quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A tecnologia deve servir para ajudar o planeta

O meio ambiente, a necessidade dos cuidados para sobrevivência da população mundial e o emprego das tecnologias e conhecimento desenvolvidos pelo homem foram tema da Aula Magna que abriu, oficialmente, o semestre 2014.2 da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Ministrada pelo teólogo e escritor Leonardo Boff, a palestra no auditório da Reitoria, teve como tema ““ecologia e o papel da universidade no mundo contemporâneo”. Estudantes, professores, autoridades e curiosos se reuniram no auditório e no pátio da Reitoria.
Frankie MarconeLeonardo Boff proferiu palestra para os novos ingressos da UFRNLeonardo Boff proferiu palestra para os novos ingressos da UFRN

Boff introduziu sua fala apresentando um vídeo, lançado junto ao seu livro “As quatro ecologias”, voltado para a ecologia, meio ambiente, o equilíbrio natural e a importância dos cuidados com o planeta para a sobrevivência humana. Ele afirma que devido às interferências das ações humanas, agora é necessário voltar o conhecimento e tecnologia desenvolvidos para esses estudos e evitar que o “meio ambiente entre em colapso”.

Para resolver a situação atual, de cada vez mais desastres naturais ocorrendo enquanto a natureza busca se equilibrar devido às diversas intervenções (como quantidade de gases poluentes lançadas na atmosfera pelas indústrias), Leonardo Boff aponta algumas medidas. “É preciso haver adaptação humana às novas necessidades do planeta e, para isso, cabe aos governos, empresas e indústrias minimizar as consequências negativas e evitar o aumento dos desastres naturais”, afirma. Entre as medidas apontadas estão redução da emissão de gases poluentes e exploração de recursos naturais.

“Nesse desafio de tentar minimizar as respostas naturais” - afirma o palestrante -  “o conhecimento eda  tecnologia devem servir para ajudar o planeta”, principalmente estudando novas formas de atuar sem aumentar os danos ambientais. Leonardo Boff indicou, entre fatores que representam a influência das alterações climáticas na produção humana, o deslocamento da cafeicultura brasileira atual. Segundo ele, a migração ocorre porque as condições de determinada região vão se esgotando e, por isso, a produção migra.

Outro ponto abordado durante a palestra foi o aumento da temperatura mundial. “Se não fizermos nada entre 2020 e 2025 para conter esse aquecimento, de uma média de dois graus, ele deve passar para cinco e vamos chegar em uma temperatura que os humanos não  suportam viver”, alertou. O evento foi transmitido ao vivo pela UFRN para oito pólos de Educação à Distância e em cinco auditórios no campus central. Leonardo Boff tem 75 e é natural do Estado de Santa Catarina.
Fonte: Tribuna do Norte


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Sudeste: Chuva ainda é incógnita para meteorologistas do Inpe

Aguardado como a solução a curto prazo para amenizar a crise hídrica na Grande São Paulo e em parte do interior do Estado, o volume de água que chegará aos mananciais paulistas ainda é uma incógnita para pesquisadores do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que reúne as melhores informações da área no País.
“Não tem nada que indique um atraso nas chuvas no Sudeste, porém não temos nenhuma evidência que a próxima estação chuvosa seja abundante. Ainda assim, precisaria ser muito abundante para ajudar a recuperar os mananciais. Infelizmente, a previsibilidade para esta região ainda é baixa e precisamos aguardar novos modelos de previsão climática”, explicou José Marengo, pesquisador do Inpe, durante reunião climática do CPTEC, realizada na semana passada.
Tradicionalmente, a estação chuvosa no Sudeste tem início em outubro e vai até abril. Segundo Marengo, no caso da região onde ficam das represas do Sistema Cantareira, o problema que culminou na atual crise hídrica não foi o atraso das chuvas em 2013, mas a baixa pluviometria registrada entre dezembro e fevereiro, meses que concentram 40% da chuva de todo o ano. “Ainda temos de esperar como vai evoluir padrão climático. Realmente, é muito difícil dizer hoje quando vai chover.”
Diante desse cenário, o CPTEC indica que a probabilidade de chover abaixo, dentro e acima da média entre setembro e novembro no Sudeste é a mesma. Já para a temperatura, os dados apontam uma probabilidade maior para que ela fique acima do normal na região.
Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), responsável pelo abastecimento de água em 364 dos 645 municípios paulistas, quanto maior a temperatura, maior o consumo. Para a estatal, foi a combinação de temperaturas recordes no último verão com a pluviometria mais baixa da história que levou à atual crise da água.
Quanto ao fenômeno climático El Niño, que provoca seca no Norte do País e chuvas intensas no Sul, Marengo disse que seu impacto no Sudeste “é difuso”. Segundo o CPTEC, os dados indicam o estabelecimento da condição do El Niño no Brasil com intensidade de fraca a moderada.

Do Estadão, via Portal no Ar.
 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

USA: The country’s sinking climate debate

THE NATIONAL debate on climate change has devolved. 
From Washington Post, published August 24, 2014.
By the late 1990s, big U.S. businesses were beginning to accept that greenhouse gases must be wrung out of the economy. In the 2000s, prominent Republicans such as Sen. John McCain (Ariz.) and Gov. Mitt Romney (Mass.) proposed aggressive anti-
emissions policies. By 2008, the presidential candidates of both major parties favored strong national climate strategies. Regardless of who won that election, serious action seemed inevitable.
But Republicans later embraced a strategy of rote opposition to President Obama, and a faction that rejects the science of global warming dragged the GOP into irresponsible head-in-the-sand-ism. Democrats, meanwhile, proved unable to unite around a coherent, comprehensive climate strategy when they controlled Congress and the White House.
Strong underlying political currents help to explain Washington’s failure. Voters generally don’t put climate change high on their priority lists, and there is evidence that some Americans’ belief in the science varies with the weather. Party politics often push in a negative direction: GOP primary voters are more likely to punish a vote for a climate plan than to reward one, while Democrats’ position in Congress depends on winning races in coal states such as Ohio, Pennsylvania and West Virginia.
Some of the Democrats who voted for a large 2009 cap-and-trade bill lost their seats in the 2010 midterm election. Though that election turned more on the state of the economy and on health-care reform than it did on climate change, the voter rebuke recalled the previous Democratic effort to raise the price of energy: the infamous BTU tax debate, which contributed to the 1994 Republican midterm wave.
So these days Republicans mostly ignore the issue or offer excuses for doing nothing: The science is not reliable; anti-emissions policies will harm the economy; China and India will continue emitting even if the United States cuts back. Many Democrats and environmental activists, meanwhile, focus on relatively inconsequential — but potentially winnable — battles, such as their push to reject the Keystone XL pipeline .
But there are reasons not to give up. The biggest is the urgency of action. As the U.S. debate has deteriorated, scientists’ warnings have become more dire. According to the authoritative Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change , every region of the world faces serious risks , including sea-level rise or worsening heat waves, floods and wildfires — and those are consequences scientists can predict. Though poor nations along the equator may be hit hardest, U.S. analysts are beginning to quantify a variety of direct and negative effects climate change could have in our own country .
These factors help explain a second reason for hope: Despite ups and downs in the polling, a solid majority of Americans favors action to curb greenhouse emissions. As with the recent national shift on gay marriage, feelings on climate change will eventually move more decisively — we hope in time to spare the world unnecessary expense and suffering.
And the United States is reaching a put-up-or-shut-up moment. As Congress dithered, Mr. Obama filled the policy void with executive actions designed to cut greenhouse emissions under authorities Congress entrusted to the Environmental Protection Agency decades ago in the Clean Air Act.
The EPA’s rules are a decent and, under the circumstances, necessary first step, but they would not cut emissions enough over the next century. And, for all of their benefits, they represent a cumbersome and expensive way to slash emissions. As full implementation looms, industry may press for more efficient policies that sting companies and consumers less, and Republicans may be willing to countenance market-based approaches to the climate problem.
All this explains why, understandable frustrations notwithstanding, the shape of the climate debate now and through the 2016 election is important. In the coming days we aim to contribute to that debate with a brief series of editorials. We will review the need to act; defend the EPA’s efforts but explain why they are not ideal; highlight several strategies that would work better; and show why it makes sense for the United States to take steps even though other nations have yet to do enough on climate change.
Action of some kind, at some point, is inevitable. Our proposition is that it should come sooner rather than later and be smart rather than clumsy.

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

UFRN: Engenharia Ambiental recebe conceito máximo do MEC

O curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foi reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e obteve o conceito “5”, nota máxima atribuída às graduações.

A avaliação in loco aconteceu entre 10 e 13 de agosto e analisou o corpo docente, as instalações e infraestrutura, a biblioteca e a organização didática pedagógica. O relatório enviado à Instituição destaca a titulação, a produção acadêmica e o regime de trabalho do corpo docente.

Os avaliadores constatam que “o projeto do Curso Bacharelado em Engenharia Ambiental atende aos objetivos e as condições de oferta previstos no PPC e PDI, bem como às possibilidades de inserção do profissional egresso no mercado de trabalho da região e do país”.

No documento, a equipe responsável pela avaliação ressalta “a excelente experiência vivenciada pela IES, no que refere à formação dos cursos de engenharias Ambiental, Biomédica, Redes e Comunicação, Petróleo, Mecatrônica, Materiais, Mecânica e de Computação”. Por fim, o MEC respalda o modelo de dois ciclos adotados pelo curso para essa formação do profissional de engenharia, “o qual visa à melhoria do ensino e qualidade profissional”.

Ao parabenizar a equipe docente e técnica pelo reconhecimento do curso, a reitora ngela Maria Paiva Cruz agradeceu aos professores de Engenharia Ambiental e do Bacharelado em Ciências e Tecnologia, formadores de competências exigidas para o primeiro ciclo.

Sobre a importância da conquista, a reitora lembrou que “resulta dos projetos pedagógicos bem elaborados, sustentados e executados pelos que fazem a Escola de Ciências e Tecnologia (ECT), o Centro de Tecnologia (CT) e as unidades administrativas que dão suporte às ações da Instituição”.

“Acolhemos esse reconhecimento de curso”, disse a reitora, “seguros de estarmos seguindo as diretrizes previstas no Plano de Desenvolvimento Institucional da UFRN, o PDI, e, por isso, alcançando as metas estabelecidas em nosso Plano de Gestão”.

Para ngela Paiva, o conceito “excelente” atribuído pelo MEC “é um avanço, no sentido da aprimorar a qualidade do ensino, pesquisa e extensão, na maior e mais antiga universidade pública do Rio Grande do Norte”.

Histórico
Considerado de “qualidade excelente” pela avaliação do MEC, o curso de Engenharia Ambiental foi implantado na UFRN em 2011, num período de reestruturação das universidades federais.

Coordenado pelo professor Helio Rodrigues dos Santos, a graduação de Engenharia Ambiental está vinculada ao Centro de Tecnologia (CT/UFRN) e tem capacidade para receber 80 alunos por ano, divididos em entradas semestrais de 40 alunos.

A primeira turma ingressou no segundo semestre de 2012. Quem cursa o primeiro ciclo pode obter o grau de Bacharel em Ciência e Tecnologia (BC&T), enquanto os concluintes que integralizam os dois ciclos recebem o diploma de Bacharel em Engenharia Ambiental.
Fonte: AGECOM-UFRN
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Balão vai coletar dados ambientais na Amazônia

por Ascom do MCTI
Um balão mais leve que o ar, inflado por gás hélio e ancorado por um sistema de cabeamento, chamado de aeróstato, será instalado na Amazônia em áreas de atuação do Instituto Mamirauá. Os objetivos são coletar dados ambientais e ampliar sistema de telecomunicação em áreas remotas.
Os projetos Aeróstato Remoto de Telecomunicação e Sensoriamento (Artes) e Aplicação no Campo de Plataformas Avançadas de Sensoriamento Remoto (Acampar) serão executados pela organização com o Instituto de Computação da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCTI) e a empresa Ômega Aerosystems. As iniciativas são financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
O projeto Artes contempla a construção e implantação de um aeróstato ancorado em um ponto na região de atuação do Instituto Mamirauá, com as funções de monitoramento de biodiversidade (por sensores e redes de sensores) e de telecomunicação (para recebimento da programação de aquisição de dados e envio das informações sensoriais adquiridas).
"Aeróstatos possuem confiabilidade e resistência a incidentes atmosféricos compatíveis com as torres de comunicação e podem hospedar diversos tipos de sensores, ao mesmo tempo em que provêm uma infraestrutura de telecomunicações para a região ao seu redor", afirma o professor da UFAM José Reginaldo Hughes Carvalho.
Já o Acampar busca viabilizar as interações dos pesquisadores envolvidos para a especificação de missões de observação aérea e monitoramento ambiental nos estudos de caso a serem realizados pelo Instituto Mamirauá.
Pesquisadores e técnicos de várias instituições se reuniram de sexta-feira (1º) a segunda (4) para iniciar os trabalhos. Leia mais.
Fonte: Instituto Mamirauá
 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Está no ar o site da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2014

Uma das novidades desta 11ª edição da SNCT, que ocorre de 13 a 19 de outubro, é a mudança no formato do registro das ações, a ser realizado em duas etapas. 

por Denise Coelho – Ascom do MCTI

Começa a mobilização para a 11ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2014). O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis), colocou no ar o portal do evento, que, neste ano, vai acontecer entre os dias 13 e 19 de outubro, com a abordagem do tema "Ciência e tecnologia para o desenvolvimento social".
A edição de 2014 traz como novidade a mudança no formato de registro das atividades pelos próprios organizadores, que será dividido em duas etapas: uma para os grandes eventos – o que pode ser feito até o dia 22 de agosto – e outra para ações individuais, que devem ser informadas em fase posterior, provavelmente a partir de setembro.
A intenção com a alteração, explica o diretor de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia da Secis, Douglas Falcão, é possibilitar uma dimensão mais exata da abrangência da SNCT em todo o país, diante da constatação, em edições anteriores, de que grandes eventos – com inúmeras ações – vinham sendo contabilizados como uma única atividade.
"A ideia é ter uma representação mais próxima da realidade", ressalta o coordenador da semana. Ele estima que, apesar da grande quantidade de ações registradas, esse número possa chegar a quase o dobro do que é informado. Outro número que pode ser bem superior, avalia o diretor, é o de instituições parceiras, diante da constatação de situações em que apenas os organizadores principais chegam a ser cadastrados, ficando de fora desses registros as escolas participantes, por exemplo.
As orientações, o cronograma de cadastramento e a versão eletrônica do material de divulgação e das artes da edição 2014 já estão disponíveis no próprio site da SNCT, na aba "Galeria". Na área para cadastro de eventos, é possível obter a ficha que deve ser preenchida e enviada para o endereço semanact@mcti.gov.br até o dia 22 de agosto. Os eventos aprovados pela comissão nacional serão automaticamente cadastrados para que as instituições participantes possam inserir suas respectivas atividades e compor a programação.
Além de notícias e informações sobre a semana, o site traz outras curiosidades. Na aba "Ciência no Brasil" é possível conhecer um pouco sobre os cientistas brasileiros e iniciativas como o Projeto VerCiência, que tem por objetivo promover e incentivar a disseminação da cultura científica pela televisão, pela internet e por outros meios e tecnologias audiovisuais. Ou, ainda, o projeto A Ciência que Eu Faço – uma série de entrevistas com especialistas conhecidos no cenário científico, em formato de filmes de curta duração, em que os participantes falam de suas trajetórias profissionais.
Temática social
A logomarca da 11ª edição traz a imagem iconográfica de um átomo (menor partícula de um elemento) associado à figura humana e a símbolos que representam diversas áreas do conhecimento, de forma a refletir a perspectiva em torno do tema da SNCT 2014. A intenção é que a temática seja uma oportunidade para vincular a produção científica aos desafios sociais da atualidade.
A proposta é estimular as instituições a abordarem a ciência e a tecnologia na dimensão social, como instrumento de inclusão, transformação social e desenvolvimento humano. "Um tema que promete mobilizar a participação de diversas áreas sociais e ampliar ainda mais a semana nacional neste ano", prevê Douglas Falcão.
Dando continuidade à trajetória de crescimento desde a primeira edição, a 10ª SNCT, no ano passado, teve a realização de cerca de 34 mil atividades em 740 cidades brasileiras, coordenadas por mais de mil instituições.
Fonte: MCTI

Amazônia tem "oceano subterrâneo"

Agência FAPESP – A Amazônia possui uma reserva de água subterrânea com volume estimado em mais de 160 trilhões de metros cúbicos, estimou Francisco de Assis Matos de Abreu, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terminou no dia 27 de julho, no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco.
O volume é 3,5 vezes maior do que o do Aquífero Guarani – depósito de água doce subterrânea que abrange os territórios do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e principalmente do Brasil, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados (km2) de extensão.
“A reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água da Amazônia. A água dos rios amazônicos, por exemplo, representa somente 8% do sistema hidrológico do bioma e as águas atmosféricas têm, mais ou menos, esse mesmo percentual de participação”, disse Abreu durante o evento.
O conhecimento sobre esse “oceano subterrâneo”, contudo, ainda é muito escasso e precisa ser aprimorado tanto para avaliar a possibilidade de uso para abastecimento humano como para preservá-lo em razão de sua importância para o equilíbrio do ciclo hidrográfico regional.
De acordo com Abreu, as pesquisas sobre o Aquífero Amazônia foram iniciadas há apenas 10 anos, quando ele e outros pesquisadores da UFPA e da Universidade Federal do Ceará (UFC) realizaram um estudo sobre o Aquífero Alter do Chão, no distrito de Santarém (PA).
O estudo indicou que o aquífero, situado em meio ao cenário de uma das mais belas praias fluviais do país, teria um depósito de água doce subterrânea com volume estimado em 86,4 trilhões de metros cúbicos.
“Ficamos muito assustados com os resultados do estudo e resolvemos aprofundá-lo. Para a nossa surpresa, descobrimos que o Aquífero Alter do Chão integra um sistema hidrogeológico que abrange as bacias sedimentares do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó. De forma conjunta, essas quatro bacias possuem, aproximadamente, uma superfície de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, disse Abreu.
Denominado pelo pesquisador e colaboradores Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), o sistema hidrogeológico começou a ser formado a partir do período Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos.
Em razão de processos geológicos ocorridos nesse período foi depositada, nas quatro bacias sedimentares, uma extensa cobertura sedimentar, com espessuras da ordem de milhares de metros, explicou Abreu.
“O Saga é um sistema hidrogeológico transfronteiriço, uma vez que abrange outros países da América do Sul. Mas o Brasil detém 67% do sistema”, disse.
Uma das limitações à utilização da água disponível no reservatório, contudo, é a precariedade do conhecimento sobre a sua qualidade, apontou o pesquisador. “Queremos obter informações sobre a qualidade da água encontrada no reservatório para identificar se é apropriada para o consumo.”
“Estimamos que o volume de água do Saga a ser usado em médio prazo para abastecimento humano, industrial ou para irrigação agrícola será muito pequeno em razão do tamanho da reserva e da profundidade dos poços construídos hoje na região, que não passam de 500 metros e têm vazão elevada, de 100 a 500 metros cúbicos por hora”, disse.
Como esse reservatório subterrâneo representa 80% da água do ciclo hidrológico da Amazônia, é preciso olhá-lo como uma reserva estratégica para o país, segundo Abreu.
“A Amazônia transfere, na interação entre a floresta e os recursos hídricos, associada ao movimento de rotação da Terra, cerca de 8 trilhões de metros cúbicos de água anualmente para outras regiões do Brasil. Essa água, que não é utilizada pela população que vive aqui na região, representa um serviço ambiental colossal prestado pelo bioma ao país, uma vez que sustenta o agronegócio brasileiro e o regime de chuvas responsável pelo enchimento dos reservatórios produtores de hidreletricidade nas regiões Sul e Sudeste do país”, avaliou.
Vulnerabilidades
De acordo com Ingo Daniel Wahnfried, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos principais obstáculos para estudar o Aquífero Amazônia é a complexidade do sistema.
Como o reservatório é composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades, é difícil definir, por exemplo, dados de fluxo da água subterrânea para todo sistema hidrogeológico amazônico.
“Há alguns estudos em andamento, mas é preciso muito mais. É necessário avaliarmos, por exemplo, qual a vulnerabilidade do Aquífero Amazônia à contaminação”, disse Wahnfried, que realizou doutorado direto com Bolsa da FAPESP.
Diferentemente do Aquífero Guarani, acessível apenas por suas bordas – uma vez que há uma camada de basalto com dois quilômetros de extensão sobre o reservatório de água –, as áreas do Aquífero Amazônia são permanentemente livres.
Em áreas de floresta, essa exposição do aquífero não representa um risco. Já em áreas urbanas, como nas capitais dos estados amazônicos, isso pode representar um problema sério. “Ainda não sabemos o nível de vulnerabilidade do sistema aquífero da Amazônia em cidades como Manaus”, disse Wahnfried.
Segundo o pesquisador, tal como a água superficial (dos rios), a água subterrânea é amplamente distribuída e disponível na Amazônia. No Amazonas, 71% dos 62 municípios utilizam água subterrânea (mas não do aquífero) como a principal fonte de abastecimento público, apesar de o estado ser banhado pelos rios Negro, Solimões e Amazonas.
Já dos 22 municípios do Estado do Acre, quatro são totalmente abastecidos com água subterrânea. “Apesar de esses municípios estarem no meio da Amazônia, eles não usam as águas dos rios da região em seus sistemas públicos de abastecimento”, avaliou Wahnfried.
Algumas das razões para o uso expressivo de água subterrânea na Amazônia são o acesso fácil e a boa qualidade desse tipo de água, que apresenta menor risco de contaminação do que a água superficial.
Além disso, o nível de água dos rios na Amazônia varia muito durante o ano. Há cidades na região que, em períodos de chuva, ficam a poucos metros de um rio. Já em períodos de estiagem, o nível do rio baixa 15 metros e a distância dele para a cidade passa a ser de 200 metros, exemplificou.

Por Elton Alisson

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Extreme weather becoming more common

Rise in blocking-patterns – hot or wet weather remaining stuck over regions for weeks – causing frequent heatwaves or floods


Extreme weather like the drought currently scorching the western US and the devastating floods in Pakistan in 2010 is becoming much more common, according to new scientific research.
The work shows so-called “blocking patterns”, where hot or wet weather remains stuck over a region for weeks causing heatwaves or floods, have more than doubled in summers over the last decade. The new study may also demonstrate a link between the UK’s recent flood-drenched winter and climate change.
Climate scientists in Germany noticed that since 2000 there have been an “exceptional number of summer weather extremes, some causing massive damage to society”. So they examined the huge meanders in the high-level jet stream winds that dominate the weather at mid-latitudes, by analysing 35 years of wind data amassed from satellites, ships, weather stations and meteorological balloons. They found that blocking patterns, which occur when these meanders slow down, have happened far more frequently.
“Since 2000, we have seen a cluster of these events. When these high-altitude waves become quasi-stationary, then we see more extreme weather at the surface,” said Dr Dim Coumou, at the Potsdam Institute for Climate Impact Research. “It is especially noticeable for heat extremes.” The intense heatwaves in Russia in 2010, which saw 50,000 people die and the wheat harvest hit hard, and in western Europe in 2003, which saw 30,000 deaths, were both the result of blocking patterns. The Intergovernmental Panel on Climate Change concluded in 2011 that extreme weather would become more common as global warming heats the planet, causing both heatwaves and increasingly severe rain storms.
The rise in blocking patterns correlates closely with the extra heating being delivered to the Arctic by climate change, according to the research which is published in the journal Proceedings of the National Academies of Science (PNAS). Coumou and his colleagues argue there are good physical reasons to think there is a causal link, because the jet streams are driven by the difference in temperature between the poles and the equator. As the Arctic is warming more quickly than lower latitudes, that temperature difference is declining, providing less energy for the jet stream and its meanders, which are called Rossby waves.
Prof Ted Shepherd, a climate scientist at the University of Reading, UK, but not involved in the work, said the link between blocking patterns and extreme weather was very well established. He added that the increasing frequency shown in the new work indicated climate change could bring rapid and dramatic changes to weather, on top of a gradual heating of the planet. “Circulation changes can have much more non-linear effects. They may do nothing for a while, then there might be some kind of regime change.”
Shepherd said linking the rise in blocking events to Arctic warming remained “a bit speculative” at this stage, in particular because the difference between temperatures at the poles and equator is most pronounced in winter, not summer. But he noted that the succession of storms that caused England’s wettest winter in 250 years was a “very good example” of blocking patterns causing extreme weather during the coldest season. “The jet stream was stuck in one position for a long period, so a whole series of storms passed over England,” he said.
Coumou acknowledges his study shows a correlation – not causation – between more frequent summer blocking patterns and Arctic warming. “To show causality, computer modelling studies are needed, but it is questionable how well current climate models can capture these effects,” he said.
Prof Tim Palmer, at the University of Oxford, wrote in a PNAS article in 2013 that understanding changes to blocking patterns may well be the key to understanding changes in extreme weather, and therefore to understanding the worst impacts of climate change on society. But he said climate models might have to run down to scales of 1km to do so. “Currently, national climate institutes do not have the high-performance computing capability to simulate climate with 20km resolution, let alone 1km,” he wrote. “[I] look forward to the day when governments make the same investment in climate prediction as they have made in finding the Higgs boson.”





quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Congresso Nacional do Meio Ambiente e Sustentabilidade

"O Congresso Nacional do Meio Ambiente e Sustentabilidade - CONMAS tem início dia 11/08. Sua participação é muito importante.
Os principais horários das palestras são: 10 hs, 15 hs e 20 hs. Em alguns dias, teremos 4 palestras, e os horários da tarde mudam para 14 hs e 16 hs.
Confira e agende:
<http://www.conmas.com.br/programacao-de-palestras/>
<https://pt-br.facebook.com/congressoconmas>.
Cordialmente, Amarildo Ferrari -Organizador do CONMAS / CENED Cursos"
imagem não exibida
programação de palestras — CONMAS - Congresso Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Pesquisadores alertam para riscos da defaunação promovida pelo homem

Agência FAPESP – A revista científica norte-americana Science acaba de publicar uma edição especial sobre as consequências do desaparecimento de espécies animais para a biodiversidade do planeta e para o próprio futuro da humanidade.
“Durante o Pleistoceno, apenas dezenas de milhares de anos atrás, nosso planeta sustentava animais grandes e espetaculares. Mamutes, 'aves do terror', tartarugas gigantes e tigres-dentes-de-sabre, bem como espécies muito menos conhecidas, como preguiças gigantes (algumas das quais chegavam a 7 metros de altura) e gliptodontes (que pareciam tatus do tamanho de automóveis), vagavam livremente”, diz a introdução do especial.
“Desde então, no entanto, o número e a diversidade de espécies animais na Terra têm declinado consistente e firmemente. Hoje, ficamos com uma fauna relativamente depauperada e continuamos a ver a rápida extinção de espécies animais. Embora algum debate persista, a maioria das evidências sugere que os seres humanos foram responsáveis pela extinção dessa fauna do Pleistoceno, e continuamos a induzir extinções de animais por meio da destruição de terras selvagens, da caça para consumo ou como luxo e da perseguição de espécies que vemos como ameaças ou concorrentes”, destaca o texto.
O especial traz artigos em que pesquisadores de diversos países citam espécies animais que estão desaparecendo, os complexos fatores por trás do processo de defaunação e as dificuldades para colocar em prática alternativas eficazes de conservação.
Um dos artigos do especial, Defaunation in the Anthropocene, tem entre seus autores o professor Mauro Galetti, do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, responsável por projetos de pesquisa que integram o programa BIOTA-FAPESP.
O artigo de Galetti, produzido em colaboração com pesquisadores dos Estados Unidos, do México e do Reino Unido, ressalta que o mundo está passando por uma das maiores extinções de animais em sua história.
De acordo com os autores, a onda global de perda de biodiversidade tem a ação humana como principal causadora. Mas os impactos humanos sobre a biodiversidade animal representam uma forma ainda não reconhecida de mudanças ambientais globais.
“Dos vertebrados terrestres, 322 espécies se tornaram extintas desde 1500, e populações das espécies restantes mostram declínio médio de 25% em abundância”, dizem os autores.
“Tais declínios animais impactarão o funcionamento de ecossistemas e o bem-estar humano. Muito permanece desconhecido sobre a ‘defaunação antropocênica’. Essas lacunas de conhecimento dificultam a nossa capacidade de prever e limitar os impactos da defaunação. Claramente, no entanto, a defaunação é tanto um componente pervasivo da sexta extinção em massa do planeta como também um grande condutor de mudança ecológica global”, destacam.
Segundo Galetti e colegas, de todas as espécies animais atuais – estimadas entre 5 milhões e 9 milhões –, o mundo perde anualmente entre 11 mil e 58 mil espécies. E isso não inclui os declínios de abundância animal entre populações, ou seja, de espécies que agonizam lentamente.
“A ciência tem se preocupado com o impacto das extinções das espécies, mas o problema também envolve a extinção local de populações. Algumas espécies podem não estar globalmente ameaçadas mas podem estar extintas localmente. Essa extinção local de animais afeta o funcionamento dos ecossistemas naturais vitais ao homem. Nesse trabalho agora publicado, compilamos dados populacionais de grandes mamíferos, como rinocerontes, gorilas e leões, e também de invertebrados, como borboletas. Uma em cada quatro espécies de vertebrados tem suas populações reduzidas”, disse Galetti, em entrevista ao site da Unesp.
“A maioria dos pesquisadores analisa os efeitos humanos sobre a extinção das espécies e, nesse trabalho, nós enfocamos a extinção local de populações. A extinção de uma espécie tem um grande impacto, e a redução das populações animais causa um impacto maior ainda nos ecossistemas”, disse.