terça-feira, 27 de setembro de 2016

WHO: Air pollution affects 92% of the world’s population

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The World Health Organization (WHO) said 92 percent of people live in areas with excessive air pollution, and the health risks associated with it predominantly affect vulnerable populations in low- and middle-income countries.
“Air pollution continues take a toll on the health of the most vulnerable populations – women, children and the older adults,” said Flavia Bustreo, assistant director-general for family, women’s and children’s health at the WHO, in a statement. “For people to be healthy, they must breathe clean air from their first breath to their last.”
The newly released findings, which come just weeks after the World Bank estimated that air pollution costs the world trillions of dollars a year, draw from new satellite data and traditional ground measurements of pollution in about 3,000 places worldwide.
According to the WHO, the biggest sources of air pollution include inefficient modes of transport, household fuel and waste burning, coal-fired power plants and industrial activities. Air quality is also influenced by naturally occurring phenomena such as dust storms in regions in or near deserts. Indoor air pollution, which is just as deadly, is most commonly caused by burning wood, animal dung, crop waste and coal without proper ventilation.
Exposure to these various forms of air pollution led to around 6.5 million deaths, or 11.6 percent of all deaths globally, in 2012. The vast majority of these deaths are caused by noncommunicable diseases, including cardiovascular diseases, chronic pulmonary obstructive disease, increased risk of stroke and even lung cancer. According to the WHO, nearly 90 percent of these deaths occur in low- and middle-income countries, notably the Mediterranean, southeast Asia and the western Pacific.
These and other findings have emphasized the real threat that air pollution poses to global public health. The good news is that more researchers have been able to build off one another’s findings – drawing from satellite data, ground stations and other means – to monitor the regions and populations most at risk for exposure to air pollutants.

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Poluição do ar afeta 92% da população mundial

Um estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta terça-feira revela que 92% da população mundial vive em áreas que excedem os níveis de poluição recomendados. Os países pobres e em desenvolvimento são os que mais sofrem com o problema.
Dentre os emergentes do grupo Brics, o Brasil tem o desempenho menos negativo, com 14 mortes por ano ligadas à poluição do ar para cada 100 mil habitantes. China, Rússia, Índia e África do Sul têm respectivamente 70, 61, 68 e 39 mortes para cada 100 mil habitantes.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, uma matriz energética renovável, políticas de contenção de emissões e investimentos em transporte alternativo e público contribuíram para o desempenho positivo brasileiro.
A tendência, porém, é de piora nesse ranking, pois os dados base são de 2012, e, atualmente, os outros emergentes vêm dando mais atenção ao tema do que o Brasil.

Pobres e emergentes

A cada ano, cerca de três milhões de pessoas morrem por doenças associadas à poluição do ar em espaços abertos. A grande maioria desses óbitos ocorre em países pobres ou em desenvolvimento com políticas públicas que não priorizam o acesso a tecnologias limpas e onde a industrialização ocorre de maneira desregulada.
"A poluição do ar segue custando caro à saúde das populações mais vulneráveis - mulheres, crianças e idosos", lamentou Flávia Bustreo, diretora-geral assistente do órgão.
"Me impressiona muito que mais de 90% da população esteja exposta à poluição nociva", disse à BBC Brasil, o médico brasileiro Carlos Dora, coordenador do departamento de Políticas Públicas, Meio Ambiente e Determinantes Sociais de Saúde da OMS.
Dora avalia que o Brasil está em uma etapa intermediária em relação ao resto do mundo, atrás da América do Norte e da Europa, porém à frente de Ásia, Oriente Médio e África.
"O Brasil não é dos piores, mas ainda poderia melhorar bastante", afirma. Frente a outros emergentes, o país estaria numa posição mais confortável por conta, principalmente, da sua matriz energética, que é renovável, proveniente de hidroelétricas.
"A China, por exemplo, ainda queima muito carvão, o que é altamente poluente", exemplifica Dora.

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sábado, 24 de setembro de 2016

ONU: ciência é decisiva para acabar com pobreza extrema e combater a mudança climática

“Precisamos de uma ciência que seja profundamente integrada à formulação de políticas”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao receber o relatório final do Conselho Consultivo Científico, que fornece às Nações Unidas informações sobre ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável.


O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, advertiu nesta semana (18) que um maior espaço para a ciência na tomada de decisão internacional é essencial para acabar com a pobreza extrema e evitar a ameaça da mudança climática – metas estabelecidas na Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável e no Acordo de Paris

“A ciência é essencial para enfrentar esses desafios. Mas não qualquer ciência. Precisamos de uma ciência que seja profundamente integrada à formulação de políticas”, disse Ban ao receber o relatório final do Conselho Consultivo Científico, que fornece às Nações Unidas informações sobre ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável.

De acordo com o relatório, a ciência é um bem público e merece ser mais valorizada e utilizada eficazmente pelos governos e autoridades em todos os níveis.

De acordo com os especialistas do Conselho, todas as nações devem investir mais em ciência tecnológica e em inovação, que podem significar uma virada de jogo na maneira como se lida com todos os desafios globais mais urgentes.

“Este é um momento crítico na história da humanidade. Enfrentamos desafios e oportunidades nunca antes encarados. Nós somos a primeira geração que pode acabar com a pobreza extrema, e a última que pode evitar a ameaça da mudança climática”, disse o secretário-geral em seu discurso.

Ele observou que a ciência é fundamental para o cumprimento das metas transformadoras da Agenda 2030 e do Acordo de Paris, que juntas fornecem um “plano para a paz, para a dignidade, prosperidade e oportunidade para todos em um planeta saudável”.

Ban destacou que o Conselho Consultivo Científico tem desempenhado um papel importante, tendo em vista que está ajudando a moldar a nova agenda global, bem como está auxiliando a ele, ao Sistema ONU e aos Estados-membros a compreender melhor os desafios e as oportunidades da sustentabilidade.

O Conselho, presidido pela diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, foi fundado pelo secretário-geral em 2014.

O grupo reúne 25 cientistas eminentes de todas as regiões do mundo e tem o objetivo de fornecer uma visão completa das necessidades científicas para enfrentar os desafios globais, levando em consideração as ciências naturais e sociais, bem como os sistemas de conhecimento locais e indígenas.

Fonte: Portal da ONU.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ricardo Galvão é nomeado diretor do INPE


Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

Nesta quinta-feira (22/9), foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a portaria que nomeia Ricardo Magnus Osório Galvão como novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ele substitui Leonel Perondi, à frente da instituição desde maio de 2012. Confira aqui a publicação no DOU.

Ricardo Galvão já foi diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), membro do Conselho da Sociedade Europeia de Física e presidente da Sociedade Brasileira de Física, entre outros cargos de gestão técnico-científica.

O novo diretor do INPE é graduado em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutor em Física de Plasmas Aplicada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), com livre-docência em Física Experimental pela Universidade de São Paulo (USP). É membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Galvão foi indicado à Direção do INPE pelo ministro Gilberto Kassab, da pasta de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) após processo de seleção realizado por meio de comitê de especialistas. O sistema vem sendo praticado pelo MCTIC para os cargos de Direção de todas as suas Unidades de Pesquisa e resulta em lista tríplice que subsidia a escolha do ministro. A seleção é realizada por especialistas que buscam, nas comunidades científica, tecnológica e empresarial, nomes que se identifiquem com as diretrizes técnicas e político-administrativas estabelecidas para cada instituição.

Can a blanket violate the second law of thermodynamics?

One of the silliest arguments of climate deniers goes like this: the atmosphere with its greenhouse gases cannot warm the Earth’s surface, because it is colder than the surface. But heat always flows from warm to cold and never vice versa, as stated in the second law of thermodynamics.
The freshly baked Australian Senator Malcolm Roberts has recently phrased it thus in his maiden speech:

"It is basic. The sun warms the earth’s surface. The surface, by contact, warms the moving, circulating atmosphere. That means the atmosphere cools the surface. How then can the atmosphere warm it? It cannot. That is why their computer models are wrong."

This is of course not only questions the increasing human-caused greenhouse effect, but in general our understanding of temperatures on all planets, which goes back to Joseph Fourier, who in 1824 was the first to understand the importance of the greenhouse effect.

The atmosphere acts like a blanket which inhibits heat loss. In fact according to Roberts’ logic, a blanket could also not have a warming effect:

"It’s simple. The body warms the blanket. This means that the blanket cools the body. So how can the blanket warm it? It cannot!"

The answer is simple. The warm body loses heat to the cold air. The blanket inhibits and slows this heat loss. Therefore you stay warmer under a blanket.

The Earth loses heat to the cold universe. The atmosphere inhibits this heat loss. Therefore, the surface remains warmer than it would be without the atmosphere.

It is true that the surface loses heat to the atmosphere – but less than it would otherwise lose directly to space. Just as I lose less heat to the blanket than I would otherwise lose to the air, without blanket.

Of course, in neither case is the second law of thermodynamics violated. The heat always flows from warm to cold – just more or less effectively. The processes of heat transfer are quite different – for the blanket it is mainly heat conduction, for the greenhouse effect it is thermal radiation. The climate deniers claim that the colder atmosphere cannot radiate thermal radiation towards the warmer surface. This is of course nonsense. The cool Earth also sends thermal radiation towards the hot sun – how would thermal radiation leaving Earth know how warm the surface is that it’s going to hit? It’s just that the sun sends more radiation back to us  – the net flow is from hot to cold. More is not implied by the second law of thermodynamics.

Thanks to two Germans (Gerlich and Tscheuschner of the TU Braunscheig – deeply embarrassing for this university), the absurd claim that the greenhouse effect violates the second law of thermodynamics even made it into an obscure physics journal – obviously there was no peer review to speak of. The bizarre article was promptly demolished by some US physicists. Just recently I read the claim again in an article of coal lobbyist Lars Schernikau – with such fairy-tale beliefs of its representatives, one is not surprised by the decline of the coal industry.

The thermal radiation from the atmosphere toward the ground, which allegedly cannot exist, is of course routinely measured, including its increase (see e.g. Philipona et al. 2004, 2012).

And you can even feel it. Those who sometimes sit outside in the garden after dark know this. Under a dense, low cloud layer you do not nearly get cold as fast as on a clear starry night. This is due to the thermal radiation coming from the clouds. They are colder than our body, but warmer than the night sky in clear air.

Roberts said: “Like Socrates, I love asking questions to get to the truth.”  Perhaps he will ponder my answer next time he sits in his garden at night, or slips under a blanket.

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P.S.
Here is the energy balance diagram for our Earth, explained in IPCC FAQ 1.1. The “Back Radiation” makes the greenhouse effect. It is larger than the solar radiation reaching the ground, and measured by a global radiation measurement network.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Focus on stochastic flows and climate statistics

New Journal of Physics
Editorial
by  JB Marston and Paul D Williams

Abstract

The atmosphere and ocean are examples of dynamical systems that evolve in accordance with the laws of physics. Therefore, climate science is a branch of physics that is just as valid and important as the more traditional branches, which include particle physics, condensed-matter physics, and statistical mechanics. This 'focus on' collection of New Journal of Physics brings together original research articles from leading groups that advance our understanding of the physics of climate. Areas of climate science that can particularly benefit from input by physicists are emphasised. The collection brings together articles on stochastic models, turbulence, quasi-linear approximations, climate statistics, statistical mechanics of atmospheres and oceans, jet formation, and reduced-form climate models. The hope is that the issue will encourage more physicists to think about the climate problem.

Read article in full as OPEN ACCESS

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Energy for the future

Agência FAPESP – A FAPESP e o Conselho de Pesquisa da Noruega realizarão o seminário “Energy for the future” no dia 21 de setembro de 2016, em São Paulo.

O evento terá apresentação e debate sobre pesquisas e temas potenciais para futuras colaborações entre instituições brasileiras e norueguesas envolvendo produção, distribuição e uso de energia.
“The Evolving Energy Landscape”, por Morten Dæhlen (Universidade de Oslo), “Renewable Energy Sources in Brazil and Integration Aspects”, por Albert Cordeiro Geber de Melo (Cepel), “Renewable Energy Sources and their Integration”, “The Evolving Energy Landscape”, por Olav Bjarte Fosso (Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega), e “On the Use of Experiences from Oil and Gas Projects in Other Applications”, por Pål J. From (Universidade de Ciências da Vida da Noruega), são algumas das apresentações programadas.

O seminário ocorrerá no auditório da FAPESP e será em inglês.

Mais informações: fapesp.br/eventos/eff

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A EDUCAÇÃO EM MUDANÇAS CLIMÁTICAS: UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR

Carlos Lima Magno, Francisco Alexandre Costa, Gilva Luiz Borba

 

Resumo

Relatórios oficiais sugerem queas emissões de gases de efeito estufa produzidos pelas atividades humanas contribuem para modificar a composição da atmosfera e acelerar as mudanças climáticas. As emissões são geradas em grande parte para atender o consumismo praticado pela sociedade contemporânea. Esse consumismo entre outras características reflete a pouca valorização da dimensão ambiental na educação fornecida a sociedade. Pesquisasindicam queos efeitos das mudanças climáticas podem ser atenuados pela prática de uma educação nessa área somadas a outras pedagogias com propostas para meio ambiente e sustentabilidade. Os caminhos dessa prática educacional centram-se em construir um novo comportamento no modo de consumo da sociedade atual. Alguns países têm exercido ações educacionais na busca por realizar a mitigação na emissão dos gases de efeito estufa e obter melhor adaptação às mudanças climáticas, mas o processo ainda é lento. O artigo examina aspectos necessários para um melhor desempenho de uma educação em mudanças climáticas.

Palavras-chave

Educação em Mudanças Climáticas, Interdisciplinaridade, Sustentabilidade.

Texto completo:  PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.15628/holos.2016.3950

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Seca se intensifica com alto risco para cerca de 90 municípios do semiárido brasileiro

As chuvas de setembro a novembro devem se tornar mais escassas na Zona da Mata dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Há poucas chances de reversão do quadro crítico dos municípios impactados pela seca, conforme o Relatório da Seca no Semiárido Brasileiro e Impactos divulgado, hoje, pelo Cemaden

O período chuvoso, entre abril e julho, apresentou um déficit pluviométrico, agravado no mês de agosto,  com o registro de acumulados de chuva inferiores a 60 mm nos municípios da maior parte da região Nordeste. Esses municípios, principalmente na zona da mata, foram caracterizados por condições de  “ Muito Seco”.
A avaliação do risco agroclimático (balanço hídrico) para o ano hidrológico 2015/2016 – referente ao período de outubro de 2015 a 31 de agosto de 2016- indicou que cerca de 90 municípios foram classificados como de risco “Alto”, aos que apresentaram entre 60 a 75 dias com déficit hídrico  e  de “Muito Alto”, para os municípios com mais de 75 dias com o déficit hídrico.
O trimestre agosto -setembro-outubro de 2016 pode marcar a transição para um episódio de La Niña, provavelmente com fraca intensidade. A evolução climatológica (histórica) das precipitações no trimestre Setembro-Outubro-Novembro/2016 indica que as chuvas devem se tornar mais escassas na Zona da Mata dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Portanto, para os municípios impactados pela seca, nestes Estados, há poucas chances de reversão do quadro crítico.
“A intensidade dos impactos da seca atingem as atividades agrícolas e/ou pastagens. A situação de seca intensificou-se, principalmente, na parte leste da Região Semiárida, atingindo os municípios inseridos nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.”, destaca o coordenador-geral do Cemaden, meteorologista Marcelo Seluchi. Ele explica que essa seca é o reflexo dos acumulados de chuva inferiores a média dos meses da estação chuvosa- entre os meses de abril a julho – conforme o sensoriamento remoto com base no índice de suprimento de água para a vegetação (VSWI).
Essa análise foi divulgada, hoje,  no Boletim da Seca e Impactos no Semiárido Brasileiro de Agosto 2016, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.
No relatório, de acordo com o índice de suprimento de água para a vegetação (VSWI), 981 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas impactadas no mês de agosto de 2016. “ A estação chuvosa foi encerrada no ultimo mês de julho e, em razão disso, o estresse vegetativo atual é esperado.”, explica Seluchi.  Considerando as poucas regiões onde o calendário de plantio se estende até o mês de junho,  o ciclo fenológico pode ainda estar em curso nos municípios inseridos no Estado de Alagoas, região leste da Bahia, Pernambuco e Sergipe. Nessa região, as áreas impactadas pela seca somam cerca de 9 milhões de hectares.
As previsões em escala de médio prazo (até 21 de agosto) indicam condições favoráveis para a ocorrência de precipitações no litoral da Bahia, ao sul de Salvador. A previsão climática sazonal de chuva (MCTIC) para setembro-outubro e novembro de 2016 mostra, para toda a região Nordeste do País, uma previsão na qual os três cenários (acima-dentro-abaixo da média) são igualmente prováveis, indicando a incerteza associada a esta previsão.

Assessoria de Comunicação do Cemaden - via JC Notícias

Pesquisador brasileiro assume vice-presidência do Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica

Coordenador do INCT da Criosfera, Jefferson Simões passa a representar a América Latina em órgão internacional sobre a ciência no continente gelado. Em entrevista ao Portal MCTIC, ele defendeu a ciência de alta qualidade, principalmente, as pesquisas sobre a influência da Antártica no clima da América do Sul e a biodiversidade

O cientista brasileiro Jefferson Simões foi eleito para uma das quatro vice-presidências do Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica (Scar, na sigla em inglês), órgão responsável por implementar a pesquisa científica internacional no continente gelado. Estabelecido em fevereiro de 1958, o Scar é uma instância interdisciplinar ligada ao Conselho Internacional para Ciência. A participação do pesquisador no comitê executivo do Scar é um reconhecimento do papel de destaque da comunidade científica brasileira e fortalece a presença do País na Antártica.
“Agora, estarei também no papel de assessorar toda a comunidade sul-americana e, na medida do possível, incentivar programas de alta qualidade científica, principalmente nas questões de mudança do clima, do papel da Antártica no sistema climático sul-americano e como nós podemos entender a biodiversidade da Antártica e suas ligações com a América do Sul”, afirmou Jefferson Simões ao Portal MCTIC direto de Cambridge, na Inglaterra.
Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera, o pesquisador foi eleito durante a 34ª Conferência de Ciência Aberta do Scar, em Kuala Lumpur, na Malásia, que reuniu delegados nacionais de 31 países entre 20 e 30 de agosto. De lá, Jefferson Simões foi para a Inglaterra visitar o Serviço Antártico Britânico e discutir futuras cooperações com o Programa Antártico Brasileiro, principalmente por meio do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o qual dirige. O pesquisador também coordenou a elaboração do plano de ação Ciência Antártica para o Brasil, lançado pelo MCTIC em 2013 e válido até 2022.
MCTIC: O que a sua eleição para o Scar representa para o Brasil?
Jefferson Simões: O Scar integra o Conselho Internacional para Ciência. No momento, sou o único latino-americano do comitê executivo e, então, represento toda a comunidade científica da América Latina. O órgão é responsável por iniciar, desenvolver e coordenar pesquisa. Como vice-presidente, vou ter o papel não só de atuar na gestão e qualificação dessa ciência, mas também de dar posições e apontar quais são as áreas de mais interesse científico no momento, com tendência a visualizar do ponto de vista sul-americano. Evidentemente, quando você é eleito para um cargo de um comitê internacional de ciência, você já exerce uma liderança. No Brasil, sou delegado nacional, que é a posição sênior do Programa Antártico Brasileiro do ponto de vista científico. E agora eu estarei também no papel de assessorar toda a comunidade sul-americana e, na medida do possível, incentivar programas de alta qualidade científica, principalmente nas questões de mudança do clima, do papel da Antártica no sistema climático sul-americano, e como nós podemos entender a biodiversidade da Antártica e suas ligações com a América do Sul, que são questões mais pertinentes ao nosso cotidiano.
MCTIC: O País retorna ao comitê executivo do Scar após 16 anos. Quem foi nosso último representante? Há uma história nacional no órgão?
Jefferson Simões: Nós tivemos como delegado nacional o professor Antonio Carlos Rocha-Campos, que chegou à vice-presidência e inclusive à presidência do Scar, durante quatro anos. Em 2000, ele se retirou dessa representação. E eu fui delegado nacional por quatro anos, antes de ser eleito vice-presidente.
MCTIC: O Brasil tem condições de fortalecer sua influência na Antártica?
Jefferson Simões: A grande questão hoje para o Brasil assumir uma liderança maior e ficar entre os 10 melhores países de atividade antártica é a continuidade financeira da parte científica. Hoje em dia, a qualificação e o status de um país dentro do Tratado Antártico, que influencia 10% da área do planeta, são dados pela qualidade de seu programa científico e não somente pela sua presença no continente. Basicamente, isso se refere ao fato de que não adianta nós reconstruirmos estações se nós não tivermos um programa científico qualificado e muito bem financiado. Aí nós estaremos dando um tiro no pé.
MCTIC: O plano de ação “Ciência Antártica para o Brasil”, referente ao período de 2013 a 2022, busca ampliar o protagonismo nacional no Sistema do Tratado Antártico. Sua eleição reflete anseios do documento?
Jefferson Simões: O plano de ação foi estabelecido em 2012 e deu-se início a um planejamento que não deixa de ser o primeiro passo de um programa estratégico para o período. Eu tive a felicidade de ser o relator. O documento teve como principal objetivo identificar as áreas de maior interesse científico para o Brasil, principalmente do ponto de vista ambiental e de questões que poderiam afetar o nosso dia a dia, tais como variabilidade climática, o papel da Antártica nas correntes oceânicas que chegam à costa do Brasil, como isso afeta, por exemplo, colheitas, quebras de safras, e também associada à questão de recursos minerais na plataforma costeira brasileira. De certa maneira, a ideia foi dar um sabor brasileiro ao nosso programa. Para isso, foram escolhidas cinco grandes áreas que abordam temas interdisciplinares e multidisciplinares, desde a questão climática, do nível médio dos mares e do monitoramento das geleiras, à biodiversidade e à exploração de organismos em condições extremas, de baixíssimas temperaturas, sem falar das relações da Terra com o Sol e da evolução geológica da Antártica. Isso tudo é um planejamento que ainda está sendo implementado.
MCTIC: Você está em Cambridge para atividades ligadas ao Scar?
Jefferson Simões: Cheguei a Cambridge vindo da 34ª Conferência de Ciência Aberta do Scar, realizada em Kuala Lumpur, na Malásia. E agora aproveito a passagem pela Inglaterra para visitar o Serviço Antártico Britânico e discutir futuras cooperações com o Programa Antártico Brasileiro, principalmente por meio do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tanto na Antártica como nas geleiras do Peru e da Bolívia, porque, por incrível que pareça, essas formações afetam inclusive a bacia amazônica.
MCTIC: Como você avalia o momento do Programa Antártico Brasileiro?
Jefferson Simões: O Programa Antártico Brasileiro passa por um momento de transformação, aprimoramento e também de avaliação. Ele certamente é um programa de destaque na América Latina, já se estabeleceu e tem vários grupos com altíssima produtividade, mas nós ainda sofremos de problemas que necessitam correção. Alguns são da sua própria estrutura, que era ultrapassada até 2008 ou 2009, embora hoje nós tenhamos profissionais extremamente qualificados. Mas nós sofremos atualmente um risco muito sério com a perda dos nossos recém-doutores. Como a ciência brasileira, o sistema sofre uma crise muito forte, devido a cortes de bolsas de pós-doutorado nos últimos dois anos. Se não for resolvido isso, infelizmente haverá dificuldades.
MCTIC: O ministério autorizou em agosto o pagamento de uma emenda parlamentar da deputada Jô Moraes no valor de R$ 290 mil em apoio à manutenção do módulo Criosfera 1. Os recursos viabilizam parte da logística da expedição científica, por meio do uso de aviões e tratores sobre o manto antártico. Essa liberação abre perspectivas?
Jefferson Simões: Sim, o MCTIC autorizou o pagamento para apoiar a manutenção do único laboratório latino-americano no interior da Antártica, que é o Criosfera 1. Nós estávamos numa situação de penúria, inclusive com a possibilidade de fechamento. Com a liberação desses recursos, vamos poder fazer uma missão, certamente minimalista, mas pelo menos manter por mais um ano o funcionamento desse módulo, que coleta dados sobre dióxido de carbono, informações meteorológicas e amostras atmosféricas, como micropartículas, além de medir raios cósmicos. O interessante é que ele ocupa, desde sua instalação, em 2011, o posto latino-americano mais próximo do Polo Sul geográfico, a mais de 2,5 mil quilômetros ao sul da Estação Antártica Comandante Ferraz.

MCTIC