segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Natal perde 30% de cobertura vegetal em dez anos

Nos últimos dez anos, Natal perdeu cerca de 30% de sua cobertura vegetal, principalmente na região leste de Natal, segundo informações do Laboratório de Biotecnologia e Conservação de Espécies Nativas, da UFRN. Tem hoje, menos verde e mais 'ilhas de calor', agravada pela verticalização na expansão urbana. Essa realidade poderia ser outra se a Prefeitura de Natal tivesse executado na íntegra o Plano Diretor de Arborização de Natal, elaborado desde 2007.

Em março de 2009, a prefeitura chegou a anunciar o início do plano e fechou contrato de R$ 300 mil com a empresa paulista Aerocarta. Ela seria responsável por produzir um inventário florístico; apontar diretrizes para o plano de arborização e executá-lo - ou seja, fazer o plantio de mudas nas áreas apontadas como as mais carentes de cobertura vegetal. Na época, o então titular da Semurb, Kalazans Bezerra, chegou anunciar um plantio planejado de 800 mil mudas em cinco anos.

O plano de arborização seria executado em um ano, dos quais seis meses dedicados ao inventário. Dois anos depois, menos de 20% do que estava previsto na primeira etapa - o inventário - chegou a ser feito. Dos 36 bairros da cidade, apenas três, da zona sul - Capim Macio, Ponta Negra e Mirassol -, tiveram o inventário de vegetação concluído. Em outros dois - Candelária e Pitimbu - o levantamento está por concluir.

O inventário iria dizer quantas árvores têm em Natal, onde elas estão localizadas e qual a condição de saúde de cada uma. Além de catalogadas, com detalhes da espécie, altura, dimensão da copa e condições fitossanitária, as árvores foram mapeadas pelo sistema de georeferenciamento (GPS). No caso dos três bairros da zona sul já concluídos, o georeferenciamento deverá ser refeito, porque apresenta falhas de localização.

A informação é do secretário adjunto de Meio Ambiente e Urbanismo, Eugênio Bezerra. Ele anunciou que a Semurb não manterá o contrato com a Aerocarta. "Vamos consertar esses três bairros e refazer os dois em aberto. Depois vamos faremos o distrato do contrato", anunciou Bezerra. A previsão, segundo ele, é que a partir de março, a Semurb assuma o trabalho.

Para isso, o órgão precisa formar uma equipe técnica para orientar o trabalho de campo e fazer a contratação de dez estagiários, que, segundo Bezerra, já foram selecionados.  O secretário adjunto da Semurb nega falta de planejamento e de fiscalização. "Foi uma opção administrativa que, infelizmente, não deu certo, mas não por responsabilidade da Semurb".

O atraso aconteceu, explicou o adjunto,  porque a empresa contratada "subdimensionou o volume de trabalho e de recursos necessários" e não teve condições de executar o serviço no tempo previsto.  "Presença e fiscalização da Semurb não faltaram. Eles tiveram alguns problemas e não conseguiram executar o trabalho de campo", explicou.

A Semurb, à época, chegou a ceder carro e estagiários. O plano estava sendo coordenado pelo professor Magdi Aloufa, coordenador do Laboratório de Biotecnologia e Conservação de Espécies Nativas, da UFRN. A versão dele para a suspensão do trabalho entre março e abril de 2010 é outra. O motivo teria sido o atraso no repasse do convênio com a Aerocarta.

Parte do valor ia para pagamento de 20 bolsistas agregados ao trabalho. "Por várias vezes comunicamos à Semurb, mas o atraso permaneceu e os bolsistas não tiveram mais condições de continuar", explicou Aloufa. "Até hoje, o pagamento das bolsas está em atraso", reclamou. Ele disse que está disposto a continuar o trabalho, desde que as condições de financiamento do trabalhos sejam adequadas.

Ele reconhece que houve falhas, mas garantiu que entregará o inventário dos cinco bairros, sem erros. "Podemos rever e colocar as informações nos padrões exigidos". Eugênio Bezerra disse que o pagamento das bolsas não era responsabilidade da Semurb. "Estava no contrato entre ele [Aloufa] e a Aerocarta. E até onde sei, a Aerocarta repassou os valores  pra ele. Só não foi pago a parte que não atestamos, que foi a relativa aos cinco bairros". Cada um dos alunos do projeto recebia bolsa mensal de R$ 400,00.

Até o momento, a empresa recebeu 20% do valor do contrato, o equivalente a R$ 60 mil, referente ao plano de trabalho. O restante do pagamento estava previsto da seguinte forma: 15%, por região administrativa da cidade, com inventário concluído, num total de 60%, e outros 20% a empresa receberia quando da entrega do relatório final. Agora, a prefeitura, segundo o secretário adjunto, aguarda a entrega do inventário de Candelária e Pitimbu para avaliar o valor a ser pago à empresa.

"Vamos receber esses cinco bairros, oficialmente, e avaliar de acordo com os índices estabelecidos no contrato", afirmou. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE tentou contato, por telefone, com a empresa Aerocarta, mas não obteve sucesso.

Zonas Leste e Sul são as que mais perdem árvores

As regiões Leste e Sul de Natal foram as que mais perderam cobertura vegetal, na última década. Bairros como Petrópolis, Ribeira, Cidade Alta e Tirol estão hoje mais para "ilhas de calor' do que para grandes jardina, como eram até meados do século passado. São as regiões, segundo Magdi Aloufa, onde se tem a maior escassez de áreas para plantio. Segundo a promotora Rossana Sudário a Prefeitura de Natal já foi alertada quanto à necessidade de conseguir terrenos para plantio, na região Leste da cidade. San Vale, que teve grande expansão urbana, nos últimos dez anos, diz a promotora, é outra área que merece atenção. A Prefeitura de Natal aposta em parceria com a iniciativa privada para viabilizar a arborização e manutenção das áreas verdes em toda a cidade. Segundo Cláudio Porpino, a Semsur está procurando reforçar as parcerias do 'Adote o Verde'. O programa "Adote o Verde" é uma parceria com a iniciativa privada, que ao adotar um canteiro ou área verde, passa a se responsabilizar pela sua manutenção.

Outra aposta é a Lei 289/2011, regulamentada em setembro/2011, e que estabelece o plantio de uma muda a cada dois carros zero km vendidos em Natal. As concessionárias devem entregar até final deste mês o balanço de vendas de outubro, novembro e dezembro e os projetos de plantio. Caberá à Semurb fiscalizar e indicar as áreas e espécies que devem ser plantadas.

Em média, 1.200 carros são vendidos, por mês, pelas concessionárias de Natal. A lei obriga as concessionárias a fazerem a manutenção das áreas onde fazem o plantio, por dois anos. Segundo  Eugênio Bezerra, a Semurb distribuiu cerca de 2 mil mudas em 2011, com plantio no Parque da Cidade; em áreas verdes e praças; em escolas e em vários canteiros. Ele citou plantio nos bairros dos Guarapes e Cidade da Esperança. Em um dos canteiros, o da avenida Mor Gouveia, as sete mudas plantadas estão morrendo, por falta de cuidado e tratamento. Isso acontece, pouco mais de três meses depois do plantio. O que se vê são folhas queimadas pelo sol e galhos secos. As plantas não recebem sequer aguação. No pé de uma das mudas, o lixo se acumula.

Sem estrutura, alguns canteiros  de natal estão abandonados

Os dados do inventário que chegaram até à Semurb, segundo a chefe do Núcleo de Arborização, Vera Lúcia Filgueira, apontam para a existência de 2.500 árvores nos bairros de Ponta Negra, Capim Macio e Mirassol. Parte delas, apresenta infestação por cupim e formiga, o que, segundo ela,  pode ser tratado. A situação foi confirmada em vistoria do órgão, no ano passado. O responsável pelo diagnóstico florístico, Magdi Aloufa, disse que  "se percebe que a prefeitura não teve cuidado suficiente. Basta dizer que a grande maioria das árvores, nos cinco bairros que visitamos, apresenta doenças patogênicas". O levantamento nos cinco bairros mostra pouca diversidade de espécies, com destaque para árvores exóticas.  Eugênio Bezerra admitiu a falta de manutenção,  nos canteiros, onde o órgão faz plantio. "Realmente não temos feito porque a Semurb não tem estrutura. Não temos carro-pipa, nem mão-de-obra suficiente; então fica à cargo da Semsur", justificou. O secretário municipal de Serviços Urbanos, Cláudio Porpino, confirmou que as ações não chegam a toda a cidade. "Fazemos o máximo em favor da cidade, mas é impossível com a estrutura que temos chegar em todos os lugares".

Promotora cobra implantação  do plano de arborização

A promotora do Meio Ambiente, Rossana Sudário, quer urgência na execução do plano de arborização de Natal. Na prática, desde o acordo firmado entre o MPE e a Prefeitura de Natal, em 2003, em decorrência de uma Ação Civil Pública, praticamente nada avançou. O acordo previa a produção do inventário florístico e a execução do plano de arborização. "Nós insistimos para ter um plano e fico impressionada com a falta de compromisso e de sensibilidade ambiental dos gestores. Pensei que com o Partido Verde a situação iria melhorar, mas nada", afirmou. Ao ser informada sobre a atual situação do plano de arborização de Natal, pela reportagem da TN, a promotora convocou o município de Natal para uma audiência no dia 30 deste mês. "Natal tem hoje o que chamamos de 'ilhas de calor'; tem um nível de radiação muito forte e são as arvores que nos protegem", destacou. A promotora lamentou que a Prefeitura de Natal não cuide sequer das árvores que já existem na cidade. "Se tem cupins é porque a prefeitura não cuida. O descumprimento do acordo gera, segundo a promotora, multa diária de R$ 500,00, mas não está sendo cobrada. "Não vou tirar dinheiro de Natal. Quero que o plano seja implantado".  

Fonte: TN Online – Notícias / Blogs / Jornal de WM – 22/01/2012.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cientistas devem participar mais ativamente das negociações climáticas

Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Os modestos avanços na inclusão da agricultura nas rodadas de negociações da Convenção do Clima da ONU estão sinalizando a necessidade de a comunidade científica mundial contribuir efetivamente para o setor agrícola se adaptar às mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, diminuir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e aumentar a produtividade para atender à crescente demanda mundial por alimentos.
A avaliação foi feita por um grupo de cientistas de diversos países, com participação brasileira, em um artigo publicado na edição desta sexta-feira (20/01) na revista Science.
Participam do artigo pesquisadores do Reino Unido, Índia, Austrália, México, França, Estados Unidos, China, Etiópia, África do Sul, Quênia, Vietnã e do Brasil, representado pelo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre.
Nobre é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).
O principal autor do artigo é John Beddington, conselheiro científico chefe do governo do Reino Unido, que esteve no Brasil em maio de 2011.
Na ocasião, Beddington fez uma apresentação em um workshop promovido pelo PFPMCG e participou da assinatura de um acordo de cooperação entre a FAPESP e as universidades de Nottingham e Southampton.
No artigo, os autores convocam os cientistas a assumir um papel mais relevante para apoiar as decisões nas negociações climáticas da ONU em 2012, assegurando que os participantes estejam informados, com dados claros, sobre como as mudanças climáticas põem em risco a segurança alimentar e o que pode ser feito para evitar uma catástrofe.
Na avaliação deles, a 17ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-17), que ocorreu no final de 2011 em Durban, na África do Sul, representou um momento político muito oportuno para a criação de um programa de adaptação e mitigação dos impactos das mudanças climáticas na agricultura sob a direção do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico (SBSTA, na sigla em inglês) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
Durante o encontro, os países participantes se comprometeram a se engajar no estabelecimento de um acordo legal até 2015 que possibilite reduzir as emissões globais dos gases de efeito estufa e começar a discutir como incluir a agricultura nas negociações de clima por meio de ações setoriais.
Entretanto, de acordo com os autores do artigo, as ações acordadas em Durban foram na linha da mitigação, seguida nas negociações da Convenção do Clima, que estão separadas das discussões sobre adaptação.
“Isso obscurece as oportunidades para a agricultura, que pode se beneficiar de ambos (a mitigação e adaptação) e leva à conclusão de que o foco na adaptação agrícola, que é uma prioridade para os países em desenvolvimento, será reduzido”, avaliaram.
Com base nos obstáculos e oportunidades surgidas em Durban e nas recomendações lançadas em novembro pela Comissão para Agricultura Sustentável e Mudanças Climáticas – criada por cientistas de seis continentes em março de 2011 para desenvolver recomendações políticas e adaptar o setor agrícola para as pressões ambientais –, os autores sugerem no artigo áreas em que a comunidade científica poderia contribuir para avançar as negociações climáticas da ONU.
Entre as áreas estão “silvicultura e agricultura”, “novos sistemas de informação”, “financiamento climático” e “ações nacionais”.
“São necessárias mais pesquisas integradas, com foco sobre práticas agrícolas sustentáveis apropriadas para diferentes regiões, sistemas de cultivo e paisagens, particularmente nos sistemas sociecológicos mais vulneráveis”, destacam.
De acordo com os autores, o objetivo é conseguir um espaço seguro de operação, onde os agricultores possam produzir alimentos suficientes para atender às necessidades globais, adaptando-se às mudanças climáticas e minimizando o impacto ambiental da produção agrícola.
O artigo também aponta que os cientistas podem ajudar com a identificação de oportunidades robustas de pesquisa de adaptação e mitigação agrícola com recursos do Fundo de Adaptação às Mudanças Climáticas, do Protocolo de Kyoto, do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e do Fundo Verde para o Clima, que investirá U$$ 100 bilhões por ano para mitigação e adaptação às mudanças climáticas em países em desenvolvimento.
Os autores destacam no artigo algumas práticas agrícolas alternativas, desenvolvidas em diferentes regiões do mundo, que se mostram promissoras para reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao mesmo tempo em que aumentam a produtividade.
Eles também esboçam diversas sugestões para a Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e chamam os cientistas para começar a se envolver com a COP-18, que será realizada no final deste ano no Qatar.
“Por meio da expansão do conhecimento de práticas agrícolas que podem proporcionar diversos benefícios e da ligação entre agricultura e silvicultura, os cientistas podem dar grandes contribuições para essas iniciativas”, concluíram.
Contribuição brasileira
Na avaliação de Carlos Nobre, diferentemente de outros países, a comunidade científica brasileira tem tido, historicamente, um papel fundamental nas negociações climáticas internacionais.
“A audaciosa e inovadora posição brasileira apresentada na COP-15 em Copenhagen, em 2009, de voluntariamente estabelecer metas até 2020, resultando em reduções de emissões do país em relação a 2005, foi formulada com apoio e participação direta de cientistas brasileiros que integram a Rede Clima, do MCT, do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais e de diversas instituições científicas”, disse à Agência FAPESP,
Segundo ele, as pesquisas realizadas no país estão buscando entender o potencial impacto das mudanças climáticas na agricultura brasileira e buscar soluções de adaptação. Entretanto, o setor agropecuário é conservador em relação à introdução de inovações e novos paradigmas, como o da agricultura sustentável.
“Hoje, diversas políticas públicas sinalizam nessa direção da agricultura sustentável e, eventualmente, o setor irá acelerar a introdução de práticas sustentáveis, incluindo a intensificação sustentável da produção. Isto é, o aumento da produtividade com redução de emissões e maior capacidade de adaptação às mudanças climáticas com menor impacto ambiental, especialmente sobre a biodiversidade”, afirmou.
Entre algumas das políticas públicas existentes no país para incentivar o setor agropecuário a reduzir as emissões de GEE, Nobre cita o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), lançado pelo Ministério da Agricultura há mais de um ano.
O programa, que integra as iniciativas setoriais para que o país atinja as metas voluntárias de redução das emissões de GEE, disponibilizará R$ 2 bilhões para introdução de práticas sustentáveis e que reduzam as emissões de GEE pelo setor, como a integração da lavoura com a pecuária, plantio direto, recuperação de pastagens degradadas e fixação biológica de nitrogênio. Porém, até agora poucos agricultores utilizaram o recurso.
“Nota-se que o setor agrícola ainda demonstra alguma relutância em tomar esses créditos e mudar de paradigma de produção em alta escala. Porém, é certo que a melhor trajetória para agricultura brasileira é a da agricultura sustentável e, mais cedo ou mais tarde, o setor adotará essa postura”, previu Nobre.
O artigo What next for agriculture after Durban?, de Carlos Nobre e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Marco Antônio Raupp assume Ciência e Tecnologia

Finalmente foi definido no novo Ministro de Ciência, Tecnologia e Informação (mcti). Sem surpresas, uma vez que esta possiblidade havia sido antecipada por várias fontes, a pasta do MCTI será comandada pelo Físico e Matemático Marco Antônio Raupp. Abaixo, trechos da divulgação do portal UOL.

Fábio Brandt
Do UOL, em Brasília
O governo federal anunciou nesta quarta-feira (18) a primeira mudança ministerial de 2012. O ministro da Educação, Fernando Haddad, deixa o cargo para concorrer à Prefeitura de São Paulo nas eleições desse ano. Ele será substituído por Aloizio Mercadante, que ocupava o Ministério da Ciência e Tecnologia. No lugar de Mercadante entra Marco Antônio Raupp, que era presidente da Agência Espacial Brasileira.
(...)

Perfis

Natural de Cachoeira do Sul (RS), Marco Antônio Raupp, 73, tornou-se presidente da Agência Espacial Brasileira em março de 2011. Raupp não é filiado a partido político.

Formado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), tem PhD em matemática pela Universidade de Chicago e livre-docência pela USP. Já presidiu a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Por sua atuação como cientista já recebeu a Ordem do Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, e a Grão-Cruz, do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Quando começaram as especulações sobre a saída de Mercadante do Ministério da Ciência e Tecnologia, Raupp foi cogitado como uma opção técnica para assumir a pasta. Outros nomes chegaram a ser mencionados entre os possíveis novos ministros, como a senadora Marta Suplicy (PT-SP), ex-prefeita de São Paulo, e o deputado federal Newton Lima (PT-SP), ex-prefeito de São Carlos.

A matéria completa pode ser lida aqui.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Relatório de atividades da Rede Clima está disponível online

Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais
O 2º Relatório de Atividades da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais - Rede CLIMA reúne os objetivos e a organização da Rede, apresenta os destaques científicos do seu último ano, descreve sucintamente as suas dez sub-redes temáticas de pesquisa, e apresenta três novas sub-redes: Oceanos, Serviços Ambientais dos Ecossistemas e Desastres Naturais.
A Rede CLIMA tem como missão gerar e disseminar conhecimentos para que o Brasil possa responder aos desafios representados pelas causas e efeitos das mudanças climáticas globais. Constitui-se em fundamental pilar de apoio às atividades de Pesquisa e Desenvolvimento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, criado pelo governo federal, que tem balizado a identificação dos obstáculos e dos catalisadores de ações. Enseja o estabelecimento e a consolidação da comunidade científica e tecnológica preparada para atender plenamente às necessidades nacionais de conhecimento, incluindo a produção de informações para formulação e acompanhamento das políticas públicas sobre mudanças climáticas e para apoio à diplomacia brasileira nas negociações sobre o regime internacional de mudanças climáticas.

Fonte: Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais
www.ccst.inpe.br/redeclima

Veja também aqui.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Fotossíntese e Respiração em Plantas e Ecossistemas no Cenário da Mudança Climática

Agência FAPESP – O Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP) realizará, de 1º a 7 de fevereiro, o curso Fotossíntese e Respiração em Plantas e Ecossistemas no Cenário da Mudança Climática.
Direcionado a estudantes de pós-graduação e jovens pesquisadores que realizam projetos sobre respiração dos vegetais e fotossíntese, o objetivo do curso é atualizar os participantes sobre os avanços do conhecimento na área, levando em conta as mudanças climáticas globais.
A programação será composta por palestras e atividades práticas, em que serão utilizados modernos aparelhos para monitoramento e medição de trocas de carbono entre as plantas e o ambiente.
“Adaptação das plantas às mudanças climáticas”, “Impactos do estresse abiótico em plantas tropicais no contexto das mudanças climáticas” e “Respiração em plantas: das organelas aos ecossistemas” são alguns temas que serão abordados no encontro.
O curso será realizado no anfiteatro André Jacquemin da FFCLRP, localizado na Av. Bandeirantes, nº 3900, em Ribeirão Preto (SP).
As inscrições devem ser feitas até o dia 15 de janeiro.

Mais informações: www5.usp.br/curso-em-ribeirao-relaciona-fotossintese-respiracao-das-plantas-e-aquecimento-global.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Previsão de chuva forte leva governo a pedir alerta máximo no Sudeste

O governo federal recomendou hoje (11) que a Defesa Civil nos estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espírito Santo redobrem a atenção nas áreas de risco devido à previsão de chuva forte e  tempestades nessas regiões.

A recomendação foi feita após reunião coordenada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, com os ministros da Integração Nacional, Fernando Bezerra, da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, dos Transportes, Paulo Passos, do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, e da Saúde, Alexandre Padilha. 

Fernando Bezerra disse que é preciso manter o alerta nos próximos dias para tentar evitar maiores prejuízos com a chuva. "É preciso ter, durante os dias de hoje e amanhã (12), alerta máximo da Defesa Civil para que a gente possa vencer este momento mais crítico", acrescentou.

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre, informou que a previsão para hoje e amanhã é de alto risco de tempestades nos estados do Sudeste. Segundo ele, a situação deve melhorar a partir do fim de semana. "Toda a atenção deve continuar nos próximos dias".
Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

GT Clima e Pobreza - Proposta Plano Nacional de Adaptação


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O Grupo de Trabalho Mudança Climática, Pobreza e Desigualdades, coordenado pelo COEP, disponibiliza proposta de Subsídios para a elaboração do Palno Nacional de Adaptação aos Impactos Humanos das Mudanças Climáticas
Clique aqui para baixar o arquivo.

Fonte: http://www.forumclima.org.br/

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cientistas se preparam para monitorar oceano Atlântico

A fim de monitorar mudanças de padrões de circulação do Atlântico Sul – que afetam o clima global –, projeto temático aprovado no âmbito da cooperação FAPESP-Facepe-ANR irá fundear instrumentos científicos em uma linha que vai da América do Sul à África

Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Os padrões de circulação das águas do oceano Atlântico Sul podem estar sofrendo transformações que têm potencial para interferir no clima global. A fim de entender esse fenômeno, um grupo internacional de cientistas instalará uma série de instrumentos de monitoramento ao longo de uma linha que se estende da América do Sul à África.
Essa tarefa, que integrará o projeto internacional Circulação do Atlântico Sul Meridional (Samoc, na sigla em inglês), terá uma importante participação brasileira: toda a parte ocidental da instrumentação será instalada e operada pelos pesquisadores de um projeto temático financiado pela FAPESP e coordenado pelo professor Edmo Campos, do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP).
O projeto temático foi aprovado no início de dezembro no âmbito do acordo de cooperação FAPESP-Facepe-ANR, que prevê chamadas conjuntas de propostas de pesquisa envolvendo a FAPESP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Pernambuco (Facepe) e a Agência Nacional de Pesquisas da França (ANR, na sigla em francês).
Além da coordenação de Campos, do lado brasileiro, o projeto é coordenado do lado francês pela professora Sabrina Speich, do Instituto Universitário Europeu do Mar, da Universidade da Bretanha Ocidental (França).
Segundo Campos, o objetivo do projeto Samoc é monitorar a circulação das águas do Atântico Sul, já que existem indicações de que seus parâmetros estão sofrendo modificações.
“Esses parâmetros de circulação são, em última instância, o mecanismo que controla o clima do planeta. O objetivo desse grupo internacional é monitorar o Atlântico Sul para entender como ele está se comportando no presente e, eventualmente, como se comportará no futuro com as mudanças que estão sendo identificadas”, disse Campos à Agência FAPESP.
Diversas áreas do oceano Atlântico já estão sendo monitoradas pelo projeto Samoc e por diferentes instituições como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e outras do Brasil e da Europa. Segundo ele, essas iniciativas ainda são bastante tênues, mas tendem a se tornar, no futuro, um sistema de monitoramento oceânico permanente.
“Até agora o Brasil tinha participado desse conjunto de iniciativas apenas como coadjuvante. Mas, com o projeto que iniciamos agora, poderemos dar uma contribuição significativa à formação do sistema de monitoramento”, declarou.
Quando se observam as características físicas da circulação oceânica, segundo Campos, percebe-se que as atividades mais intensas ocorrem próximas aos continentes. Por isso é importante distribuir os instrumentos ao longo da linha que vai de um continente até o outro.
“O padrão de circulação do oceano Atlântico funciona como um mecanismo que distribui calor em vários locais do planeta. Se houver alteração nesse padrão, teremos resposta no clima. E esse padrão também responde às alterações na atmosfera”, explicou.
Segundo Campos, a instrumentação, que inclui sensores de temperatura e salinidade, será fundeada – isto é, presa no fundo do mar – desde a América do Sul até a África do Sul, ao longo de uma linha que passa a 34,5 graus de latitude sul. A equipe brasileira cuidará de toda a parte oeste da rede de monitoramento. A equipe francesa ocupará a parte leste e os norte-americanos da NOAA e da Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês) cuidarão da parte central.
“A FAPESP está financiando alguns instrumentos cuja função é medir o transporte – isto é, a velocidade integrada das águas em uma determinada seção. O objetivo é avaliar quanto fluido está sendo transportado e quanto desse transporte de fluido carrega calor consigo. Queremos saber basicamente quanto calor está sendo transportado através dessa linha, em direção ao norte”, explicou.
Hoje, segundo Campos, sabe-se que o clima global é fortemente influenciado pela quantidade de calor que o Atlântico Sul transporta para o Atlântico Norte. “Por isso temos que medir a velocidade, a temperatura, a salinidade e uma série de parâmetros que nos permitirão entender como está sendo alterada a dinâmica da circulação”, afirmou.

Missão para o Alpha Crucis
O fundeamento dos equipamentos na parte brasileira do projeto será feito até o fim de 2012, segundo Campos, pelo navio oceanográfico Alpha Crucis, adquirido com recursos da FAPESP e gerenciado pela USP. Os instrumentos, segundo ele, ficarão fundeados a profundidades que vão de 200 metros a 6 mil metros.
“Os equipamentos não fazem transmissão em tempo real, por isso o navio precisará ir até eles algumas vezes para recuperar dados utilizando um sonar, além de realizar manutenções. Os equipamentos possuem modems acústicos e os dados são coletados quando o navio passa por cima deles. A cada dois anos, em média, será preciso recolher os instrumentos para trocar as baterias e refazer o fundeio”, disse Campos.
Segundo Campos, o projeto Samoc será provavelmente uma das primeiras utilizações do Alpha Crucis em grande escala. Sem o navio, a operação ficaria limitada, pois seria preciso utilizar navios da Marinha, que têm uma série de restrições e tornam a realização da pesquisa muito difícil.
“O Brasil tem uma tradição de pesquisa costeira, por falta de recursos, mas com o navio à disposição vamos finalmente produzir oceanografia do mais alto nível internacional”, disse.

Fonte:  Portal de notícias da FAPESP.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

3 dias para salvar o nosso planeta

Postado:  3 dezembro 2011
Nossos oceanos estão morrendo, nosso ar está mudando, e nossas florestas e matas estão virando desertos. Dos peixes e plantas à vida selvagem e seres humanos, estamos rapidamente matando o planeta que nos abriga. Há uma única grande causa dessa destruição do mundo natural: as mudanças climáticas. E nos próximos 3 dias temos uma chance de impedir isso de acontecer.

O tratado da ONU sobre as mudanças climáticas -- nossa melhor esperança para ação contra esse problema -- expira no ano que vem. Mas uma coalizão gananciosa de países dominados pelo petróleo e liderada pelos EUA está tentando acabar com esse tratado para sempre. É difícil de acreditar: eles estão trocando o lucro em curto prazo pela sobrevivência do nosso mundo natural.

A União Europeia, Brasil e China estão em cima do muro -- eles não são escravos das empresas de petróleo como os EUA são, mas precisam ouvir um chamado para ação massivo do povo antes de realmente liderarem financeira e politicamente a discussão para salvar o tratado da ONU. O mundo está reunido na conferência climática pelos próximos 3 dias para fazer uma grande decisão. Vamos enviar aos nossos líderes um clamor massivo para que eles se posicionem contra o petróleo e salvem o planeta -- uma equipe da Avaaz na conferência vai entregar nosso clamor diretamente. Assine a petição aqui!
 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Desmatamento na Amazônia registra queda recorde

Arquivo/MMA
Foto Desmatamento na Amazônia registra queda recorde
Novas taxas registram maior queda já verificada e revelam que estratégia do Gabinete de Crise para combater o desmatamento, criado em abril, surtiu efeito. Número é o menor da série histórica, desde a criação do Prodes.
05/12/2011
Paulenir Constâncio
O desmatamento na Amazônia atingiu seus menores níveis desde 1988. De acordo com os números estimados pelo Inpe, divulgados nesta segunda-feira (05/12), foram registradas as mais baixas taxas já estimadas pelo Prodes, sistema que monitora anualmente o desflorestamento em áreas de até 6,25 hectares.

A queda, de agosto de 2010 a julho de 2011, é de 11,7%. A área desmatada é de 6,2 mil Km2, inferior aos 7 mil Km2 registrado no mesmo período entre 2009-2010. A margem de erro é de 10% e os números finais saem em meados de 2012.

Os novos números revelam que o Brasil está cumprindo as metas de redução do desmatamento assumidas na Conferência do Clima, em Copenhagen, em 2009. Até 2020, a redução deve ser de 80% do desmatamento, de acordo com a Política Nacional sobre Mudanças Climáticas, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo Executivo.

Em abril passado, quando o desmatamento começou a apresentar sinais de aumento, especialmente no Mato Grosso, foi instalado um gabinete de crise. Somente para esse estado, o Ibama enviou 500 fiscais. Operações conjuntas com a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança e o Exército estancaram o crescimento. "Essa conquista representa uma vitória forte e mostra que fomos capazes de responder prontamente ao aumento do desmatamento ilegal na região amazônica no início de 2011", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em coletiva à imprensa no Palácio do Planalto.

A estimativa apresentada baseou-se na análise de 96 imagens, que cobrem 90% de todo o desmatamento na região. E deverá ser complementada pela análise de mais 117 imagens restantes, necessárias para cobrir a área de floresta na Amazônia Legal.

As estimativas apontam que o Mato Grosso e Rondônia foram os estados que mais desmataram no período. O Pará registrou uma redução de quase 900 Km2. Oito novos municípios entraram na lista dos que mais desmatam a floresta e se tornaram alvos prioritários de operações de fiscalização. A queda nas taxas do Prodes é apontada pelo MMA como resultado desses esforços.

O Governo planeja novos avanços na estratégia de redução do desmatamento com a revisão, no primeiro semestre de 2012, do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento. 
Fonte: Portal do MMA.