No oceano Pacífico, persiste a condição de resfriamento das águas com predomínio de anomalias negativas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM), principalmente no setor centro-oeste da bacia, típico de um evento de La Niña de intensidade fraca (Figura 1). Com relação à previsão, os resultados dos modelos numéricos e estatísticos indicam a permanência de águas mais frias no Pacífico Tropical, pelo menos até o final do outono no Hemisfério Sul (junho de 2012), indicando a continuidade do evento de La Niña nos próximos meses. No Oceano Atlântico a temperatura da superfície do mar continuou mostrando o setor sul com aguas mais frias do que o normal e um setor norte com águas próximo da normalidade. No campo da pressão atmosférica ao nível do mar, a principal mudança foi a intensificação do centro de alta pressão do Atlântico Norte, o que poderá contribuir para o resfriamento das águas do setor norte desse oceano, possibilitando um deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (Principal Sistema Meteorológico causador de chuvas na Região Nordeste do Brasil, no período de fevereiro a maio).
Em síntese, as condições oceânicas e atmosféricas nos oceanos Pacífico e Atlântico Tropical indicam: no Pacífico, condição favorável a um quadro de chuvas regulares com totais em torno da média no Nordeste do Brasil (região semiárida); no Atlântico Tropical, há evidências de condições associadas a anos com chuvas em torno a abaixo da média no semiárido nordestino. É importante ressaltar que um contínuo monitoramento das condições térmicas do Atlântico Tropical, nos próximos meses, é fundamental para definir a qualidade da estação chuvosa no setor norte do Nordeste do Brasil.