São Paulo (AE) - A prolongada estiagem e as altas temperaturas que
provocaram alta expressiva nos preços dos produtos in natura vão causar
impacto na inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), que será divulgada na próxima semana. Analistas projetam
índice de 0,62% a 0,65%, ante no máximo 0,60% previsto anteriormente.
Já
há também consultorias revendo para cima o IPCA anual, de 6% para 6,2%,
podendo inclusive superar a meta estabelecida pelo governo, de 6,5%.
Segundo a Ceagesp, o setor de legumes registrou alta de 33,89%. A maior elevação foi do tomate
Dois
dados divulgados na sexta-feira, 7, reforçam essas previsões. O Índice
de preços Ceagesp, da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do
Estado de São Paulo - que mede a variação de preços de alimentos frescos
no atacado - indica alta de 9,07% em fevereiro.
Estudo da
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que produtos in
natura encerraram o mês passado com alta de 7,21%, a maior desde
janeiro de 2013.
Nos itens pesquisados pela Ceagesp, o setor de
legumes registrou elevação de 33,89%. A principal alta foi a do tomate,
de 67,4%. O preço médio por quilo no atacado passou de R$ 1,93 em
janeiro para R$ 3,23 em fevereiro, com picos de R$ 5,44, informa Flávio
Godas, responsável pela Seção de Economia e Desenvolvimento da Ceagesp.
Também
puxaram a alta de preços nesse grupo a vagem, que subiu 67,1%, o
pimentão verde (60,2%), a abobrinha italiana (49,2%) e o chuchu (46,3%).
Já
o setor de verduras apresentou alta de 58,2%, puxado por coentro
(125,6%), alface crespa (118,5%), alface lisa (107,4%), entre outros. No
caso da alface lisa, o preço médio de um engradado com 24 pés subiu de
R$ 14,79 para R$ 30,66.
“A estiagem e as altas temperaturas
prejudicaram a produção de hortaliças, principalmente as mais sensíveis
ao clima”, diz Godas. Ele acredita, contudo, que neste mês a alta pode
dar uma trégua. “Os consumidores tendem a diminuir o volume de compras
ou, simplesmente, deixam de consumir, fazendo com que os preços não se
sustentem em níveis tão elevados.”
O coordenador do Índice de
Preços ao Consumidor (IPC), da Fipe, Rafael Costa Lima, tem avaliação
diferente. Em sua opinião, os alimentos in natura devem ficar ainda mais
caros ao longo de março, em razão do clima seco.
Segundo ele, ao
subirem 7,21% em fevereiro, os itens in natura contribuíram com 0,24
ponto porcentual na inflação do mês passado, ou seja, quase metade do
IPC. Com isso, o grupo Alimentação avançou 0,51%, ante 0,27% na terceira
quadrissemana do mês. Em sua opinião, outros alimentos que ajudaram a
limitar a inflação do grupo em fevereiro voltarão a pressionar em março.
Via TN online