quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rio+20: propostas da FAPESP

Agência FAPESP – Três grandes iniciativas da FAPESP, que estabeleceram uma nova abordagem em termos de organização científica, foram apresentadas à comunidade científica internacional no “Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development”, realizado esta semana no Rio de Janeiro: o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), o BIOTA-FAPESP e o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).
(...)
Metas e conquistas
Paulo Artaxo, membro da coordenação do PFPMCG, contou que o programa da FAPESP foi concebido desde o início, em 2008, para ser uma iniciativa de longo prazo, com duração mínima de dez anos.
“Levamos dois anos para desenhar e focar o programa em suas prioridades. Hoje, uma das principais prioridades é construir até 2013 um modelo brasileiro do sistema climático com foco em questões regionais fundamentais, como os impactos das mudanças climáticas na Amazônia, no Cerrado e no Atlântico Sul”, explicou.
Uma das prioridades estabelecidas para o PFPMCG é estudar as consequências das mudanças climáticas globais sobre o funcionamento dos ecossistemas, com ênfase na biodiversidade, nos ciclos de carbono, nitrogênio, nos corpos d’água, no balanço de radiação na atmosfera, aerossóis, gases-traço e nas mudanças de uso da terra.
“Outras prioridades são o impacto das mudanças climáticas globais na agricultura, na produção de energia e na saúde humana. Também temos foco nas respostas à vulnerabilidade social e econômica, incluindo iniciativas de adaptação”, disse Artaxo.
Carlos Joly, coordenador do Programa BIOTA-FAPESP, destacou que a FAPESP fez um investimento significativo no programa criado em 1999, somando recursos de cerca de US$ 122 milhões.
“Em 12 anos, o programa BIOTA-FAPESP publicou mais de 1 mil artigos científicos em 260 periódicos, sendo 180 deles indexados na plataforma ISI, incluindo revistas como a Science e a Nature. O programa também gerou mais de 20 livros”, disse.
O programa criou uma base georreferenciada com 102 mil registros de 1.100 espécies, identificando 34 tipos de vegetação nativa no Estado de São Paulo. O sistema integrado utiliza softwares livres. Em 2002, o BIOTA-FAPESP lançou um projeto voltado para descobertas de moléculas da biodiversidade brasileira que possam ser usadas como modelos na indústria.
Entre os principais produtos do programa, segundo Joly, está a produção de uma série de mapas da biodiversidade que foram aplicados em políticas públicas de conservação e restauração da biodiversidade.
“O Estado de São Paulo tem 19 instrumentos legais – entre leis, decretos e resoluções – que foram elaborados com base em resultados do programa BIOTA-FAPESP”, afirmou.
 Por Fábio de Castro, do Rio de Janeiro
 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Desenvolvimento sustentável requer transformação também na ciência

Por Fábio de Castro, do Rio de Janeiro
Agência FAPESP – Depois de concluir que é preciso reinaugurar a relação entre a ciência e a sociedade para viabilizar as ações necessárias para a sustentabilidade global, a comunidade científica internacional se deu conta de que já foi dado o primeiro passo nessa direção.
A ciência para a sustentabilidade, um novo paradigma do conhecimento, já está sendo construída, segundo Lidia Brito, diretora da divisão de Políticas Científicas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Ex-ministra da Ciência de Moçambique, Brito participa no Rio de Janeiro do “Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development”, que ocorre até sexta-feira (15/06).
O evento de cinco dias tem o objetivo de debater uma nova agenda científica internacional para o período que se seguirá à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20) – que será realizada também na capital fluminense entre 13 e 22 de junho.
O fórum é organizado pelo Conselho Internacional para a Ciência (ICSU, na sigla em inglês), em parceria com Unesco, a Federação Mundial das Organizações de Engenharia (WFEO), o Conselho Internacional de Ciências Sociais (ISSC), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).
As discussões no fórum estão alinhadas com a Declaração sobre o Estado do Planeta, documento que sintetizou o resultado dos debates da reunião Planet Under Pressure, copresidida por Brito, em Londres (Inglaterra), onde mais de 3 mil cientistas envolvidos com diversos temas socioambientais discutiram qual seria a posição da comunidade científica internacional na RIO+20.
Uma das principais conclusões da declaração é que o sistema terrestre tem limites para sua exploração e os atuais níveis de pressão nesse sistema poderão levar a uma emergência humanitária de escala global, com a intensificação das crises sociais, econômicas e ambientais.
A superação desses problemas exigirá um novo pacto entre a ciência e a sociedade, com maior conectividade entre as lideranças de todos os setores, e, de acordo com Brito, essa mudança já está em andamento.
Em entrevista à Agência FAPESP, Brito falou sobre o novo paradigma para a sustentabilidade global, que requer um cientista cada vez mais multidisciplinar e mais participativo na sociedade. Explicou ainda por que rejeita a expressão “economia verde” e defendeu que o PIB é insuficiente para medir o sucesso do desenvolvimento de um país.

Agência FAPESP – A comunidade científica chega à RIO+20 com uma mensagem clara para a sociedade?
Lidia Brito – Há uma posição clara e algumas mensagens. Uma das grandes conclusões da comunidade científica do planeta é que entramos em uma nova era, o Antropoceno. Uma era em que o homem é a maior força a conduzir os destinos do planeta. Portanto, há uma nova responsabilidade do ponto de vista da humanidade em relação ao planeta. Outra conclusão é que o Antropoceno é uma era de interconexões, na qual tudo está interligado. Essa interconexão também ocorre em um ponto crítico, que são as fronteiras planetárias. Nas mudanças que introduzimos no sistema planetário, estamos a atingir essas fronteiras interligadas. Não é só o aumento da temperatura isoladamente, nem a acidificação dos oceanos, nem a perda da biodiversidade de forma individual, mas é como tudo isso está ligado.
Agência FAPESP – É correto dizer que essa mesma profusão de interconexões que gera os problemas globais também proporciona oportunidades para lidar com eles?
Lidia Brito – Sim. Essa interconexão profunda é um risco, porque o que quer que seja que façamos para empurrar uma dessas fronteiras, a fim de manter seu nível de estabilidade, irá criar instabilidade e incertezas em todas as outras fronteiras. Mas temos também que ver essa sociedade e esse sistema planetário interconectados como uma oportunidade inédita que nos é oferecida. Porque a mudança é mais rápida. Ideias e soluções que podem nos levar para uma zona de maior estabilidade são mais viáveis, porque tudo está ligado. Isso, por outro lado, faz com que a ciência tenha que mudar. Esse é um grande desafio que temos pela frente.
Agência FAPESP – O que o cientista precisa mudar em sua atitude e seu modo de trabalhar, tanto individualmente como coletivamente?
Lidia Brito – Individualmente, o cientista tem que entender que já não é suficiente trabalhar apenas na zona de conforto de sua disciplina, mas que é necessário se ligar com outras áreas de ciência, a outros sistemas de conhecimento, para que juntos novas soluções possam aparecer. São soluções às vezes até enraizadas em conhecimento já existente, mas só o fato de trazer outras disciplinas, outras formas de estar nas ciências, outras metodologias, outras perspectivas, dá um campo diferente para encontrar soluções.
Agência FAPESP – É preciso refletir a interconectividade no interior da própria atividade científica?
Lidia Brito – Sim, exatamente, com multidisciplinaridade e até mesmo transdisciplinaridade. Usar inclusivamente metodologias de outras áreas de ciência para nosso próprio campo científico. Isso é um desafio importante para o cientista da atualidade: abrir-se a outras comunidades, a outros colegas e outras áreas de ciência. Em nível global coletivo, da ciência como uma comunidade planetária, não só devemos trabalhar juntos nas diferentes perspectivas do conhecimento, mas principalmente engajarmo-nos em uma interação muito mais aberta com a sociedade e os tomadores de decisão – em nível do governo, do setor privado e da sociedade civil – para codesenhar e coproduzir essas soluções que são necessárias para uma sustentabilidade global.
Agência FAPESP – O cientista precisa aumentar seu poder de influência para ser capaz de trazer subsídios científicos para os processos decisórios?
Lidia Brito – Claro. Para isso é preciso interagir de uma forma que essas outras comunidades não se sintam fora da decisão ou do desenho daquilo que é a questão científica. O cientista não deve ditar soluções unilateralmente com base em seu conhecimento, ou não atingirá a sociedade. Seu verdadeiro papel na atualidade é dizer quais são as questões que enfrentamos como humanidade e como nós todos – comunidade científica, gestores políticos, setor privado, sociedade civil – vamos encontrar juntos soluções com base científica para essas questões que afligem a todos nós.
Agência FAPESP – Isso será um processo longo?
Lidia Brito – Acho que é uma questão que demanda urgência. Não podemos esperar muito tempo para fazer essa mudança. O que foi bom em todo esse processo é que já temos uma iniciativa, o Future of Earth, que procura, da parte da comunidade científica em nível global, trazer todas as ciências e os stakeholders – os intervenientes do processo de desenvolvimento sustentável – para a mesa, a fim de definir quais são as questões que temos que investigar e juntos vamos conseguir fazer isso. É um momento interessante, porque está a haver como que um rearranjo da governança científica e da forma como nós olhamos fazer ciência, que está claramente na mesa e está claramente a influir. E penso que é emblemático que isto esteja a acontecer de novo no Rio de Janeiro. Porque em 1992 houve uma mudança drástica, que, acredito, ocorre mais uma vez em 2012. A comunidade científica está a trazer para a RIO+20 sua convicção em dizer: já percebemos o que é preciso mudar, vamos todos mudar juntos. É isso que trazemos para a mesa na Conferência.
Agência FAPESP – Fala-se também de tecnologia nesse fórum. Muitas vezes há uma impressão distorcida do papel da tecnologia, como se ela tivesse a função de fornecer soluções para que se possa manter o chamado cenário business as usual, isto é, seguir no mesmo padrão de consumo, produção e pressão ambiental atual. Como contornar essa distorção?
Lidia Brito – Simplesmente não podemos manter esses padrões. Está fora de questão. A tecnologia tem um papel enorme nesse processo e desenvolvimento sustentável. Mas, por si própria, a tecnologia não dá conta. Ela tem que ser acompanhada por uma transformação social e uma consciência e um compromisso social de que temos que trazer a sustentabilidade global como algo que tem que fazer parte do nosso próprio tecido. Em cada dia, em cada ação que tomamos, a sustentabilidade global precisa estar presente. O que faz diferença, talvez, é esse termo “global”. Nem norte nem sul, nem rico nem pobre. Todos nós. Tem que estar no tecido de nossas nações e do nosso comportamento individual e coletivo. Só assim poderemos aspirar a um mundo mais estável.
Agência FAPESP – A consciência dessa centralidade do desenvolvimento sustentável está arraigada até que ponto na comunidade científica?
Lidia Brito – A Unesco, quando publicou o Relatório da Ciência em 2010, já tinha mostrado que havia uma mudança efetiva no cenário da comunidade cientifica. O que vemos, objetivamente, é muito mais colaboração internacional, muito mais ciência interdisciplinar. Acreditamos que já inclusivamente estamos em uma mudança de paradigmas. A ciência para a sustentabilidade global é o novo paradigma da ciência.
Agência FAPESP – Então a ciência para a sustentabilidade global não é apenas uma aspiração dos pesquisadores, mas uma nova realidade que começa a tomar forma?
Lidia Brito – É algo que está a permear as várias escolas e vários níveis da produção de conhecimento e de ciência. Um exemplo disso é a iniciativa Future of Earth, que é um comprometimento da comunidade científica de que vamos trabalhar juntos nas varias áreas de saber. É também um compromisso daqueles que apoiam a pesquisa global: os financiadores da pesquisa estão conosco nesse comprometimento. Estamos prontos para fazer outro tipo de ciência que responde melhor aos desafios globais. Agora, há muita coisa a fazer. E um dos grandes desafios é garantir que não haja exclusões nesses processos. Parte desse movimento consiste em criar capacidade científica em países que não a têm. E o Brasil é um país que claramente tem um papel enorme nisso.
Agência FAPESP – Por quê?
Lidia Brito – Porque vocês conseguiram criar a vossa capacidade científica nas várias áreas do saber. O Brasil tem experiências nessa coprodução, nessa multidisciplinaridade na abordagem da ciência para o desenvolvimento sustentável. O Brasil pode ser um modelo para o estabelecimento de metas nesse contexto. É um país que mostrou muita capacidade de trazer juntas as redes do conhecimento. Em muitos aspectos vocês estão na dianteira, é simbólico que estejamos discutindo isso no Rio de Janeiro.
Agência FAPESP – Vários pesquisadores brasileiros que temos entrevistado têm demonstrado certo ceticismo em relação à chamada “economia verde”. Qual resposta se pode dar a eles?
Lidia Brito – Para ser honesta, nós na Unesco não falamos em economia verde. Falamos de sociedade verde. Penso que o ceticismo dos investigadores vem daí: a discussão não é sobre economia. O que temos certeza é que, no Antropoceno, não é possível falar apenas de um dos blocos do desenvolvimento sustentável. A economia não pode ser discutida sem as questões sociais, culturais e ambientais. Elas estão interligadas e não podem ser tratadas de forma independente. Fico satisfeita com os cientistas brasileiros, que não querem falar apenas em economia. Temos que falar em sociedade verde, para destacar essa força de mudança.
Agência FAPESP – A senhora é a favor de abandonar o conceito de PIB e criar outras medidas de prosperidade?
Lidia Brito – Claramente não podemos ter só o PIB como medida de sucesso de uma sociedade. O PIB é muito restrito, não mede inclusão social, nem a harmonia entre homem e natureza, não mede o bem-estar das pessoas, nem a equidade. Temos que ter outras medidas. Por isso, nas conclusões do Planet under Pressure, dissemos: usem a comunidade cientifica para definir outras metas. Para desenvolver modelos de medida integrada da economia, sociedade e ambiente. Sim, sou uma das defensoras de que precisa haver outras medidas de sucesso de um país que considerem o desenvolvimento sustentável em todos seus pilares.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Proteção da Camada de Ozônio

Entre 10 e 50 quilômetros da superfície da Terra, encontra-se a Camada de Ozônio, um cinturão de gases com alta concentração de Ozônio (O3). Ela funciona como uma proteção natural contra a radiação dos raios ultravioleta emitidos pelo sol. Sem esse filtro formado ao longo de milhares de anos, teria sido impossível o desenvolvimento das incontáveis e variadas formas de vida encontradas no planeta.

Apesar da sua relevância, a Camada de Ozônio começou a sofrer os efeitos da poluição crescente com a industrialização mundial. Seus principais inimigos são produtos químicos como Halon, Tetracloreto de Carbono (CTC), Hidrofluorcabono (HCFC), CFC(Clorofluorcarbono) e Brometo de Metila, substâncias que figuram entre as SDOs. Quando liberadas no meio ambiente, deslocam-se atmosfera acima, degradando a Camada de Ozônio.

Os CFCs foram largamente usados até o fim da década de 1980 e meados dos anos 1990 como propelentes na fabricação de aerossóis, como expansores de espumas, na fabricação de equipamentos de refrigeração e de plásticos. Esses poluentes também contribuem para o aquecimento global. Por tudo isso, o uso indiscriminado de SDOs colocou o mundo em alerta.
Muitas SDOs também influenciam negativamente as mudanças climáticas globais. O CFC e alguns de seus substitutos estão listados entre os gases que mais contribuem para o aquecimento planetário. Uma tonelada de CFC-12, por exemplo, prejudica o clima de forma equivalente a de 7,3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2). A contribuição potencial para o aquecimento do planeta (GWP, do inglês Global Warming Potential) do CFC-12 é de 10.720, enquanto que a do CFC-11 é de 4.680.
Desde seu lançamento, o Protocolo de Montreal mostrou-se muito eficiente para reduzir a fabricação e o uso de CFC em nível global. No entanto, os gases alternativos mais comuns à substância, como HCFC e posteriormente HFC e PFC, ainda ameaçam a saúde climática do Planeta. A eliminação de 97,5 do HCFC está programada para ocorrer em 2030, restando eliminar consumo residual de 2,5% no setor de serviços, até 2040.

Frente ao dilema de proteger a camada de ozônio e ao mesmo tempo resguardar o equilíbrio climático, a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNCCC) e o Protocolo de Montreal produziram um documento que sustenta ser possível reduzir pela metade a contribuição dos CFC e seus substitutos para o aquecimento global até 2015, em comparação aos níveis de 2002.
Para tanto, é necessário um gerenciamento rigoroso sobre equipamentos e produtos com CFC e seus substitutos. Impedir a liberação de gases de aparelhos antigos é uma das soluções centrais para evitar futuras contribuições ao aquecimento global. A maior parte das emissões que podem ser evitadas entre hoje e 2015 tem foco em equipamentos de refrigeração.
Por outro lado, para reduzir a produção de gases estufa usados como substitutos de CFC, os organismos internacionais propõem a aplicação de novas tecnologias, como aumentar o uso de amônia, HC e outras substâncias que não contribuem para o aquecimento global. Nesse caso, é possível lançar mão de instrumentos econômicos para fomentar pesquisas e também utilizar mecanismos financeiros previstos no Protocolo de Montreal e no Protocolo de Quioto - tratado internacional que estipula políticas e mecanismos para o corte nas emissões de gases com alto GWP.
Com as ações adotadas pelo Brasil, foi possível evitar a emissão de aproximadamente 43 mil toneladas/ano de CFC, equivalentes a aproximadamente 360 milhões toneladas de CO2. Os cálculos levam em conta a redução real promovida pela Resolução 267/2000, somada aos limites de emissões que poderiam ter sido utilizados pelas empresas até 2010, se o Brasil não tivesse adiantado em três anos o cumprimento de suas metas.
Além das projeções de crescimento no consumo de CFC até 2010, o balanço também utiliza cenários pessimistas sobre a substituição completa desses gases por variedades danosas às mudanças climáticas, como o HCFC-141b. Apesar da redução no uso de CFC também contribuir diretamente para o combate às mudanças climáticas, tais gases não são contabilizados nas metas do Protocolo de Quioto.
A figura abaixo demonstra a relação entre as reduções nas emissões nacionais de SDOs e o equivalente na mitigação do aquecimento global:


Apenas considerando a redução realmente verificada (excluindo-se as evitadas até 2010), tem-se um equivalente de 25 mil toneladas de SDOs e 230 milhões de toneladas de CO2eq equivalente. Isso representa 22,7% das emissões nacionais de gases estufa, quantidade à poluição causada pela Espanha. Se fosse possível negociar essa quantidade de CO2 em créditos de carbono, considerando-se US$ 10 a tonelada, os benefícios econômicos chegariam a aproximadamente US$ 2,3 bilhões.
Logo, o Protocolo de Montreal é um forte aliado na luta contra o aquecimento planetário. Atender seus requisitos com mais rapidez pode ser ainda mais benéfico. O atual balanço mostra que, ao se adotar de forma unilateral medidas como a Resolução 267/2000 do Conama, que antecipou o cumprimento de metas do Protocolo de Montreal, o Brasil prestou grande contribuição aos esforços contra as mudanças climáticas.
Por estas razões, e com base no relatório elaborado pelo Protocolo de Montreal e a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, as Partes, em sua 19ª Reunião, em setembro de 2007, aprovaram que países em desenvolvimento devem congelar o consumo e a produção desses gases em 2013, conforme registros da média de consumo dos anos 2009 e 2010. Em 2015, deverá haver redução de 10% em relação ao período 2009-2010. Em 2020, a redução será de 35% e, em 2025, de 67,5%. A eliminação de 97,5% está prevista para 2030, restando eliminar consumo residual de 2,5% no setor de serviços, até 2040.

Fonte: portal do MMA

Telhados verdes

Já popular na Europa, iniciativa está em teste na Fiocruz e pode aliviar calor no verão carioca

RIO - No alto de um dos prédios da Fiocruz há duas casinholas, de 2 metros quadrados cada. Ambas têm telhados convencionais, mas, sobre um deles, há recipientes de plástico cobertos por plantas. Dali pode sair uma solução para tornar o calor do verão tolerável. O termômetro instalado no local revestido por pequenos vegetais registra temperaturas até 5 graus Celsius mais baixas do que no outro casebre.
O “telhado verde” é popular em países europeus e dá seus primeiros passos no mercado de construção paulista, mas ainda causa estranhamento no Rio. O engenheiro civil Renato Castiglia, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, é um dos primeiros a importar a novidade para terras cariocas.
Castiglia comprou recipientes plásticos e, assessorado por botânicos, encheu-os de espécies suculentas, plantas que toleram até dois meses sem água. Os recipientes foram, então, encaixados, sem qualquer espaço entre eles, sobre o telhado. Resultado: as plantas retêm o calor e a chuva - quando ela vem em quantidade, o excesso escoa da terra para outro vão, de onde ela pode sair sem provocar infiltrações.
Iniciado em março, o experimento já verificou diferença de até 5 graus Celsius nas temperaturas registradas na casa de telhado verde e na outra, de topo convencional.

Leia mais sobre esse assunto em oglobo online. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Rio+20: Prioridades para o Desenvolvimento Sustentável

A cúpula das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável (Rio+20), que será realizada no Rio de Janeiro entre 20 e 22 de junho, abordará entre outros assuntos a economia verde e o reforço das instituições e dos indicadores, temas prioritários para a ONU.
O desenvolvimento sustentável, ou seja, aquele que respeita o meio ambiente, se sustenta em três pilares: o ambiental, o econômico e o social.
(...)
Entre 16 e 19 de junho, serão realizados "diálogos sobre desenvolvimento sustentável", um exercício de democracia incentivado pelo Brasil, com o apoio da ONU.
Estes diálogos serão organizados no mesmo local da cúpula e abordarão dez temas, que serão debatidos na internet e também pela sociedade civil. Três propostas de cada tema serão apresentadas em seguida na cúpula de chefes de Estado e de governo.
No total, a Rio+20 abordará os seguintes temas prioritários, definidos pelo secretário da ONU, Ban Ki-Moon :
- os empregos que a economia verde pode criar
- o acesso universal à energia mais eficaz e mais limpa
- as cidades sustentáveis (menos poluição e menos pobreza)
- a segurança alimentar
- o acesso universal a fontes de energia mais eficazes e mais limpas

Nota: A matéria completa pode ser lida no Portal UOL neste link.

Combate à desertificação no país

Novo plano estratégico marca 4ª Reunião da CNCD

A quarta Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD), pela primeira vez sediada em uma cidade do Semiárido brasileiro, Campina Grande (PB), foi encerrada na última sexta-feira, dia 1º de junho, com novo plano de ações estratégicas elaborado pelos representantes dos governos e da sociedade civil. Na ocasião, foi deliberado sobre a proposta de inserção do Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI) na CNCD e como correspondente científico do Brasil na Convenção das Nações Unidas para Combate à Desertificação (UNCCD - sigla em inglês de United Nations Convention to Combat Desertification).
Um dos destaques da Reunião foram os encaminhamentos de um plano de ações emergenciais e estruturantes para a convivência com a semiaridez, inclusive com a seca. Dentre as deliberações, consta a elaboração de um documento contendo o ingresso da CNCD no Comitê Integrado de Combate à Seca na Região do Semiárido, o resgate das ações previstas nos Planos de Ações dos Estados (PAEs) de forma que integrem as ações de convivência com a semiaridez junto ao Comitê. Este tema é oportuno se considerarmos que atualmente cerca de 60% da população residente no Semiárido brasileiro, quase 12 milhões de habitantes, está afetada pela estiagem, aspecto que requer atuação dos governos nas dimensões emergencial e estrutural.
O diretor do Departamento de Combate à Desertificação (DCD/MMA), Francisco Campello, durante a Reunião, destacou o que considera os dois principais desafios para a Comissão: construir um processo participativo e democrático para combater a desertificação, com base na experiência da convivência e no resgate das tecnologias sociais e acompanhar a implementação dos compromissos assumidos pelo Brasil junto à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. “A grande estratégia da Comissão é justamente não perder o esforço de planejamento feito a nível de cada Estado no seu plano estadual de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca. Que as ações emergenciais sejam promotoras de projetos estruturantes, o que significa o resgate das tecnologias sociais implementadas para a convivência com o Semiárido, de forma que possamos, mesmo numa situação de emergência por ocasião das estiagens, construir cenários futuros de convivência com o Semiárido”, ressalta Campello.
Outro aspecto discutido na 4ª Reunião foi o acompanhamento das políticas de fomento, com destaque para as metas do Fundo Clima, linha de crédito do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que vai injetar R$ 1,2 bilhão, sendo cerca de 40% destes recursos destinados ao Semiárido brasileiro em projetos de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca.
O Código Florestal também foi tema de deliberações: os membros da CNCD aprovaram moção de apoio à nota pública sobre o novo Código Florestal Brasileiro, emitida pelo Comitê em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, baseado no que estabelece a Constituição Federal de que todos têm direito ao ambiente ecologicamente equilibrado. Os membros da CNCD expressaram, por meio do referido documento, o desejo pela construção de um Código Florestal que concilie conservação, produção e defesa dos bens comuns e dos direitos dos povos e comunidades tradicionais e as normas específicas voltadas ao Semiárido brasileiro no que se refere às áreas suscetíveis à desertificação.
Outro tema discutido foi a instituição da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), a ser lançada na Rio+20, cujo objetivo consiste em promover a transição agroecológica e a produção orgânica como base do desenvolvimento rural sustentável, possibilitando à população a melhoria de qualidade de vida por meio da oferta de alimentos saudáveis e do uso sustentável dos recursos naturais.
Dentre os encaminhamentos, ressaltou-se também a participação dos membros da CNCD na Rio+20, com destaque para os Pontos Focais dos PAEs nos diversos eventos da Conferência.
Os membros da CNCD, movidos pelo sentimento da convivência e pela afirmação da vida no Semiárido brasileiro, convivência com a seca, combate à sua indústria e seus (des)governos, também expressaram apoio à declaração sobre o atual momento de estiagens na região, emitida pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) e baseado no fundamento das necessidades, potencialidades e interesses das populações locais e nos princípios da conservação, uso sustentável e recomposição ambiental dos recursos naturais do Semiárido, de forma que estes aspectos promovam o desenvolvimento humano, social, cultural e econômico do Semiárido brasileiro.

Texto: Catarina Buriti - Fonte: Portal do INSA

domingo, 10 de junho de 2012

Impa mostra aplicações da matemática nos estudos climáticos


08/06/2012 - 19:55 - Portal do MCTI
Como os estudos e modelos matemáticos podem ajudar na busca de soluções e na compreensão sobre os fenômenos naturais e sobre as alterações climáticas. É com o propósito de mostrar um pouco sobre as pesquisas realizadas na área que o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), organização social ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresentará cinco trabalhos desenvolvidos por pesquisadores em torno da temática “economia verde” na Conferência as Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), no Rio de Janeiro.

Os visitantes poderão conferir em vídeos e apresentações modelagens matemáticas de ondas tipo tsunami, de ondas em rios (responsáveis por enchentes), ondas gigantes abaixo da lâmina da água que colocam em risco plataformas de prospecção de petróleo e a vida de mergulhadores, além de aplicações para aprisionamento/retirada de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera com o objetivo de reduzir o aquecimento global.

O Impa estará presente no Armazém 4 (do MCTI). Saiba mais sobre a participação do ministério na Rio+20. 

Rio+20: Presença do Rio Grande do Norte

UFRN vai enviar a representante do Estado à conferência

O Rio Grande do Norte terá um representante na cúpula Rio +20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável a ser realizada no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho. A UFRN irá enviar a bióloga Eliza Xavier Freire, que é coordenadora do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade. A pesquisadora irá participar dos debates que devem desembocar na construção de uma série de propostas sobre desenvolvimento sustentável a serem viabilizadas por países de todo o mundo. Segundo a professora Eliza Xavier, a intenção é avaliar o que já foi feito e o que ainda precisa avançar.

A Rio +20 é a conferência sucessora da Eco 92, também realizada no Rio de Janeiro e que modificou a forma como os governos e países se relacionavam com as questões relativas ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável, expressão que à época ainda era "novidade". Hoje, 20 anos depois, o termo "desenvolvimento sustentável" se popularizou ao ponto de ser utilizada na maior parte das vezes sem muito critério. "Hoje parece uma palavra vazia, antiga, mas é um conceito amplo, importante, que as pessoas usam sem se preocupar se de fato estão postas as condições para um desenvolvimento pleno", diz a professora Eliza.

Colocar em prática o que será discutido entre pesquisadores, gestores, representantes de organizações não-governamentais e sociedade civil organizada é o grande desafio. Da Eco 92, por exemplo, restam várias propostas não colocadas em prática, inclusive no Brasil, país-sede e signatário do protocolo de propostas. Um exemplo: o ordenamento da ocupação urbana nas grandes cidades. Tragédias como a que aconteceu no Rio de Janeiro no ano passado podem ser evitadas, caso alguns dos encaminhamentos já presentes na Eco 92 fossem levados adiante. "A questão das grandes cidades é um exemplo do que não foi levado a sério pelos governos", diz Eliza Xavier.

Mesmo assim, nem tudo foi imobilidade e retrocesso nos 20 anos que se seguiram à Eco 92 e formataram os debates da Rio +20. Há uma série de ganhos e pode-se dizer que a política ambiental foi outra depois da primeira conferência. "Temos uma política de unidades de conservação, aprovamos uma lei das águas. Há muitas questões importantes que foram encaminhadas", diz Eliza. E complementa: "Hoje temos consciência de que não há desenvolvimento econômico sustentável sem preocupação com o social e o meio ambiente. O debate deve seguir nesse caminho".

Nem todas as universidades estarão representadas na cúpula da Conferência. O MEC selecionou as instituições mais destacadas, entre elas a UFRN. "O papel dos pesquisadores será dar um direcionamento técnico. Se a Academia fosse sempre ouvida não passaríamos por situações como a do Código Florestal, que, no texto aprovado no Congresso, significa um retrocesso para a política ambiental brasileira", reclama a bióloga.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Congresso Brasileiro de Meteorologia - Gramado

Incertezas e Desafios para a Sustentabilidade Planetária
O Papel da Ciência Meteorológica
Submissão dos trabalhos - 23 de março à 25 de junho de 2012

Sociedade Brasileira de Meteorologia – SBMET e o Centro Estadual de Pesquisas em Sensoriamento Remoto e Meteorologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul CEPSRM - UFRGS, têm a satisfação de anunciar o XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE METEOROLOGIA, que retorna ao Rio Grande do Sul 29 anos após a realização de sua segunda edição. O Congresso Brasileiro de Meteorologia (CBMET) é realizado a cada 02 anos. Sua primeira edição ocorreu em 1980, em Campina Grande-PB.

O evento será realizado em Gramado, na região serrana do Rio Grande do Sul de 23 a 28 de setembro de 2012 juntamente com o I ENCONTRO DE METEOROLOGIA DOS PAÍSES DO MERCOSUL E ASSOCIADOS e o IV ENCONTRO SUL AMERICANO DE APLICAÇÕES DO SISTEMA EUMETCast PARA O MONITORAMENTO METEOROLÓGICO E AMBIENTAL.

O Congresso é o local ideal para que os participantes possam apresentar seus trabalhos científicos e tecnológicos, os participantes possam discutir temas atuais sobre INCERTEZAS E DESAFIOS PARA A SUSTENTABILIDADE PLANETÁRIA: O PAPEL DA CIÊNCIA METEOROLÓGICA.

Gramado conta com inúmeras atrações, tem excelente infra-estrutura para eventos e para turismo. Artesanato, cozinha típica, bons vinhos, paisagens e clima ameno são atrações adicionais à espera dos participantes do Congresso.

Saiba mais no nosso site sobre temas, como se registrar e o valor das inscrições e mais informações.  

Curso Prático de Análise e Previsão de Tempo

De 20 a 22 de junho será realizado o Curso Prático de Análise e Previsão de Tempo, no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Cachoeira Paulista – SP.
O objetivo do curso é fortalecer os conhecimentos de meteorologia sinótica aplicada à análise e à previsão de tempo, através de análises de casos, associados aos diversos sistemas meteorológicos que influenciam o tempo sobre o continente sul-americano.
O curso será ministrado pelo Dr. Gustavo Escobar, responsável pelo Grupo de Previsão de Tempo do CPTEC/INPE. Dentre alguns dos temas que serão abordados durante o curso estão Análise de cartas sinóticas e Previsão de tempo através da utilização de ferramentas objetivas de prognóstico, derivadas de modelos numéricos.

A programação e o link para as inscrições (formulário e taxa) estão disponíveis no site: http://cursos.cptec.inpe.br/analise-e-previsao-de-tempo/

O curso conta com o apoio da Associação dos Pesquisadores do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (APLBA).