A adaptação é uma estratégia de resposta de qualquer sistema à
mudança do clima, no esforço para prevenir-se contra possíveis danos e
explorar eventuais oportunidades benéficas. Ao contrário do que ocorre
na mitigação, os benefícios resultantes dessa série de ajustes são
locais e de curto prazo.
A pergunta básica para a adaptação é: "Como sobreviver à mudança do
clima?". Este conceito está estreitamente ligado ao da vulnerabilidade,
que é o grau de susceptibilidade e incapacidade de um sistema de lidar
com os efeitos adversos - entre os quais a variabilidade climática e os
eventos extremos - da mudança do clima.
Muitos países em desenvolvimento já são particularmente vulneráveis à
variabilidade climática normal - na qual se prevê um aumento em função
da mudança do clima. Seus efeitos compreendem não só o aumento de
tempestades, de secas e de inundações (eventos extremos), mas também
aqueles relacionados ao suprimento de energia, por exemplo. Uma
quantidade menor de chuvas e uma maior evaporação provocada por maiores
temperaturas do ambiente podem resultar em níveis mais baixos nos
estoques de água em lagos e rios - afetando, por fim, o funcionamento
das usinas hidrelétricas.
As previsões indicam que os impactos vão variar conforme as
diferenças regionais existentes, como o nível de renda e o
desenvolvimento tecnológico das populações. Esses fatores também
determinarão o nível de vulnerabilidade de cada região e população.
No contexto do Brasil, medidas de adaptação são normalmente
implementadas como resposta à ocorrência de eventos extremos, naturais
ou não. Muitas vezes, as iniciativas de adaptação planejadas não são
realizadas como medidas independentes, mas estão inseridas em
iniciativas setoriais mais amplas como planejamento dos recursos
hídricos, defesa da costa e prevenção de desastres.
Como exemplo de medidas de adaptação podemos citar o fortalecimento
dos sistemas e órgãos de defesa civil; a conservação de ecossistemas; o
gerenciamento de zonas costeiras, vedando o estabelecimento de novas
zonas residenciais em áreas sujeitas ao aumento do nível do mar; o
gerenciamento de riscos na agricultura e pesquisas com grãos mais
resistentes ao aumento da temperatura; sistemas de vigilância para o
avanço de doenças causadas por vetores que são beneficiados pelo aumento
médio da temperatura como a dengue; e a construção de diques,
considerando o provável aumento do nível do mar em cerca de 50 cm até o
final do século, segundo o 4º Relatório do Painel Intergovernamental de
Mudanças Climáticas (IPCC).
Fonte: Portal do Ministério do Meio Ambiente (MMA)
Neste blog são divulgados tópicos relacionados às questões de clima e ambiente, de interesse científico, tecnológico, educacional ou social. (In this blog we deal with some topics concerning climate and environment, with focus on scientific, technological, educational or social issues).
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Modelo de previsão de qualidade do ar do CPTEC/INPE fará parte de programa europeu
O modelo de previsão da qualidade do ar do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE) foi aprovado para participar do programa
Europeu de Cooperação em Ciência e Tecnologia (European Cooperation in Science and Technology –
COST), que reúne instituições de pesquisa de países da Europa. O Brasil
será o único país da América Latina e Hemisfério Sul a participar. De
fora do continente, também integram este sistema instituições de Israel e
Estados Unidos.
Criado pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE, o modelo brasileiro (http://meioambiente.cptec.inpe.br/) irá se juntar aos mais avançados modelos meteorológicos e de qualidade do ar na “Ação ES1004: Sistema europeu para a modelagem integrada online de qualidade do ar e meteorologia” (http://eumetchem.info/). Entre os modelos que participam estão o WRF (do NCAR, Estados Unidos), COSMO (desenvolvido por instituições de países europeus), HIRLAM (Centro Europeu de Previsão a Médio Prazo) e Meso-NH (instituições francesas ligadas ao CNRS).
Para o coordenador do Grupo de Modelagem da Atmosfera e Interfaces (GMAI), do CPTEC/INPE, Saulo Freitas, esta é uma grande oportunidade para aperfeiçoar o BRAMS, modelo meteorológico acoplado ao de química da atmosfera, utilizado operacionalmente pelo CPTEC para a previsão da qualidade do ar. “Os pesquisadores do GMAI terão a chance de discutir e ampliar os entendimentos científicos e tecnológicos que se situam ao longo de todas as etapas por trás da modelagem: do conhecimento dos processos físico-químicos da atmosfera até a geração das previsões”, afirma Freitas. Estas etapas incluem a parametrização – definição dos fenômenos considerados essenciais à previsão - e o desenvolvimento de códigos computacionais.
Para ser testado e avaliado, o modelo do CPTEC/INPE deverá ser adaptado às condições da Europa. Freitas argumenta que uma das dificuldades do grupo é a falta de dados observados de química da atmosfera para avaliar o modelo, realidade totalmente diferente à encontrada na Europa, provida de ampla rede de dados.
O coordenador do GMAI, e também chefe da Divisão de Modelagem e Desenvolvimento (DMD), do CPTEC/INPE, adianta que pretende levar ao programa europeu a preocupação brasileira com os efeitos dos aerossóis (originados principalmente a partir da fuligem das queimadas) e do balanço de energia (radiação térmica), cujos impactos afetam o clima e os regimes de chuva. Nas grandes metrópoles, a poluição e o aquecimento estão correlacionados com o aumento da incidência de chuvas intensas e rápidas, que provocam instabilidade na rede de energia elétrica, inundações, entre outros problemas urbanos.
Freitas destaca que o modelo de monitoramento e previsão da qualidade do ar do CPTEC/INPE, apesar de desenvolvido e mantido por um pequeno grupo de pesquisadores, em menos de 10 anos de operação já obteve importantes marcos de reconhecimento internacional. O Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR), dos Estados Unidos, incorporou o modelo de emissão e transporte de poluentes do modelo BRAMS do CPTEC/INPE ao seu modelo meteorológico (o WRF), cujo desempenho é considerado um dos melhores do mundo. A iniciativa foi seguida também pelos ingleses com o modelo climático do MetOffice, o Hadgen. O Centro Europeu de Previsão a Médio Prazo (ECMWF), por sua vez, destacou recentemente a iniciativa do modelo brasileiro de incorporar dados de queimadas aos modelos de monitoramento e previsão da qualidade do ar.
Fonte: Portal do INPE
Criado pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE, o modelo brasileiro (http://meioambiente.cptec.inpe.br/) irá se juntar aos mais avançados modelos meteorológicos e de qualidade do ar na “Ação ES1004: Sistema europeu para a modelagem integrada online de qualidade do ar e meteorologia” (http://eumetchem.info/). Entre os modelos que participam estão o WRF (do NCAR, Estados Unidos), COSMO (desenvolvido por instituições de países europeus), HIRLAM (Centro Europeu de Previsão a Médio Prazo) e Meso-NH (instituições francesas ligadas ao CNRS).
Para o coordenador do Grupo de Modelagem da Atmosfera e Interfaces (GMAI), do CPTEC/INPE, Saulo Freitas, esta é uma grande oportunidade para aperfeiçoar o BRAMS, modelo meteorológico acoplado ao de química da atmosfera, utilizado operacionalmente pelo CPTEC para a previsão da qualidade do ar. “Os pesquisadores do GMAI terão a chance de discutir e ampliar os entendimentos científicos e tecnológicos que se situam ao longo de todas as etapas por trás da modelagem: do conhecimento dos processos físico-químicos da atmosfera até a geração das previsões”, afirma Freitas. Estas etapas incluem a parametrização – definição dos fenômenos considerados essenciais à previsão - e o desenvolvimento de códigos computacionais.
Para ser testado e avaliado, o modelo do CPTEC/INPE deverá ser adaptado às condições da Europa. Freitas argumenta que uma das dificuldades do grupo é a falta de dados observados de química da atmosfera para avaliar o modelo, realidade totalmente diferente à encontrada na Europa, provida de ampla rede de dados.
O coordenador do GMAI, e também chefe da Divisão de Modelagem e Desenvolvimento (DMD), do CPTEC/INPE, adianta que pretende levar ao programa europeu a preocupação brasileira com os efeitos dos aerossóis (originados principalmente a partir da fuligem das queimadas) e do balanço de energia (radiação térmica), cujos impactos afetam o clima e os regimes de chuva. Nas grandes metrópoles, a poluição e o aquecimento estão correlacionados com o aumento da incidência de chuvas intensas e rápidas, que provocam instabilidade na rede de energia elétrica, inundações, entre outros problemas urbanos.
Freitas destaca que o modelo de monitoramento e previsão da qualidade do ar do CPTEC/INPE, apesar de desenvolvido e mantido por um pequeno grupo de pesquisadores, em menos de 10 anos de operação já obteve importantes marcos de reconhecimento internacional. O Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR), dos Estados Unidos, incorporou o modelo de emissão e transporte de poluentes do modelo BRAMS do CPTEC/INPE ao seu modelo meteorológico (o WRF), cujo desempenho é considerado um dos melhores do mundo. A iniciativa foi seguida também pelos ingleses com o modelo climático do MetOffice, o Hadgen. O Centro Europeu de Previsão a Médio Prazo (ECMWF), por sua vez, destacou recentemente a iniciativa do modelo brasileiro de incorporar dados de queimadas aos modelos de monitoramento e previsão da qualidade do ar.
PAC Equipamentos inclui caminhões para áreas sujeitas a extremos climáticos
27/06/2012 - 20:38
Municípios e estados castigados pelos eventos extremos do clima, como
enchentes, inundações e secas, fazem parte dos beneficiados pelos 8 mil
novos caminhões previstos no PAC Equipamentos – Programa de Compras
Governamentais, conjunto de medidas anunciado pela presidenta da
República, Dilma Rousseff, e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega,
nesta quarta-feira (27), no Palácio do Planalto. As Forças Armadas
também integram o grupo ao qual se destinam esses veículos.
A verba anunciada para a compra de caminhões é de R$ 2,3 milhões. O PAC Equipamentos, ação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), está orçado em R$ 8,4 bilhões. Saiba mais sobre os investimentos previstos.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação participa da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, que visa a enfrentar os problemas decorrentes de extremos climáticos, por meio do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Texto: Thamy Ribeiro – Ascom do MCTI
A verba anunciada para a compra de caminhões é de R$ 2,3 milhões. O PAC Equipamentos, ação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), está orçado em R$ 8,4 bilhões. Saiba mais sobre os investimentos previstos.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação participa da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, que visa a enfrentar os problemas decorrentes de extremos climáticos, por meio do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Texto: Thamy Ribeiro – Ascom do MCTI
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Como proteger a caatinga
MMA defende rede de cooperação entre o governo e a sociedade
civil, que tem uma larga história no desenvolvimento de projetos em
defesa do bioma.
Lucas Tolentino - Portal do MMA
As medidas de proteção à caatinga integraram a pauta de debates da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20). O assunto foi abordado na tarde desta quinta-feira (22/06) no seminário Ações de Desenvolvimento Sustentável para o Combate à Desertificação e a Mitigação dos Efeitos da Seca, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA)
Realizado no Parque dos Atletas, no Rio de Janeiro, o evento teve o objetivo de subsidiar ações e políticas voltadas para a afirmação de novos paradigmas de desenvolvimento da área. Na ocasião, também foi lançado o livro de fotografias "Caatinga: um novo olhar", feito pela Associação Caatinga, com o apoio do MMA.
COOPERAÇÃO
O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Paulo Guilherme Cabral, ressaltou a importância da interação de diversos segmentos. "É preciso fortalecer a rede de cooperação entre o governo e a sociedade civil, que tem uma larga história no desenvolvimento de projetos na caatinga", afirmou.
A diretora do Departamento de Mudanças Climáticas da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Karen Suassuna, destacou o papel do Fundo Clima no processo de mitigação das mudanças climáticas. "O principal é trabalhar várias frentes e desenvolver ações coordenadas", acrescentou.
Lucas Tolentino - Portal do MMA
As medidas de proteção à caatinga integraram a pauta de debates da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20). O assunto foi abordado na tarde desta quinta-feira (22/06) no seminário Ações de Desenvolvimento Sustentável para o Combate à Desertificação e a Mitigação dos Efeitos da Seca, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA)
Realizado no Parque dos Atletas, no Rio de Janeiro, o evento teve o objetivo de subsidiar ações e políticas voltadas para a afirmação de novos paradigmas de desenvolvimento da área. Na ocasião, também foi lançado o livro de fotografias "Caatinga: um novo olhar", feito pela Associação Caatinga, com o apoio do MMA.
COOPERAÇÃO
O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Paulo Guilherme Cabral, ressaltou a importância da interação de diversos segmentos. "É preciso fortalecer a rede de cooperação entre o governo e a sociedade civil, que tem uma larga história no desenvolvimento de projetos na caatinga", afirmou.
A diretora do Departamento de Mudanças Climáticas da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Karen Suassuna, destacou o papel do Fundo Clima no processo de mitigação das mudanças climáticas. "O principal é trabalhar várias frentes e desenvolver ações coordenadas", acrescentou.
Desenvolvimento com menos carbono
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro
Agência FAPESP – Estima-se que sejam emitidas anualmente em todo o mundo 45 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente – medida métrica resultante da multiplicação das toneladas de gases de efeito estufa emitidos pelo seu potencial de aquecimento global.
O valor aumenta a cada ano e, se o mundo continuar nessa trajetória, em 2020 excederá em cerca de 12 bilhões o que deveria estar emitindo naquele ano para que a temperatura média global não aumente acima dos temidos 2º C.
Segundo cientistas reunidos no painel sobre mudanças climáticas do “Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development”, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o que os países podem fazer é avançar em eficiência energética e começar a descarbonizar suas economias – depender menos de combustíveis fósseis – como forma de mitigar os efeitos do aquecimento global.
Em 2009, os participantes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15), realizada na Dinamarca, concluíram que a temperatura média do planeta não poderia aumentar mais do que 2º C em relação à temperatura média observada nos anos de 1800, antes do aquecimento global – descrito primeiramente em meados daquele século. De lá para cá, porém, a temperatura mundial já se elevou em cerca de 0,8º C. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), somente entre 1992 e 2010 a temperatura média se elevou em mais 0,4º C.
“Isso implica que já comprometemos 1,2º C. A ciência estabelece como sendo seguro não exceder os 2º C, mas, quando olhamos o comportamento das emissões do passado recente e o projetamos no futuro, o cenário que se coloca é preocupante: se repetirmos o que ocorreu nos últimos 200 anos e nada for feito, a tendência é chegarmos a 4º C ou 5º C de elevação”, avaliou o pesquisador Roberto Schaeffer, professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
Na COP 15, os países – entre eles o Brasil – concordaram em voluntariamente estabelecer metas de redução da emissão de carbono. Mas, segundo Schaeffer, as metas brasileiras de redução de emissão não virão majoritariamente do setor energético, dado que este setor é relativamente limpo no país.
De acordo com Schaeffer, em relação à sustentabilidade ambiental, a realidade brasileira é relativamente confortável: o país tem uma base energética fortemente baseada em fontes renováveis e as alternativas de mitigação não são complicadas.
“Neste momento, nosso calcanhar de Aquiles é o setor agropecuário – responsável pelas emissões de metano – e o desmatamento produzido pela agricultura. Para não passarmos da meta dos 2º C, temos que chegar ao fim do século com 80% menos de emissão de gases, com outra matriz de produção de energia e outra agricultura”, disse.
Nos últimos anos, Schaeffer tem se dedicado a estudar possíveis cenários de mudanças climáticas no Brasil e como isso impactaria o setor energético nacional.
“Nossa parte mais vulnerável é o setor elétrico, em particular a grande dependência de usinas hidrelétricas. Hoje, 85% da geração elétrica brasileira deriva de usinas hidrelétricas. Quando fazemos uma projeção para 2035, mesmo levando em conta a ampliação do uso de outras fontes, dificilmente teremos menos que 75% da energia elétrica vindo de hidrelétricas”, disse.
“No entanto, no cenário que trabalhamos do que seria um sistema elétrico brasileiro com mudança climática, vemos que há uma tendência de o Nordeste, hoje semiárido, virar quase um deserto, e de a Amazônia passar por um processo de savanização”, disse Schaeffer à Agência FAPESP.
O problema, segundo o pesquisador, é que a expansão esperada do setor hidrelétrico brasileiro se concentra na região Norte, com usinas a fio d’água, que geram energia com o fluxo de água do rio, não acumulando ou acumulando pouca água, sem reservatório.
“Dado que esse cenário de mudança climática significaria talvez períodos secos ainda mais secos e períodos úmidos ainda mais úmidos, com usinas sem reservatórios é possível que possamos vir a perder até 30% de capacidade de geração hidrelétrica brasileira entre 2035 e 2040”, apontou Schaeffer.
“Para o mercado não ficar desabastecido, teríamos que instalar outras plantas que iriam repor aquela energia que a hidrelétrica não poderia gerar, como as plantas térmicas, por exemplo. Seria necessário um investimento em torno de US$ 50 bilhões para fazer com que o sistema elétrico brasileiro se tornasse invulnerável a um cenário de mudança climática”, estima.
Agência FAPESP – Estima-se que sejam emitidas anualmente em todo o mundo 45 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente – medida métrica resultante da multiplicação das toneladas de gases de efeito estufa emitidos pelo seu potencial de aquecimento global.
O valor aumenta a cada ano e, se o mundo continuar nessa trajetória, em 2020 excederá em cerca de 12 bilhões o que deveria estar emitindo naquele ano para que a temperatura média global não aumente acima dos temidos 2º C.
Segundo cientistas reunidos no painel sobre mudanças climáticas do “Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development”, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o que os países podem fazer é avançar em eficiência energética e começar a descarbonizar suas economias – depender menos de combustíveis fósseis – como forma de mitigar os efeitos do aquecimento global.
Em 2009, os participantes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15), realizada na Dinamarca, concluíram que a temperatura média do planeta não poderia aumentar mais do que 2º C em relação à temperatura média observada nos anos de 1800, antes do aquecimento global – descrito primeiramente em meados daquele século. De lá para cá, porém, a temperatura mundial já se elevou em cerca de 0,8º C. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), somente entre 1992 e 2010 a temperatura média se elevou em mais 0,4º C.
“Isso implica que já comprometemos 1,2º C. A ciência estabelece como sendo seguro não exceder os 2º C, mas, quando olhamos o comportamento das emissões do passado recente e o projetamos no futuro, o cenário que se coloca é preocupante: se repetirmos o que ocorreu nos últimos 200 anos e nada for feito, a tendência é chegarmos a 4º C ou 5º C de elevação”, avaliou o pesquisador Roberto Schaeffer, professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
Na COP 15, os países – entre eles o Brasil – concordaram em voluntariamente estabelecer metas de redução da emissão de carbono. Mas, segundo Schaeffer, as metas brasileiras de redução de emissão não virão majoritariamente do setor energético, dado que este setor é relativamente limpo no país.
De acordo com Schaeffer, em relação à sustentabilidade ambiental, a realidade brasileira é relativamente confortável: o país tem uma base energética fortemente baseada em fontes renováveis e as alternativas de mitigação não são complicadas.
“Neste momento, nosso calcanhar de Aquiles é o setor agropecuário – responsável pelas emissões de metano – e o desmatamento produzido pela agricultura. Para não passarmos da meta dos 2º C, temos que chegar ao fim do século com 80% menos de emissão de gases, com outra matriz de produção de energia e outra agricultura”, disse.
Nos últimos anos, Schaeffer tem se dedicado a estudar possíveis cenários de mudanças climáticas no Brasil e como isso impactaria o setor energético nacional.
“Nossa parte mais vulnerável é o setor elétrico, em particular a grande dependência de usinas hidrelétricas. Hoje, 85% da geração elétrica brasileira deriva de usinas hidrelétricas. Quando fazemos uma projeção para 2035, mesmo levando em conta a ampliação do uso de outras fontes, dificilmente teremos menos que 75% da energia elétrica vindo de hidrelétricas”, disse.
“No entanto, no cenário que trabalhamos do que seria um sistema elétrico brasileiro com mudança climática, vemos que há uma tendência de o Nordeste, hoje semiárido, virar quase um deserto, e de a Amazônia passar por um processo de savanização”, disse Schaeffer à Agência FAPESP.
O problema, segundo o pesquisador, é que a expansão esperada do setor hidrelétrico brasileiro se concentra na região Norte, com usinas a fio d’água, que geram energia com o fluxo de água do rio, não acumulando ou acumulando pouca água, sem reservatório.
“Dado que esse cenário de mudança climática significaria talvez períodos secos ainda mais secos e períodos úmidos ainda mais úmidos, com usinas sem reservatórios é possível que possamos vir a perder até 30% de capacidade de geração hidrelétrica brasileira entre 2035 e 2040”, apontou Schaeffer.
“Para o mercado não ficar desabastecido, teríamos que instalar outras plantas que iriam repor aquela energia que a hidrelétrica não poderia gerar, como as plantas térmicas, por exemplo. Seria necessário um investimento em torno de US$ 50 bilhões para fazer com que o sistema elétrico brasileiro se tornasse invulnerável a um cenário de mudança climática”, estima.
Oceanos podem sofrer mais com aquecimento
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro
Agência FAPESP – Embora a comunidade científica internacional tenha chegado ao consenso de que o aumento de até 2º C na temperatura média do planeta é aceitável para os ecossistemas terrestres, esse aquecimento pode ser mais nocivo do que se imagina para os oceanos e para a vida marinha.
“Nesse cenário, o número de dias com picos de temperatura acima dos 28ºC a 30ºC aumentaria significativamente nas águas costeiras e em mares fechados, como o Mediterrâneo. Deveríamos avaliar melhor os efeitos da temperatura mais alta sobre a vida marinha, especialmente sobre a estabilidade de algumas proteínas”, disse Luis Valdés, chefe do setor de Ciência Oceânica da Comissão Intergovernamental de Oceanografia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), à Agência FAPESP.
Segundo Valdés, que está no Rio de Janeiro para a RIO+20, há uma escassez de peixes no mundo todo e é cada vez mais difícil se achar peixes grandes, o que afeta de forma grave economias que dependem da pesca.
“A elevação dos níveis do mar causada pelo degelo é um dos grandes problemas. Ainda não sabemos a velocidade em que o degelo está ocorrendo na Groenlândia. Como isso vai afetar as mudanças de temperatura nas correntes marinhas é uma informação-chave. Se as correntes mudam, tudo muda”, disse.
“Em termos de biologia, se a produção primária dos oceanos diminuir, a pesca também vai cair. A mudança nas rotas migratórias dos peixes-espadas repercutirá diretamente nas economias dos países e em muitos postos de trabalho em terra. A pesca é um exemplo claro de como um setor produtivo repercute em uma grande economia”, disse Valdés.
Segundo Valdés, a dimensão dos efeitos das mudanças climáticas sobre os oceanos é frequentemente negligenciada e a informação recebida pela comunidade científica e pelo público geral é parcial.
“Temos dados do hemisfério Norte sobre o impacto das mudanças globais nos oceanos, mas não do hemisfério Sul. Desse modo, não temos como saber quais são os efeitos e os danos, como os ecossistemas estão respondendo ou como as espécies estão se adaptando”, ponderou.
Valdés afirma que as medidas que podem ser tomadas no sentido de mitigar os efeitos do aquecimento global sobre os oceanos estão diretamente relacionadas ao poder econômico dos países.
“As medidas tomadas em termos de adaptação em países como Holanda e Inglaterra são no sentido de se proteger contra o aumento no nível do mar. Isso significa uma importante transformação na engenharia costeira, o que é mais difícil de se fazer em economias menos desenvolvidas, como, por exemplo, em pequenas ilhas do Pacífico”, disse.
Agência FAPESP – Embora a comunidade científica internacional tenha chegado ao consenso de que o aumento de até 2º C na temperatura média do planeta é aceitável para os ecossistemas terrestres, esse aquecimento pode ser mais nocivo do que se imagina para os oceanos e para a vida marinha.
“Nesse cenário, o número de dias com picos de temperatura acima dos 28ºC a 30ºC aumentaria significativamente nas águas costeiras e em mares fechados, como o Mediterrâneo. Deveríamos avaliar melhor os efeitos da temperatura mais alta sobre a vida marinha, especialmente sobre a estabilidade de algumas proteínas”, disse Luis Valdés, chefe do setor de Ciência Oceânica da Comissão Intergovernamental de Oceanografia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), à Agência FAPESP.
Segundo Valdés, que está no Rio de Janeiro para a RIO+20, há uma escassez de peixes no mundo todo e é cada vez mais difícil se achar peixes grandes, o que afeta de forma grave economias que dependem da pesca.
“A elevação dos níveis do mar causada pelo degelo é um dos grandes problemas. Ainda não sabemos a velocidade em que o degelo está ocorrendo na Groenlândia. Como isso vai afetar as mudanças de temperatura nas correntes marinhas é uma informação-chave. Se as correntes mudam, tudo muda”, disse.
“Em termos de biologia, se a produção primária dos oceanos diminuir, a pesca também vai cair. A mudança nas rotas migratórias dos peixes-espadas repercutirá diretamente nas economias dos países e em muitos postos de trabalho em terra. A pesca é um exemplo claro de como um setor produtivo repercute em uma grande economia”, disse Valdés.
Segundo Valdés, a dimensão dos efeitos das mudanças climáticas sobre os oceanos é frequentemente negligenciada e a informação recebida pela comunidade científica e pelo público geral é parcial.
“Temos dados do hemisfério Norte sobre o impacto das mudanças globais nos oceanos, mas não do hemisfério Sul. Desse modo, não temos como saber quais são os efeitos e os danos, como os ecossistemas estão respondendo ou como as espécies estão se adaptando”, ponderou.
Valdés afirma que as medidas que podem ser tomadas no sentido de mitigar os efeitos do aquecimento global sobre os oceanos estão diretamente relacionadas ao poder econômico dos países.
“As medidas tomadas em termos de adaptação em países como Holanda e Inglaterra são no sentido de se proteger contra o aumento no nível do mar. Isso significa uma importante transformação na engenharia costeira, o que é mais difícil de se fazer em economias menos desenvolvidas, como, por exemplo, em pequenas ilhas do Pacífico”, disse.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Contribuição da pós-graduação brasileira ao desenvolvimento Sustentável
Foi lançado, na manhã desta quarta-feira, 20, dentro das atividades da Rio +20, o livro Contribuição da pós-graduação brasileira para o desenvolvimento sustentável - Capes na Rio +20.
O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, disse que a contribuição que a pós-graduação vem fazendo está registrada na publicação, sobretudo nos últimos anos. "A temática do desenvolvimento sustentável é muito recente, não tem mais de 30 anos, e, antes disso, o Brasil, por meio de vários cursos de pós-graduação, formava recursos humanos na área ambiental, ecologia e outros temas relacionados."
Para o coordenador da área de ciências ambientais da Capes, Arlindo Philippi Jr, a publicação caracteriza o quanto o Sistema Nacional de Pós-Graduação tem contribuído para as questões da sustentabilidade.
Indução
Jorge Guimarães lembrou o fato de a Capes protagonizar ações induzidas em vários temas como engenharias, ciências do mar, TV digital e outros. "Por conta dessas ações e com base nos estudos realizados pela comissão que elaborou o livro, estamos com ações em campo voltadas à temática do desenvolvimento sustentável. Estão sendo trabalhados três editais para este tema", informou.
Presidente da Capes e autores lançam o livro no espaço Portinari, no Armazém 4, do Piuer Mauá (Foto: Thaís Sautchuk - ACS/Capes)
Nota do blog: à esquerda, a Profa. Eliza Xavier, representante da UFRN na Rio+20.
Siga o link para matéria completa.
O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, disse que a contribuição que a pós-graduação vem fazendo está registrada na publicação, sobretudo nos últimos anos. "A temática do desenvolvimento sustentável é muito recente, não tem mais de 30 anos, e, antes disso, o Brasil, por meio de vários cursos de pós-graduação, formava recursos humanos na área ambiental, ecologia e outros temas relacionados."
Para o coordenador da área de ciências ambientais da Capes, Arlindo Philippi Jr, a publicação caracteriza o quanto o Sistema Nacional de Pós-Graduação tem contribuído para as questões da sustentabilidade.
Indução
Jorge Guimarães lembrou o fato de a Capes protagonizar ações induzidas em vários temas como engenharias, ciências do mar, TV digital e outros. "Por conta dessas ações e com base nos estudos realizados pela comissão que elaborou o livro, estamos com ações em campo voltadas à temática do desenvolvimento sustentável. Estão sendo trabalhados três editais para este tema", informou.
Presidente da Capes e autores lançam o livro no espaço Portinari, no Armazém 4, do Piuer Mauá (Foto: Thaís Sautchuk - ACS/Capes)
Nota do blog: à esquerda, a Profa. Eliza Xavier, representante da UFRN na Rio+20.
Siga o link para matéria completa.
Países firmam parceria para combater desertificação na África
Para combater a desertificação na África, foi firmado nesta quarta-feira
(20) um acordo tripartite entre Brasil, França e o bloco de países do
continente. As partes formalizaram a parceria inédita durante a
Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável
(Rio+20), com a presença do ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação,
Marco Antonio Raupp.
Durante a solenidade, no Pavilhão Brasil, no Parque dos Atletas, as instituições envolvidas lançaram um edital de seleção de projetos de pesquisa sobre o tema no valor de 1 milhão de euros (cerca de R$ 2,6 milhões), que será financiado em conjunto. A iniciativa será desenvolvida pela Agência Interorganismos de Pesquisa para o Desenvolvimento (Aird), da França, pela Agência Panafricana da Grande Muralha Verde (APGMV) e, no que diz respeito ao Brasil, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) e pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).
No evento – que também teve a presença da ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, e do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho – foi confirmada a abertura do edital do projeto até 20 de outubro. Ele será destinado aos pesquisadores, professores-pesquisadores de instituições de ensino e de pesquisa franceses, brasileiros e africanos e visa a desenvolver uma comunidade científica consolidada entre esses países para apoiar a luta contra a desertificação na África. Essa parceria compreende seis eixos: agricultura e alimentação; gestão de recursos naturais; adaptação a mudanças climáticas; desenvolvimento sustentável; governança; e tecnologia e inovação.
O famoso deserto do Saara, situado no Norte da África, é um dos lugares mais pobres do mundo. Aproximadamente 2,5 milhões de pessoas vivem na região, formada por 13 países, como Argélia e Sudão.
Durante a solenidade, no Pavilhão Brasil, no Parque dos Atletas, as instituições envolvidas lançaram um edital de seleção de projetos de pesquisa sobre o tema no valor de 1 milhão de euros (cerca de R$ 2,6 milhões), que será financiado em conjunto. A iniciativa será desenvolvida pela Agência Interorganismos de Pesquisa para o Desenvolvimento (Aird), da França, pela Agência Panafricana da Grande Muralha Verde (APGMV) e, no que diz respeito ao Brasil, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) e pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).
No evento – que também teve a presença da ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, e do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho – foi confirmada a abertura do edital do projeto até 20 de outubro. Ele será destinado aos pesquisadores, professores-pesquisadores de instituições de ensino e de pesquisa franceses, brasileiros e africanos e visa a desenvolver uma comunidade científica consolidada entre esses países para apoiar a luta contra a desertificação na África. Essa parceria compreende seis eixos: agricultura e alimentação; gestão de recursos naturais; adaptação a mudanças climáticas; desenvolvimento sustentável; governança; e tecnologia e inovação.
O famoso deserto do Saara, situado no Norte da África, é um dos lugares mais pobres do mundo. Aproximadamente 2,5 milhões de pessoas vivem na região, formada por 13 países, como Argélia e Sudão.
Texto: Juliana d’ Arêde – Ascom do MCTI
Aquecimento na Amazônia e na Caatinga
Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas também prevê a diminuição das chuvas a quase a metade, pondo o bioma em risco.
A temperatura na Amazônia deve aumentar de 5º a 6ºC até o fim do século, segundo projeções do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC). O primeiro relatório de avaliação nacional do PBMC prevê ainda uma redução de 40% a 45% das chuvas na região amazônica no mesmo período, indicando que modificações de clima “podem comprometer o bioma”.O estudo aponta tendência de aumento das chuvas apenas para o Pampa e a porção sul/sudeste da Mata Atlântica, principalmente de São Paulo ao Rio Grande do Sul. As projeções mais graves foram feitas para Amazônia, Caatinga e Cerrado.
O climatologista Tércio Ambrizzi, da Universidade de São Paulo, que coordenou a pesquisa, disse que análises regionais tendem a ser mais precisas do que modelos de grande escala, destacando a controvérsia em relação à incerteza que envolve resultados de simulações sobre o aquecimento do clima.
O relatório será apresentado hoje no auditório da Coppe/UFRJ no Parque dos Atletas, durante o evento “O Futuro Sustentável”, que integra a Rio+20. O trabalho completo terá outros dois volumes até outubro.
“Mais preocupante do que o dado em si (de aquecimento do clima em cada bioma) é a cadeia de efeitos que isso acarreta”, diz Suzana Kahn, presidente do comitê científico do PBMC e subsecretária de Economia Verde do Rio. Segundo ela, apesar da falta de “certeza absoluta” em relação aos efeitos do aquecimento, isso não significa que se deve postergar a ação.
O estudo destaca o “inegável sucesso” brasileiro na recente redução da área desmatada na Amazônia, de 27.000 km² em 2004 para 6.200 km² em 2011. Mas chama a atenção em relação a “como a área desmatada continuará a decrescer”até que o Brasil atinja as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa assumidas oficialmente. De acordo com a análise, caso o desmatamento alcance 40% na região, são esperadas “mudanças drásticas” no ciclo hidrológico, prolongando a duração da estação seca.
A projeção mais crítica para a região amazônica seria a chamada “savanização” da parte leste da floresta. “Uma mudança tão profunda na vegetação acarretaria perdas significativas nos estoques de carbono, tanto do solo como da vegetação. Além das perdas de carbono, outras mudanças poderiam resultar num colapso da floresta”, aponta o estudo.
Ambrizzi disse que este é um cenário extremo. “Pode ser mais intenso, como mostra o estudo, ou pode ser um pouco menos, com uma variação menor. Mas mesmo assim haveria uma modificação do bioma.”
No caso da Caatinga, a projeção é de temperaturas mais altas entre 3,5° e 4,5°C, além do agravamento do déficit hídrico do nordeste, com as chuvas caindo de 40% a 50%. No Cerrado, a temperatura aumentaria entre 5° e 5,5°, e a distribuição de chuva teria uma redução de 35% a 45% até 2100.
O relatório ressalta a vulnerabilidade de grandes cidades às mudanças nos padrões de chuva, por falta de investimentos em infraestrutura para evitar enchentes e deslizamentos de encostas. Poucas cidades têm uma série histórica de dados de precipitação pluviométrica.
Ambrizzi destaca a necessidade de ampliação da rede de observação e do número de pesquisadores no País. Segundo ele, apesar das lacunas e incertezas relacionadas às projeções sobre mudanças do clima, as tendências apontadas pelo relatório são consensuais.
Veja matéria completa no portal do estadao,incluindo alguns gráficos interessantes.
Rio+20: Sustentabilidade na Caatinga
Evento apresenta propostas e recomendações formuladas pelos estados, com a participação dos municípios e da sociedade civil, para o desenvolvimento sustentável dos principais biomas brasileiros.
Melissa Silva
Secretários estaduais e municipais de Meio Ambiente debatem sobre a Carta da Caatinga para a Rio+20 em evento que apresenta propostas e recomendações formuladas pelos estados, com a participação dos municípios e da sociedade civil, para o desenvolvimento sustentável dos principais biomas brasileiros. O evento é uma promoção da Abema e da Anamma, associações de entidades estaduais e municipais de meio ambiente, e integra e programação do Parque dos Atletas da Conferência das Nações Unidades sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).
A Caatinga abriga mais de 34 milhões de pessoas, ocupa 18% do território nacional e tem 53% de sua cobertura vegetal preservada. Seus desafios concentram-se na segurança hídrica e alimentar e na matriz energética industrial e domiciliar. "No dia em que discutimos uma carta pela sustentabilidade do bioma para a Rio+20, infelizmente temos de registrar a preocupação com a população do semi-árido que hoje vive uma das piores secas da história e ainda recebe água por meio do caminhão, o que é uma indignidade para a condição humana", disse Hélio Gurgel, presidente da Abema.
HARMONIA
Perspectiva que pode ser modificada, segundo gerente de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Campelo, se as possibilidades que existem ao conviver em harmonia com a biodiversidade, buscando alternativas de uso sustentável que transformam a realidade cruel da seca em oportunidades de manejo e negócios verdes, começarem a ser enxergadas.
"Não existe conservação se não houver bom uso e não encontrarmos harmonia ambiental, que hoje é uma das provocações da nossa realidade, defende Campelo. "Por isso, precisamos de um marco legal que não seja inibidor do uso, mas sim provedor dessas alternativas sustentáveis para a Caatinga".
Iniciativas como a Bodega de Produtos Sustentáveis da Caatinga, que são as mulheres do sertão fazendo negócios ecológicos com a produção de artesanato, óleos, azeites, laticínios de cabra, doces de frutas típicas da região, como umbu, caju, murici, entre outros produtos da sociobiodiversidade do bioma. O Projeto Nutre é outra boa prática de uso sustentável da Caatinga apresentada por Campelo que inclui a comercialização dos produtos da agricultura familiar na alimentação escolar das nove capitais do Nordeste.
FULIGEM
O uso de fogões ecológicos é umas das alternativas para a limpeza da matriz energética industrial e doméstica da Caatinga, que, conforme Campelo, ainda tem 40% de sua população cozinhando com lenha, a grande maioria em fogões rústicos, exposta à fumaça e à fuligem, em situações que provocam doenças respiratórias e glaucoma, além de ser a 8ª causa de morte do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), condição que mata mais gente do que a malária.
Durante o dia, os secretários também discutiram sobre as cartas da Amazônia e do Cerrado; o Pacto Nacional pela Gestão das Águas; Políticas Públicas para a Mata Atlântica; e o financiamento do Desenvolvimento Sustentável.
Fonte: Portal do Ministério do Meio Ambiente.
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