O último grande degelo do planeta não aconteceu de forma constante. Houve sim um período de aumento abrupto do nível das águas.
Em menos de 500 anos, subiu cerca de 20 metros, segundo Pierre Deschamps, geólogo e pesquisador principal do Cerege (sigla em francês de Centro Europeu de Pesquisa e Ensino de Geociências do Meio Ambiente), em artigo publicado a revista científica "Nature.
O ponto mais ativo desse degelo, que começou há 15 mil anos e acabou há 12 mil, foi no período entre 14.650 anos e 14.310 anos atrás. É nesse intervalo de tempo que, segundo as medições dos analistas, o nível de água subiu no Taiti entre 12 e 22 metros.
Os cientistas participantes do estudo basearam a pesquisa em medições efetuadas nesta ilha do Pacífico e concluíram também que a maior parte de água veio do degelo da Antártida.
Para obter os dados, Deschamps e seus colegas estudaram os fósseis dos corais e de uma espécie de búzio que habitaram no litoral norte, sul e oeste do Taiti.
O aumento das águas que o analista cita em seu artigo coincidiu no tempo com a Oscilação de Boelling, uma época na qual o clima se moderou e as massas de gelo continentais liberaram grandes quantidades de água no mar.
No entanto, a cronologia exata do degelo e a origem de suas águas seguem sem esclarecer tudo, já que o nível dos mares não ascendeu de forma uniforme, e por isso é necessário estudar os aumentos em distintas costas do planeta.
Além disso, os especialistas não só tentam averiguar quanto cresceram os mares, mas também qual foi a fonte que produziu o aumento das águas, ou seja, se o que derreteu foi o Ártico, a Groenlândia ou a Antártida.
Os dados da pesquisa liderada por Deschamps, em combinação com outro estudo realizado em Barbados, sugerem que a maior parte desta água procedia do degelo da Antártida.
Segundo os analistas, conhecer melhor estes fenômenos permitiria compreender como a mudança climática atual afetará os gelos polares nos próximos anos.
Neste sentido, a velocidade com a qual cresceram as águas no período estudado por Deschamps foi "significativamente maior" às estimativas para o século 21, que predizem um aumento inferior a dois metros por século.
Fonte: agência EFE via portal do UOL.
Neste blog são divulgados tópicos relacionados às questões de clima e ambiente, de interesse científico, tecnológico, educacional ou social. (In this blog we deal with some topics concerning climate and environment, with focus on scientific, technological, educational or social issues).
sexta-feira, 30 de março de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Novo relatório do IPCC prevê dias e noites ainda mais quentes
Matéria publicada recentemente n'O Globon online:
"A elevação das temperaturas do planeta, acompanhada de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, parece ser mesmo uma tendência inexorável. E o Brasil é um dos países mais atingidos. Novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado nesta quarta-feira classifica como “muito provável” - o que significa uma probabilidade de 90% a 100% - o aumento de dias e noites quentes e a redução dos dias e noites mais frios em todo o mundo ao longo do próximo século. No Brasil, dias com temperaturas mais elevadas serão de 10% a 15% mais frequentes; enquanto as noites, especialmente no Sul e no Sudeste, ficarão até 25% mais quentes.
"A elevação das temperaturas do planeta, acompanhada de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, parece ser mesmo uma tendência inexorável. E o Brasil é um dos países mais atingidos. Novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado nesta quarta-feira classifica como “muito provável” - o que significa uma probabilidade de 90% a 100% - o aumento de dias e noites quentes e a redução dos dias e noites mais frios em todo o mundo ao longo do próximo século. No Brasil, dias com temperaturas mais elevadas serão de 10% a 15% mais frequentes; enquanto as noites, especialmente no Sul e no Sudeste, ficarão até 25% mais quentes.
- O relatório confirma a tendência de aumento das temperaturas que vemos desde 1950 e mostra que variações climáticas não são tão naturais assim, que a interferência do homem nesses processos é provável - afirmou o especialista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um dos autores do relatório, que está em Londres participando da conferência Planeta sob Pressão. - A mão do homem começa a aparecer.
Os especialistas ressaltam que a tendência de aquecimento é global. Os dias mais quentes deverão se tornar mais frequentes.."Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/novo-relatorio-do-ipcc-preve-dias-noites-ainda-mais-quentes-4436360#ixzz1qSo8rrP6
Fonte: Portal oglobo
domingo, 25 de março de 2012
Agricultura de subsistência mingua - no RN.
Valdir Julião - Repórter
A região semiárida do Sertão Central é onde se registra, historicamente, os menores índices pluviométricos do Rio Grande do Norte, que em média chega a 500 milímetros ao ano. Mas, os agricultores são persistentes e a qualquer sinal de chuva, ainda correm para cortar e arar a terra para o plantio de culturas de subsistência, principalmente as iguarias que não podem faltar à mesa do nordestino - feijão e milho.
E ao contrário do que ocorria antes, hoje não se planta mais o bastante para armazenar os excedentes em grandes silos de 25 e até 40 cuias, a antiga medida de volume dos agricultores do Sertão da região Nordeste.
Em Angicos, onde somente 13,87% ou 1.464 dos seus 11.549 habitantes residem no campo, o técnico agrícola Gilson Silva Araújo mantém o hábito de cultivar feijão e milho na fazenda "Sombra do Cruzeiro", já no limite com Itajá (Vale do Açu), numa propriedade de cerca de 400 hectares que seu falecido pai adquirira numa troca por 96 cabeças de gado e mais 280 hectares de terra que possuía em Jucurutu, na região do Seridó. "Hoje não se faz mais isso, é tudo em moeda corrente", contou ele, que agora, em março, tinha usado o último grão de feijão, colhido em 2008: "Não dava mais para comer, a gente deu para as galinhas".
(...)
"Atividade secular não pode ser desprezada"
"Não podemos desprezar e tirar dos agricultores uma atividade secular e histórica, mesmo com as suas adversidades", posiciona-se o analista de Mercado de Produtos e Produtos Agrícolas, Luís Gonzaga Araújo e Costa, da Superintendência Regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
(...)
Mesmo não tento autossustentabilidade devido à escassez de terras agricultáveis e insuficiente oferta de água, Costa acredita que é a diversificação da atividade dos agricultores familiares podem lhe permitir alguma renda extra.
Link para matéria completa: tnonline.
A região semiárida do Sertão Central é onde se registra, historicamente, os menores índices pluviométricos do Rio Grande do Norte, que em média chega a 500 milímetros ao ano. Mas, os agricultores são persistentes e a qualquer sinal de chuva, ainda correm para cortar e arar a terra para o plantio de culturas de subsistência, principalmente as iguarias que não podem faltar à mesa do nordestino - feijão e milho.
E ao contrário do que ocorria antes, hoje não se planta mais o bastante para armazenar os excedentes em grandes silos de 25 e até 40 cuias, a antiga medida de volume dos agricultores do Sertão da região Nordeste.
Em Angicos, onde somente 13,87% ou 1.464 dos seus 11.549 habitantes residem no campo, o técnico agrícola Gilson Silva Araújo mantém o hábito de cultivar feijão e milho na fazenda "Sombra do Cruzeiro", já no limite com Itajá (Vale do Açu), numa propriedade de cerca de 400 hectares que seu falecido pai adquirira numa troca por 96 cabeças de gado e mais 280 hectares de terra que possuía em Jucurutu, na região do Seridó. "Hoje não se faz mais isso, é tudo em moeda corrente", contou ele, que agora, em março, tinha usado o último grão de feijão, colhido em 2008: "Não dava mais para comer, a gente deu para as galinhas".
(...)
"Atividade secular não pode ser desprezada"
"Não podemos desprezar e tirar dos agricultores uma atividade secular e histórica, mesmo com as suas adversidades", posiciona-se o analista de Mercado de Produtos e Produtos Agrícolas, Luís Gonzaga Araújo e Costa, da Superintendência Regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
(...)
Mesmo não tento autossustentabilidade devido à escassez de terras agricultáveis e insuficiente oferta de água, Costa acredita que é a diversificação da atividade dos agricultores familiares podem lhe permitir alguma renda extra.
Link para matéria completa: tnonline.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Pesquisadores brasileiros fazem descoberta na Antártica
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma estrutura glacial fundamental para esclarecer a história paleoclimática da Antártica durante o período Mioceno (há cerca de 15 milhões de anos).
A estrutura – denominada pavimento de clastos glacial – comprova ter havido um período de expansão do manto de gelo da Antártica Ocidental, após o intervalo de aquecimento, denominado Ótimo Climático do Mioceno, quando se estima que o manto de gelo antártico começou a se expandir.
Os detalhes do estudo serão apresentados em julho durante a conferência bienal do Scientific Committee on Antarctic Research (Scar), que será realizada em Portland, nos Estados Unidos.
“O pavimento documenta um importante evento paleoclimático da Antártica Ocidental durante o Mioceno”, disse Antonio Carlos Rocha Campos, professor do Instituto de Geociências da USP e coordenador do projeto à Agência FAPESP. Rocha Campos conduziu projetos apoiados pela FAPESP, entre os quais o Temático “Controles tectônico, climático e paleogeográfico das características, gênese e preservação de depósitos glaciais pré-cenozoicos do Brasil”.
De acordo com o pesquisador, a estrutura encontrada fornece a evidência cabal e irrefutável de que o continente antártico passou por uma fase de glaciação há cerca de 10 milhões de anos, após um período de aquecimento há cerca de 15 milhões de anos.
O pavimento de clastos glacial (fragmentos de rochas) é produzido pela ação de geleiras. Ao deslizarem sobre a superfície na qual se encontram, elas arrastam consigo fragmentos de rocha de diversas formas e tamanhos, que são incorporados ao gelo. O pavimento tem origem na liberação dos fragmentos de rochas, que são realojados subglacialmente (abaixo da camada de gelo) e erodidos durante o avanço da geleira, resultando em uma espécie de calçada de pedras.
Em 2011, durante realização de pesquisa na ilha de Seymour (Marambio), na parte ocidental do mar de Weddel, na Antártica Ocidental, a equipe de pesquisadores do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), integrada por Rocha Campos, deparou-se e identificou pela primeira vez esse tipo de estrutura glacial nessa parte do continente antártico.
Segundo Rocha Campos, a presença do pavimento de clastos indica que o manto de gelo da Antártica Ocidental atingiu a ilha de Seymour durante o Mioceno superior (há cerca de 10 milhões de anos), deslocando-se rapidamente, provavelmente, em condições terrestres.
“A história da glaciação na Antártica durante o Mioceno era contada com base em evidências que ainda deixavam dúvidas. A existência do pavimento de clastos esclareceu a questão porque são estruturas sabidamente associadas à ação de geleiras”, afirmou.
Os pesquisadores pretendem analisar agora outras fases da história paleoclimática da Antártica Ocidental sobre as quais ainda restam dúvidas quanto à identificação de evidências que caracterizem e comprovem as mudanças climáticas que ocorreram no continente.
Entre essas fases está a passagem do Eoceno (cerca de 36 milhões de anos atrás) para o Oligoceno (há 30 milhões de anos), quando houve uma notável mudança climática em praticamente toda a Antártica, associada ao início da formação do manto de gelo que cobre o continente.
Nesse intervalo geológico, a Antártica também experimentou mudanças de fase de aquecimento, seguida de glaciação, similar à variação climática que ocorreu no Mioceno.
“A história da formação do manto de gelo antártico é cheia de irregularidades. Não houve só uma diminuição gradativa da temperatura e aumento progressivo da massa de gelo na Antártica, mas uma alternância entre épocas de clima mais ameno, seguidas de fases de clima mais quente”, explicou Rocha Campos.
Uma das evidências utilizadas para caracterizar essas mudanças climáticas são os depósitos de origem glacial. Entretanto, de acordo com o pesquisador, a identificação desse tipo de sedimento ou rocha é bastante complexa e não raro inconclusiva.
Na ilha de Seymour, por exemplo, onde os pesquisadores brasileiros estão realizando seus estudos, vários intervalos climáticos são baseados na presença de sedimentos glaciais. Contudo, nem sempre a identificação pode ser feita com absoluta certeza. “Estruturas glaciais diagnósticas, como o pavimento de clastos glacial, são raras”, disse Rocha Campos.
Incêndio da estação brasileira
Rocha Campos e colegas de seu grupo na USP ficaram alojados na Base Argentina Marambio e alguns deles já haviam voltado ao Brasil quando ocorreu o incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) – a base do Proantar no continente – no final de fevereiro.
Segundo Rocha Campos, a pesquisa que executam não depende da estação brasileira. “Mas é claro que lamentamos profundamente a perda da EACF pela sua importância simbólica e científica e, mais ainda, a de vidas humanas”, destacou.
Como a maioria das rochas em volta da estação é vulcânica e o grupo de pesquisa de Rocha Campos se dedica ao estudo de rochas glaciais, os pesquisadores montam acampamento ou solicitam alojamento em alguma estação perto da região onde realizarão suas pesquisas, como a da Argentina, na ilha de Seymour.
Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma estrutura glacial fundamental para esclarecer a história paleoclimática da Antártica durante o período Mioceno (há cerca de 15 milhões de anos).
A estrutura – denominada pavimento de clastos glacial – comprova ter havido um período de expansão do manto de gelo da Antártica Ocidental, após o intervalo de aquecimento, denominado Ótimo Climático do Mioceno, quando se estima que o manto de gelo antártico começou a se expandir.
Os detalhes do estudo serão apresentados em julho durante a conferência bienal do Scientific Committee on Antarctic Research (Scar), que será realizada em Portland, nos Estados Unidos.
“O pavimento documenta um importante evento paleoclimático da Antártica Ocidental durante o Mioceno”, disse Antonio Carlos Rocha Campos, professor do Instituto de Geociências da USP e coordenador do projeto à Agência FAPESP. Rocha Campos conduziu projetos apoiados pela FAPESP, entre os quais o Temático “Controles tectônico, climático e paleogeográfico das características, gênese e preservação de depósitos glaciais pré-cenozoicos do Brasil”.
De acordo com o pesquisador, a estrutura encontrada fornece a evidência cabal e irrefutável de que o continente antártico passou por uma fase de glaciação há cerca de 10 milhões de anos, após um período de aquecimento há cerca de 15 milhões de anos.
O pavimento de clastos glacial (fragmentos de rochas) é produzido pela ação de geleiras. Ao deslizarem sobre a superfície na qual se encontram, elas arrastam consigo fragmentos de rocha de diversas formas e tamanhos, que são incorporados ao gelo. O pavimento tem origem na liberação dos fragmentos de rochas, que são realojados subglacialmente (abaixo da camada de gelo) e erodidos durante o avanço da geleira, resultando em uma espécie de calçada de pedras.
Em 2011, durante realização de pesquisa na ilha de Seymour (Marambio), na parte ocidental do mar de Weddel, na Antártica Ocidental, a equipe de pesquisadores do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), integrada por Rocha Campos, deparou-se e identificou pela primeira vez esse tipo de estrutura glacial nessa parte do continente antártico.
Segundo Rocha Campos, a presença do pavimento de clastos indica que o manto de gelo da Antártica Ocidental atingiu a ilha de Seymour durante o Mioceno superior (há cerca de 10 milhões de anos), deslocando-se rapidamente, provavelmente, em condições terrestres.
“A história da glaciação na Antártica durante o Mioceno era contada com base em evidências que ainda deixavam dúvidas. A existência do pavimento de clastos esclareceu a questão porque são estruturas sabidamente associadas à ação de geleiras”, afirmou.
Os pesquisadores pretendem analisar agora outras fases da história paleoclimática da Antártica Ocidental sobre as quais ainda restam dúvidas quanto à identificação de evidências que caracterizem e comprovem as mudanças climáticas que ocorreram no continente.
Entre essas fases está a passagem do Eoceno (cerca de 36 milhões de anos atrás) para o Oligoceno (há 30 milhões de anos), quando houve uma notável mudança climática em praticamente toda a Antártica, associada ao início da formação do manto de gelo que cobre o continente.
Nesse intervalo geológico, a Antártica também experimentou mudanças de fase de aquecimento, seguida de glaciação, similar à variação climática que ocorreu no Mioceno.
“A história da formação do manto de gelo antártico é cheia de irregularidades. Não houve só uma diminuição gradativa da temperatura e aumento progressivo da massa de gelo na Antártica, mas uma alternância entre épocas de clima mais ameno, seguidas de fases de clima mais quente”, explicou Rocha Campos.
Uma das evidências utilizadas para caracterizar essas mudanças climáticas são os depósitos de origem glacial. Entretanto, de acordo com o pesquisador, a identificação desse tipo de sedimento ou rocha é bastante complexa e não raro inconclusiva.
Na ilha de Seymour, por exemplo, onde os pesquisadores brasileiros estão realizando seus estudos, vários intervalos climáticos são baseados na presença de sedimentos glaciais. Contudo, nem sempre a identificação pode ser feita com absoluta certeza. “Estruturas glaciais diagnósticas, como o pavimento de clastos glacial, são raras”, disse Rocha Campos.
Incêndio da estação brasileira
Rocha Campos e colegas de seu grupo na USP ficaram alojados na Base Argentina Marambio e alguns deles já haviam voltado ao Brasil quando ocorreu o incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) – a base do Proantar no continente – no final de fevereiro.
Segundo Rocha Campos, a pesquisa que executam não depende da estação brasileira. “Mas é claro que lamentamos profundamente a perda da EACF pela sua importância simbólica e científica e, mais ainda, a de vidas humanas”, destacou.
Como a maioria das rochas em volta da estação é vulcânica e o grupo de pesquisa de Rocha Campos se dedica ao estudo de rochas glaciais, os pesquisadores montam acampamento ou solicitam alojamento em alguma estação perto da região onde realizarão suas pesquisas, como a da Argentina, na ilha de Seymour.
terça-feira, 20 de março de 2012
2012 ROMS/TOMS User Workshop
2012 ROMS/TOMS User Workshop, Windsor Atlântica Hotel, Rio de Janeiro,
Brazil, October 22 - 25, 2012
Dear all,
We are inviting you to participate at the next ROMS/TOMS User Workshop to be held at the Petrópolis Conference Room, at the Windsor Atlântica Hotel on Copacabana beach, Rio de Janeiro, Brazil. The invitation is open to everybody that wants to attend. This is the first ROMS workshop in South America
The user community in Brazil and South America has increased substantially over the last few years. We are trying to organize the best workshop ever in Brazil. The current plan is to have a three-day regular ROMS Workshop with lectures, oral presentations, and posters. Additionally, we are planning to add a fourth-day to concentrate on
modern observational programs and how they can be combined with models to get the best estimate of the ocean state. We know that the Brazilian scientific and modeling communities are particularly interested in advanced observational systems and modeling techniques.
For further information please check the forum or the Workshop web page:
https://www.myroms.org/forum/viewtopic.php?f=11&t=2560
http://www.myroms.org/index.php?page=events&id=10
Looking forward to see you in Rio...
Organizing Committee,
Dr. Hernan G. Arango, IMCS, Rutgers University, New Brunswick, NJ, USA
Prof. Andrew M. Moore, University California, Santa Cruz, CA, USA
Prof. John L. Wilkin, IMCS, Rutgers University, New Brunswick, NJ, USA
Dr. Carlos E. P. Teixeira, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE,
Brasil
Dr. Maurício da Rocha Fragoso, ProOceano, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Dr. Douglas F. M. Gherardi, INPE, São José dos Campos, Brasil
Dr. Luciano Ponzi Pezzi, INPE, São José dos Campos, Brasil
Brazil, October 22 - 25, 2012
Dear all,
We are inviting you to participate at the next ROMS/TOMS User Workshop to be held at the Petrópolis Conference Room, at the Windsor Atlântica Hotel on Copacabana beach, Rio de Janeiro, Brazil. The invitation is open to everybody that wants to attend. This is the first ROMS workshop in South America
The user community in Brazil and South America has increased substantially over the last few years. We are trying to organize the best workshop ever in Brazil. The current plan is to have a three-day regular ROMS Workshop with lectures, oral presentations, and posters. Additionally, we are planning to add a fourth-day to concentrate on
modern observational programs and how they can be combined with models to get the best estimate of the ocean state. We know that the Brazilian scientific and modeling communities are particularly interested in advanced observational systems and modeling techniques.
For further information please check the forum or the Workshop web page:
https://www.myroms.org/forum/viewtopic.php?f=11&t=2560
http://www.myroms.org/index.php?page=events&id=10
Looking forward to see you in Rio...
Organizing Committee,
Dr. Hernan G. Arango, IMCS, Rutgers University, New Brunswick, NJ, USA
Prof. Andrew M. Moore, University California, Santa Cruz, CA, USA
Prof. John L. Wilkin, IMCS, Rutgers University, New Brunswick, NJ, USA
Dr. Carlos E. P. Teixeira, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE,
Brasil
Dr. Maurício da Rocha Fragoso, ProOceano, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Dr. Douglas F. M. Gherardi, INPE, São José dos Campos, Brasil
Dr. Luciano Ponzi Pezzi, INPE, São José dos Campos, Brasil
segunda-feira, 12 de março de 2012
Para evitar que Kiribati 'suma do mapa', governo cogita mudar todo o país para Fiji
Para evitar que o arquipélago de Kiribati, no Oceano Pacífico, literalmente ‘suma do mapa’, o presidente do país, Anote Tong, está considerando deslocar toda a população para a principal ilha de Fiji, Viti Levu. Kiribati tem 103 mil habitantes.
“Não gostaríamos de colocar todo mundo em um pedaço de terra, mas se isso se tornar absolutamente necessário, sim, podemos fazer”, Tong disse à agência Associated Press. “Isso não seria uma medida para mim, pessoalmente, mas para a geração mais nova. Para eles, mudar não seria questão de escolha. Isso vai ser uma questão de sobrevivência”.
As autoridades de Kiribati estão considerando comprar uma área de 6.000 acres (24 km2) colocada à venda por um grupo religioso por cerca de US$ 9,6 milhões.
Fiji, que tem uma população de 850 mil habitantes, fica aproximadamente 2.250 quilômetros ao sul de Kiribati. O governo local está estudando os planos do arquipélago vizinho para se manifestar oficialmente sobre o assunto.
Já o presidente de Kiribati espera a aprovação da compra pelo Parlamento do país – o que está previsto para ocorrer em abril – para discutir a mudança formalmente com as autoridades fijianas.
O governo kiribaitiano já considerou outras opções para contornar o problema, como escorar as ilhas com muros no mar ou mesmo construindo uma ilha artificial flutuante – alternativa considerada muito cara pelas autoridades locais.
O temor é que o aumento do nível do mar por conta do aquecimento global inunde todo o arquipélago, que fica cerca de 4.000 km ao sul do Havaí e tem área total de 811 km2. Quase a totalidade das ilhas de Kiribati são atóis.
Matéria completa neste link.
“Não gostaríamos de colocar todo mundo em um pedaço de terra, mas se isso se tornar absolutamente necessário, sim, podemos fazer”, Tong disse à agência Associated Press. “Isso não seria uma medida para mim, pessoalmente, mas para a geração mais nova. Para eles, mudar não seria questão de escolha. Isso vai ser uma questão de sobrevivência”.
As autoridades de Kiribati estão considerando comprar uma área de 6.000 acres (24 km2) colocada à venda por um grupo religioso por cerca de US$ 9,6 milhões.
Fiji, que tem uma população de 850 mil habitantes, fica aproximadamente 2.250 quilômetros ao sul de Kiribati. O governo local está estudando os planos do arquipélago vizinho para se manifestar oficialmente sobre o assunto.
Já o presidente de Kiribati espera a aprovação da compra pelo Parlamento do país – o que está previsto para ocorrer em abril – para discutir a mudança formalmente com as autoridades fijianas.
O governo kiribaitiano já considerou outras opções para contornar o problema, como escorar as ilhas com muros no mar ou mesmo construindo uma ilha artificial flutuante – alternativa considerada muito cara pelas autoridades locais.
O temor é que o aumento do nível do mar por conta do aquecimento global inunde todo o arquipélago, que fica cerca de 4.000 km ao sul do Havaí e tem área total de 811 km2. Quase a totalidade das ilhas de Kiribati são atóis.
Matéria completa neste link.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Diretrizes nacionais para programa de redução de emissões
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – O Brasil é o único país com condições de colocar em prática um programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD), mecanismo pelo qual nações que reduzem o desmatamento poderiam vender créditos de carbono no mercado internacional. Por conta disso, o governo brasileiro deveria apresentar diretrizes sobre o tema até a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada em junho no Rio de Janeiro.
A análise foi f eita por Paulo Moutinho, diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), durante o “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”. O workshop foi realizado pela FAPESP nos dias 6 e 7 de março em São Paulo.
De acordo com Moutinho, embora a queima de combustíveis fósseis seja a principal responsável pelas emissões de gases-estufa, a forma mais rápida e barata de combater a mudança climática é deter o desmatamento de florestas, principalmente nas regiões tropicais do planeta. “Mas isso não quer dizer que o esforço que Brasil e outras nações estão fazendo para conter a derrubada de árvores tenha de valer pouco”, disse.
O diretor do Ipam foi um dos idealizadores do conceito de “Redução Compensada de Emissões”, que deu origem ao REDD. O argumento é que os países tropicais ajudam a estabilizar o clima do planeta por meio de suas florestas e, assim, os custos para mantê-las em pé devem ser divididos por todos.
A ideia foi apresentada pela primeira vez em 2003, durante a 9ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-9), na Itália. As discussões continuaram nas conferências seguintes. O conceito, que inicialmente focava o desmatamento evitado, passou a englobar ações como degradação florestal evitada, aumento de estoques de carbono e conservação florestal, sendo rebatizado como REDD+.
Mas, até hoje, o mecanismo não foi devidamente regulamentado em nenhum lugar do mundo e, por esse motivo, passou a sofrer o que Moutinho chama de “efeito Saci-Pererê”: todo mundo já ouviu falar, mas ninguém viu.
“Se isso não ocorrer no Brasil, não vai acontecer em nenhum outro lugar do mundo. Vários elementos fazem do país o lugar ideal para colocar esse grande experimento em andamento”, disse.
Segundo dados do Ipam, o Brasil está entre os cinco maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa. Mais de 60% das emissões brasileiras são resultantes de mudanças de uso do solo e desmatamento. Indonésia e Congo seriam os dois outros países tropicais com “desmatamento a ser tratado”, mas não têm as mesmas condições favoráveis do Brasil.
O país, de acordo com Moutinho, avançou muito ao criar a Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e estabelecer metas para a redução do desmatamento até 2020.
“Além disso, temos o Fundo Amazônia, um bom sistema de monitoramento, 185 bilhões de hectares de áreas protegidas – que abrigam 26 bilhões de toneladas de carbono, uma sociedade organizada, uma comunidade científica de excelência e uma governança crescente”, disse.
Entre os obstáculos mencionados por Moutinho está o fato de que os grandes projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não têm salvaguardas ambientais explícitas. Ele cita também a demanda crescente por commodities como bioetanol e soja, os assentamentos florestais e a flexibilização da legislação ambiental, que pode ocorrer se for aprovado o novo Código Florestal.
Estratégia regulamentada
O Estado do Acre, segundo Moutinho, possui o programa de REDD mais avançado do mundo. “Outros estados amazônicos e também do Sudeste, como São Paulo, têm feito esforços para reduzir suas emissões por desmatamento. Mas falta uma estratégia nacional”, ressaltou.
Para o diretor do Ipam, se não houver uma legislação federal que articule as estratégias estaduais, a instabilidade afastará os investidores internacionais. “Se cada programa tiver uma lógica diferente e sua própria forma de calcular as emissões, o investidor não vai saber o que está comprando. Até a RIO+20 o governo teria de dar diretrizes mais claras do que ele quer realmente implantar em âmbito nacional”, disse.
Regulamentar uma estratégia de REDD, de acordo com Moutinho, é a grande oportunidade de mudar a lógica de produção e estimular uma economia de baixo carbono. “Não precisa deixar de produzir. É possível aumentar a produtividade em áreas menores e ainda ganhar dinheiro pela floresta que ficou em pé”, disse.
A princípio, seria possível colocar isso em prática mesmo sem auxílio internacional, contando com recursos de isenção fiscal e fundos de compensação ambiental. “Mas a remuneração externa é importante, pois o mundo tem de reconhecer o esforço do Brasil em proteger a floresta”, disse Moutinho.
Agência FAPESP – O Brasil é o único país com condições de colocar em prática um programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD), mecanismo pelo qual nações que reduzem o desmatamento poderiam vender créditos de carbono no mercado internacional. Por conta disso, o governo brasileiro deveria apresentar diretrizes sobre o tema até a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada em junho no Rio de Janeiro.
A análise foi f eita por Paulo Moutinho, diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), durante o “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”. O workshop foi realizado pela FAPESP nos dias 6 e 7 de março em São Paulo.
De acordo com Moutinho, embora a queima de combustíveis fósseis seja a principal responsável pelas emissões de gases-estufa, a forma mais rápida e barata de combater a mudança climática é deter o desmatamento de florestas, principalmente nas regiões tropicais do planeta. “Mas isso não quer dizer que o esforço que Brasil e outras nações estão fazendo para conter a derrubada de árvores tenha de valer pouco”, disse.
O diretor do Ipam foi um dos idealizadores do conceito de “Redução Compensada de Emissões”, que deu origem ao REDD. O argumento é que os países tropicais ajudam a estabilizar o clima do planeta por meio de suas florestas e, assim, os custos para mantê-las em pé devem ser divididos por todos.
A ideia foi apresentada pela primeira vez em 2003, durante a 9ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-9), na Itália. As discussões continuaram nas conferências seguintes. O conceito, que inicialmente focava o desmatamento evitado, passou a englobar ações como degradação florestal evitada, aumento de estoques de carbono e conservação florestal, sendo rebatizado como REDD+.
Mas, até hoje, o mecanismo não foi devidamente regulamentado em nenhum lugar do mundo e, por esse motivo, passou a sofrer o que Moutinho chama de “efeito Saci-Pererê”: todo mundo já ouviu falar, mas ninguém viu.
“Se isso não ocorrer no Brasil, não vai acontecer em nenhum outro lugar do mundo. Vários elementos fazem do país o lugar ideal para colocar esse grande experimento em andamento”, disse.
Segundo dados do Ipam, o Brasil está entre os cinco maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa. Mais de 60% das emissões brasileiras são resultantes de mudanças de uso do solo e desmatamento. Indonésia e Congo seriam os dois outros países tropicais com “desmatamento a ser tratado”, mas não têm as mesmas condições favoráveis do Brasil.
O país, de acordo com Moutinho, avançou muito ao criar a Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e estabelecer metas para a redução do desmatamento até 2020.
“Além disso, temos o Fundo Amazônia, um bom sistema de monitoramento, 185 bilhões de hectares de áreas protegidas – que abrigam 26 bilhões de toneladas de carbono, uma sociedade organizada, uma comunidade científica de excelência e uma governança crescente”, disse.
Entre os obstáculos mencionados por Moutinho está o fato de que os grandes projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não têm salvaguardas ambientais explícitas. Ele cita também a demanda crescente por commodities como bioetanol e soja, os assentamentos florestais e a flexibilização da legislação ambiental, que pode ocorrer se for aprovado o novo Código Florestal.
Estratégia regulamentada
O Estado do Acre, segundo Moutinho, possui o programa de REDD mais avançado do mundo. “Outros estados amazônicos e também do Sudeste, como São Paulo, têm feito esforços para reduzir suas emissões por desmatamento. Mas falta uma estratégia nacional”, ressaltou.
Para o diretor do Ipam, se não houver uma legislação federal que articule as estratégias estaduais, a instabilidade afastará os investidores internacionais. “Se cada programa tiver uma lógica diferente e sua própria forma de calcular as emissões, o investidor não vai saber o que está comprando. Até a RIO+20 o governo teria de dar diretrizes mais claras do que ele quer realmente implantar em âmbito nacional”, disse.
Regulamentar uma estratégia de REDD, de acordo com Moutinho, é a grande oportunidade de mudar a lógica de produção e estimular uma economia de baixo carbono. “Não precisa deixar de produzir. É possível aumentar a produtividade em áreas menores e ainda ganhar dinheiro pela floresta que ficou em pé”, disse.
A princípio, seria possível colocar isso em prática mesmo sem auxílio internacional, contando com recursos de isenção fiscal e fundos de compensação ambiental. “Mas a remuneração externa é importante, pois o mundo tem de reconhecer o esforço do Brasil em proteger a floresta”, disse Moutinho.
Mais destaque para os oceanos nas discussões ambientais
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Os oceanos precisam passar a ganhar mais destaque na agenda de discussões dos fóruns ambientais internacionais, como a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.
A reivindicação foi feita por pesquisadores da área de oceanografia durante o workshop preparativo para a RIO+20 “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”, realizado pela FAPESP nos dias 6 e 7 de março no Espaço Apas, em São Paulo.
O objetivo do evento foi contribuir para as discussões sobre tópicos que estarão em pauta durante a RIO+20 a partir de pesquisas realizadas no Brasil sobre clima, biodiversidade, meio ambiente e energia, entre outros temas, no âmbito dos programas BIOTA-FAPESP, FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e FAPESP de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).
Na avaliação de cientistas presentes no encontro, é preciso que a questão dos oceanos, que tem sido sistematicamente subestimada nas discussões ambientais, passe a ganhar maior relevância a partir da RIO+20.
“Até o momento, os oceanos têm aparecido de maneira secundária na agenda ambiental e na agenda dos países, em parte pela falta de informações sobre eles. A expectativa da comunidade científica é que eles sejam contemplados de forma mais efetiva a partir da RIO+20”, disse José Henrique Muelbert, professor da Universidade Federal do Rio Grande, à Agência FAPESP.
Na opinião do cientista, apesar de os oceanos e ambientes marinhos em geral terem merecido mais de dez parágrafos no documento preparatório da RIO+20 – mais conhecido como Zero Draft –, a agenda de discussões sobre o tema na Conferência ainda está um pouco tímida.
“Existem muitos aspectos relacionados aos oceanos que ficaram de fora da agenda da conferência, e o principal é a questão da observação dos oceanos, principalmente em ambientes costeiros, onde existe uma grande relação entre a ocupação humana e os ambientes oceânicos”, avaliou Muelbert.
De acordo com o pesquisador, um dos poucos itens relacionados aos ambientes marinhos mencionados no Zero Draft diz respeito à necessidade de implantar um sistema de observação para acidificação dos oceanos.
Observado a partir da década de 1990, o fenômeno caracterizado pelo aumento na acidez da água do mar devido ao aumento de CO2 nos oceanos acelera a dissolução do carbonato de cálcio e da aragonita presentes na composição do esqueleto e exoesqueleto de muito organismos que vivem nos oceanos, como mariscos, mexilhões e ostras, que perderão suas capacidades de formar carapaças.
Em função disso, o fenômeno poderá causar o desaparecimento dessas espécies, além de outras muito importantes para os ecossistemas aquáticos, como corais e plânctons, que são fontes de alimentos de peixes e baleias e realizam fotossíntese.
“Alguns estudos recentes demonstraram que alguns oceanos, em especial o Atlântico e o Índico, vão ter uma variabilidade muito grande da taxa de pH”, disse Muelbert.
Segundo Muelbert, além da diminuição da biodiversidade marinha, outros impactos que poderão ser causados pela acidificação dos oceanos serão nas propriedades óticas e na temperatura dos mares.
Com a dissolução das carapaças dos organismos marinhos, provocada pela diminuição do pH da água do mar, os pesquisadores estimam que ocorrerá um aumento significativo da quantidade de carbonato em suspensão. Como consequência desse processo, o fundo dos oceanos poderá se tornar mais escuro e a capacidade de as plantas realizar fotossíntese e crescer nesse ambiente aquático poderá ficar restrita à superfície.
“Isso também poderá ter interferência na transferência de calor entre a coluna d’água dos oceanos e a atmosfera. A presença de mais elementos em suspensão no mar fará com que ele reflita mais luz”, explicou Muelbert.
Carência de informações
Na avaliação do professor da Universidade Federal do Rio Grande, é preciso obter muito mais informações do que as disponíveis hoje para acompanhar e gerenciar os problemas relacionados em parte às mudanças climáticas globais que estão afetando os oceanos.
Segundo Muelbert, é necessário obter mais dados meteorológicos de séries temporais de 20 a 30 anos, por exemplo, que permitam aos pesquisadores da área analisar as modificações que estão ocorrendo nos oceanos a longo prazo.
“Não sabemos praticamente nada sobre o centro dos oceanos. Já em relação às regiões costeiras, onde ocorrem os maiores impactos e são mais fáceis de pesquisar, temos uma boa quantidade de informações, principalmente sobre biodiversidade”, comparou.
Nesse sentido, Muelbert avalia como louvável a iniciativa da FAPESP de financiar a aquisição de um navio oceanográfico que permitirá obter mais dados sobre áreas oceânicas. “O navio possibilitará ao Brasil atuar mais nessas regiões, das quais não dispomos de muitas informações”, afirmou.
Agência FAPESP – Os oceanos precisam passar a ganhar mais destaque na agenda de discussões dos fóruns ambientais internacionais, como a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.
A reivindicação foi feita por pesquisadores da área de oceanografia durante o workshop preparativo para a RIO+20 “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”, realizado pela FAPESP nos dias 6 e 7 de março no Espaço Apas, em São Paulo.
O objetivo do evento foi contribuir para as discussões sobre tópicos que estarão em pauta durante a RIO+20 a partir de pesquisas realizadas no Brasil sobre clima, biodiversidade, meio ambiente e energia, entre outros temas, no âmbito dos programas BIOTA-FAPESP, FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e FAPESP de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).
Na avaliação de cientistas presentes no encontro, é preciso que a questão dos oceanos, que tem sido sistematicamente subestimada nas discussões ambientais, passe a ganhar maior relevância a partir da RIO+20.
“Até o momento, os oceanos têm aparecido de maneira secundária na agenda ambiental e na agenda dos países, em parte pela falta de informações sobre eles. A expectativa da comunidade científica é que eles sejam contemplados de forma mais efetiva a partir da RIO+20”, disse José Henrique Muelbert, professor da Universidade Federal do Rio Grande, à Agência FAPESP.
Na opinião do cientista, apesar de os oceanos e ambientes marinhos em geral terem merecido mais de dez parágrafos no documento preparatório da RIO+20 – mais conhecido como Zero Draft –, a agenda de discussões sobre o tema na Conferência ainda está um pouco tímida.
“Existem muitos aspectos relacionados aos oceanos que ficaram de fora da agenda da conferência, e o principal é a questão da observação dos oceanos, principalmente em ambientes costeiros, onde existe uma grande relação entre a ocupação humana e os ambientes oceânicos”, avaliou Muelbert.
De acordo com o pesquisador, um dos poucos itens relacionados aos ambientes marinhos mencionados no Zero Draft diz respeito à necessidade de implantar um sistema de observação para acidificação dos oceanos.
Observado a partir da década de 1990, o fenômeno caracterizado pelo aumento na acidez da água do mar devido ao aumento de CO2 nos oceanos acelera a dissolução do carbonato de cálcio e da aragonita presentes na composição do esqueleto e exoesqueleto de muito organismos que vivem nos oceanos, como mariscos, mexilhões e ostras, que perderão suas capacidades de formar carapaças.
Em função disso, o fenômeno poderá causar o desaparecimento dessas espécies, além de outras muito importantes para os ecossistemas aquáticos, como corais e plânctons, que são fontes de alimentos de peixes e baleias e realizam fotossíntese.
“Alguns estudos recentes demonstraram que alguns oceanos, em especial o Atlântico e o Índico, vão ter uma variabilidade muito grande da taxa de pH”, disse Muelbert.
Segundo Muelbert, além da diminuição da biodiversidade marinha, outros impactos que poderão ser causados pela acidificação dos oceanos serão nas propriedades óticas e na temperatura dos mares.
Com a dissolução das carapaças dos organismos marinhos, provocada pela diminuição do pH da água do mar, os pesquisadores estimam que ocorrerá um aumento significativo da quantidade de carbonato em suspensão. Como consequência desse processo, o fundo dos oceanos poderá se tornar mais escuro e a capacidade de as plantas realizar fotossíntese e crescer nesse ambiente aquático poderá ficar restrita à superfície.
“Isso também poderá ter interferência na transferência de calor entre a coluna d’água dos oceanos e a atmosfera. A presença de mais elementos em suspensão no mar fará com que ele reflita mais luz”, explicou Muelbert.
Carência de informações
Na avaliação do professor da Universidade Federal do Rio Grande, é preciso obter muito mais informações do que as disponíveis hoje para acompanhar e gerenciar os problemas relacionados em parte às mudanças climáticas globais que estão afetando os oceanos.
Segundo Muelbert, é necessário obter mais dados meteorológicos de séries temporais de 20 a 30 anos, por exemplo, que permitam aos pesquisadores da área analisar as modificações que estão ocorrendo nos oceanos a longo prazo.
“Não sabemos praticamente nada sobre o centro dos oceanos. Já em relação às regiões costeiras, onde ocorrem os maiores impactos e são mais fáceis de pesquisar, temos uma boa quantidade de informações, principalmente sobre biodiversidade”, comparou.
Nesse sentido, Muelbert avalia como louvável a iniciativa da FAPESP de financiar a aquisição de um navio oceanográfico que permitirá obter mais dados sobre áreas oceânicas. “O navio possibilitará ao Brasil atuar mais nessas regiões, das quais não dispomos de muitas informações”, afirmou.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Nota à imprensa - reunião sobre a continuidade das pesquisas na Antártica
01/03/2012 - 18:58
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação esteve reunido, nesta data, com grupo de dez pesquisadores associados ao Programa Antártico Brasileiro, oriundos de várias instituições de pesquisa nacionais, com o propósito de efetuar um balanço sobre as pesquisas antárticas realizadas por instituições brasileiras, particularmente os projetos que vêm sendo executados a partir da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), e avaliar o que precisa ser feito para garantir a continuidade dos projetos de pesquisa na Antártica. Os cientistas relataram, em balanço preliminar efetuado, que estão preservados, e sem risco de descontinuidade, 60% dos projetos em execução na região antártica. Destacam-se as investigações executadas nos navios polares brasileiros, em acampamentos remotos e a partir do verão de 2011/2012 no módulo científico Criosfera (2.500 quilômetros ao sul da Estação Ferraz). Dentre os 40% de projetos de pesquisa atingidos pelo incêndio, foram mais prejudicados os estudos de biologia marinha.
Foram sugeridas pelos cientistas ações emergenciais, a serem adotadas em curto e médio-prazos:
1. Inicialmente, será feito levantamento sobre a capacidade de se manter operacionais aqueles projetos que são realizados nas proximidades da Estação, colocando em funcionamento os módulos que foram preservados do acidente. A Secretaria da CIRM oferecerá a possibilidade de embarque de pesquisadores no próximo voo de apoio da FAB, quando esses projetos, provavelmente, serão reativados, minimizando o período sem coleta de dados.
2. Será também elaborado inventário sobre todos os equipamentos que foram perdidos no incêndio da EACF, buscando garantir a sua pronta reposição.
3. Foi recomendado que o Navio Polar Alte. Maximiano permaneça dedicado a apoiar as pesquisas oceanográficas que se desenvolvem em áreas mais distantes da Baía do Almirantado e da EACF. Adicionalmente, está em estudo a possibilidade de arrendamento de uma terceira plataforma flutuante para apoiar a pesquisa originalmente realizada a partir da Estação.
4. A comunidade científica nacional, amparada pelas manifestações de solidariedade já demonstradas por instituições de outros países com os quais o Brasil tem sólida cooperação na Antártica, buscará viabilizar atividades conjuntas em estações estrangeiras, durante o tempo de reconstrução da EACF.
Decidiu-se também criar um grupo de trabalho composto de cientistas engajados no Proantar, para as especificações técnicas que embasarão o novo projeto arquitetônico para a futura Estação Ferraz, levando em conta o estado-da-arte de construções polares modernas e obedecendo aos princípios de sustentabilidade e de energia limpa vigentes.
O MCTI detalhará nos próximos dias, com apoio da comunidade científica, as demandas acima elencadas, avaliando viabilidade de execução e custos.
Fonte: Portal do MCTI.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Nota do INPE sobre o acidente em Ferraz
Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
Com forte atuação no Programa Antártico Brasileiro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) lamenta profundamente o acidente na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) e se solidariza aos familiares dos dois militares que foram vítimas da tragédia, bem como a todos os envolvidos no PROANTAR.
No momento do acidente, estavam na EACF dois profissionais do INPE. José Roberto Chagas, da Divisão de Geofísica Espacial, e José Valentin Bageston, da Divisão de Aeronomia, estavam na Antártica desde o dia 10 de fevereiro e tinham retorno previsto para o início de março. Eles estão bem e desembarcaram no Rio de Janeiro na madrugada desta segunda-feira, com o grupo trazido de Punta Arenas, Chile, em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Ainda hoje ambos devem chegar a São José dos Campos.
Segundo relatos dos técnicos, logo que foram detectadas as chamas na Casa das Máquinas o Grupo Base da Marinha, responsável pela manutenção da EACF, orientou que se deixasse imediatamente a Estação, seguindo as instruções do treinamento que todos recebem rotineiramente para atuar em Ferraz. Até serem levados para a base chilena Eduardo Frei, os técnicos do INPE aguardaram no módulo utilizado para pesquisas na área de Ozônio. Outros pesquisadores foram para o módulo Meteoro, que também abriga instalações do instituto.
Nenhum dos laboratórios do INPE foi atingido pelo incêndio. Os dois mais próximos da estação são os módulos de Ozônio e o Meteoro. Já o módulo Ionosfera fica a aproximadamente 300 metros da estação, enquanto o módulo da Alta Atmosfera, onde estão um radar e instrumentos ópticos, está a cerca de um quilômetro de distância.
Estavam em andamento atividades que preparam as instalações para enfrentar o próximo inverno. Com o acidente, não foi possível tomar nenhuma ação para proteger os equipamentos. Os pesquisadores agora avaliam o retorno à Ferraz para evitar danos à instrumentação, que está sem energia, e dar prosseguimento aos projetos de pesquisas.
Projetos
O INPE possui três projetos na EACF. Sob a coordenação da Dra. Neusa Paes Leme, o primeiro é denominado “A Atmosfera Antártica e Conexões com a América do Sul”. Vinculado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), o projeto mantém atividades nos seguintes temas: Alta Atmosfera Neutra, Monitoramento da Ionosfera, Ozônio e Radiação UV, Meteorologia e Gases Minoritários.
O segundo é o “ATMANTAR”, que reúne ações em continuidade aos projetos do Ano Polar Internacional, também coordenado pela Dra. Neusa Paes Leme. E o terceiro é chamado “Monitoramento da alta atmosfera na região Antártica e na América do Sul”, que tem como coordenadora a Dra. Emilia Correia. Os projetos são realizados em colaboração com outras instituições nacionais e estrangeiras.
Além dos projetos baseados na EACF, o INPE realiza atividades no âmbito do PROANTAR com o apoio de navios oceanográficos e, desde janeiro, conta com o módulo Criosfera, instalado no interior do continente (na latitude 85°S, a cerca de 500 quilômetros do Pólo Sul geográfico – já a Estação Ferraz, inaugurada há 28 anos, está localizada na latitude 62°S, na borda do continente).
O INPE conduz pesquisas na região desde o início do Programa Antártico Brasileiro, há 30 anos, com estudos sobre a dinâmica da atmosfera, a camada de ozônio, meteorologia, gases do efeito estufa, a radiação ultravioleta, a relação sol-terra, o transporte de poluição, oceanografia e interação oceano-atmosfera.
No momento do acidente, estavam na EACF dois profissionais do INPE. José Roberto Chagas, da Divisão de Geofísica Espacial, e José Valentin Bageston, da Divisão de Aeronomia, estavam na Antártica desde o dia 10 de fevereiro e tinham retorno previsto para o início de março. Eles estão bem e desembarcaram no Rio de Janeiro na madrugada desta segunda-feira, com o grupo trazido de Punta Arenas, Chile, em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Ainda hoje ambos devem chegar a São José dos Campos.
Segundo relatos dos técnicos, logo que foram detectadas as chamas na Casa das Máquinas o Grupo Base da Marinha, responsável pela manutenção da EACF, orientou que se deixasse imediatamente a Estação, seguindo as instruções do treinamento que todos recebem rotineiramente para atuar em Ferraz. Até serem levados para a base chilena Eduardo Frei, os técnicos do INPE aguardaram no módulo utilizado para pesquisas na área de Ozônio. Outros pesquisadores foram para o módulo Meteoro, que também abriga instalações do instituto.
Nenhum dos laboratórios do INPE foi atingido pelo incêndio. Os dois mais próximos da estação são os módulos de Ozônio e o Meteoro. Já o módulo Ionosfera fica a aproximadamente 300 metros da estação, enquanto o módulo da Alta Atmosfera, onde estão um radar e instrumentos ópticos, está a cerca de um quilômetro de distância.
Estavam em andamento atividades que preparam as instalações para enfrentar o próximo inverno. Com o acidente, não foi possível tomar nenhuma ação para proteger os equipamentos. Os pesquisadores agora avaliam o retorno à Ferraz para evitar danos à instrumentação, que está sem energia, e dar prosseguimento aos projetos de pesquisas.
Projetos
O INPE possui três projetos na EACF. Sob a coordenação da Dra. Neusa Paes Leme, o primeiro é denominado “A Atmosfera Antártica e Conexões com a América do Sul”. Vinculado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), o projeto mantém atividades nos seguintes temas: Alta Atmosfera Neutra, Monitoramento da Ionosfera, Ozônio e Radiação UV, Meteorologia e Gases Minoritários.
O segundo é o “ATMANTAR”, que reúne ações em continuidade aos projetos do Ano Polar Internacional, também coordenado pela Dra. Neusa Paes Leme. E o terceiro é chamado “Monitoramento da alta atmosfera na região Antártica e na América do Sul”, que tem como coordenadora a Dra. Emilia Correia. Os projetos são realizados em colaboração com outras instituições nacionais e estrangeiras.
Além dos projetos baseados na EACF, o INPE realiza atividades no âmbito do PROANTAR com o apoio de navios oceanográficos e, desde janeiro, conta com o módulo Criosfera, instalado no interior do continente (na latitude 85°S, a cerca de 500 quilômetros do Pólo Sul geográfico – já a Estação Ferraz, inaugurada há 28 anos, está localizada na latitude 62°S, na borda do continente).
O INPE conduz pesquisas na região desde o início do Programa Antártico Brasileiro, há 30 anos, com estudos sobre a dinâmica da atmosfera, a camada de ozônio, meteorologia, gases do efeito estufa, a radiação ultravioleta, a relação sol-terra, o transporte de poluição, oceanografia e interação oceano-atmosfera.
Fonte: Portal de notícias do INPE.
Nota do Blog
Nota do Blog
A Dra. Neusa Paes Leme, que faz parte do PPGCC-UFRN atuando no INPE-CRN, deveria iniciar atividades de pesquisa no domingo passado na EACF. Recentemente, entre janeiro e fevereiro deste ano, o Dr. José Henrique Fernandez, docente da ECT-UFRN e membro do PPGCC, esteve realizando atividades de pesquisas nessa estação.
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