente por email comunicacao@iee.usp.br, enviando nome/e-mail/cargo/instituição.
O seminário será totalmente em inglês, sem tradução. A programação pode ser acessada na página do evento.
Mais informações: email omunicacao@iee.usp.br, site http://www.usp.br/iee/?q=en/node/499
http://www.eventos.usp.br/?events=seminario-discute-mudancas-climaticas-no-brasil-e-nos-

Amazon deforestation picking up pace, satellite data reveals

Data indicates 190% rise in land clearance in August and September compared with same period last year

Tree in deforested area in middle of the Amazon jungle
A tree in a deforested area in the middle of the Amazon jungle. Photograph: Raphael Alves/AFP/Getty Images
The deforestation of the Brazilian Amazon has accelerated rapidly in the past two months, underscoring the shortcomings of the government’s environmental policies.
Satellite data indicates a 190% surge in land clearance in August and September compared with the same period last year as loggers and farmers exploit loopholes in regulations that are designed to protect the world’s largest forest.
Figures released by Imazon, a Brazilian nonprofit research organisation, show that 402 square kilometres – more than six times the area of the island of Manhattan – was cleared in September.
The government has postponed the release of official figures until after next Sunday’s presidential election, in which incumbent Dilma Rousseff of the Workers’ party faces a strong challenge from Aécio Neves, a pro-business candidate who has the endorsement of Marina Silva, the popular former environment minister .
But the official numbers are expected to confirm a reversal that started last year, when deforestation rose by 29% after eight years of progress in slowing the rate of tree clearance.
Among the reasons for the setback are a shift in government priorities. Under Rousseff, the government has put a lower priority on the environment and built alliances with powerful agribusiness groups. It has weakened the Forest Code and pushed ahead with dam construction in the Amazon.
The environment ministry has tried to step up monitoring operations and campaigns to catch major violators, but farmers and loggers have also become more sophisticated by clearing areas of less than 25 hectares – below the range that can be detected by the Deter satellite, which the government had been using until recently.
More precise images should be available with a new satellite that has come into operation, but it is thought that better pictures will be likely to show even sharper deterioration.
Covert GPS surveillance of timber trucks by Amazon campaigners has shown how loggers evade the authorities. Much of the timber is laundered and sold to unwitting buyers in the UK, US, Europe and China, Greenpeace revealed this year.
Despite the worsening situation in the Amazon – and São Paulo’s most severe drought since records began – the environment has played little part in the debates between the two presidential candidates.
Alarmed by these trends of environmental degradation and political complacency, Imazon, the Environmental Research Institute of Amazonia and Friends of the Earth have come together to urge the next administration to make diversity and sustainability official priorities for the Amazon.
“It’s time to realize that current investments in the Amazon do not promote development, and deforestation is impeding development. Based on this, you need to design and implement a regional development policy based on diversity of the territory,” said Roberto Smeraldi, director of Friends of the Earth.

Source: The Guardian

Crise Climática: Causada por desmatamento, seca em SP foi prevista há décadas


O Sudeste, o Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste registraram recordes de temperatura nos últimos dias com a bolha de calor estacionada sobre estas regiões. Ela impede a chegada da umidade e consequentemente da chuva. Mas esse é apenas um dos reflexos de um cenário catastrófico já previsto há mais de 20 anos, que hoje, não se trata apenas de uma previsão, mas sim das consequências do desmatamento.  O engenheiro agrônomo com doutorado em biogeoquímica planetária do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais Antônio Donato Nobre, autor de um estudo chamado Futuro Climático da Amazônia  - que deve ser publicado até o final do ano – afirma que a única forma de remediar a situação é adotar uma estratégia de guerra.



“Não quero ser radical, mas quando nós chegamos a esse ponto, nós precisamos ter um discurso de guerra”, diz comparando a ação dos governantes frente à crise financeira de 2008, quando foram investidos trilhões de dólares para salvar bancos privados da crise.  “É uma decisão que precisa ser tomada em 15 dias e não em 15 anos”.

O professor afirma que já vivemos dentro de um desastre, a exemplo do que ele vê todos os dias pela janela de seu apartamento em São José dos Campos, “vejo o céu do Saara, nós estamos aqui em um processo de desertificação, e eu torço para que esteja errado, para que eu esteja equivocado”.

 “Essa onda de destruição tem consequência, agora é a hora da consequência e nós vamos pagar o preço... mas não são mais os cientistas ou a sociedade que estão falando isso, agora é o clima que está falando.... abra a sua torneira e veja se a água está saindo. Esta demonstração faz com que eu não precise me preocupar em relação sobre se o que eu estou falando é verídico ou não”.

Nobre explica que a principal causa do que temos testemunhado no Brasil é efeito do fim das florestas do Sudeste e do desflorestamento em andamento na Amazônia, que diminuiu a umidade do ar. Isso  faz com que as massas de ar seco fiquem estacionadas, diminuindo ainda mais a umidade e impedindo as chuvas. A importância das florestas é tamanha, que um estudo do qual Nobre participou mostrou que a vegetação amazônica produz mais umidade que o volume de água diário do rio Amazonas, que é o maior do mundo. 
Constatações como essa tem feito com que ele defenda ações mais urgentes e radicais contra o desmatamento e em favor do reflorestamento, porque as consequências já estão sendo sentidas. 

“Quando a gente está dentro de um desastre, não podemos raciocinar com a lógica antiga... essa lógica de que ‘será que a Dilma vai concordar’, não funciona em um desastre. Quando você está em um esforço de guerra é regime de exceção, de calamidade pública... é minha posição pessoal, mas é porque não vejo outra saída”, diz. 
Menino tenta se refrescar no Parque Villa-Lobos, na zona oeste
Foto: Gabriela Biló / Futura Press
Ele cita o exemplo do cientista da NASA James  Hansen, um dos maiores nomes no monitoramento de temperatura, que  começou a realizar protestos dizendo que as pessoas soubessem o que ele sabe, estariam juntos com ele protestando. 

“Isto já estava previsto há 20 anos atrás, já estavam gritando na  Eco 92 no Rio de Janeiro para ajudar a humanidade. É grave a situação, é gravíssima, mas não só, não fizeram nada, como aceleraram o processo de destruição. Agora é o custo. Destrói a sua casa, e agora não mais onde morar”, afirma.

Sua maior crítica é contra setores que defendem o desmatamento em favor da agricultura, que impuseram mudanças como o novo Código Florestal, mas que não levaram em consideração os efeitos que o clima tem sobre a própria agricultura, que depende muito da previsibilidade do clima.
Ele diz que além da população, a agricultura sofrerá os impactos disso. “O que essas pessoas que falam em nome da agricultura fizeram foi dar um tiro no próprio pé”. “Porque mesmo com chuva, em um evento de 2004 no Rio Grande do Sul, faltou chuva em umas semanas no período em que a soja estava florescendo e teve mais de 60% de queda de produção

Para ler mais, acesse o Portal Terra de Notícias
 




UFRN recebe selo de sustentabilidade do Ministério do Meio Ambiente

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebeu, do Ministério do Meio Ambiente, o selo A3P Verde. A distinção é conferida em reconhecimento a instituições públicas pelo empenho na implementação da Agenda Ambiental na Administração Pública, através do desenvolvimento de boas práticas de gestão baseadas em conceitos de sustentabilidade.  

O Diretor de Meio Ambiente da Secretaria de Infraestrutura da UFRN e coordenador da comissão para trabalhar na Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), Hérbete Hálamo Rodrigues Caetano Davi, explicou que a análise engloba mais que apenas a coleta seletiva.

“As práticas analisadas pelo selo A3P buscam trazer para a Instituição uma otimização do uso dos recursos. O setor de compras, por exemplo, o que ele teria de conexão com isso? Fazer com que as canetas adquiridas tenham uma melhor produtividade, possam ser usadas até o fim. Desta forma, em um mês, usamos duas canetas ao invés de cinco, descartando menos resíduo. Esse exemplo passa também pela conscientização do servidor em ter mais cuidado com o material utilizado”, colocou Hérbete Hálamo.

Para isso, a UFRN promove campanhas educativas, como foi o caso da “Descarte o copo descartável, adote uma caneca” e “Fazendo o nosso papel”, desenvolvida com o objetivo de diminuir o uso de copos descartáveis e de papel, respectivamente. Não obstante, a Universidade incentiva projetos de extensão como o “Reutilizar é Bem Melhor”, que tem o objetivo de estimular a reutilização de bens e equipamentos pela comunidade acadêmica.

O projeto já tem um blog homônimo (http://reutilizar-ufrn.blogspot.com.br), que cotidianamente veicula fotos de aparelhos que estão temporariamente sem uso e destino na UFRN, mas que podem ser solicitados por qualquer setor.

“Dentro deste contexto, nós desenvolvemos um processo em que a própria instituição ouve sugestões por parte dos servidores sobre o material adquirido. A partir daí, a própria Universidade pode elaborar um diagnóstico e antever situações, por exemplo, encaminhando uma cadeira ergonomicamente correta para o desempenho da função de recepcionista. Assim, propiciamos um maior conforto ao servidor, oferecemos melhores condições de trabalho, minimizamos o desperdício e otimizamos os recursos”, afirmou Hérbete Hálamo.

A preocupação com a sustentabilidade é antiga na UFRN. Exemplo disso é que já no ano de 1983, a Estação de Tratamento de Esgoto foi inaugurada. O Selo A3P veio reconhecer a gestão integrada de resíduos sólidos colocada em prática pela UFRN e que tem como objetivo a redução, a reciclagem, a reutilização e tratamento dos resíduos sólidos. “É uma atividade-meio para que a Universidade continue seu plano de expansão, mas com critério de qualidade de vida”, finalizou Hálamo.

 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O Mapa do Carbono


Esta ferramenta mostra onde estão os maiores emissores e consumidores de combustíveis fósseis e quais são as populações mais afetadas


Por Marina Maciel
Fonte: Planeta Sustentável

mapa-carbono-quais-paises-maiores-poluidores
Um mapa mundi interativo e muito dinâmico – lançado durante a Cúpula do Clima, em Nova York – revela a performance (causas e riscos) de cada país no quadro dasmudanças climáticas.
Neste Mapa do Carbono, é possível visualizar as nações que mais emitem gases de efeito estufa e as que estão mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas. Além disso, o aplicativo exibe as responsabilidades de cada país frente aoaquecimento global e permite comparar área, população e riqueza das nações.
As informações são exibidas de forma clara conforme a área dos países aumenta ou diminui, dependendo da métrica escolhida. A imagem abaixo é exemplo disso: ela mostra como cada região ou nação está em termos de emissões históricas – observe que os países ricos aparecem inflados, como o Reino Unido, revelando assim seu papel na Revolução Industrial movida a carvão.
mapa-carbono-quais-paises-maiores-poluidores_historica
Outra abordagem possível pelo mapa é a correlação de métricas. Isso significa que você pode aplicar mais de um filtro ao mapa para ver a relação entre eles por meio da distorção do tamanho dos países e de diferentes cores. As duas imagens abaixo exemplificam, respectivamente, a correlação entre a pegada de carbono ecrescimento populacional (baixa) e entre crescimento populacional e pobreza (muito alta).
mapa-carbono-quais-paises-maiores-poluidores_pegada
mapa-carbono-quais-paises-maiores-poluidores_pobreza
No entanto, o Mapa do Carbono não exibe pequenas ilhas insulares – grandes prejudicadas pelo aumento do nível do mar – porque leva em conta o número total de pessoas expostas em cada categoria, e não a proporção. Como as populações das ilhas são pequenas, as nações não aparecem no cartograma.
Produzido originalmente pelo jornalista Duncan Clark e pelo programador e matemático Robin Houston para a competição Apps for Climate 2012*, do Banco Mundial, o mapa foi adaptado recentemente para o The Guardian e lançado durante a Cúpula do Clima, realizada no final de setembro na sede da ONU, em Nova York.

Fonte: Mundo Sustentável

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

New developments: Climate services for health

I recently received a joint email from the World Meteorological and Health organisations (WMO & WHO) which I like to bring to the attention of our readers. Both because it shows the direction of some new developments, but also because the WMO and WHO are inviting people to share their experience with health and climate. We wrote a post on the subject climate and health in 2011, based on a book by Paul Epstein (who sadly pased away in November 2011) and Dan Ferber (Health on a Changing Planet), and are glad to see an increased emphasis on this topic. The call from WMO/WHO goes as follows:
GUEST COMMENTARY FROM JOY SHUMAKE-GUILLEMOT
CALL FOR CASE STUDIES
Climate Services for Health
Enhancing Decision Support for Climate Risk Management and Adaptation
Climate services for health are an emerging technical field for both the health and climate communities. In 2012, WHO and WMO jointly published the Atlas on Climate and Health, drawing attention to the key linkages between climate and health, and how climate information can be used to understand and manage climate sensitive health risks. A new follow-up publication of Case Studies on Climate Services for Health is in preparation, and will take a next step to outline with greater detail how a wide range of health applications can benefit from using climate and weather information; what steps and processes can be used to co-develop and use climate and weather information in the health sector; and showcase how such partnerships and services can really make a difference to the health community.
Submission Guidance – Deadline October 31, 2014
We invite you to share your experiences and call attention to the increasing opportunities to solve health problems with climate service solutions. Case studies should highlight existing partnerships and good practices that demonstrate the broad range of possible applications and the value of using climate information to inform health decisions. Case studies from across health science and practice are welcomed, including examples of climate services for integrated surveillance, disease forecasting, early warning systems, risk mapping, health service planning, risk communication, research, evaluation, infrastructure siting, etc. Additionally, the publication aims to highlight the full range climate-related health issues and risks (i.e. nutrition, NCDs, air pollution, allergens, infectious diseases, water and sanitation, extreme temperatures and weather, etc.) where health decision-making can benefit from climate and weather knowledge at historic, immediate, seasonal, or long-term time scales.
Case studies should be short (~600 words, 2 pages incl. images/diagrams and references) and designed to highlight the added-value that climate services have made for managing climate risks to health. Please find additional guidance on the structure and four elements to be included at http://www.gfcs-climate.org/node/579.
For questions and submission please contact
Dr.Joy Shumake-Guillemot jshumake-guillemot@wmo.int
WHO/WMO Climate and Health Office, World Meteorological Organization, Geneva, Switzerland

Source: RealClimate

World View: Water politics must adapt to a warming world

Nature | Column: World View, 30 September 2014

As rainfall patterns shift, technological and legislative changes are
needed to address water shortages, says Moshe Alamaro.

"The world has just experienced the hottest August since records
began, and 2014 is shaping up to be one of the warmest years. What
will happen to our rainfall as the globe continues to heat up? In
theory, a warmer atmosphere should lead to increased ocean evaporation
that, in turn, would bring increased precipitation. In practice, many
countries have experienced severe drought in recent years — a problem
that Brazil and the southwestern United States are currently facing."
...

>>>>> em português:

"O mundo acaba de experimentar o agosto mais quente desde que os
registros começaram, e 2014 pode ser um dos anos mais quentes. O que
vai acontecer às nossas chuvas se o Planeta continuar a aquecer? Em
teoria, uma atmosfera mais quente deve levar à evaporação do oceano
maior que, por sua vez, traria um aumento de precipitação. Na prática,
muitos países sofreram grave seca nos últimos anos — um problema que o
Brasil e o sudoeste dos Estados Unidos estão enfrentando atualmente."
...

texto completo em
http://www.nature.com/news/water-politics-must-adapt-to-a-warming-world-1.16033

Contribuição de Társis M. Germano do IFUSP.
 

International Climate Symposium 2014 gathers world's leading experts on climate change challenges and observations from space

This week, nearly 500 climate experts, policy makers and representatives from space agencies and industry will join in the debate to identify how observations from current and future satellites will address the grand research challenges identified by the World Climate Research Programme (WCRP).

Monday, 13 October 2014

EUMETSAT Director-General Alain Ratier said, “After the publication of the Fifth Assessment Report of the IPCC and one year before the next Conference of the Parties to the UN Framework Convention on Climate Change, our purpose is to bring together scientists and space agencies to connect satellite observations to the climate challenges we are facing. This means not only to understand climate change but also to establish on the best possible scientific foundation the climate information services expected by decision makers.”
The symposium will provide new inputs to the design of the global architecture for climate monitoring from space being established by the Committee on Earth Observation Satellites (CEOS) and the Coordination Group for Meteorological Satellites, in response to the needs of the World Meteorological Organization, the Global Framework for Climate Services (GFCS) and the Global Climate Observing System (GCOS).
 A number of high level speakers will open the symposium, including Ms Brigitte Zypries, German State Secretary for Economic Affairs and Energy, Mr Klaus-Peter Willsch, Chairman of the Aviation and Space Group in the German Parliament, Mr Michel Jarraud, Secretary-General of the WMO, and Ms Barbara Ryan, Director of the Group on Earth Observations (GEO). Further key addresses will be given by David Carlson, Director of the WCRP, and Julia Slingo, Chief Scientist at the Met Office (UK).
The Climate Symposium 2014 is organised by the WCRP and EUMETSAT, with the support of the European Union, the European Space Agency, and the City of Darmstadt. Other sponsors are GFCS, GEO, JAXA, DLR, NOAA, CNES and NASA.
To follow the symposium, join us on Twitter #climaspace or watch it being streamed live. For more details of the symposium programme, visit the Climate Symposium web site.
To read more about EUMETSAT’s contribution to international climate monitoring, follow the climate blog.

Source: EUMETSAT


 

sábado, 11 de outubro de 2014

Mudança do clima requer nova abordagem para insegurança alimentar

Fome ainda atinge mais de 800 milhões, diz FAO
As últimas estimativas da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) indicam que a redução da fome global continua: cerca de 805 milhões de pessoas no mundo estão cronicamente subnutridas, mais de 100 milhões a menos que na última década, e 209 milhões a menos que em 1990-92. No mesmo período, a prevalência da subnutrição caiu de 18.7% para 11.3% globalmente e de 23.4% para 13.5% em países em desenvolvimento.
Se os percentuais são positivos, a magnitude dos números ainda é impressionante. Tanto que a segurança alimentar se encontra no centro dos esforços mundiais na luta contra a mudança do clima, disse o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, em discurso na semana passada na Cúpula do Clima da ONU, em Nova York.
“Não podemos chamar o desenvolvimento de sustentável enquanto a fome ainda rouba de mais de 800 milhões de pessoas o direito a uma vida decente,” afirmou ele, em referência ao mais recente relatório da entidade, O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo – 2014.
Apesar do progresso obtido, diz o trabalho, ainda existem “diferenças marcantes” em regiões, como a África Subsariana, cuja situação pouco mudou nos últimos anos. Uma em cada quatro pessoas na área se encontra subnutrida. Como região mais populosa, a Ásia ainda tem o maior número de habitantes nesta condição.
No passado, os esforços para alimentar o mundo eram focados em melhorar a produção agrícola para se obter mais alimentos. Mas os desafios de hoje, incluindo a mudança do clima, pedem uma nova abordagem, disse Graziano.
“Precisamos  mudar para sistemas alimentares mais sustentáveis, que produzam mais com menos danos ambientais e que promovam o consumo sustentável, uma vez que hoje jogamos fora de um terço à metade do que produzimos,” prosseguiu ele.
Trata-se principalmente de uma questão de acesso, segundo o diretor. O planeta produz alimentos suficientes para todos, mas a segurança alimentar é uma outra questão: “As pessoas não estão com fome porque não há comida disponível, mas porque não têm acesso  a ela,” afirmou, de acordo com o All Africa.

Por José Eduardo Mendonça para Planeta Sustentável.