segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Grupo de especialistas divulga previsão do clima para o próximo trimestre

por Ascom do MCTI

Chuvas abaixo da média na região Semiárida do Nordeste e na região Norte do Brasil, com possibilidade de queimadas e incêndios em Roraima, e continuidade de precipitação acima da média na região Sul. Essas são as tendências climáticas para os próximos três meses (fevereiro, março e abril). Elas foram apresentadas nesta sexta-feira (16) na primeira reunião de 2015 do Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Paulo Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI), atribuiu os resultados da avaliação do grupo à continuidade do fenômeno El Niño. "Temos uma condição sazonal dessas três regiões onde é possível hoje cientificamente e tecnologicamente fazer essas previsões", afirmou o especialista que conduziu as atividades do primeiro encontro do GTPCS.
Participam do grupo de trabalho, instituído pelo MCTI em novembro de 2013, as principais lideranças na área de previsão climática no País. A cada mês os especialistas se reúnem para traçar prognósticos para o trimestre seguinte. O objetivo é dar subsídios aos tomadores de decisões sobre o cenário climático que se aproxima.
O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, alertou que a previsão climática para o próximo trimestre inspira atenção. "O Brasil está vivendo um momento de diferentes extremos climáticos em diferentes partes do país com impactos na economia e na sociedade", destacou o secretário que também coordena do GTPCS. "As informações geradas pelo grupo de trabalho alimentam imediatamente ministérios e a presidência da República para que sejam tomadas as medidas necessárias."
Na abertura do encontro, que aconteceu pela primeira vez em Brasília, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, enfatizou a importância de haver previsão climática de curto prazo. "O trabalho dos pesquisadores do GTPCS já contribuiu no ano passado para reduzir os danos da seca no Nordeste e das enchentes em Rondônia", exemplificou.
Participam do grupo pesquisadores do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe; do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST); do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI); e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). A cada reunião um dos membros conduzirá as atividades. Nesta sexta, o meteorologista Paulo Nobre, pesquisador do Inpe, coordenou os trabalhos.
Para outras regiões do país não há previsibilidade climática, a exemplo do Sudeste. "O Nordeste, por exemplo, é a região com maior previsibilidade sazonal porque tem a dependência do Oceano e um tempo de variação bem lento. Na região Sudeste, o que causa chuva são as frentes frias que tem um tempo de previsibilidade de uma semana, no máximo duas", explica Paulo Nobre, pesquisador do Inpe. No limite do conhecimento científico o que se pode afirmar é que as chuvas continuarão abaixo da média neste período.
Acesse aqui o relatório completo emitido pelo GTPCS.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Mudanças climáticas exigem ação urgente – via Marcos Aurélio de Sá

João Guilherme Sabino Ometto
Engenheiro, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas da entidade
O Brasil tem grande contribuição a dar ao mundo na luta contra a poluição do meio ambiente e o aquecimento global, problemas que tendem a se agravar nos próximos anos. Com capacidade para produzir, consumir e exportar biocombustíveis em larga escala (a partir de culturas como cana de açúcar, sorgo, oleaginosas e biomassas celulósicas em geral), sucedâneos da gasolina e do diesel com a vantagem de não serem emissores de dióxido de carbono na atmosfera, nosso empresariado espera apenas que se coloquem em prática políticas públicas de incentivo à atividade. Já no que diz respeito à exploração de fontes energéticas sustentáveis (como a eólica e a solar), os primeiros passos vêm sendo dados com sucesso em nosso meio – inclusive aqui no Rio Grande do Norte – mas ainda em ritmo lento, se comparado com o que está acontecendo hoje na China, nos Estados Unidos e em diversos países europeus. Para que o leitor da coluna compreenda melhor a urgência do país se envolver com mais ênfase na campanha mundial pela substituição de matrizes energéticas prejudiciais à natureza e ao próprio homem, cedemos hoje este espaço ao artigo abaixo.

Para reduzir o aquecimento global, cada país teria de fazer investimentos equivalentes a apenas 0,06 por cento de seu PIB. É muito pouco, em especial se considerarmos a gravidade das mudanças climáticas e suas consequências. Todo o mundo será afetado, em especial as nações mais pobres, e poderá haver graves riscos à segurança alimentar, além do surgimento de novos bolsões de miséria.
Os alertas, incluindo informações de que a presença de dióxido de carbono na atmosfera é a maior em 800 mil anos, feitos na recente apresentação, em Copenhague, Dinamarca, do relatório síntese do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), tornam decisivas as próximas negociações, que precisam ir muito além de acordos bilaterais, como o recém firmado por China e Estados Unidos, que é importante, mas insuficiente. O entendimento e adoção de providências são impreteríveis, pois o fenômeno, se não for controlado logo, aumentará a probabilidade de impactos severos, invasivos e sem volta para os ecossistemas.
É instigante a ponderação feita pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na apresentação do documento do IPCC, de que se não forem tomadas as providências necessárias, a oportunidade de manter o aumento da temperatura global abaixo da meta de dois graus Celsius não será mais possível em menos de 10 anos. O novo relatório, considerado o mais abrangente sobre o tema até hoje realizado, mostra que, mesmo cessando as emissões de carbono de imediato, ainda levaria um bom tempo para normalizar a situação do clima.
Em contrapartida, é alentadora a conclusão dos especialistas de que há boas condições para se concretizar um planeta mais sustentável, com ações rápidas e uso de tecnologias e ferramentas já disponíveis. Nesse sentido, todos concordam que as energias renováveis, cada vez mais competitivas economicamente, são uma das soluções indispensáveis. Isso reafirma a importância do Brasil na luta da humanidade contra as mudanças climáticas, o que deve colocar o etanol, o biodiesel, os biocombustíveis em geral e a hidroeletricidade dentre as pautas prioritárias do País nos próximos anos. Independentemente do pré-sal, é preciso olhar com muita atenção para as demais fontes energéticas presentes em nossa generosa natureza.
Por outro lado, é prudente salientar uma ressalva feita pelo secretário-geral da ONU em Copenhague, que não teve a devida atenção: as nações mais pobres e vulneráveis, as maiores vítimas do aquecimento global, são as que menos contribuíram para potencializar o problema. Por isso, é justa a proposta que vem sendo defendida pelo Brasil, de que o acordo a ser firmado na Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP 21), em Paris, no mês de novembro de 2015, considere as ações já realizadas e estabeleça metodologia para quantificar e qualificar as responsabilidades anteriores pelas emissões de carbono.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que concorda com essa posição e espera que ela seja acolhida, participa oficialmente das COPs desde 2009. Defende, ainda, que as decisões ligadas à agropecuária garantam a segurança alimentar e os sistemas produtivos, mas sem medidas disfarçadas que permitam a adoção de barreiras ao comércio. Além de engajada a essa agenda internacional, a entidade realiza numerosas ações voltadas a contribuir para a sustentabilidade ambiental, social e econômica da indústria.
O relatório síntese do IPCC é taxativo: a inércia custará muito caro à humanidade. As soluções existem e permitem a continuação do desenvolvimento econômico. Porém, é essencial a vontade de mudar!

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Aldo Rebelo recebe presidentes da ABC e SBPC

As reuniões com Jacob Palis (ABC) e Helena Nader (SBPC) trataram do fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, recebeu na manhã desta quarta-feira (14) o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, o vice-presidente da ABC, Hernan Chaimovich Guralnik, e o diretor da entidade João Fernando Gomes.
No encontro, ocorrido em Brasília, eles debateram questões relativas ao fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação (CT&I) nos próximos anos. "O ministro nos fez esse convite e temos as portas abertas para fazer sugestões e propostas com o mesmo objetivo de aumentar a importância da CT&I no País", disse Palis.
Na avaliação dele, um dos maiores desafios do setor é fazer crescer o "engajamento" da comunidade científica nas conquistas socioeconômicas do Brasil. "Um País que não tem uma estrutura forte de CT&I não consegue avançar em termos econômicos e sociais. Precisamos de apoio para cumprir as nossas metas", avaliou o presidente da ABC.
SBPC
À tarde, Aldo recebeu a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader. Entre os vários assuntos abordados na audiência, mereceram destaque as matérias de interesse do setor que tramitam no Congresso Nacional.
Dentre elas, o Projeto de Lei (PL) 7735/2014, que trata do acesso ao patrimônio genético, e a mudança na Constituição Federal com a aprovação, em dezembro do ano passado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12 e o Projeto de Lei (PL) 2177/2011, que trata de aperfeiçoamentos do marco regulatório de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Helena Nader, que considerou a reunião "muito produtiva", disse que a expectativa é a de que o ministro contribua para fortalecer o setor. "Esperamos que ele, que conhece o Congresso Nacional como poucos e tem um diálogo muito presente com a presidenta Dilma, possa trazer uma força política para o ministério", disse, ao apontar o MCTI e o Ministério da Educação (MEC) como pastas-chave para o desenvolvimento do País. "São aqueles [ministérios] do investimento, da aposta de para aonde o Brasil quer ir. É o que queremos que aconteça e acredito que ele vá lutar por isso".
O ministro e a presidenta da SBPC também conversaram sobre a transversalidade do MCTI e a necessidade de ampliar a interação com outras pastas, com os estados brasileiros e com outros países.

por Ascom do MCTI

Reunião em Fortaleza para a análise climática

Na próxima segunda-feira, dia 19, acontecerá em Fortaleza/CE, sob coordenação da Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME) o XVII WorkShop Internacional de Avaliação Climática para o Semiárido Nordestino. As reuniões ocorrem todos os anos, entre os meses de dezembro e abril, para tentar estabelecer um prognóstico para o inverno no Nordeste.

Nesse encontro de Fortaleza serão analisadas as informações referentes às condições dos oceanos Pacífico Atlântico e da atmosfera das últimas semanas, para a elaboração do Prognóstico Climático para o período de fevereiro, março e abril de 2015.

Para este encontro, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) enviará os pesquisadores Gilmar Bristot e Josemir Araújo Neves. Além de participarem do encontro com pesquisadores do Nordeste e de organismos nacionais, os pesquisadores discutirão também a participação da EMPARN na execução de projetos em parceria com a FUNCEME.

Fonte: ASSECOM/EMPARN

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Pesquisa geoquímica aprimora modelos climáticos

Por José Tadeu Arantes
Agência FAPESP – Qual o impacto das oscilações naturais de longa e média durações na configuração climática? Como evoluiu, nos últimos 50 mil anos, aquela que é atualmente a maior floresta do mundo? Em que medida os dados do passado validam as projeções para o futuro?
Perguntas como essas compuseram o pano de fundo do projeto de pesquisa “Variabilidade do sistema de monção da América do Sul dos últimos três milênios integrando registros lacustres, espeleotemas e marinhos”, coordenado por Francisco William da Cruz Junior, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IG-USP), e por Renato Campello Cordeiro, do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (IQ-UFF). O projeto foi apoiado por acordo de cooperação entre a FAPESP e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
A pesquisa fez reconstituições do clima e do ambiente de milhares de anos atrás, no território que hoje é o Brasil, investigando o fundo de lagos e cavernas. Segundo Cruz, da USP, esse tipo de pesquisa, que investiga o chamado “paleoclima”, poderá ajudar os climatologistas atuais. “Hoje em dia, são bem conhecidos os ciclos de alta frequência, como os do El Niño e La Niña, que se repetem em intervalos de dois a sete anos. Mas existem ciclos naturais mais longos, que duram várias décadas, séculos ou até mesmo milênios, e há uma limitação estatística para detectá-los, pois nossas séries temporais não são extensas o suficiente, uma vez que dependem da idade das estações de coleta”, disse.
Conforme os autores, a pesquisa abrangeu um intervalo de tempo muito maior do que os 3 mil anos referidos no título do projeto. O trabalho realizado por Cruz foi analisar amostras de cavernas (espeleotemas), mais especificamente de estalagmites, que foram datadas pelo método de decaimento radioativo do urânio para o tório e depois submetidas a análises geoquímicas. Já a pesquisa de Cordeiro utilizou perfis sedimentares lacustres – o lodo parcialmente endurecido dos fundos dos lagos – e fez a datação das diversas seções dessas colunas mediante o método do carbono 14.
Uma das constatações foi a de que a Floresta Amazônica adquiriu a exuberância que a caracteriza hoje em época extremamente recente, nos últimos 4 mil anos.
Amostras de cavernas
No caso dos espeleotemas, como se trata de material inorgânico – carbonatos infiltrados pelas águas das chuvas e depositados nas cavernas –, não pôde ser aplicada a técnica mais conhecida do carbono 14, que é efetiva apenas para amostras orgânicas.
“Medindo-se as concentrações de urânio e de tório, por meio do espectrômetro de massa, é possível estimar, pela relação entre os dois valores, a idade da amostra, com uma margem de erro de apenas 1%”, disse Cruz.
Uma vez datadas, as amostras foram submetidas a análises geoquímicas. A composição química de cada secção do material correlaciona-se com as condições ambientais prevalentes no período de formação da camada.
“É difícil traduzir composição química em milímetros de chuva por ano. Mas é possível detectar oscilações de precipitações, caracterizando períodos mais ou menos chuvosos, e, com base nisso, construir um mapa de distribuição de chuvas em escala continental”, detalhou Cruz.
Segundo o cientista, o indicador mais seguro, no caso de suas amostras, é a razão dos diferentes isótopos do oxigênio – como a razão entre o oxigênio 18, que é raro, e o oxigênio 16, o mais abundante. Essa relação possibilitou determinar, inclusive, a procedência das precipitações, se foram geradas pela umidade proveniente da Amazônia ou do Atlântico, por exemplo.
Sedimentos de lagos
“O estudo do paleoclima me fez rever alguns conceitos da Ecologia”, lembrou Cordeiro. “A Ecologia opera com a ideia de clímax, de que o ecossistema atinge um apogeu de complexidade, a partir do qual começa a declinar. No entanto, a ciência paleoclimática mostra que os sistemas mudam em estrutura e funcionamento em função do clima, estando sempre em equilíbrio com as mudanças climáticas.”
“Os sistemas florestais amazônicos, tais como os conhecemos hoje em relação às suas biomassas, são um produto da relativa estabilidade climática dos últimos 4 mil anos. Nesse período, a biomassa aumentou de forma significativa e com crescente acumulação de carbono até os dias atuais, compondo hoje o mais importante bioma em estoques e captura de carbono da biosfera terrestre. Esse patrimônio encontra-se, agora, fortemente ameaçado pela ação humana”, disse o professor da UFF.
De acordo com Cordeiro, o nível dos lagos existentes na Amazônia apresentou um movimento descendente no período que vai de 50 mil a 18 mil anos atrás. E muitos lagos secaram entre 25 mil e 18 mil anos, em função da última era glacial, quando o regime hidrológico global diminuiu com a retenção de água nas geleiras.
Depois, entre 15 mil e 8 mil anos atrás, o clima voltou a ficar mais úmido. E, entre 8 mil e 4 mil anos, ocorreu novamente um período de diminuição da umidade, chamado de “fase seca do Holoceno Médio”.
“Nessa fase, o clima foi extremamente variável, com épocas nas quais a floresta cresceu e outras em que sofreu intensos distúrbios, com a ocorrência de muitos incêndios. A partir de 4 mil anos – com períodos secos intercalados menos intensos que o do Holoceno Médio –, o clima tornou-se consistentemente mais úmido. Em especial nos últimos 400 anos, a floresta registrou um aumento expressivo em sua biomassa. Nas amostras mais recentes, percebemos o impacto da presença humana pelo grande aumento de partículas carbonizadas”, disse Cordeiro à Agência FAPESP.
“A taxa de sedimentação varia de lago para lago. Uma coluna de 1 metro pode ter até 40 mil anos em um caso e apenas 100 anos em outro. Se a taxa de sedimentação for elevada, a amostra apresentará alta resolução temporal. Por outro lado, se a taxa de sedimentação for baixa, um mesmo comprimento de coluna, embora com menor resolução, possibilitará mergulhar muito mais profundamente no passado. Temos registros da Lagoa da Pata, que fica na Amazônia, perto da linha do Equador, quase na fronteira com a Venezuela, nos quais uma coluna de 1,20 metro nos permitiu recuar até 50 mil anos”, disse.
O cálculo da taxa de sedimentação é simples, ao menos do ponto de vista conceitual. Basta dividir a distância entre duas seções da coluna pelo intervalo de tempo compreendido entre suas respectivas idades, estimadas por meio do carbono 14. O quociente é expresso em centímetros por ano.
Mas o objetivo da pesquisa, que continua a ser desenvolvida por Cordeiro após o fim do projeto FAPESP-Faperj, é bem mais ambicioso. Consiste em colher a coluna de sedimentos, datar as diferentes seções e investigar, em cada seção, indicadores correlacionados com as condições ambientais. “Cada coluna demanda cerca de dois anos de trabalho”, comentou.
O conjunto dos indicadores engloba a granulometria (o tamanho dos grãos encontrados informa sobre a hidrodinâmica do meio), a geoquímica inorgânica (a partir da composição mineral é possível determinar as fontes dos sedimentos) e a geoquímica orgânica (por exemplo, se a vegetação existente em torno do lago no período considerado era de tipo florestal ou de gramínea), entre outros fatores.
“Trabalhamos em cooperação com pesquisadores que estudam a composição dos grãos de pólen depositados nos sedimentos. Se há pólens de vegetação arbórea, isso informa que o clima era mais úmido naquela época. Ao passo que pólens de gramíneas e outros vegetais adaptados a condições de estresse hídrico indicam um clima mais seco. E pólens de espécies cultivadas sinalizam a intervenção humana”, explicou Cordeiro.
Outro indicador bastante utilizado pelo pesquisador é a quantificação de partículas carbonizadas. São indícios de momentos nos quais a floresta sofreu distúrbios relacionados com a ocorrência de climas mais secos ou com a intervenção humana. “Cruzando dados geoquímicos com os dados de pólens, é possível interpretar se as queimadas foram eventos espontâneos ou resultados da ação humana”, acrescentou.
O passado desvendando o futuro
Tanto no caso dos espeleotemas de Cruz como dos perfis lacustres de Cordeiro, é a integração de uma grande massa de dados que possibilita construir cenários sobre o clima do passado. E, com base nisso, fornecer aportes valiosos para os modelos atuais.
“Nossa expectativa é determinar padrões naturais, para que aqueles que trabalham com modelos possam diferenciar tais ocorrências daquelas causadas por fatores antrópicos e entender o acoplamento de uma coisa com a outra”, resumiu Cruz.
“Começamos estudando os efeitos de fenômenos de longa duração, como os Ciclos de Milankovich, já bem descritos na literatura, que resultam de diferentes processos astronômicos [como a variação da distância Terra-Sol causada pelas interações gravitacionais da Terra com outros planetas e o Sol, gerando ciclos de precessão de 23 mil e 19 mil anos ]”, afirmou o pesquisador.
“Depois, transitamos para ciclos de variação climática mais curtos, de poucos milhares de anos, de séculos e de décadas, como a Oscilação Multidecadal do Atlântico [Atlantic Multidecadal Oscillation ou AMO], gerada por mudanças na circulação oceânica. O desafio é chegar a ciclos cada vez mais curtos, com alta recorrência na atualidade”, continuou.
“Em uma série temporal muito curta, a atual seca que aflige a região Sudeste do país tende a ser considerada um evento singular. Mas, com a incorporação de dados paleoclimáticos e a composição de séries mais longas, talvez possam ser detectados outros períodos de seca severa há centenas de anos. E, a partir disso, estimar o quanto a intervenção humana está magnificando os eventuais ciclos naturais.”
Os dados fornecidos pelo estudo do paleoclima podem contribuir não apenas para o aprimoramento dos modelos climáticos, mas também para a gestão ambiental. Isso fica claro, por exemplo, em uma linha de pesquisa desenvolvida atualmente por Cordeiro na Amazônia, que investiga a correlação entre as variações climáticas e a acumulação de carbono nos lagos de várzea.
“Hoje, sabemos razoavelmente bem quanto carbono há na floresta em pé e quanto carbono existe nos solos. Foram publicados também, por colegas, dois trabalhos importantes sobre o transporte de carbono pelos rios amazônicos rumo ao mar. Mas ainda temos poucos estudos sobre a acumulação de carbono nos lagos de várzea”, disse.
“Dos 6 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia, cerca de 800 mil quilômetros quadrados correspondem a áreas inundáveis: é razoável supor que a acumulação de carbono nas várzeas constitua um fator muito importante em relação à dinâmica na biosfera desse elemento fundamental para o equilíbrio climático do planeta”, disse Cordeiro.
Estimar o montante dessa reserva torna-se especialmente urgente diante da perspectiva de construção de um numeroso conjunto de barragens na Amazônia.
“O impacto poderá ser muito grande, pois as barragens, caso sejam concretizadas, mudarão fortemente o regime hidrológico, praticamente extinguindo os sistemas de várzeas, que no conjunto atuam como importante compartimento acumulador de carbono”, alertou Cordeiro.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Nature: Political appointments spur concerns for Amazon

Environmentalists worried after Brazilian president picks ministers with ties to agriculture lobby.


by Jeff Tollefson

Brazilian president Dilma Rousseff survived an unexpectedly strong challenge from a prominent environmentalist to stay in office. Now, less than three months into her second term, Rousseff has sparked controversy by appointing an avowed climate-change sceptic as science minister.
The choice of Aldo Rebelo, a Communist law-maker who last July called the idea of global warming “incompatible with current knowledge”, follows a decade in which Brazil has slowed Amazon deforestation and claimed a leadership role in international climate policy. Rebelo promised to uphold the government’s climate stance when he assumed his post at the Ministry of Science, Technology and Innovation on 2 January, but his appointment has stirred fears that Brazil may backslide on environmental protection.
“In general, scientists are sceptical and disappointed,” says Jean Ometto, coordinator of the Earth System Science Centre at the government’s National Institute for Space Research in Sao Jose dos Campos. “But the scientific centre is strong, and there’s going to be pressure from the scientific community not to change the way that climate change is governed.”
Rebelo earned his reputation as a skilful politician in the lower house of Brazil’s National Congress, and he played a leading part when the ‘ruralistas’ — a voting bloc representing rural agriculture — weakened protections for Brazil’s forests in 2012. Most scientists say that Rebelo largely ignored the scientific community during that debate, although some think that he may move to the political centre as minister of science.
In a written statement provided to Nature, Rebelo dismissed concerns about his position on global warming. “The debate about climate change exists independent of my opinion,” he said. More broadly, Rebelo said that his duty as minister of science is to listen to — and fight for — the academic and scientific community in Brazil.
He has limited power to influence climate policy, although the ministry does oversee some national assessments and some climate reports to the United Nations. One area that will receive considerable attention is the ministry’s funding for science, which has been squeezed by competing demands in recent years.
But Rebelo is not the only appointment to raise eyebrows. Rousseff named Kátia Abreu, who fought environmentalists as a senator and agricultural lobbyist, to head Brazil’s agriculture ministry. And both appointments come at a sensitive time: although the rate of Amazon deforestation has dropped by 82% since 2004, the pace of land clearing spiked sharply in 2013 — and it seems to be on the rise once again.
Rousseff has never had a good relationship with environmentalists, who say that she is hiding behind Brazil’s relative success in reducing deforestation while pushing for major dams and ports that will only increase pressure on forests. Now, after a bruising election, she is looking to rebuild support in Congress in the middle of corruption scandals that have tainted her party.
The Communist party, of which Rebelo is a member, has been a “small but loyal” member of the governing coalition led by Rousseff’s Workers’ Party, and it is also friendly with the agricultural caucus, says Steve Schwartzman, an anthropologist with the Environmental Defense Fund in Washington DC, who has worked in Brazil for decades.
One key to Brazil’s success in curbing deforestation and carbon emissions over the past decade was the involvement of multiple agencies, but that kind of coordinated approach could be more difficult today, Schwartzman says. “These ministerial appointments cast a lot of doubt on what we can expect from this government.”
Helena Nader, president of the Brazilian Society for the Advancement of Science, takes a more conciliatory approach: she says that scientists should give Rebelo some time at the ministry before judging him. More broadly, Nader says that she isn’t expecting a major backslide on environmental issues by the new Rousseff government.
“Nevertheless,” she says, “only time will show.”
Source: Nature 517, 251–252 ()
doi:10.1038/517251a





quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Diagnosing Causes of Sea Level Rise


Sea leave rise reveals a lot about our changing climate. A rise in the mean sea level can be caused by decreases in ocean density, mostly reflecting an increase in ocean temperature — this is steric sea level rise. It can also be caused by an increase in ocean mass, reflecting a gain of fresh water from land. A third, and smaller, contribution to mean sea level is from glacial isostatic adjustment. The contribution of glacial isostatic adjustment, while small, has a range of possible values and can be a significant source of uncertainty in sea level budgets. Over recent decades, very roughly half of the observed mean sea level rise is owing to changes in ocean density with the other half owing to the increased in ocean mass, mostly from melting glaciers and polar ice sheets. The exact proportion has been difficult to pin down with great certainty.

Knowing the proportion of sea level rise (SLR) owing to mass addition versus thermal expansion is not only important for quantifying total SLR. Each component also imparts information about the effects of climate change. First, the ocean absorbs over 90% of the excess heat from greenhouse gas forcing. In order to monitor and model global warming accurately, we need to know where and how much heat is entering the ocean, and which is directly (although nonlinearly) related to steric SLR. Sea level rise is an important consequence of climate change, and quantifying rates of melting of land ice, including contributions from the massive Greenland and West Antarctica ice sheets is vital to understanding sea level rise. Knowing local rates of past SLR and what is driving those rates will help to improve global and local projections of SLR that are essential for informing adaptation strategies in coastal communities.

Over the past two decades, revolutionary advances in the global ocean observing system have made it possible to estimate the relative contributions of mass and thermal expansion with increasing certainty. Since 1992 satellite altimetry has provided high-resolution measurements of sea surface height. These data are used to estimate local and global sea level variations. Since 2002, monthly large-scale variations in ocean mass have been estimated using data from the Gravity Recovery And Climate Experiment (GRACE), twin orbiting satellites capable of measuring very small changes in Earth’s gravitational field. GRACE data can be used to estimate variations in ocean mass either by measuring changes in gravity over the ocean or by measuring glacial retreat, melting of polar ice sheets, and changes in terrestrial reservoir storage. Finally, starting around 2005 the international Argo Program’s array of autonomous profiling floats first achieved sparse near-global coverage, allowing estimates of steric sea level changes in the upper half of the ocean using in situ measurements of ocean temperature and salinity. Thus, since around 2005, satellite and in situ observation systems have allowed for direct estimates of the total change in SLR, that owing to changes in ocean mass, and that owing to temperature (and to a lesser extent salinity) changes in the upper half of the ocean volume.

With these revolutionary developments in ocean observation, many researchers have been asking some obvious, but very important, questions. Does the total sea level change equal the sum of heating and mass changes within estimated instrumental error? If not, which measurement systems might be biased or incomplete? Is neglect of a deep steric contribution preventing the budget from closing?

In situ data deeper than the current 2000 m Argo sampling limit are the best way to address some of these questions. In the 1990s, for these purposes and others, international investigators working on the World Ocean Circulation Experiment (GO-SHIP) began to repeat a subset of these sections at decadal intervals. With the first decadal re-survey recently completed, we have investigated changes in deep ocean temperature and salinity in the bottom half of the ocean volume, around the globe between the 1990s and the 2000s. In our most their paper, we combine these full depth measurements of ocean steric changes with satellite sea-surface height data to evaluate the SLR budget, including any deep steric expansion, and make an estimate of the global ocean mass changes independent of GRACE data.

First, we interpolate satellite sea surface height data to the times and locations of these repeat sections to look at the total sea-surface height changes between repeats. We then calculate the difference of this total sea-level change and the full-depth steric changes from the repeat section salinity and temperature data. The result is the change in ocean mass between section occupations. Despite the very limited spatial coverage compared to Argo (Fig. 1), this method allows for statistically significant global average and seven regional averages of ocean mass trends because ocean mass variations in most ocean regions are comparatively large in spatial scale since small-scale mass fluctuations are very quickly evened out by ocean surface gravity waves. Most small-scale variability in local sea level is related to steric changes that are captured in the steric SLR integration and removed from the total. Globally, our mass trend estimate, centered on 1996–2006, is 1.5 mm per year, with large spatial variability.

Our GRACE estimate of SLR trend (from an averaging kernel) is also 1.5 mm per year for 2003–2013, although this method may produce a slight underestimate of the actual trend. Nonetheless, the results from the two independent methods agree well within their uncertainties (both 0.4 mm per year), despite the fact that these two different decadal estimates only have 3 years of overlap. Furthermore, the spatial variability among the seven regions also shows good agreement, with most falling within error bars of each other.

Both methods find that the South Atlantic and North Pacific are gaining mass the fastest, while the North Atlantic and Pacific sector of the Southern Ocean are either gaining little or no mass (Fig. 1). This regional variability in ocean mass trends can be attributed to a number of factors. In the North Pacific, the more rapid ocean mass addition has been attributed to large-scale changes in wind patterns over the ocean that affects the wind driven ocean circulation. These circulation changes will be reflected in sea surface topography, which is in part a reflection of shifts of mass from one region to another. The relatively large mass gain in the South Atlantic is most likely also attributed to local changes in wind stress, possible affecting the Weddell Gyre or the Antarctic Circumpolar Current. The two regions with the smallest rates of mass increase are adjacent to Greenland or West Antarctica. These ice sheets are losing mass due to melt, thus losing some of their gravitational attraction, and causing an observable local decrease in sea level there as these waters are redistributed elsewhere.

http://www.realclimate.org/images//purkey_fig1.png
Figure 1: Mean ocean mass sea level rise (mm per year) in within each boundary (black lines) calculated using all full depth data available (gray lines). From their paper.

Because we are using full-depth steric data, we can estimate the contribution of deep ocean warming (hence expansion) to the sea level rise. If deep-ocean warming below 2000 m is ignored, it introduces 13% error into the estimate of the global ocean mass trend. Furthermore, if ocean warming below 1000 m is ignored, the ocean mass trend estimate using our method no longer agrees with that from GRACE within error bars.

This work highlights the importance of the deep ocean warming contribution to SLR. At the moment, the best direct estimates of these changes are using the spatially and temporally sparse but high quality and full-depth WOCE and GO-SHIP data sets to get basin-scale and global trends over decadal time-scales. To estimate regional evolution of deep-ocean warming and its contribution to SLR over shorter space and time scales requires an improved deep monitoring system. Currently, prototype profiling floats capable of measuring temperature and salinity all the way to 6000 m are being tested for a Deep Argo array (Figure 2). If enough of these floats are deployed, this new Deep Argo array, capable of measuring all but about 2% of the entire ocean volume, together with the current 0–2000 m Argo array, would allow for continuous monitoring of full-depth ocean heat uptake and hence steric sea level rise, both regionally and globally.



References

   1. S.G. Purkey, G.C. Johnson, and D.P. Chambers, "Relative contributions of ocean mass and deep steric changes to sea level rise between 1993 and 2013", Journal of Geophysical Research: Oceans, vol. 119, pp. 7509-7522, 2014. http://dx.doi.org/10.1002/2014JC010180
   2.  I. Joughin, B.E. Smith, and B. Medley, "Marine Ice Sheet Collapse Potentially Under Way for the Thwaites Glacier Basin, West Antarctica", Science, vol. 344, pp. 735-738, 2014. http://dx.doi.org/10.1126/science.1249055
  3.  W. Llovel, J.K. Willis, F.W. Landerer, and I. Fukumori, "Deep-ocean contribution to sea level and energy budget not detectable over the past decade", Nature Climate change, vol. 4, pp. 1031-1035, 2014. http://dx.doi.org/10.1038/nclimate2387
  4.  K.E. Trenberth, J.T. Fasullo, and M.A. Balmaseda, "Earth’s Energy Imbalance", Journal of Climate, vol. 27, pp. 3129-3144, 2014. http://dx.doi.org/10.1175/JCLI-D-13-00294.1
  5.  D.P. Chambers, and J.K. Willis, "Analysis of large-scale ocean bottom pressure variability in the North Pacific", J. Geophys. Res., vol. 113, 2008. http://dx.doi.org/10.1029/2008JC004930
   6.  J. Bamber, and R. Riva, "The sea level fingerprint of recent ice mass fluxes", The Cryosphere, vol. 4, pp. 621-627, 2010. http://dx.doi.org/10.5194/tc-4-621-2010

- See more at:
www.realclimate.org/index.php/archives/2015/01/diagnosing-causes-of-sea-level-rise

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

USP testa tecnologia de monitoramento de chuvas

Agência FAPESP – A Universidade de São Paulo (USP) está testando uma nova tecnologia de monitoramento meteorológico capaz de monitorar a chuva em pequenas e médias cidades.
O projeto Chuva Online, liderado pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e coordenado por Carlos Morales, conta com minirradares meteorológicos instalados na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e no topo da torre do Pelletron, no Instituto de Física, ambos na Cidade Universitária.
Segundo a USP, os dois minirradares foram configurados para ter uma alcance de 21 quilômetros, resolução de 90 metros e varreduras a cada 5 minutos.
“É uma tecnologia simples que poderá ser adotada por várias cidades e por empresas que precisam saber onde está chovendo e se existe a possibilidade de ocorrer alagamento em ruas ou bairros, por exemplo”, explicou Morales.
Cada equipamento tem custo de cerca de R$ 350 mil – um radar convencional custa algo em torno de R$ 5 milhões –, pesa 100 quilos e pode ser alimentado pela rede elétrica comum.
Na USP, os radares coletarão informações meteorológicas da Região Metropolitana de São Paulo que ficarão disponíveis em tempo real e on-line no portal do projeto www.chuvaonline.iag.usp.br.
O projeto Chuva Online faz parte do Sistema Integrado de Gestão da Infraestrutura Urbana (SIGINURB) da Prefeitura do Campus da Capital da USP. Também interage com ações do Centro de Estudos e Pesquisas em Desastres da USP, com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais e a Defesa Civil do Estado de São Paulo. Conta, ainda, com parceria da empresa Climatempo e da Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (Fundespa).

domingo, 4 de janeiro de 2015

Climate Change’s Evolving Role in Extreme Weather

By Andrea Thompson for ClimateCentral

Everyone everywhere everyday experiences weather.

Most of the time it serves as the backdrop to our daily routines or fodder for idle chitchat. But on rare days, it can change lives.

Heat waves and cold snaps, hurricanes and tornadoes, downpours and blizzards — they form the extreme ends of the weather spectrum, affecting our health, infrastructure and livelihoods. And as manmade greenhouse gases are steadily boosting the Earth’s temperature, the nagging question becomes, is global warming to blame? And then, is there more extreme weather in our future?

In 2014, researchers were able to make firm connections between climate change and some extreme weather events, and have begun to include new types of weather in those attributions. Those efforts are likely to gain steam in 2015, bringing the links between weather and climate into clearer focus.

The easiest parallel to draw between extreme weather and climate change has been, not surprisingly, heat. That doesn’t mean just the sweaty, sticky summer days that send you gasping for air conditioning. The overall warming of the atmosphere has made heat records more likely over the span of years, including 2014, both locally and globally.

Multiple independent efforts, including some led by Climate Central, found that both Australia’s record hot year in 2013 and Europe’s expected heat record in 2014 were made many times more likely by climate change. As one researcher said, Australia’s record was virtually impossible without global warming,

Cold records, meanwhile, are a vanishing breed. It has been more than 100 years since the planet last had a record-cold month. But even when cold weather patterns emerge, climate change may play a role. Some researchers think that Arctic ice melt could prompt the frigid invasion of the so-called polar vortex, which plunged the eastern U.S. into teeth-chattering cold last winter. Those conclusions are nowhere near settled and will continue to be debated into 2015, particularly if cold invades again. (It’s worth noting that the East was one of very few blue spots on the otherwise bright red global map in 2014.)

Extremes in precipitation, from drought to downpours to blizzards, have proven tricky to tie to climate change. Drought in particular has complex causes, although California’s record heat in 2014 clearly exacerbated its already severe four-year drought, causing water shortages and disrupting agriculture. The drought and heat also worked together to raise the risk of wildfires, which began burning much earlier than normal in the state.

At the other end of the spectrum, torrential downpours like the one that swamped Pensacola, Fla., this spring are expected to happen more often as more water vapor accumulates in the warming atmosphere. Average snowfalls are expected to drop, although blizzards may continue to disrupt life in snow country for longer than more modest snows.

The signal of climate change in extreme weather may continue to elude researchers for some time, as those signals could be too quiet — at least for now — for climate models and other tools to separate it from the loud cacophony of natural variability. Extreme weather attribution, as the field is called, is still in its infancy, so its methods continue to undergo scrutiny. But its practitioners say they are constantly learning and improving their techniques.

A consensus has emerged to predict that warming will raise the intensity of hurricanes while lowering their overall numbers. Now, scientists have begun to focus on changes in where hurricanes occur and the damage they cause. One 2014 study suggested that the major impacts of hurricanes could shift away from the tropics, while noting the research has a long way to go. Disastrous and deadly storm surges from hurricanes like Sandy are expected to pose an increasing threat and rising costs to coastal communities, damaging infrastructure and causing more power outages.

Also in 2014, scientists began the first earnest looks into how climate change might be affecting smaller-scale phenomena like lightning and tornadoes, with clues that warming may bring more lightning in the U.S. and tornadoes may be clustering together, creating fewer days with more tornadoes, although the reasons why are not yet clear.

Many of these efforts remain in their early stages and produce inconsistent findings, but scientists will forge ahead. After all, the weather is a constant and people will keep wondering how much global warming is already coming home to roost.

Best of Extreme Weather Coverage From 2014:
Thunderstruck: Lightning Will Increase With Warming
Frequency of Flooding Across Europe May Double by 2050
Weather-Related Blackouts Doubled Since 2013: Report
Storm Surge Could Flood NYC 1 in Every 4 Years
Extreme Tornado Swings: What Hold the Key?
Extreme Rainfall Events Like Pensacola's On the Rise
Warming Shifting Hurricane Impacts Away from Tropics
Waves in the Atmosphere Fueling Extreme Weather
Weather Disasters Have Cost the Globe $2.4 Trillion
Tornado Outbreaks Could Have a Climate Change Assist
What Global Warming Might Mean for Extreme Snowfalls
Peak of Tornado Season Shifting Earlier in Tornado Alley
Tornado Days Decreasing, but Number Per Day Rising
Cold Winters in Europe, Asia Linked to Sea Ice Decline

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Academia Brasileira de Ciências divulga documento sobre crise hídrica

Agência FAPESP – A Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgou, na sexta-feira (12/12), a “Carta de São Paulo”, um documento com análises e recomendações para enfrentar a crise hídrica no Sudeste.
Redigido sob a coordenação do pesquisador José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), o documento pede, por exemplo, modificações imediatas no sistema de governança dos recursos hídricos.
“É absolutamente necessário e imprescindível modernizar e dinamizar os sistemas de gestão”, afirmam os cientistas na carta. “As alterações devem ser implantadas de forma a promover mudança da gestão setorial, de resposta e em nível local, para uma gestão preditiva, integrada e em nível de ecossistema (bacia hidrográfica), levando em conta os processos ecológicos, econômicos e sociais.”
O documento foi elaborado após o simpósio “Recursos hídricos na Região Sudeste: segurança hídrica, riscos, impactos e soluções'”, promovido pela ABC no Instituto de Botânica de São Paulo, no fim de novembro.
De acordo com os especialistas, há uma ameaça real à segurança hídrica do Sudeste, em especial na Região Metropolitana de São Paulo e no interior de Minas Gerais e do Estado do Rio de Janeiro. Isso diante dos indícios “fortíssimos” de mudança climática – que devem trazer eventos climáticos cada vez mais extremos – e do fato de que os sistemas produtores de água não dispõem de capacidade para garantir as vazões necessárias ao atendimento da demanda atual e projetada.
Eles afirmam que a saúde pública, as economias local e regional, a produção de energia e de alimentos e a segurança das populações urbanas e rurais já estão sendo afetadas pela crise.
Entre outros pontos, os cientistas recomendam uma drástica redução de consumo de água para 2015 (na indústria, na agricultura e no abastecimento público), investimentos imediatos em medidas de longo prazo e projetos de saneamento básico e tratamento de esgoto. “Esse problema crônico referente a saneamento básico e tratamento de esgoto (...) está diretamente relacionado com a perda de qualidade de água de nossos mananciais, o que aumenta o risco e a vulnerabilidade das populações humanas e compromete ainda mais os efeitos da escassez.”
Eles defenderam também ações de divulgação e informação sobre as medidas emergenciais, os planos de longo prazo e a gravidade da crise. “Somente a transparência e a mobilização podem evitar uma maior instabilidade social, que corre o risco de acontecer se o abastecimento público continuar sendo drasticamente afetado, como indicam os dados científicos e as informações existentes”, diz a carta.
Entre os signatários da carta estão pesquisadores como Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Eduardo Assad, do Centro Nacional de Pesquisa Tecnológica em Informática para a Agricultura (CNPTIA) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden); Carlos Tucci, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A íntegra da carta pode ser lida em http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=3758