terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sol lança forte tempestade geomagnética sobre a Terra

Por Deborah Zabarenko | Reuters
 
Radiação começou a chegar à Terra uma hora após a erupção solar (Foto: Divulgação/NOAA)

A tempestade geomagnética mais forte em mais de seis anos deve atingir a Terra na terça-feira, e pode afetar as rotas aéreas, redes de energia e satélites, disse o Centro de Previsão Meteorológica Espacial dos Estados Unidos.
A ejeção de massa coronal - uma grande parte da atmosfera do Sol - foi lançada em direção à Terra no domingo, conduzindo partículas solares energizadas a cerca de 2.000 quilômetros por segundo, cerca de cinco vezes mais rápido do que costumam viajar as partículas solares, disse Terry Onsager, do Centro.
"Quando nos atingir será como um grande aríete que empurra o campo magnético da Terra", disse Onsager, de Boulder, no Colorado. "Essa energia faz com que o campo magnético da Terra flutue".
Essa energia também pode interferir em comunicações de alta frequência de rádio, usadas pelas empresas aéreas para navegar próximo ao Polo Norte em voos entre a América do Norte, Europa e Ásia, portanto algumas rotas podem ser mudadas, disse Onsager.
Também pode afetar redes de energia e operações por satélite, disse o Centro em um comunicado. Astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional podem ser aconselhados a buscar abrigo em partes específicas da aeronave para evitar uma dose solar reforçada de radiação, disse Onsager.
O Centro de Meteorologia Espacial disse que a intensidade da tempestade geomagnética seria provavelmente moderada ou forte, nos níveis dois e três de uma escala de cinco níveis, sendo o cinco o mais extremo.

Artigo original (em inglês) - pode ser lido aqui.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Termina expedição científica brasileira no interior da Antártica

Com o embarque no navio Ary Rangel da Marinha do Brasil, dos equipamentos utilizados na expedição científica Criosfera 1 realizado nesta segunda-feira (23), em Punta Arenas, no Chile, serão encerradas as atividades do evento, que instalou o primeiro módulo científico do país no interior da Antártica. A Expedição Criosfera, concebida e realizada pela comunidade científica nacional com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), marca um novo estágio no Programa Antártico Brasileiro (Proantar), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ao comemorar-se o centenário da chegada do homem ao Polo Sul Geográfico e os 30 anos de atividades do Proantar, o Brasil finalmente tem um laboratório científico no interior da Antártica, ampliando a área geográfica de atuação do Proantar em mais de 4 milhões de km 2 .
Com a coordenação-geral do cientista e explorador polar Jefferson Cardia Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) a expedição científica teve pleno sucesso ao realizar várias atividades pioneiras. Primeiramente, instalou e colocou em funcionamento um laboratório automatizado e sustentável (toda a energia é provida por geradores eólicos e solares) para estudos atmosféricos a 670 quilômetros do Polo Sul Geográfico. O módulo, batizado de Criosfera 1, já está transmitido via satélite dados meteorológicos e da química atmosférica diretamente para o Brasil.
Essas informações serão essenciais para melhorar as previsões meteorológicas no país e para estudos sobre o impacto das mudanças do clima. O Criosfera 1 já mede a concentração do CO 2 (dióxido de carbono, principal gás de efeito estufa). Essas concentrações naquele lugar isolado confirmam as medições realizadas em outros lugares remotos do mundo (chegam a 386 partes por milhão – ppm - por volume, um aumento de 40% desde o início da Revolução Industrial, no século 19).
Cooperação - A Expedição Criosfera foi uma missão interdisciplinar envolvendo 17 pesquisadores de sete instituições nacionais e duas chilenas. O grupo volta ao Brasil com amostras de gelo que contarão a história do clima e das mudanças na química da atmosfera ao longo dos últimos 300 anos. Houve ainda a medição com satélites e na superfície Antártica para saber como o gelo está respondendo as variações das mudanças do clima. Sobre isso, é essencial que os brasileiros lembrem que somos o sétimo país mais próximo da massa de gelo do planeta: 90% da criosfera (o conjunto da neve e gelo da Terra) está na Antártica. Esse volume é tão grande que se colocado sobre o Brasil cobriria os nossos 8,5 milhões de km 2 com uma camada homogênea de quase três quilômetros de espessura. Hoje, sabemos que mesmo pequenas variações neste gelo afetam o nível dos mares e nosso cotidiano.
No trigésimo ano do Proantar, a Expedição Criosfera também é um sucesso em termos de política internacional. Ao realizar uma missão no interior do continente, o Brasil demonstra mais uma vez o seu pleno interesse no futuro da região Antártica, quer ambientalmente como politicamente, reforçando sua posição no âmbito do Tratado da Antártica, o regime jurídico aplicado e que decidirá o futuro de seus 36 milhões de km 2 .
A expedição também recebeu apoio da Frente Parlamentar em Prol do Proantar da Secretaria Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm) da Marinha, da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Equipe e instituições da Expedição Criosfera
  • Jefferson Cardia Simões - 53 anos, porto-alegrense, geólogo e glaciólogo, professor da UFRGS. É o coordenador-geral e científico da expedição.
  • Heitor Evangelista - 48 anos, carioca, físico, professor da Uerj. É o coordenador do módulo Criosfera 1.
  • Alexandre Santos de Alencar - 37 anos, carioca, biólogo, professor da Uerj
  • Carlos Ernesto G.C. Schaefer - 46 anos, carioca, agrônomo, professor da UFV
  • Cristiano Moreira Medeiros - 34 anos, Rio Grande (RS), geógrafo, técnico da Furg
  • Francisco Eliseu Aquino - 41 anos, Taquari (RS), geógrafo, professor da UFRGS
  • Guilherme Borges Fernandez - 40 anos, paulistano, geógrafo, professor da UFF
  • Heber Reis Passos - 49 anos, itamontense (MG), técnico do Inpe
  • Jandyr de Menezes Travassos - 59 anos, carioca, físico, pesquisador do ON
  • Jorge Arigony Neto - 36 anos, porto-alegrense, geógrafo, professor da Furg
  • Luís Fernando Magalhães Reis - 54 anos, porto-alegrense, geográfo, técnico da UFRGS
  • Marcelo Arévalo González - 51 anos, San Javier (Chile), engenheiro do CECS
  • Marcelo Sampaio - 49 anos, Santo André (SP), engenheiro do Inpe
  • Ricardo Janã Olbregón - 50 anos, Santiago do Chile, geógrafo, pesquisador do INACh
  • Rosemary Vieira - 45 anos, carioca, geógrafa, professora da UFF
  • Saulo Siqueira Martins (C) - 28 anos, belenense, físico, doutorando do ON,
  • Ulisses Franz Bremer (B) - 51 anos, Téofilo Otoni (MG), geógrafo, professor da UFRGS
Instituições Participantes (Sete nacionais, de quatro estados, e duas chilenas)
  • UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre
  • Uerj - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
  • Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, São José dos Campos (SP)
  • UFF - Universidade Federal Fluminense, Campos dos Goytacazes e Niterói (RJ)
  • Furg - Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande (RS)
  • UFV - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa (MG)
  • ON - Observatório Nacional, Rio de Janeiro (RJ)
  • CECS - Centro de Estudios Científicos, Valdivia (Chile)
  • INACh - Instituto Antártico Chileno, Punta Arenas (Chile)
___
Assessoria de Comunicação Social do CNPq
comunicacao@cnpq.br
(61) 3211-9414