quinta-feira, 27 de junho de 2013

Litoral e costa sustentáveis

Nível do mar, inundações, atividades litorâneas e erosão do solo são avaliados por pesquisador espanhol.

SOPHIA GEBRIM - postado no portal do MMA

A zona costeira é afetada diretamente pelo nível do mar, inundações, atividades litorâneas e erosão do solo. Depois de três anos de estudo desses efeitos no litoral de países da América Latina e Caribe, o professor da Universidade de Cantabria (Espanha), Iñigo Losada Rodriguez, apresentou, nesta segunda-feira (24/06), na sede do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Brasília, os resultados da pesquisa na palestra “Metodologia, ferramentas e bases de dados para a avaliação dos impactos das mudanças climáticas nas zonas costeiras da região de América Latina e Caribe”.

A atividade, parte da cooperação entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), reuniu especialistas e técnicos da área, interessados em conhecer a experiência desenvolvida pelo professor espanhol. “A nossa expectativa é ampliar informações sobre o cenário climático e atividades que afetam diretamente o clima, pensando que os aspectos ambientais de hoje podem ser alterados no futuro”, destacou o diretor do escritório da Cepal no Brasil, Carlos Mussi. Para ele, a iniciativa garante um amplo intercâmbio de informações entre os participantes.

RESULTADOS

A pesquisa de Losada, desenvolvida em parceria entre o Instituto de Hidráulica da Universidade de Cantabria e a Cepal, analisou 72 mil km da costa. “Verificamos as alterações detectadas na dinâmica costeira e a influência da variabilidade climática na vulnerabilidade costeira da América Latina e Caribe, com a previsão dos impactos e riscos previstos para o futuro da região”, apontou Losada. Segundo ele, a proposta do estudo é fornecer informações para elaboração de políticas de desenvolvimento econômico e sustentável para a região que considerem a análise de riscos das mudanças climáticas.

Ele apresentou os impactos considerados, que foram: inundação permanente e temporária, erosão, atividade portuária, segurança de obras, branqueamento dos corais, entre outros. “Para inundação, por exemplo, o desafio era obter uma série temporal horária de nível do mar”, citou. Assim, foi feita uma análise de componentes e a partir dela, calculou-se a cota de inundação para um nível da água com período de recorrência de 500 anos. Os resultados principais incluíram a inundação costeira em função do aumento do nível do mar, para a qual a distribuição de população na costa foi o fator de maior peso.

Outra verificação da pesquisa é que o peso relativo da franja costeira (área ocupada na costa) é maior em países insulares, enquanto que em número de pessoas destacam-se o Brasil, o México e a Argentina. “Quanto à erosão de praias, apesar de se mostrar generalizada, foi observado que a diversidade de praias gera potenciais impactos distintos”, acrescentou.

Outro ponto destacado é a alteração na altura e direção de ondas, que pode provocar erosão por mudança no perfil. Além disso, explica, as praias têm dualidade funcional: servem para recreação e defesa da costa, de maneira tal que as taxas de erosão alteram a sua vulnerabilidade. No que se refere a obras e portos, é possível calcular probabilidades de falhas em função de eventos extremos.

Os resultados numéricos do estudo estão disponíveis no link: www.c3a.ihcantabria.com

terça-feira, 25 de junho de 2013

Seminário - Ciências Climáticas na UFRN

"Cooperação Internacional em C, T & I: alguns exemplos nas áreas de Ciências do Mar e Mudanças Climáticas"
Ciclo de Seminários do PPGCC - 28/06 às 09h00
Auditório do DFTE - CCET
Maria Cordélia Soares Machado é doutora em Oceanografia Biológica pela Université Pierre et Marie Curie (Paris, 1994). É Mestre em Ciências da Vida pela UFRJ (Museu Nacional) e Licenciada e Bacharel em Biologia pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro. Foi Professora e Pesquisadora dessa Universidade por 26 anos. Foi bolsista do CNPq, com artigos publicados em revistas científicas (Nature, Deep Sea Research, entre outros). Desde 2002 é Analista de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, onde exerceu o cargo de Coordenadora para Mar e Antártica por oito anos. Integra atualmente a Assessoria de Assuntos Internacionais desse MCTI.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Cemaden realiza curso sobre monitoramento de desastres naturais

O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI) promove, de 1º a 5 de julho, o encontro Diálogos Setoriais – Disseminação de Conhecimento, em Cachoeira Paulista (SP).
O objetivo é difundir informações sobre previsão e monitoramento de inundações e estudar ferramentas operacionais para monitoramento e previsão de enchentes e enxurradas.
Para se inscrever, basta entrar na página do Cemanden e preencher as informações solicitadas. Pode participar do encontro toda a comunidade envolvida na área de previsão e monitoramento de enchentes e enxurradas no país.
Especialistas do Cemanden e de órgãos vinculados, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), farão palestras sobre os temas. A iniciativa tem a colaboração do Projeto Apoio aos Diálogos Setoriais UE-Brasil, e é gratuito.
  Texto: Amanda Mendes – Ascom do MCTI

Apenas 7,5% da Caatinga está protegida

Por Karina Toledo
Agência FAPESP – A Caatinga é considerada por especialistas o bioma brasileiro mais sensível à interferência humana e às mudanças climáticas globais. Apesar disso, apenas 7,5% de seu território está protegido em Unidades de Conservação (UCs) e apenas 1,4% dessas reservas são áreas de proteção integral.
O alerta foi feito pelo biólogo Bráulio Almeida Santos, do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal da Paraíba (CCEN/UFPB), durante o quinto encontro do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA Educação, organizado pelo Programa BIOTA-FAPESP no dia 20 de junho.
“A região Nordeste tem 364 reservas registradas no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC). Apenas 113 (ou 31%) têm como objetivo proteger a Caatinga, embora esse bioma seja predominante em todo o semiárido brasileiro. É uma contradição que precisa ser revertida”, afirmou Santos.
Ainda segundo o levantamento feito pelo biólogo, quase metade das 113 UCs são particulares e apenas 9% têm plano de manejo. Na avaliação de Santos, a situação reflete a ideia errônea, porém disseminada durante muito tempo, de que a Caatinga seja um bioma pobre, homogêneo e no qual não há “quase nada a ser preservado”.
“A Caatinga sempre foi o patinho feio dos biomas brasileiros. Em primeiro lugar, vem a preocupação com a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. A imagem da Caatinga é a do solo rachado e a do gado morrendo de sede, mas é a região semiárida com a maior biodiversidade do mundo”, afirmou Santos.
As espécies da Caatinga, no entanto, ainda são pouco conhecidas. Cerca de 41% do bioma nunca foi amostrado. Até o momento, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, foram descritas na região 932 espécies de plantas, 241 de peixes, 79 de anfíbios, 177 de répteis, 591 de aves, 178 de mamíferos e 221 de abelhas. No caso da flora, mais de 30% das espécies descritas são endêmicas, ou seja, não ocorrem em nenhuma outra região do mundo.
O índice de endemismo chega a 57% no caso dos peixes, 37% no caso de lagartos, 12% dos anfíbios e 7% das aves, segundo dados apresentados por Adrian Antonio Garda, do Centro de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CB/UFRN), durante o evento.
“O número de espécies descritas pode parecer pequeno quando você compara com os outros biomas brasileiros. Mas estamos comparando com biomas do país de maior biodiversidade do mundo e em condições climáticas completamente diferentes. Quando você compara com as regiões desérticas mais bem estudadas da América, a Caatinga apresenta bem mais do que o dobro do número de espécies e com altos níveis de endemismo. Isso apesar de mais de 40% do bioma nunca ter sido inventariado”, disse Garda.
Na avaliação de Santos, falta massa crítica dentro das universidades e de institutos de pesquisa locais para ampliar esse conhecimento e difundi-lo entre e os formuladores de políticas públicas. “É preciso levar as informações ao gestor. A falta de vontade política e de lideranças comprometidas com o uso racional da Caatinga é um dos obstáculos para conservação desse bioma”, avaliou.
Também é preciso derrubar o mito de que a Caatinga esteja pouco alterada, defendeu Santos. Estima-se que tenha sobrado apenas 54% do bioma. Os estados que mais desmataram foram Bahia, Ceará, Piauí e Pernambuco.
“Mas, ao contrário do que acontece no caso da Mata Atlântica, não sabemos com precisão o que já se perdeu do bioma e como estão distribuídos os fragmentos restantes. Do ponto de vista da conservação, é fundamental saber se são muitos fragmentos pequenos ou poucos fragmentos grandes para pensar em como reconectar as paisagens”, disse.
Reverter a perda de hábitat na Caatinga, no entanto, não é tarefa simples, explicou Santos. A escassez de água na região dificulta a fotossíntese e faz com que o bioma apresente uma resiliência muito pequena à interferência humana.
Ameaças
O principal fator de degradação da Caatinga hoje é, segundo Santos, o desmatamento praticado para obtenção de lenha e de carvão vegetal. Cerca de um terço da lenha cortada é para uso residencial. A maior parte do carvão vai para siderúrgicas e para os polos de gesso e cerâmica do Nordeste.
O biólogo também citou como ameaças o uso indiscriminado de fogo em práticas agropecuárias, a introdução de frutas exóticas à região e as criações extensivas de caprinos, ovinos e bovinos.
“Não estou defendendo que se deixe de criar bode ou se pare de usar lenha. Isso é parte da economia e da cultura local. Mas é preciso ordenar o uso dos recursos, fazê-lo de forma racional. Caso contrário, a consequência será a desertificação”, defendeu Santos.
Outra importante ameaça, por mais contraditório que pareça, é o uso excessivo de água para irrigação agrícola. “Na Caatinga, naturalmente, chove pouco e o solo é compacto e duro. Em vez de a água ser rapidamente absorvida e conduzida para o lençol freático, ela se acumula e traz os sais e os nutrientes existentes no solo para a superfície. Quando a água evapora, ocorre a salinização do solo, o que compromete a vegetação e a agricultura”, explicou Santos.
De acordo com o pesquisador, já existem na região núcleos de desertificação – áreas com alto grau de degradação ambiental onde o solo está exposto e exibe alto grau de erosão, há pouca diversidade biológica e pouca cobertura vegetal.
“O polígono de maior risco de desertificação no Brasil está no Nordeste. Por já ser naturalmente uma região semiárida, a Caatinga é o bioma mais ameaçado pelas mudanças climáticas. À medida que o planeta esquenta, o déficit hídrico, que já é grande, tende a crescer”, alertou.
Ainda durante o quinto encontro do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA Educação, Luciano Paganucci, do departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Feira de Santana (DCBio/UEFS), apresentou um panorama sobre a flora da Caatinga, falando sobre sua origem, evolução e as respostas adaptativas desenvolvidas para lidar com a falta d’água.
Organizado pelo Programa BIOTA-FAPESP, o Ciclo de Conferências 2013 tem o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência. O próximo encontro será em 22 de agosto, quando estará em pauta o “Bioma Amazônia”.
Em 24 de outubro, o tema será “Ambientes Marinhos e Costeiros”. Finalizando o ciclo, em 21 de novembro, o tema será “Biodiversidade em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais”.

Comentário do Blog
Esperamos que este importante evento realizado com o apoio da FAPESP sirva como lição para os
governantes dos estados do Nordeste do Brasil (NEB). Pouco tem sido feito em nossa região, e 
com certeza a falta de políticas públicas de responsabilidade dos gestores públicos responsáveis
pela região é o  maior entrave para o problema. Afora poucas iniciativas, em geral as fundações
de pesquisas regionais dão pouca importância a um tema que deveria ser uma das maiores 
preocupações das grandes instituições públicas que atuam no NEB. Comparado também a outras
iniciativas, as ações do Governo Federal são mínimas, minimorum. No NEB já deveria existir Institutos de Pesquisa com foco nos grandes problemas envolvendo o Semiárido e as Zonas Costeiras. Tivemos um pouco de esperança como o surgimento do INSA, mas ainda falta muito para este instituto mostrar, de fato, para que veio.

domingo, 23 de junho de 2013

Kerry Prods India to Cut Greenhouse Gas Emissions

NEW DELHI — Secretary of State John Kerry urged India on Sunday to begin to address climate change by reducing emissions of greenhouse gases even as it attempts to bring electricity to tens of millions of its citizens now living without it.
“I do understand and fully sympathize with the notion that India’s paramount commitment to development and eradicating poverty is essential,” Mr. Kerry said in a speech at the start of a two-day visit. “But we have to recognize that a collective failure to meet our collective climate challenge would inhibit all countries’ dreams of growth and development.”
In an effort to prod the Indians to act, Mr. Kerry warned that climate change could cause India to endure excessive heat waves, prolonged droughts, intense flooding and shortages of food and water.
“The worst consequences of the climate crisis will confront people who are the least able to be able to cope with them,” he said.
Mr. Kerry has long been active on the issue of climate change. His speech was part of a broader push by the Obama administration that includes a presidential address, scheduled for Tuesday, on steps the White House plans to take domestically, including establishing the first limits on carbon emissions from new and existing power plants.
Mr. Obama is also expected to pledge to lead a global effort to reduce climate-altering emissions and help both the poorest nations and newly industrializing countries like India adapt to the inevitable costs of a warming planet.
India is one of the fastest-growing sources of greenhouse gases in the world, and it has consistently rejected efforts by developed countries to slow down its energy consumption, fearing that it would retard its economic growth and hamper its drive to reduce poverty. India now ranks third in the world in production of carbon dioxide, the most prevalent heat-trapping gas, behind China and the United States. 


sábado, 22 de junho de 2013

Projeto Pluviômetros nas Comunidades é lançado nacionalmente

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, promovem nesta segunda-feira (24) o lançamento nacional do projeto Pluviômetros nas Comunidades.
A cerimônia será realizada a partir de 10h30, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o ministro e o secretário também participam da inauguração da sede da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil.
Petrópolis foi o primeiro município do país a receber os pluviômetros semiautomáticos (equipamentos que medem o volume e a intensidade de chuvas) destinados a cidades que possuem áreas de risco de desastres naturais, principalmente, deslizamentos.
O projeto prevê o envolvimento e a atuação direta das comunidades na prevenção a desastres naturais. A iniciativa é conduzida por meio de parceria entre o Cemaden e o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad/MI).
Orientada pela Defesa Civil, a população aprende a fazer a leitura das informações geradas nos equipamentos e, em caso de riscos, alertar as autoridades competentes.
Serviço:
O quê: Lançamento nacional do projeto Pluviômetros nas Comunidades
Data: 24/6/2013
Horário: 10h30
Local: Secretaria de Proteção e Defesa Civil
Rua Buarque de Macedo, nº 128, Centro
Petrópolis – Rio de Janeiro

Fonte: portal do MCTI

terça-feira, 18 de junho de 2013

Inpe lança novo modelo de previsão do tempo

Agência FAPESP – Uma nova versão do modelo regional Brams de previsão de tempo, cobrindo toda a América do Sul, foi lançada pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A versão 5.0 do Brams gera previsões para até sete dias, com resolução espacial de cinco quilômetros. O modelo anterior fornecia previsões com resolução de 20 quilômetros.
O avanço só foi possível por causa da alta capacidade de processamento do novo supercomputador Tupã, instalado em Cachoeira Paulista e adquirido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio da FAPESP.
O desenvolvimento do modelo levou cerca de um ano. A tecnologia também gera previsões e faz o monitoramento da poluição do ar.
Para cobrir toda a extensão da América do Sul, foram necessárias 1.360 x 1.480 células horizontais e 55 níveis verticais. As células de grade, em um total de 110 milhões, aproximadamente, são processadas simultaneamente nos 9.600 processadores do supercomputador.
A nova versão do Brams pode ser conferida em: http://previsaonumerica.cptec.inpe.br

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Monitoramento independente vê aumento de desmate na Amazônia

GIOVANA GIRARDI

 Um levantamento independente do desmatamento da Amazônia aponta uma inversão da tendência de queda da perda florestal que vem se observando nos últimos anos. Em maio, o sistema de monitoramento de imagens de satélite SAD, do instituto de pesquisa Imazon, detectou 84 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Um aumento de 97% em relação a maio do ano passado, que registrou 42,5 km². Considerando o acumulado de agosto a maio, o desmatamento totalizou 1.654 km², 89% superior ao mesmo período do ano anterior, que somou 873 km².
Se esse ritmo se mantiver nos meses de junho e julho, tradicionalmente os de maior avanço do corte raso, por ser período de seca, o desmatamento total pode passar de 6 mil km², estima Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon. Segundo ele, esses dois meses costumam representar 30% do total. “Ao menos que nesses meses o desmate seja excepcionalmente baixo, vai ocorrer um aumento expressivo”, alerta.
A avaliação, apesar de obtida a partir da análise das mesmas imagens de satélite usadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), não é considerada pelo governo. São os dados do Inpe que compõem o cenário oficial de desmatamento. No início do mês, por exemplo, o órgão apontou que o desmatamento de agosto de 2011 a julho de 2012 (meses que marcam o início e o fim do calendário de monitoramento) foi o menor da história do monitoramento – caiu 29% em relação ao período anterior, chegando a 4.571 km².
O próprio Inpe, porém, tem mostrado algumas mudanças de lá para cá.  De agosto do ano passado a fevereiro deste ano o órgão informou que o desmatamento cresceu 26,6% (na comparação com o intervalo ago/2011 a fev/2012). O anúncio seguinte, sobre o bimestre março e abril deste ano, trouxe queda de 66%, sempre comparando com o mesmo período do ano anterior. Ainda não foram divulgados os dados de maio.
Fatores como nuvens impedindo a visualização (bastante comuns no período de chuvas, que vai até março) e a forma de análise das imagens, que difere entre os dois institutos, não raro resulta em diferenças entre os números obtidos. Mas, em geral, eles batem em relação à tendência sobre o que está acontecendo na região. O Imazon, no entanto, por atuar na região do Pará, também faz muitas parcerias em campo com o governo do Estado e com o Ibama, o que permite acompanhar de perto o que está acontecendo e também facilita a checagem de alguns dados in loco.
“Tem coisas que o SAD não detecta, mas em campo a gente vê. A região de Castelo dos Sonhos, por exemplo, estava completamente coberta de nuvens. Ninguém via nada, nem conseguia sobrevoar o local. Quando foi possível chegar lá, se encontrou um desmatamento de 6 mil hectares. Daqui para a frente, como a tendência é ter menos nuvens, vamos ter uma noção melhor do estrago”, diz Veríssimo.
Ele afirma, com base em pesquisas em campo sendo feitas pelo Imazon, que o maior gargalo no momento é o chamado desmatamento especulativo, principalmente nas regiões do oeste do Pará e sudeste do Amazonas. E que ocorre mesmo debaixo de chuva, justamente porque é mais difícil enxergar e também de a fiscalização chegar até lá.
“É gente que derruba com a expectativa de que uma hora vai conseguir regularizar a terra e vendê-la”, diz. “Praticamente, não se vê mais o desmate de quem está na cadeia produtiva e quer aumentar sua área para plantar ou pôr gado. Nesses casos, os mecanismos de comando e controle do governo têm funcionado. Mas o governo vai ter de mudar a estratégia, talvez deixar claro que essas áreas desmatadas para especulação não vão nunca ser regularizadas. Aí cria um prejuízo e pode ser que a prática estanque”, diz.

Fonte: portal Estadão 
 


Seminário - Ciências Climáticas na UFRN

NOVA DATA!


ASSOCIAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS METEOROLÓGICAS E EXTREMOS DE PRECIPITAÇÃO NO NORDESTE DO BRASIL



Washington Luiz Félix Correia Filho
Doutorando em Ciências Climáticas - UFRN






21/06/2013 (sexta-feira) às 11h00 
Auditório do Departamento de Física Teórica e Experimental - UFRN



Resumo

A ocorrência de eventos extremos e sua recorrência em curtos períodos de tempo tornou a sociedade mais susceptível às variações extremas de tempo e clima. Estes extremos têm fomentado diversas pesquisas com o propósito de identificar os principais fatores que subsidiem a ocorrência destes extremos, neste caso, de precipitação. No Nordeste do Brasil (NEB), os extremos mais preocupantes estão relacionados à precipitação pluvial, quanto ao seu déficit (semiárido nordestino) e excessos (regiões litorâneas e capitais). Como maneira de diagnosticar os principais fatores que causem a ocorrência destes extremos, tem sido amplamente difundido diversos métodos estatísticos, um deles são os modelos lineares generalizados (GLM), que tem sido uma alternativa potencialmente útil e eficaz na identificação destes extremos. Neste trabalho aplicaremos o modelo de regressão logística para dados diários de 13 variáveis meteorológicas e oceânicas de 1979-2011 para o período chuvoso, com o objetivo de extrair odds ratio (razão de chances) de todas as variáveis para cada uma das sub-regiões do NEB (norte, sul, leste e semiárido), e construir o modelo logístico para modelar estes extremos. Há indícios de que a radiação de onda longa e umidade específica favorecem a ocorrência de extremos de precipitação ao passo que, em contrapartida, as TSM’s não impulsionam essa ocorrência. Quanto à qualidade do ajuste do modelo pela curva ROC, para os pontos de estudo obteve-se valores acima de 0.8, favorecendo um maior grau de acerto das predições do modelo.


Convite Palestra Impactos das mudanças climáticas na zona costeira da América latina e Caribe

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Comissão Econômica para América 
Latina e Caribe (CEPAL), dentro de seu programa de cooperação, gostariam 
de convidá-lo(a) para participar da palestra “Metodología, herramientas 
y bases de datos para la evaluación de los impactos del cambio climático 
en zonas marino-costeras de la región de América Latina y Caribe”, que 
será ministrada pelo Professor Iñigo Losada Rodriguez (Universidad de 
Cantabria, Espanha), no dia 24 de junho, das 9:00hs às 12hs, no 
Auditório do ICMBIO, EQSW 103/104, Bloco “C”, Setor Sudoeste, Brasilia- DF.

O estudo – desenvolvido pelo Instituto de Hidráulica da Cantábria e pela 
CEPAL – analisa as alterações detectadas na dinâmica costeira e a 
influência da variabilidade climática na vulnerabilidade costeira da 
América Latina e Caribe, com a previsão dos impactos e riscos previstos 
para o futuro da região. Um dos objetivos do estudo é fornecer 
informações para elaboração de políticas de desenvolvimento econômico e 
sustentável para a região que considerem a análise de riscos das 
mudanças climáticas. Além da apresentação do Prof. Rodriguez, espera-se 
contar com um amplo intercâmbio entre os participantes.

Pedimos por gentileza divulgar o convite para os setores de sua 
Instituição que tenham interesse ou atuam com o tema costeiro.

Agradeceríamos receber a confirmação da sua presença ou de um 
representante de sua equipe no endereço eletrônico gerco@mma.gov.br. A 
palestra será realizada em espanhol.

Agradecemos a sua colaboração e aguardamos a sua presença para 
contribuir no debate do tema.


Atenciosamente,

Gerência Costeira
Departamento de Zoneamento Territorial
Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável
Ministério do Meio Ambiente
(61) 2028-1364