sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Brasileiros lideram ranking de preocupação com mudanças climáticas

Pesquisa mostra que população de China e EUA têm níveis de apreensão inferiores à mediana global

A grande maioria de pessoas entrevistadas em 40 países dos cinco continentes é favorável a que seus governos assumam compromissos de redução da emissão de gases que provocam efeito estufa na Conferência do Clima marcada para Paris em dezembro, revela levantamento do Pew Research Center, um dos mais respeitados institutos de pesquisa do mundo.

Veja o texto na íntegra:  Época Negócios

Leia também:
O Globo Online – Brasil é o país mais preocupado com o clima, diz pesquisa
O Estado de S. Paulo - 2/3 apostam em transformação de estilo de vida contra efeito da mudança climática

Via JC Online



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

NASA Mission Reveals Speed of Solar Wind Stripping Martian Atmosphere

NASA’s Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN) mission has identified the process that appears to have played a key role in the transition of the Martian climate from an early, warm and wet environment that might have supported surface life to the cold, arid planet Mars is today.
MAVEN data have enabled researchers to determine the rate at which the Martian atmosphere currently is losing gas to space via stripping by the solar wind. The findings reveal that the erosion of Mars’ atmosphere increases significantly during solar storms. The scientific results from the mission appear in the Nov. 5 issues of the journals Science and Geophysical Research Letters.
“Mars appears to have had a thick atmosphere warm enough to support liquid water which is a key ingredient and medium for life as we currently know it,” said John Grunsfeld, astronaut and associate administrator for the NASA Science Mission Directorate in Washington. “Understanding what happened to the Mars atmosphere will inform our knowledge of the dynamics and evolution of any planetary atmosphere. Learning what can cause changes to a planet’s environment from one that could host microbes at the surface to one that doesn’t is important to know, and is a key question that is being addressed in NASA’s journey to Mars.”
MAVEN measurements indicate that the solar wind strips away gas at a rate of about 100 grams (equivalent to roughly 1/4 pound) every second. "Like the theft of a few coins from a cash register every day, the loss becomes significant over time," said Bruce Jakosky, MAVEN principal investigator at the University of Colorado, Boulder. "We've seen that the atmospheric erosion increases significantly during solar storms, so we think the loss rate was much higher billions of years ago when the sun was young and more active.”
In addition, a series of dramatic solar storms hit Mars’ atmosphere in March 2015, and MAVEN found that the loss was accelerated. The combination of greater loss rates and increased solar storms in the past suggests that loss of atmosphere to space was likely a major process in changing the Martian climate.
The solar wind is a stream of particles, mainly protons and electrons, flowing from the sun's atmosphere at a speed of about one million miles per hour. The magnetic field carried by the solar wind as it flows past Mars can generate an electric field, much as a turbine on Earth can be used to generate electricity. This electric field accelerates electrically charged gas atoms, called ions, in Mars’ upper atmosphere and shoots them into space.
MAVEN has been examining how solar wind and ultraviolet light strip gas from of the top of the planet's atmosphere. New results indicate that the loss is experienced in three different regions of the Red Planet: down the "tail," where the solar wind flows behind Mars, above the Martian poles in a "polar plume," and from an extended cloud of gas surrounding Mars. The science team determined that almost 75 percent of the escaping ions come from the tail region, and nearly 25 percent are from the plume region, with just a minor contribution from the extended cloud.

Ancient regions on Mars bear signs of abundant water – such as features resembling valleys carved by rivers and mineral deposits that only form in the presence of liquid water. These features have led scientists to think that billions of years ago, the atmosphere of Mars was much denser and warm enough to form rivers, lakes and perhaps even oceans of liquid water.
Recently, researchers using NASA's Mars Reconnaissance Orbiter observed the seasonal appearance of hydrated salts indicating briny liquid water on Mars. However, the current Martian atmosphere is far too cold and thin to support long-lived or extensive amounts of liquid water on the planet's surface.
"Solar-wind erosion is an important mechanism for atmospheric loss, and was important enough to account for significant change in the Martian climate,” said Joe Grebowsky, MAVEN project scientist from NASA’s Goddard Space Flight Center in Greenbelt, Maryland. “MAVEN also is studying other loss processes -- such as loss due to impact of ions or escape of hydrogen atoms -- and these will only increase the importance of atmospheric escape.”
The goal of NASA's MAVEN mission, launched to Mars in November 2013, is to determine how much of the planet's atmosphere and water have been lost to space. It is the first such mission devoted to understanding how the sun might have influenced atmospheric changes on the Red Planet. MAVEN has been operating at Mars for just over a year and will complete its primary science mission on Nov. 16.
To view an animation simulating the loss of atmosphere and water on Mars:
For more information and images on Mars’ lost atmosphere, visit:
For more information about NASA’s MAVEN mission, visit:
-end-
Dwayne Brown / Laurie Cantillo
Headquarters, Washington
202-358-1726 / 202-358-1077
dwayne.c.brown@nasa.gov / laura.l.cantillo@nasa.gov
Nancy Neal-Jones / Bill Steigerwald
Goddard Space Flight Center, Greenbelt, Md.
301-286-0039 / 301-286-5017
nancy.n.jones@nasa.gov / william.a.steigerwald@nasa.gov
Jim Scott
University of Colorado, Boulder
303-492-3114
jim.scott@colorado.edu
 
Last Updated: Nov. 5, 2015
Editor: Karen Northon
 

NASA: Atmosfera de Marte foi "arrancada" por ventos solares

A atmosfera de Marte pode ter desaparecido por ação de ventos solares, que atingiram com força o planeta vermelho, o que explicaria o motivo de ter perdido a água que uma vez cobriu o hemisfério norte, informou a Nasa (Agência Espacial dos Estados Unidos) nesta quinta-feira (5). O anúncio foi feito graças aos dados colhidos pela missão Maven (Mars Atmosphere and Volatile Evolution), em que sondas foram enviadas para lá.
De acordo com análises dos cientistas, as tempestades solares foram as responsáveis por transformar o clima do planeta vermelho, de um ambiente quente e propício para existência de vida, para um local frio e com características de deserto.
O que aconteceu, segundo a Nasa, foi que a atmosfera de Marte foi atacada por ventos solares e teve partículas "arrancadas", prejudicando sua proteção e afetando diretamente a mudança climática.
"Para explicar de maneira bem simples, o que houve pode ser comparado com o momento em que saímos do banho e o vento tira as gotas de água do nosso cabelo. Os ventos solares varreram parte das partículas da atmosfera de Marte", explicou o professor Bruce Jakosky, investigador do principal laboratório de física atmosférica e espacial da Universidade do Colorado, nos EUA.
Os pesquisadores afirmam que a perda de gás na atmosfera do planeta vermelho continua acontecendo, mas atualmente em taxas menores do que no início de sua formação.
"Pela primeira vez temos como explicar a evolução de Marte, como antigamente a atmosfera conseguia reter água líquida por ser mais densa, e como foi fragilizada. O processo começou quando o Sol estava muito ativo e o planeta em formação, vulnerável, por isso as mudanças climáticas foram enormes. Hoje o fenômeno segue, mas lentamente. Para a atmosfera sumir por completo pode levar alguns bilhões de anos", afirmou Jakosky.
As medições indicam que os ventos solares são capazes de "varrer" os gases da atmosfera marciana com uma velocidade de 100 gramas por segundo.
Os dados da missão mostram também que quando as tempestades solares bombardeiam Marte, as partículas da atmosfera se perdem até 20 vezes mais rápido do que normalmente ocorre, o que levou os cientistas a acreditarem que Marte já teve uma atmosfera tão densa quanto a Terra, ou até mais.
Por não ter campo magnético, os gases na superfície do planeta sofrem mais a ação do Sol, ou seja, perde-se muita matéria com a passagem dessas "rajadas" provocadas pelas explosões solares. Os estudos mostram que essa perda é maior do que se imaginava.
O que se sabe atualmente sobre a atmosfera marciana é que é bem diferente da Terra, sendo composta principalmente por dióxido de carbono (95,3%) e com pequenas porções de outros gases, como nitrogênio, argônio, neon e oxigênio.
"Isso dá indícios sobre a história de Marte e ajuda a compor a ideia de como era o planeta, que tem 4,6 bilhões de anos", diz Enos Picazzio, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG - USP). Com o enfraquecimento do magnetismo marciano, a magnetosfera do planeta perdeu intensidade e a atmosfera de Marte ficou mais exposta à ação do vento solar e das "rajadas" decorrentes das explosões solares.

Paula Moura - Colaboração para o UOL
Leia matéria completa no Portal UOL

SBPC e ABC publicam carta aberta sobre os retrocessos do novo Código Florestal

Entidades afirmam que durante a formulação da lei, elas aportaram contribuições críticas ao debate

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) publicam carta aberta sobre os retrocessos da Lei 12.651/2012, conhecida como o novo Código Florestal. No documento, as instituições afirmam que durante o processo de formulação da lei,  elas aportaram contribuições críticas ao debate, com “fundamentações científicas, tecnológicas, econômicas, sociais e ambientais sólidas que poderiam ter sido usadas para se construir um Código Florestal mais inovador e atual, o que lamentavelmente não aconteceu”. No entendimento da SBPC e da ABC, alguns retrocessos foram mantidos, mas “a discussão, pautada pela disputa ‘ambientalistas versus ruralistas’, perdeu o foco”.
Veja aqui o documento na íntegra.

SBPC via JC Online

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Dados da Nasa mostram que seca no Brasil é pior do que se pensava

Novos dados de satélite mostram que a seca no Brasil é pior do que se pensava, com o Sudeste perdendo 56 trilhões de litros de água em cada um dos últimos três anos, disse um cientista da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) nesta sexta-feira (30).
A pior seca do país nos últimos 35 anos também tem levado o Nordeste brasileiro, região maior, mas menos povoada, a perder 49 trilhões de litros de água a cada ano nos últimos três anos, comparando com os níveis normais, afirmou o hidrólogo da Nasa, Augusto Getirana.
"Os brasileiros estão bastante conscientes da seca, dado o racionamento de água, blecautes e reservatórios vazios em partes do país, mas esse é o primeiro estudo que documenta exatamente a quantidade de água que tem desaparecido dos lençóis de água e reservatórios", disse Getirana.
"É muito maior do que eu imaginava", disse Getirana à Thomson Reuters Foundation. "Com as mudanças climáticas, isso vai acontecer com mais e mais frequência."
O sistema da Cantareira, que fornece água para 8,8 milhões de moradores de São Paulo, tinha, por exemplo, menos de 11 por cento da sua capacidade no ano passado, segundo autoridades locais.
A pesquisa de Getirana, publicada nesta semana no Journal of Hydrometeorology, tem como base 13 anos de informações dos satélites Recuperação da Gravidade e Experimento Climático (Grace, na sigla em inglês) da Nasa, que circulam a Terra detectando mudanças no campo de gravidade causadas pelos movimentos da água no planeta.
O país não tem uma falta de água absoluta, afirmou o pesquisador. O problema é que as regiões muito povoadas, particularmente o Sudeste, dependem de aquíferos e reservatórios locais, que não estão sendo reabastecidos devido à seca.
Teoricamente, a água pode ser transportada de outras partes do país para cidades afetadas, disse ele, mas os custos financeiros e logísticos seriam enormes.
As novas informações de satélite devem representar um chamado de alerta para os políticos gerenciarem melhor a água e atuarem em relação às mudanças climáticas para lidar com a crise, declarou Getirana.
Os dados não permitem que os pesquisadores façam previsões de quanto tempo a seca vai durar, disse ele, acrescentando que os níveis de água continuaram a cair nos últimos meses.

Reportagem de Chris Arsenault para agência Reuters via BrasilPost

terça-feira, 3 de novembro de 2015

País poderá viver drama climático em 2040

Em 25 anos, Brasil conviverá com calor extremo, falta d’água e de energia, queda na produção agropecuária, doenças e prejuízos por ressacas, sugere o maior estudo já feito sobre impactos do clima

Daqui a apenas 25 anos, no tempo de vida da maior parte dos leitores deste texto, o Brasil poderá ter seu cotidiano e sua economia transformados – para pior – pela mudança do clima. Secas violentas impedirão o parque hidrelétrico de gerar energia para atender à população e tornarão fúteis investimentos bilionários em barragens na Amazônia. Culturas como a soja poderão ter redução de até 39% em sua área. A elevação do nível do mar deixará exposto a alto risco de destruição um patrimônio imobiliário de até R$ 124 bilhões apenas na cidade do Rio de Janeiro. Mais idosos morrerão por ondas de calor, especialmente no Norte e no Nordeste.
As más notícias vêm do maior estudo já realizado sobre impactos da mudança climática no Brasil. Trata-se do “Brasil 2040 – Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas”, encomendado pela Secretaria de Estudos Estratégicos da Presidência da República a diversos grupos de pesquisa do País e divulgado nesta quinta-feira (29/10), sem alarde, na página do extinto ministério na internet. O Ministério do Meio Ambiente, que herdara o estudo após a demissão de seus idealizadores pela SAE em março, se preparava para publicá-lo nos próximos dias.
O trabalho busca entender como o clima poderá variar no Brasil nos próximos 25, 55 e 85 anos, de forma a embasar políticas públicas de adaptação em cinco grandes áreas: saúde, recursos hídricos, energia, agricultura e infraestrutura (costeira e de transportes).
Os cenários para os diversos setores foram construídos a partir de dois modelos climáticos globais usados pelo IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, e regionalizados para o Brasil pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Esses modelos são grandes simulações da Terra, onde são incluídas variáveis como vento, oceanos e florestas. Alimentando-os com dados sobre a taxa de emissões de gases de efeito estufa, eles conseguem estimar como o clima vai variar nas próximas décadas ou séculos.
Os modelos do IPCC têm a vantagem de enxergar o planeta inteiro, porém são “míopes”: eles dividem o mundo em células de 200 km x 200 km, grandes demais para permitir investigar variações climáticas dentro de uma região geográfica menor ou um país. O que o Inpe fez foi usar dois desses modelos e aumentar sua resolução para 20 km x 20 km, dando um zoom na América do Sul. Isso permitiu montar, pela primeira vez, cenários detalhados de chuva e temperatura para as próximas décadas no Brasil.
Dois modelos foram utilizados: o britânico HadGEM-2 e o japonês Miroc-5. Por uma questão de personalidade matemática, por assim dizer, ambos “enxergam” o clima no futuro de jeitos diferentes: o britânico tende a apontar um mundo mais seco no futuro, enquanto o japonês vê um mundo mais chuvoso.
Cada modelo, por sua vez, foi rodado em dois cenários de emissão de gases de efeito estufa do IPCC, as chamadas “trajetórias representativas de concentração”: o RCP 8,5, que assume que a humanidade não fará nada para controlar as emissões de CO2; e o RCP 4,5, que assume esforços limitados de controle de emissões, mas ainda fora da trajetória dos 2oC considerados o limite máximo “seguro” de aquecimento.
O que a modelagem revelou foi que, em todos os cenários, o Brasil de 2040 será um país mais quente e mais seco. As temperaturas médias nos meses mais quentes do ano podem subir até 3oC em relação às médias atuais no Centro-Oeste. A região Sul tende a ficar mais chuvosa, enquanto o Sudeste, o Centro-Oeste e partes do Norte e Nordeste teriam reduções as chuvas, em especial nos meses de verão.
Falta d’água permanente
O primeiro efeito disso é uma redução na vazão dos rios que abastecem a maior parte da população brasileira, como mostraram os estudos sobre recursos hídricos do “Brasil 2040”.
Um grupo liderado por Francisco de Assis Souza e Eduardo Martins, da Universidade Federal do Ceará e da Fundação Cearense de Meteorologia, usou os dados de chuva para construir um modelo de vazão – não é possível estimar quanto um rio enche ou seca apenas olhando para a média de chuvas.
O resultado é dramático para quem acha que o Sudeste do Brasil já sofreu o suficiente com falta d’água e ameaça de racionamento de energia nos últimos três anos: no melhor cenário, vários rios de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Tocantins, Bahia e Pará terão reduções de vazão de 10% a 30%.
Transpostos para as usinas hidrelétricas, os dados de vazão trazem um desafio para o setor de energia no Brasil: as mais importantes usinas do País – Furnas, Itaipu, Sobradinho e Tucuruí – teriam reduções de vazão de 38% a 57% no pior cenário.
Na Amazônia, região eleita pelo governo a nova fronteira da hidroeletricidade no País, as quedas também seriam significativas, como adiantou o OC em abril: a vazão de Belo Monte cairia de 25% a 55%, a de Santo Antônio, de 40% a 65%, e a da usina planejada de São Luís do Tapajós, de 20% a 30%.
Hidrelétricas em colapso
À exceção de São Luís, a maioria das novas usinas na Amazônia é a fio d’água, ou seja, não possui grande reservatório. Isso significa que seu fator de capacidade, ou seja, a quantidade de energia constante gerada ao longo do ano, é reduzido, já que a vazão dos rios amazônicos varia enormemente entre a estação da seca e a da chuva. Belo Monte, por exemplo, tem um fator de capacidade de cerca de 40%, que, reduzido à metade, daria à hidrelétrica de R$ 30 bilhões um fator de capacidade menor que o de usinas eólicas – para as quais os planejadores energéticos brasileiros e a presidente Dilma Rousseff torcem o nariz, já que essas usinas não são capazes de gerar “energia firme” nos períodos sem vento. No total, a geração hidrelétrica cai de 8% a 20% no País.
“O planejamento energético precisa ser revisto urgentemente à luz dos dados do ‘2040’, sob pena de a sociedade enterrar bilhões de reais em projetos que não se pagam”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima (OC).
Os dados de Martins e Souza foram utilizados por uma equipe de pesquisadores da Coppe-URFJ liderada por Roberto Schaeffer para analisar o que acontece com a eletricidade do Brasil nos próximos 25 anos caso se confirmem os cenários de mudança do clima.
O grupo usou em sua análise, por sua vez, dois modelos computacionais: um deles leva em conta a matriz energética, a demanda por eletricidade e o crescimento do PIB para estimar o comportamento do sistema elétrico brasileiro – que fontes crescem na matriz, que fontes diminuem, de acordo com o custo e o fator de capacidade. O outro modelo simula como as usinas hidrelétricas e termelétricas operam no mundo real de acordo com a disponibilidade de água nos reservatórios.
A principal conclusão do estudo de Schaeffer e colegas é filosófica: o planejamento elétrico no Brasil não poderá mais ser feito como vem sendo. Hoje, os responsáveis pelo setor no governo trabalham segundo a filosofia do “estado estacionário” de variáveis climáticas, ou seja, o comportamento dos rios no futuro seguirá o comportamento do passado.
“Não dá mais para fazer isso. O futuro não vai obrigatoriamente repetir o passado”, disse Schaeffer ao OC.
A análise dos pesquisadores mostra que, em todos os cenários analisados, há uma queda na vazão das principais bacias hidrográficas brasileiras, que empurra o sistema elétrico para uma situação de desequilíbrio estrutural: o sistema não dá conta de atender a demanda, provocando cortes de carga – em português claro, apagões.
Sem medidas de corte de emissões (ou seja, no RCP 8,5), no pior cenário, a vazão dos reservatórios cai 30% e o risco de déficit em alguns anos se aproxima de 100% – a margem considerada “segura” pelo governo para evitar apagões é de 5%. No melhor cenário, a queda de vazão das hidrelétricas chega a 10%, e o risco de déficit, a 60% em alguns anos. O custo de operação do sistema, que leva em conta inclusive o acionamento de térmicas, sobe em oito vezes no melhor cenário e em 16,7 vezes no pior.
A consequência do colapso das hidrelétricas é o aumento do uso de carvão mineral e gás natural na matriz brasileira, o que tanto aumenta o custo de operação do sistema quanto as emissões de carbono, agravando ainda mais o efeito estufa. Outra consequência pode ser o retorno das usinas com grandes reservatórios, em especial na região Sul, onde vai chover mais.
Os resultados surpreenderam até os pesquisadores. “Se isso acontecer, o País para se não tiver um seguro”, disse Schaeffer.
Parte desse “seguro” não depende apenas do Brasil: é o corte de emissões dentro de um acordo global do clima. Segundo o estudo, somente o custo de expansão do sistema elétrico cairia em R$ 122 bilhões entre o cenário RCP 8,5 (sem mitigação da mudança do clima) e o cenário RCP 4,5 (com mitigação).
O “seguro” cabe ao País contratar, segundo o pesquisador, é a adaptação do sistema. E a melhor maneira de adaptar, curiosamente, é reduzindo emissões: aumentando em muito a eficiência energética e o uso de renováveis, de modo a reduzir a dependência de termelétricas fósseis e de hidrelétricas, e colocando um preço nas emissões de carbono – não necessariamente uma taxa, Schaeffer apressa-se a dizer.
Os dados de energia e recursos hídricos do “Brasil 2040” foram apresentados ao governo federal ao longo do ano e recebidos com algumas críticas – o estudo da UFCE foi considerado “alarmista” pela própria SAE.
“Uma crítica que a gente pode receber é que há incerteza. Mas também há incerteza sobre se você vai ficar doente, e nem por isso você deixa de fazer um plano de saúde”, compara Roberto Schaeffer.
Mico no Mapitoba
Os relatórios sobre agricultura, elaborados por equipes da Embrapa e do Agroicone, também devem causar arrepios no governo. Eles mostram que a maior aposta da ministra Kátia Abreu (Agricultura) para a futura expansão da produção no País, o chamado Mapitoba (uma zona de cerrados entre Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) pode virar um mico na mão de investidores.
Uma das análises aponta para a tendência de desvalorização das terras por decorrência das mudanças na produção e aumento do risco climático. Em Pernambuco, as terras podem perder até 43% do seu valor. No Pará, a perda pode ser de até 36%.
No Estado do Maranhão, as perdas podem variar de 2% a 16%, no Tocantins de 14% a 26% e de 3% a 14% no Piauí. Um dos cenários aponta valorização das terras na Bahia, mas esse Estado também pode ter perdas de 5% no valor das terras.
Os impactos das mudanças do clima na agricultura podem levar a perdas de área agriculturável em quase todas as culturas avaliadas – o efeito mais grave deve recair sobre a área de cultivo de soja, com perdas de até 39%. O feijão, arroz e milho safrinha podem ter redução de área cultivável de 26%, 24% e 28%, respectivamente.
No caso da cana-de-açúcar, as áreas cultiváveis podem aumentar, por ser um gênero que precisa de calor, em especial para a produção de etanol. Porém, o cultivo deve migrar para regiões que hoje são mais frias. A produção de mandioca deve sair do Nordeste, muito seco, e migrar para áreas de Cerrado e Amazônia. O caupi, ou feijão-de- corda, já está migrando do Nordeste para o Centro-Oeste.
O estudo avalia também que a região amazônica pode ser afetada por diversas queimadas, gerando problemas para a produção no Brasil central e alterando o regime de chuvas e a circulação de massas de ar. No semiárido, a escassez de recursos hídricos pode se agravar.
A pesquisa sugere que a própria dinâmica do mercado vai ser uma das medidas de adaptação: a redução de áreas aptas para produção deve afetar os preços das commodities agrícolas; as regiões de maior aptidão produtiva devem responder positivamente, enquanto outras regiões deverão perder produção; haverá impactos sobre os preços ao produtor e ao consumidor final; novos equilíbrios de oferta, demanda e preços serão gerados, influenciando na produção.
Calor
O capítulo de saúde, que não está entre os relatórios disponibilizados pela SAE, mas ao qual o OC teve acesso, avaliou apenas os impactos das ondas de calor sobre taxas de mortalidade. Os efeitos são heterogêneos, de acordo com a faixa etária, clima regional e as condições de saneamento. Os idosos são o grupo populacional mais vulnerável, enquanto na avaliação por região, Norte e Nordeste devem ser as mais afetadas.
No Tocantins, por exemplo, o aumento do número de mortes entre idosos pode chegar a 9%, em decorrência de doenças respiratórias agravadas por ondas de calor. Rio Grande do Norte e Paraíba também devem ter aumento superior a 5% nos índices de mortalidade no mesmo grupo.
“Temos o dado demográfico: a população vai envelhecer. Então, o Brasil vai se tornar mais vulnerável às mudanças do clima”, diz o coordenador do estudo, José Feres, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).
O estudo também alerta para a disseminação de doenças infecciosas endêmicas, que podem aumentar de acordo com as condições climáticas, como malária, dengue e leptospirose. Outra preocupação são eventos climáticos extremos como tempestades, ocasionando inundações, afogamentos, desabamentos, aglomerações, entre outros. “Nossa principal recomendação é a criação de um sistema de alerta para ondas de calor e outros eventos climáticos extremos. É uma medida simples, mas que o Brasil ainda não tem”, diz Feres.
Estradas ruins
A avaliação dos impactos sobre a infraestrutura de transportes traz a informação que os brasileiros que viajam de carro ou ônibus já sabem: nossa malha rodoviária já é ruim. Mas pode piorar. O estresse por chuvas intensas, acúmulo de umidade e altas temperaturas demanda altos investimentos em adaptação.
Combinando informações sobre sinalização, qualidade do asfalto e condições das rodovias, elaborou-se o Índice de Vulnerabilidade da Infraestrutura Rodoviária (IVIR). Quanto mais alto, mais vulneráveis são as rodovias. Observando os mapas, é possível comparar o número de rodovias vulneráveis hoje e em 2040.
As regiões Sudeste e Sul, que hoje já apresentam estradas em boas condições, serão as menos afetadas. Atualmente, apenas oito estados apresentam segmentos vulneráveis, contra 22 estados no cenário futuro, além do Distrito Federal. A região Nordeste é campeã em vulnerabilidade, em especial no litoral – tanto pela possibilidade de aumento de temperaturas quanto pelas condições das rodovias.
“No Brasil, não há um banco de dados consistente sobre os efeitos de eventos climáticos na infraestrutura rodoviária e não há indícios de que essa situação irá mudar no curto prazo”, diz o relatório. “Tal banco de dados é importante para determinar a resiliência atual e para prover a base para estudos sobre impactos relacionados ao clima futuros.”
A análise ressalta que os custos de adaptação e reparos podem ser muito superiores à economia feita com obras mais baratas, que não serão satisfatórias em médio e longo prazo. Também recomenda o desenvolvimento de estudos sobre o risco de afogamento da infraestrutura rodoviária em decorrência de chuvas fortes, em todo o território nacional.
“São soluções de engenharia tradicional, mas que sairão caríssimas por causa do tamanho da rede”, disse Sérgio Margulis, economista carioca que idealizou o “Brasil 2040”.
Olha a onda
A equipe do engenheiro Wilson Cabral Jr., do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) também criou um índice de vulnerabilidade para a infraestrutura costeira e portuária do Brasil, na tentativa de estimar o que aconteceria com o litoral em caso de elevação do nível do mar conforme previsto pelo IPCC.
Os pesquisadores tiveram de lidar com um problema adicional: a absoluta falta de informações sobre como o nível do mar vem subindo no País nas últimas décadas e sobre como as ondas vêm ficando mais fortes. “A rede de marégrafos no Brasil é incipiente, e a de ondógrafos mais ainda”, disse Márcia Oliveira, coordenadora de Gerenciamento Costeiro do Ministério do Meio Ambiente.
Segundo Cabral, nem mesmo as bases de dados usadas para estimar a altimetria (a altura do terreno acima do nível do mar) e a batimetria (o perfil do fundo oceânico), dois dados que precisam ser combinados para informar a elevação da lâmina d’água e o risco de inundação, conversam entre si. Há um erro sistemático nas medições que os pesquisadores não conseguem nem mesmo estimar.
Cabral e seu aluno Vítor Zanetti usaram, então, as projeções de nível do mar do IPCC para estimar risco de alagamento e ressacas em Santos e no Rio de Janeiro. Outro grupo, da USP, estimou o impacto nos portos e as medidas de adaptação necessárias.
Os resultados mostram que quase todos os portos do País precisam já hoje de medidas de adaptação, seja para aumentar a chamada “borda livre”, o espaço seco entre o cais e a água, seja para aumentar o calado por causa de assoreamento. O custo dessas medidas, que inclui a construção de quebra-mares, foi calculado em R$ 7 bilhões – mais do que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) investiu em portos.
Para Santos e para o Rio, foram mapeadas as zonas em risco alto e muito alto de deslizamento, ressaca e inundação, o que inclui hospitais e a infraestrutura de transporte público, além de estações de tratamento de esgotos. A Linha Vermelha, no Rio, está longe da praia, mas deve alagar com frequência ainda maior devido ao efeito de “barragem” que o mar mais alto exerce sobre os canais que a rodovia cruza. O quadro que emerge nas duas cidades é o de colapso urbano em caso de ressacas e inundações muito graves no futuro. Apenas no Rio, o patrimônio imobiliário sob alto risco foi estimado em R$ 124 bilhões.
“É de se esperar que tomadores de decisão, em seus diversos níveis, tenham conhecimento destes estudos e resultados e possam utilizá-los em abordagens de planejamento de curto, médio e longo prazos”, escreveram os pesquisadores.

Instituto Socioambiental via JC Notícias

Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais abre chamada

Agência FAPESP – A FAPESP anuncia a abertura de uma chamada de propostas de seu Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), com o tema “Mudanças climáticas e suas relações com energia, água e agricultura”.
O PFPMCG apoia pesquisas sobre mudanças climáticas no Brasil, em escala local, regional e global, realizadas por grandes equipes multidisciplinares.
O objetivo da chamada é identificar, selecionar e apoiar projetos de pesquisa fundamental e aplicada relacionados a temas tais como:
  • Inovação de sistemas energéticos considerando-se os aspectos técnicos, econômicos e socioambientais, com ênfase em alternativas para mitigação de gases de efeito estufa (GEE) e menor emissão de carbono;
  • Modelagem de sistemas energéticos, integrando a oferta e demanda, considerando os aspectos econômicos, socioambientais, emissões de GEE e suas relações com mudanças climáticas;
  • Desenvolvimento de sistemas produtivos, agrícolas e industriais, eficientes no uso da água e energia;
  • Novas tecnologias para uso eficiente de energia e água em edificações;
  • Caracterização das emissões de N2O e CH4 oriundos de atividades pecuárias e do manejo agrícola;
  • Desenvolvimento de novas metodologias para avaliação do potencial sequestro de carbono no solo e biomassa em sistemas agrícolas e florestais.
As propostas podem ser apresentadas nas linhas de fomento Auxílio à Pesquisa – Regular, Auxílio à Pesquisa – Projeto Temático ou Programa Jovem Pesquisador em Centros Emergentes.
As propostas devem ser submetidas até o dia 26 de fevereiro de 2016 por meio do Sistema de Apoio a Gestão (SAGe) da FAPESP, em: www.fapesp.br/sage.
Mais informações estão disponíveis na chamada de propostas, em: www.fapesp.br/9824.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Weather on a lost world that doesn't have a star

Molten metal storms rage on orphan planet that lost its star

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We just found weather on a lost world. Changes in the brightness of a planet adrift in space could be caused by clouds of molten metal passing in and out of view.
The starless planet, PSO J318.5-22, was discovered in the Pan-STARRS survey in 2013. At about eight times the mass of Jupiter, it’s much more like the giant planets we see orbiting other stars than the small, failed stars called brown dwarfs.
That means it probably formed around a star and was somehow shot out of its orbit into lonely deep space. That also makes this planet much easier to study than those that are almost lost in the dazzle from the stars they circle.
“You have to work really hard to even see them, whereas this object is just by itself,” says Beth Biller at the University of Edinburgh, UK.
Biller’s team measured the planet’s brightness and found that it could vary by up to 10 per cent in just a few hours. The explanation, they say, could lie in its weather systems.

Stormy spots

“If you think about the Great Red Spot on Jupiter, it would be stormy spots like that,” Biller says. Both worlds have similar rotation periods: 10 hours for Jupiter, and between 5 and 10 hours for the lone planet.
But unlike Jupiter, which has cooled from a hot start over the long life of our solar system, this planet retains a scorching surface temperature of about 1100 kelvin – maintained by internal heat since it has no star.
Those conditions mean that any clouds it has should be molten, containing liquid metals where on Earth we would have water. “These are likely hot silicates and iron droplet clouds,” Biller says. “This makes Venus look like a nice place.”
Caroline Morley, who models exoplanet atmospheres at the University of California, Santa Cruz, thinks the finding may mean that similar planets – whether orbiting stars or not – might show the same behaviour.
“It strongly suggests that these objects should be variable [in brightness],” Morley says. “We really want to be able to look at this variability and then connect it to storm systems.”
Biller’s team is already trying to tease out a similar analysis from observations of a star called HR 8799, which has planets closely resembling this lone world.
That makes this an exciting time to be looking for exo-weather, Morley says. “People have been saying for years that we [should] look at brown dwarfs because they’re like planets, and we can make these connections,” she says. “But now we’re actually starting to do that.”

Reference: arxiv.org/abs/1510.07625
(Image credit: MPIA/V. Ch. Quetz) 
Via  New Scientist

Key Terms You Need to Know to Understand Climate Change

With the UN climate talks coming up quickly, it’s important to understand climate science basics. Learn our top climate terms below.

We’re at a historic moment with the UNFCCC COP 21, United Nations Framework Convention on Climate Change, 21st Conference of the Parties, in Paris set to begin next month. With world leaders from 195 countries negotiating to reach a global agreement to reduce carbon emissions, expansive news and media coverage is guaranteed. What’s also guaranteed in this coverage is a host of scientific jargon and acronyms that can be overwhelming to follow, let alone understand.
So this week we’re breaking down climate science to its most basic key terms and phrases to help you better grasp what’s going on in the world with climate change, both at the UN climate talks and beyond.
We’ve got a lot of ground to cover, so let’s jump right in. Below is our list of the top terms you need to know to understand the basic science and political sphere of climate change.

1. Carbon dioxide (CO2)

The chemical compound carbon dioxide (also known by its shorthand CO2) is the primary greenhouse gas and driver of climate change. It’s an integral part of life cycles on earth, produced through animal respiration (including human respiration) and absorbed by plants to fuel their growth, to name just two ways. Human activities are drastically altering the carbon cycle in many ways. Two of the most impactful are: one, by burning fossil fuels and adding more carbon dioxide into the atmosphere; and two, by affecting the ability of natural sinks (like forests) to remove carbon dioxide from the atmosphere.

2. Greenhouse Gas

A greenhouse gas is a chemical compound found in the Earth’s atmosphere, such as carbon dioxide, methane, water vapor, and other human-made gases. These gases allow much of the solar radiation to enter the atmosphere, where the energy strikes the Earth and warms the surface. Some of this energy is reflected back towards space as infrared radiation. A portion of this outgoing radiation bounces off the greenhouse gases, trapping the radiation in the atmosphere in the form of heat. The more greenhouse gas molecules there are in the atmosphere, the more heat is trapped, and the warmer it will become.

3. Emissions

In the climate change space, emissions refer to greenhouse gases released into the air that are produced by numerous activities, including burning fossil fuels, industrial agriculture, and melting permafrost, to name a few. These gases cause heat to be trapped in the atmosphere, slowly increasing the Earth’s temperature over time.

4. Weather vs Climate

It’s all about timing when it comes to differentiating weather and climate. Weather refers to atmospheric conditions in the short term, including changes in temperature, humidity, precipitation, cloudiness, brightness, wind, and visibility.
While the weather is always changing, especially over the short term, climate is the average of weather patterns over a longer period of time (usually 30 or more years). So the next time you hear someone question climate change by saying, “You know it’s freezing outside, right?”, you can gladly explain the difference between weather and climate.

5. Global warming vs climate change

Many people use these two terms interchangeably, but we think it’s important to acknowledge their differences. Global warming is an increase in the Earth’s average surface temperature from human-made greenhouse gas emissions.
On the other hand, climate change refers to the long-term changes in the Earth’s climate, or a region on Earth, and includes more than just the average surface temperature. For example, variations in the amount of snow,  sea levels, and sea ice can all be consequences of climate change.

6. Fossil Fuels

Fossil fuels are sources of non-renewable energy, formed from the remains of living organisms that were buried millions of years ago. Burning fossil fuels like coal and oil to produce energy is where the majority of greenhouse gases originate. As the world has developed and demand for energy has grown, we’ve burned more fossil fuels, causing more greenhouse gases to be trapped in the atmosphere and air temperatures to rise.

7. Sea-Level Rise 

Sea-level rise as it relates to climate change is caused by two major factors. First, more water is released into the ocean as glaciers and land ice melts. Second, the ocean expands as ocean temperatures increase. Both of these consequences of climate change are accelerating sea-level rise around the world, putting millions of people who live in coastal communities at risk.



8. Global average temperature

Global average temperature is a long-term look at the Earth’s temperature, usually over the course of 30 years, on land and sea. Because weather patterns vary, causing temperatures to be higher or lower than average from time to time due to factors like ocean processes, cloud variability, volcanic activity, and other natural cycles, scientists take a longer-term view in order to consider all of the year-to-year changes.
RELATED: Ten Clear Indicators Our Climate Is Changing

9. Renewable energy

Renewable energy is energy that comes from naturally replenished resources, such as sunlight, wind, waves, and geothermal heat. By the end of 2014, renewables were estimated to make up almost 28% of the world’s power generating capacity, enough to supply almost 23% of global electricity. Because renewables don’t produce the greenhouse gases driving climate change, shifting away from fossil fuels to renewables to power our lives will put us on the path to a safe, sustainable planet for future generations.

10. COP and UNFCCC

These two abbreviations are best described together as they work hand-in-hand. The United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC) is an environmental treaty that nations joined in 1992, with the goal of stabilizing greenhouse gas concentrations in the atmosphere at a level that would prevent dangerous human interference with the climate system.
Meanwhile, the Conference of the Parties (COP) to the UNFCCC is a yearly international climate conference where nations assess progress and determine next steps for action through the UNFCCC treaty. This year marks the 21st Conference of the Parties (COP 21), which will be held in Paris beginning November 30. Here, a historic global agreement to reduce greenhouse gas emissions is on the table and, if passed, will mark a landmark achievement in the fight against climate change.

11. INDC

INDC stands for “Intended Nationally Determined Contribution.” In preparation for the UN climate talks later this year, countries have outlined what actions they intend to take beginning in 2020 under a proposed global climate agreement. These plans are known as INDCs, which will play a big part in moving us forward on the path toward a low-carbon, clean energy future.

12. IPCC

IPCC is the acronym for the Intergovernmental Panel on Climate Change. First set up in 1988 under two UN organizations, the IPCC surveys the research on climate change happening all around the world and reports to the public about the current state of our scientific knowledge.

13. PPM

PPM stands for “parts per million,” which is a way of expressing the concentration of one component in the larger sample. Climate scientists and activists use the term to describe the concentration of pollutants, like carbon dioxide or methane, in the atmosphere. Many scientists agree that carbon dioxide levels should be at 350 PPM to be considered safe; we’re at about 400 PPM right now and this number is growing by approximately 2 PPM each year.

14. Pre-Industrial Levels of Carbon Dioxide

Pre-industrial levels of carbon dioxide refers to carbon dioxide concentration in the atmosphere prior to the start of the Industrial Revolution. Scientists estimate these pre-industrial levels were about 280 PPM, well below where we are today.

15. Methane

Methane is a chemical compound that’s the main component of natural gas, a common fossil fuel source. Just like carbon dioxide, methane is a greenhouse gas that traps heat in the atmosphere. Methane accounts for about 10 percent of all US greenhouse gas emissions (using 2013 figures), second only to carbon dioxide.
Many people don’t understand the negative effects of methane as an alternative to other fossil fuels. While methane doesn’t stay in the atmosphere as long as carbon dioxide, it absorbs 84 times more heat, making it very harmful to the climate. 

16. Mitigation

Mitigation refers to an action that will reduce or prevent greenhouse gas emissions, such as planting trees in order to absorb more CO2. It can also include developing and deploying new technologies, using renewable energies like wind and solar, or making older equipment more energy efficient.

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domingo, 1 de novembro de 2015

Paris climate summit: 'The world is ready for change'

Change is created by turning points. Whether through evolution or revolution, turning points in history have changed the way we think, move, communicate, live.
We are at a turning point now. A decisive hour when a historical event occurs, when a decision must be made, when we have understood that the consequences of the past need us to intentionally and decisively redefine the future.
The latest session of the climate change negotiations took place last week, and while I work in this process to support the governments of the world to adopt a legally-binding climate agreement, we should remember that international negotiations don’t cause change, they mark it. The change has already been happening in the “real economy” through a series of mutually reinforcing and increasingly powerful drivers:
Science has warned that fossil fuels cannot all be burnt if we are to avoid catastrophic climate change. This is changing how investors and shareholders think about risk and whether they are exposed to values that will become stranded. The divestment movement has grown to $2.6tn as capital shifts towards lower risk opportunities.
The insurance industry is waking up to the uninsurability of uncontrolled climate change, leading to stark warnings, notably by Mark Carney, chair of the Financial Stability Board, that disclosure of risk and risk management has to increase quickly.
Demand for fossil fuels may be waning. Health impacts from coal are of increasing concern, especially in China but increasingly in India. Glencore, one of the world’s largest coal producers, has lost 87% of market valuation since flotation in 2011. Arctic drilling contracts are being cancelled.
The destabilising impact of climate change is complicating and worsening national and international security problems, as unpredictable weather events and reduced access to water and energy lead to unrest and even conflict. With indications that climate change is igniting conflict in the Middle East and elsewhere, the catalytic effect of unaddressed climate change is becoming ever more clear.
The moral imperative to act is growing. Major faith groups are openly and strongly supporting holistic, equitable, but above all, ambitious climate action. Pope Francis’ Encyclical and the Islamic Declaration on Climate Change are just two of the many calls for stewardship of the global common good.
Technology is opening new horizons. Costs of installed solar in the US have dropped from $77/watt (£50/watt) in 1977 to $0.60/watt today. On the back of this, renewable energy has boomed. In 2013, for the first time, more renewable energy capacity was installed than fossil fuel power plants (143 gigawatts (GW) to 141GW). The estimates made by the International Energy Agency in 2000 for the amount of solar that would be deployed in 2015 was underestimated by more than 18 times, and the renewables industry is just getting started.
The net result is a world ready for change.
Political will has arrived: the 196 countries in the UN negotiations are committed to achieving an ambitious global climate agreement. There is remarkable leadership from many countries, best seen through the 146 national climate plans put forward by nations covering more than 86% of emissions. This is the beginning of a blueprint for our future.
Over the next eight weeks, until the conclusion of the Paris climate summit, I will be writing a series of blogposts in which I will explore the ways in which the world has reached the critical turning points that are finally enabling us to come together to manage the systemic threat of climate change and create a future that is made brighter by the economic, moral and political choices we are collectively now deciding to take.
We will look back at this moment as a moment of remarkable transformation, as the indisputable turning point of this century. Let us open our eyes now and see it as it happens.

 By Cristiana Figueres @ TheGuardian