Agência FAPESP – A Comissão de Cultura e Extensão da Faculdade
de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), com o apoio do
Incline – Interdisciplinary Climate Investigation Center/USP e do
Laboratório de Mudanças Climáticas do Departamento de Saúde Ambiental da
FSP/USP, promove no dia 8 de abril a mesa-redonda “As incertezas das
mudanças climáticas e a Saúde Pública”.
O evento marca o Dia Mundial da Saúde, comemorado nesta segunda-feira (07/04).
O objetivo da mesa-redonda é fomentar um debate interdisciplinar
sobre o tema, apresentando um panorama sobre possíveis consequências e
as respostas necessárias. Maria Assunção Faus da Silva Dias, do
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da
USP, e Pedro Roberto Jacobi, do Programa de Pós-Graduação em Ciência
Ambiental, também da USP, estão entre os participantes da mesa-redonda.
O evento terá início às 9 horas e ocorrerá no Auditório João Yunes da
FSP/USP, que fica na Avenida Dr. Arnaldo, 715, em São Paulo.
A programação está em http://www.fsp.usp.br/site/dcms/fck/programa%285%29.pdf e as inscrições podem ser feitas em http://www.fsp.usp.br/crintform/phpmyadmin/eventos/form/form1.php?vIdEv=188.
Neste blog são divulgados tópicos relacionados às questões de clima e ambiente, de interesse científico, tecnológico, educacional ou social. (In this blog we deal with some topics concerning climate and environment, with focus on scientific, technological, educational or social issues).
segunda-feira, 7 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Impacts of Climate Change – Part 2 of the new IPCC Report has been approved
The second part of the new IPCC Report has been approved – as usual after lengthy debates – by government delegations in Yokohama (Japan) and is now public. Perhaps the biggest news is this: the situation is no less serious than it was at the time of the previous report 2007. Nonetheless there is progress in many areas, such as a better understanding of observed impacts worldwide and of the specific situation of many developing countries. There is also a new assessment of “smart” options for adaptation to climate change. The report clearly shows that adaptation is an option only if efforts to mitigate greenhouse gas emissions are strengthened substantially. Without mitigation, the impacts of climate change will be devastating.
Some pressing issues in the world
Food security increasingly at risk
In the short term, warming may improve agricultural yields in some cooler regions, but significant reductions are highly likely to dominate in later decades of the present century, particularly for wheat, rice and maize. The illustration is an example of the assessment of numerous studies in the scientific literature, showing that, from 2030 onwards, significant losses are to be expected. This should be seen in the context of already existing malnutrition in many regions, a growing problem also in the absence of climate change, due to growing populations, increasing economic disparities and the continuing shift of diet towards animal protein.
The situation for global fisheries is comparably bleak. While some regions, such as the North Atlantic, might allow larger catches, there is a loss of marine productivity to be expected in nearly all tropical waters, caused by warming and acidification. This affects poor countries in South-East Asia and the Pacific in particular. Many of these countries will also be affected disproportionately by the consequences of sea-level rise for coastal mega-cities
Urban areas in developing countries particularly affected
Nearly all developing countries experience significant growth in their mega-cities – but it is here that higher temperatures and limited potential for technical adaptation have the largest effect on people. Improved urban planning, focusing on the resilience of residential areas and transport systems of the poor, can deliver important contributions to adaptation. This would also have to include better preparation for the regionally rising risks from typhoons, heat waves and floods.
Conflicts in a warmer climate
It has been pointed out that no direct evidence is available to connect the occurrence of violent conflict to observed climate change. But recent research has shown that it is likely that dry and hot periods may have been contributing factors. Studies also show that the use of violence increases with high temperatures in some countries. The IPCC therefore concludes that enhanced global warming may significantly increase risks of future violent conflict.
Climate change and the economy
Studies estimate the impact of future climate change as around few percent of global income, but these numbers are considered hugely uncertain. More importantly, any economic losses will be most tangible for countries, regions and social groups already disadvantaged compared to others. It is therefore to be expected that economic impacts of climate change will push large additional numbers of people into poverty and the risk of malnutrition, due to various factors including increase in food prices.
Options for adaptation to the impacts of climate change
The report underlines that there is no globally acceptable “one-fits-all” concept for adaptation. Instead, one must seek context-specific solutions. Smart solutions can provide opportunities to enhance the quality of life and local economic development in many regions – this would then also reduce vulnerabilities to climate change. It is important that such measures account for cultural diversity and the interests of indigenous people. It also becomes increasingly clear that policies that reduce emissions of greenhouse gases (e.g., by the application of more sustainable agriculture techniques or the avoidance of deforestation) need not be in conflict with adaptation to climate change. Both can improve significantly the livelihoods of people in developing countries, as well as their resilience to climate change.
It is beyond doubt that unabated climate change will exhaust the potential for adaptation in many regions – particularly for the coastal regions in developing countries where sea-level rise and ocean acidification cause major risks.
Read article in full @ RealClimate
"Chegou o tempo de agir", afirma pesquisador que integra o IPCC
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Países de diversas partes do mundo já enfrentam crises climáticas mas não têm conseguido se adaptar às variações do clima, de modo a proteger suas populações. E é preciso agir rápido.
As conclusões são do Sumário para Formuladores de Políticas (SPM), do Relatório sobre Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades às Mudanças Climáticas, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), apresentado no dia 31 de março em Yokohama, no Japão, e em seguida na terça-feira (1º de abril) na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro.
O documento, com 44 páginas, é um resumo do relatório de cerca de mil páginas sobre impactos, adaptação e vulnerabilidades climáticas preparado pelo IPCC.
Único representante brasileiro a redigir a conclusão do documento e um dos 309 cientistas, de 70 países, que atuaram como coordenadores, autores, editores e revisores do relatório, com a ajuda de 436 cientistas contribuidores e 1.729 revisores especialistas, o climatologista José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explicou, em entrevista à Agência FAPESP, quais são as novidades do quinto relatório (AR5) do IPCC, em comparação com o quarto, o AR4, lançado em 2007.
Marengo, que falou durante o evento de lançamento do SPM no Rio de Janeiro, também detalhou por que os países têm tido dificuldade em definir e implementar políticas e medidas de mitigação e adaptação aos impactos das mudanças climáticas.
Agência FAPESP – Quais são as principais novidades do relatório sobre impactos, adaptação e vulnerabilidade do AR5 em relação ao AR4?
José Marengo – Temos um maior e melhor conhecimento sobre mais áreas geográficas e setores que poderão ser afetados pelas mudanças do clima em comparação com o AR4. Também temos novas informações, extraídas de novos estudos, e identificamos exemplos claros de adaptação às mudanças climáticas em países como o Brasil. A literatura revisada e utilizada no relatório também não foi somente em inglês. Revisamos artigos publicados depois do AR4 em espanhol, português, árabe, chinês e muitas outras línguas. Obviamente, são estudos sobre diferentes temas relacionados às mudanças climáticas, publicados em revistas internacionais que têm todo o rigor científico. O AR5 também contém muito mais detalhes regionais do que o anterior. No AR4 algumas áreas não eram tão claras em termos de estudos, como América Central, por exemplo, ou partes da África e do Sudeste da Ásia. Agora, essas lacunas já foram preenchidas com um maior número de estudos publicados.
Agência FAPESP – Quais as principais projeções de mudanças climáticas feitas no relatório para as Américas do Sul e Central?
Marengo – As questões que foram identificadas como mais importantes para a América do Sul foram água, produção de alimentos e saúde. A água realmente tem uma importância grande na região e o aumento das chuvas intensas, em algumas regiões, e de secas em outras tem gerado maiores problemas para os países em desenvolvimento. Já se observam tendências significativas na precipitação e na temperatura na América Central e do Sul e, em alguns casos, extremos climáticos também têm afetado as duas regiões.
Agência FAPESP – Quais são os principais problemas decorrentes das mudanças climáticas que o Brasil enfrenta ou deve enfrentar nos próximos anos?
Marengo – Os problemas do Brasil também são basicamente segurança hídrica, segurança energética e segurança alimentar. Nos últimos anos, o país tem experimentado secas e enchentes em grandes áreas. A seca que ocorre no Nordeste atualmente afeta a segurança hídrica e alimentar da região. Por outro lado, esses fenômenos ajudam a compreender a magnitude do problema da variabilidade do clima e que ela pode aumentar no futuro.
Agência FAPESP – Por que os países têm dificuldade em implementar políticas de mitigação e adaptação aos impactos das mudanças climáticas?
Marengo – A mitigação, muitas vezes, vai na contramão do desenvolvimento. Geralmente, quando os países começam a crescer passam a consumir muito combustível fóssil e emitir mais gases de efeito estufa. Já a adaptação é algo que custa caro. O IPCC fornece as bases científicas para os países fazerem adaptação, mas as negociações sobre quem vai pagar a conta e se será preciso ter um fundo internacional de adaptação são coisas que competem às esferas políticas e às conferências das partes. O IPCC não define isso. O IPCC só dá as bases científicas e estabelece a necessidade de adaptação. Como essa adaptação será feita ou implementada são questões que devem ser tratadas pelos governos.
Agência FAPESP – A ênfase em adaptação no relatório não diminui o peso e a importância da mitigação?
Marengo – A mitigação e a adaptação correm de forma paralela. A mitigação é a solução final para poder reduzir o aquecimento. A projeção do relatório é de que o aquecimento global poderá ficar entre 2 ºC e 4 ºC em 2100. Só que, para chegar a um aquecimento de 2 ºC, teríamos de ter todo um sistema de mitigação e, basicamente, zero emissão de gases de efeito estufa a partir de 2040. Com isso, o aquecimento poderia chegar a menos de 2 ºC e os impactos, a vulnerabilidade e os riscos seriam menores, e também seria possível fazer adaptação. Mas, sem mitigação, o aquecimento pode chegar a 4 ºC ou mais em 2100. Neste caso, não tem adaptação que reverta os riscos. Ou seja, a mitigação é o ponto principal e sem ela não será possível fazer adaptação nenhuma. O aquecimento, sem mitigação, será tão forte e os impactos tão graves que realmente as mudanças se tornariam irreversíveis.
Agência FAPESP – Os países das Américas do Sul e Central estão mais atrasados em relação às nações mais desenvolvidas para definir e implementar políticas e medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas?
Marengo – Em termos de mitigação, o Brasil assumiu a liderança por muito tempo. A questão dos créditos de carbono e o desenvolvimento limpo, por exemplo, nasceram basicamente aqui. Mas os outros países das Américas do Sul e Central não têm trabalhado muito nisso. Por outro lado, a adaptação tem sido recém-iniciada no Brasil. A Argentina já tem uma certa experiência em adaptação porque há problema de elevação do nível do mar na província de Buenos Aires. O Brasil, por sua vez, começa a elaborar o Plano Nacional de Adaptação, por meio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e está estabelecendo quais são suas necessidades, porque adaptação depende do lugar e do contexto onde será implementada e por isso é específica para cada país e setor. As estratégias de adaptação para a agricultura no Brasil serão, com certeza, diferentes das adotadas por países como a Índia e o país já começou a implementá-las por meio do desenvolvimento de variedades de plantas melhoradas, mais resistentes a secas e enchentes, por exemplo. Mas realmente existe uma certa diferença no desenvolvimento da adaptação e mitigação nos países.
Agência FAPESP – A pobreza e a desigualdade social dos países das América do Sul e Central, somadas aos impactos das mudanças climáticas projetados para as duas regiões, são uma combinação desastrosa?
Marengo – Sim, mas pode ser atenuada com planejamento, porque os riscos climáticos têm dois componentes: um ambiental e outro não ambiental. No caso da saúde, por exemplo, as mudanças no clima podem facilitar a difusão de doenças transmitidas por insetos vetores, como a dengue e a malária. Mas, se os países tiverem sistemas adequados de vacinação, controle e monitoramento de doenças, talvez os impactos das mudanças climáticas nessa questão possam ser atenuados. Os desastres naturais, por sua vez, têm um deflagrador climático, mas também estão relacionados com questões que não têm nenhuma relação com o clima. Os deslizamentos de terra, por exemplo, são causados por chuvas intensas, mas se as pessoas não estivessem morando em áreas de risco não seriam afetadas. E quem define isso não é o clima.
Agência FAPESP – Os países estão mais sensíveis e conscientes dos impactos climáticos que podem sofrer?
Marengo – Eu diria que sim. Na reunião em Yokohama havia os cientistas, autores do relatório, e delegados representantes de todos os países do mundo. E eles continuamente manifestavam a preocupação com a elevação do nível do mar nas Filipinas e nas pequenas ilhas do Pacífico, com a maior ocorrência de furacões na Costa Rica e com o derretimento das geleiras andinas na Bolívia, por exemplo. Pela minha percepção, o fator clima passou a ser muito importante. Pelos comentários e declarações que ouvi em Yokohama, acho que as mudanças climáticas já entraram pelo menos na agenda ambiental dos países. Temos de pensar que os eventos climáticos extremos podem ser mais frequentes e talvez a forma como o governo, não só no Brasil, mas no mundo, enfrenta o problema deve ser repensada, porque são problemas que podem durar 20, 30 anos. Eu diria que a experiência mostra que a adaptação é algo que tem de ser pensado no longo prazo, não de um ano para o outro, mas em décadas.
Agência FAPESP – Qual o recado que o Sumário para Formuladores de Políticas dá para os tomadores de decisão?
Marengo – O principal recado é que já chegou o tempo de agir e não dá para esperar mais. Se nada for feito nas próximas duas décadas, poderá não ser mais possível fazer adaptação. Os riscos dos impactos das mudanças climáticas são como uma doença, que se for diagnosticada e tratada no começo é possível, em alguns casos, até curá-la. Mas se for diagnosticada e tratada no estágio final, ainda que se tenha todos os recursos, se ela estiver fora de controle não há mais como tratá-la e curá-la. Não há como combater as mudanças climáticas, porque o aquecimento vai continuar. Mas é possível ao menos atenuar seus efeitos.
Agência FAPESP – Países de diversas partes do mundo já enfrentam crises climáticas mas não têm conseguido se adaptar às variações do clima, de modo a proteger suas populações. E é preciso agir rápido.
As conclusões são do Sumário para Formuladores de Políticas (SPM), do Relatório sobre Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades às Mudanças Climáticas, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), apresentado no dia 31 de março em Yokohama, no Japão, e em seguida na terça-feira (1º de abril) na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro.
O documento, com 44 páginas, é um resumo do relatório de cerca de mil páginas sobre impactos, adaptação e vulnerabilidades climáticas preparado pelo IPCC.
Único representante brasileiro a redigir a conclusão do documento e um dos 309 cientistas, de 70 países, que atuaram como coordenadores, autores, editores e revisores do relatório, com a ajuda de 436 cientistas contribuidores e 1.729 revisores especialistas, o climatologista José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explicou, em entrevista à Agência FAPESP, quais são as novidades do quinto relatório (AR5) do IPCC, em comparação com o quarto, o AR4, lançado em 2007.
Marengo, que falou durante o evento de lançamento do SPM no Rio de Janeiro, também detalhou por que os países têm tido dificuldade em definir e implementar políticas e medidas de mitigação e adaptação aos impactos das mudanças climáticas.
Agência FAPESP – Quais são as principais novidades do relatório sobre impactos, adaptação e vulnerabilidade do AR5 em relação ao AR4?
José Marengo – Temos um maior e melhor conhecimento sobre mais áreas geográficas e setores que poderão ser afetados pelas mudanças do clima em comparação com o AR4. Também temos novas informações, extraídas de novos estudos, e identificamos exemplos claros de adaptação às mudanças climáticas em países como o Brasil. A literatura revisada e utilizada no relatório também não foi somente em inglês. Revisamos artigos publicados depois do AR4 em espanhol, português, árabe, chinês e muitas outras línguas. Obviamente, são estudos sobre diferentes temas relacionados às mudanças climáticas, publicados em revistas internacionais que têm todo o rigor científico. O AR5 também contém muito mais detalhes regionais do que o anterior. No AR4 algumas áreas não eram tão claras em termos de estudos, como América Central, por exemplo, ou partes da África e do Sudeste da Ásia. Agora, essas lacunas já foram preenchidas com um maior número de estudos publicados.
Agência FAPESP – Quais as principais projeções de mudanças climáticas feitas no relatório para as Américas do Sul e Central?
Marengo – As questões que foram identificadas como mais importantes para a América do Sul foram água, produção de alimentos e saúde. A água realmente tem uma importância grande na região e o aumento das chuvas intensas, em algumas regiões, e de secas em outras tem gerado maiores problemas para os países em desenvolvimento. Já se observam tendências significativas na precipitação e na temperatura na América Central e do Sul e, em alguns casos, extremos climáticos também têm afetado as duas regiões.
Agência FAPESP – Quais são os principais problemas decorrentes das mudanças climáticas que o Brasil enfrenta ou deve enfrentar nos próximos anos?
Marengo – Os problemas do Brasil também são basicamente segurança hídrica, segurança energética e segurança alimentar. Nos últimos anos, o país tem experimentado secas e enchentes em grandes áreas. A seca que ocorre no Nordeste atualmente afeta a segurança hídrica e alimentar da região. Por outro lado, esses fenômenos ajudam a compreender a magnitude do problema da variabilidade do clima e que ela pode aumentar no futuro.
Agência FAPESP – Por que os países têm dificuldade em implementar políticas de mitigação e adaptação aos impactos das mudanças climáticas?
Marengo – A mitigação, muitas vezes, vai na contramão do desenvolvimento. Geralmente, quando os países começam a crescer passam a consumir muito combustível fóssil e emitir mais gases de efeito estufa. Já a adaptação é algo que custa caro. O IPCC fornece as bases científicas para os países fazerem adaptação, mas as negociações sobre quem vai pagar a conta e se será preciso ter um fundo internacional de adaptação são coisas que competem às esferas políticas e às conferências das partes. O IPCC não define isso. O IPCC só dá as bases científicas e estabelece a necessidade de adaptação. Como essa adaptação será feita ou implementada são questões que devem ser tratadas pelos governos.
Agência FAPESP – A ênfase em adaptação no relatório não diminui o peso e a importância da mitigação?
Marengo – A mitigação e a adaptação correm de forma paralela. A mitigação é a solução final para poder reduzir o aquecimento. A projeção do relatório é de que o aquecimento global poderá ficar entre 2 ºC e 4 ºC em 2100. Só que, para chegar a um aquecimento de 2 ºC, teríamos de ter todo um sistema de mitigação e, basicamente, zero emissão de gases de efeito estufa a partir de 2040. Com isso, o aquecimento poderia chegar a menos de 2 ºC e os impactos, a vulnerabilidade e os riscos seriam menores, e também seria possível fazer adaptação. Mas, sem mitigação, o aquecimento pode chegar a 4 ºC ou mais em 2100. Neste caso, não tem adaptação que reverta os riscos. Ou seja, a mitigação é o ponto principal e sem ela não será possível fazer adaptação nenhuma. O aquecimento, sem mitigação, será tão forte e os impactos tão graves que realmente as mudanças se tornariam irreversíveis.
Agência FAPESP – Os países das Américas do Sul e Central estão mais atrasados em relação às nações mais desenvolvidas para definir e implementar políticas e medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas?
Marengo – Em termos de mitigação, o Brasil assumiu a liderança por muito tempo. A questão dos créditos de carbono e o desenvolvimento limpo, por exemplo, nasceram basicamente aqui. Mas os outros países das Américas do Sul e Central não têm trabalhado muito nisso. Por outro lado, a adaptação tem sido recém-iniciada no Brasil. A Argentina já tem uma certa experiência em adaptação porque há problema de elevação do nível do mar na província de Buenos Aires. O Brasil, por sua vez, começa a elaborar o Plano Nacional de Adaptação, por meio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e está estabelecendo quais são suas necessidades, porque adaptação depende do lugar e do contexto onde será implementada e por isso é específica para cada país e setor. As estratégias de adaptação para a agricultura no Brasil serão, com certeza, diferentes das adotadas por países como a Índia e o país já começou a implementá-las por meio do desenvolvimento de variedades de plantas melhoradas, mais resistentes a secas e enchentes, por exemplo. Mas realmente existe uma certa diferença no desenvolvimento da adaptação e mitigação nos países.
Agência FAPESP – A pobreza e a desigualdade social dos países das América do Sul e Central, somadas aos impactos das mudanças climáticas projetados para as duas regiões, são uma combinação desastrosa?
Marengo – Sim, mas pode ser atenuada com planejamento, porque os riscos climáticos têm dois componentes: um ambiental e outro não ambiental. No caso da saúde, por exemplo, as mudanças no clima podem facilitar a difusão de doenças transmitidas por insetos vetores, como a dengue e a malária. Mas, se os países tiverem sistemas adequados de vacinação, controle e monitoramento de doenças, talvez os impactos das mudanças climáticas nessa questão possam ser atenuados. Os desastres naturais, por sua vez, têm um deflagrador climático, mas também estão relacionados com questões que não têm nenhuma relação com o clima. Os deslizamentos de terra, por exemplo, são causados por chuvas intensas, mas se as pessoas não estivessem morando em áreas de risco não seriam afetadas. E quem define isso não é o clima.
Agência FAPESP – Os países estão mais sensíveis e conscientes dos impactos climáticos que podem sofrer?
Marengo – Eu diria que sim. Na reunião em Yokohama havia os cientistas, autores do relatório, e delegados representantes de todos os países do mundo. E eles continuamente manifestavam a preocupação com a elevação do nível do mar nas Filipinas e nas pequenas ilhas do Pacífico, com a maior ocorrência de furacões na Costa Rica e com o derretimento das geleiras andinas na Bolívia, por exemplo. Pela minha percepção, o fator clima passou a ser muito importante. Pelos comentários e declarações que ouvi em Yokohama, acho que as mudanças climáticas já entraram pelo menos na agenda ambiental dos países. Temos de pensar que os eventos climáticos extremos podem ser mais frequentes e talvez a forma como o governo, não só no Brasil, mas no mundo, enfrenta o problema deve ser repensada, porque são problemas que podem durar 20, 30 anos. Eu diria que a experiência mostra que a adaptação é algo que tem de ser pensado no longo prazo, não de um ano para o outro, mas em décadas.
Agência FAPESP – Qual o recado que o Sumário para Formuladores de Políticas dá para os tomadores de decisão?
Marengo – O principal recado é que já chegou o tempo de agir e não dá para esperar mais. Se nada for feito nas próximas duas décadas, poderá não ser mais possível fazer adaptação. Os riscos dos impactos das mudanças climáticas são como uma doença, que se for diagnosticada e tratada no começo é possível, em alguns casos, até curá-la. Mas se for diagnosticada e tratada no estágio final, ainda que se tenha todos os recursos, se ela estiver fora de controle não há mais como tratá-la e curá-la. Não há como combater as mudanças climáticas, porque o aquecimento vai continuar. Mas é possível ao menos atenuar seus efeitos.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Taking a global perspective on Earth's climate
NASA conducts a program of breakthrough research on climate science,
enhancing the ability of the international scientific community to
advance global integrated Earth system science using space-based
observations.
The agency's research encompasses solar activity, sea level rise, the temperature of the atmosphere and the oceans, the state of the ozone layer, air pollution, and changes in sea ice and land ice. NASA scientists regularly appear in the mainstream press as climate experts. So how did the space agency end up taking such a big role in climate science?
When NASA was first created by the National Aeronautics and Space Act of 1958, it was given the role of developing technology for “space observations,” but it wasn’t given a role in Earth science. The agency’s leaders embedded the technology effort in an Earth Observations program centered at the new Goddard Space Flight Center in Greenbelt, Maryland, in the U.S.. It was an “Applications” program, in NASA-speak. Other agencies of the federal government were responsible for carrying out Earth science research: the Weather Bureau (now the National Oceanic and Atmospheric Administration or NOAA) and the U.S. Geological Survey (USGS). The Applications program signed cooperative agreements with these other agencies that obligated NASA to develop observational technology while NOAA and the USGS carried out the scientific research. The Nimbus series of experimental weather satellites and the Landsat series of land resources satellites were the result of the Applications program.
This Applications model of cross-agency research failed during the 1970s, though, due to the bad economy and an extended period of high inflation. Congress responded by cutting the budgets of all three agencies, leaving NOAA and the USGS unable to fund their part of the arrangement and putting pressure on NASA, too. At the same time, congressional leaders wanted to see NASA doing more research towards “National needs.” These needs were things like energy efficiency, pollution, ozone depletion and climate change. In 1976, Congress revised the Space Act to give NASA authority to carry out stratospheric ozone research, formalizing the agency’s movement into the Earth sciences.
NASA’s planetary program had a lot to do with scientific and congressional interest in expanding the agency’s role in Earth science. The Jet Propulsion Laboratory, NASA's lead center for planetary science, sent Mariner series probes to Venus and Mars. Astronomers considered these to be the "Earth-like" planets in the solar system, most likely to have surface conditions able to support life.
But that's not what they found. Venus had been roasted by a super-charged greenhouse effect. In contrast to Earth, Venus had about 300 times more carbon dioxide in its atmosphere, no significant water vapor and a surface temperature hotter than molten lead. Mars, on the other hand, had an atmospheric pressure about 1 percent of that of planet Earth and temperatures far below freezing. Pictures showed no surface water - it would have been frozen anyway - but they also seemed to show that it once had liquid water.
These discoveries left planetary scientists with unanswered questions. How did Earth, Venus and Mars wind up so radically different from similar origins? How could Mars have once been warm enough to be wet, but be frozen solid now? These questions revolve around climate and the intersection of climate, atmospheric chemistry and, on Earth, life.
The Space Shuttle Atlantis is back-dropped against Earth.
The same decade had witnessed a revolution in scientists'
understanding of Earth's climate. Prior to the mid 1960s, geoscientists
believed that our climate could only change relatively slowly, on
timescales of thousands of years or longer. But evidence from ice and
sediment cores showed that belief was wrong. Earth's climate had changed
rapidly in the past—in some cases, within mere decades. Recognition
that climate could change on human timescales made climate processes
much more interesting research topics. It also spurred political
interest.
It had been known since 1960 that humans were increasing the amount of heat-trapping greenhouse gases in the atmosphere. Would this warm the climate noticeably? Scientists also knew that human emissions of aerosols could cool the Earth. Which effect would dominate? A 1975 study by the U.S. National Academy of Science said, in effect, "We don't know. Give us money for research." A 1979 study of carbon dioxide's role in the climate put it slightly differently. They had found "no reason to doubt that climate changes will result and no reason to believe that these changes will be negligible."
Declining planetary funding and growing scientific interest in the Earth's climate caused planetary scientists to start studying the Earth. It was closer, and much less expensive, to do research on. And NASA followed suit, starting to plan for an Earth observing system aimed at questions of "global change." This phrase included climate change as well as changes in land use, ocean productivity and pollution. But the Earth science program that it established was modeled on NASA’s space and planetary science programs, not the old Applications program. NASA developed the technology and funded the science. In 1984, Congress again revised the Space Act, broadening NASA’s Earth science authority from the stratosphere to “the expansion of human knowledge of the Earth.”
In the early 1980s, NASA began working on an expansive Earth science program plan called Global Habitability, and that eventually became the Mission to Planet Earth. At the same time, a multi-agency effort called the Global Change Research Program was also taking form. NASA's role in that larger U.S. program was the provision of global data from space. Approved in the fiscal year 1991 budget, the resulting Earth Observing System would be the agency's primary contribution to American climate science.
Grace, one of NASA's more recent Earth-observing missions, has revealed
unexpectedly rapid changes in the Earth's great ice sheets.
Fast forward to 2007, and NASA had 17 space missions collecting
climate data. In recent years its Earth science budget has ranged from
$1.2 to $1.4 billion per year. Today, it runs programs to obtain and
convert data from Defense Department and NOAA satellites as well as from
certain European, Japanese and Russian satellites. NASA also sponsors
field experiments to provide "ground truth" data to check space
instrument performance and to develop new measurement techniques.
Instruments on NASA’s Terra and Aqua satellites have provided the first global measurements of aerosols in our atmosphere, which come from natural sources such as volcanoes, dust storms and man-made sources such as the burning of fossil fuels. Other instruments onboard the Aura satellite study the processes that regulate the abundance of ozone in the atmosphere. Data from the GRACE and ICESat missions and from spaceborne radar show unexpectedly rapid changes in the Earth's great ice sheets, while the OSTM/Jason-2 and Jason-1 missions are recording sea level rise at an increasing rate. NASA’s Earth Observing System's weather instruments have enabled the first improvement in weather forecasting skill in more than a decade.
These capabilities -- nearly 30 years of satellite-based solar and atmospheric temperature data -- helped the Intergovernmental Panel on Climate Change come to the conclusion in 2007 that "Most of the observed increase in global average temperatures since the mid-20th century is very likely due to the observed increase in anthropogenic greenhouse gas concentrations." But there's still a lot to learn about what the consequences will be. How much warmer will it get? How will sea level rise progress? What will happen to soil moisture, and therefore agricultural production, in a warmer world? NASA scientists and engineers will help answer these and other critical questions in the future.
The agency's research encompasses solar activity, sea level rise, the temperature of the atmosphere and the oceans, the state of the ozone layer, air pollution, and changes in sea ice and land ice. NASA scientists regularly appear in the mainstream press as climate experts. So how did the space agency end up taking such a big role in climate science?
When NASA was first created by the National Aeronautics and Space Act of 1958, it was given the role of developing technology for “space observations,” but it wasn’t given a role in Earth science. The agency’s leaders embedded the technology effort in an Earth Observations program centered at the new Goddard Space Flight Center in Greenbelt, Maryland, in the U.S.. It was an “Applications” program, in NASA-speak. Other agencies of the federal government were responsible for carrying out Earth science research: the Weather Bureau (now the National Oceanic and Atmospheric Administration or NOAA) and the U.S. Geological Survey (USGS). The Applications program signed cooperative agreements with these other agencies that obligated NASA to develop observational technology while NOAA and the USGS carried out the scientific research. The Nimbus series of experimental weather satellites and the Landsat series of land resources satellites were the result of the Applications program.
This Applications model of cross-agency research failed during the 1970s, though, due to the bad economy and an extended period of high inflation. Congress responded by cutting the budgets of all three agencies, leaving NOAA and the USGS unable to fund their part of the arrangement and putting pressure on NASA, too. At the same time, congressional leaders wanted to see NASA doing more research towards “National needs.” These needs were things like energy efficiency, pollution, ozone depletion and climate change. In 1976, Congress revised the Space Act to give NASA authority to carry out stratospheric ozone research, formalizing the agency’s movement into the Earth sciences.
NASA’s planetary program had a lot to do with scientific and congressional interest in expanding the agency’s role in Earth science. The Jet Propulsion Laboratory, NASA's lead center for planetary science, sent Mariner series probes to Venus and Mars. Astronomers considered these to be the "Earth-like" planets in the solar system, most likely to have surface conditions able to support life.
But that's not what they found. Venus had been roasted by a super-charged greenhouse effect. In contrast to Earth, Venus had about 300 times more carbon dioxide in its atmosphere, no significant water vapor and a surface temperature hotter than molten lead. Mars, on the other hand, had an atmospheric pressure about 1 percent of that of planet Earth and temperatures far below freezing. Pictures showed no surface water - it would have been frozen anyway - but they also seemed to show that it once had liquid water.
These discoveries left planetary scientists with unanswered questions. How did Earth, Venus and Mars wind up so radically different from similar origins? How could Mars have once been warm enough to be wet, but be frozen solid now? These questions revolve around climate and the intersection of climate, atmospheric chemistry and, on Earth, life.
Moving back to Earth
But just as planetary scientists began confronting these questions,
Congress lost interest in planetary exploration. NASA's planetary
exploration budget sank dramatically starting in 1977, and the Reagan
administration threatened to terminate planetary exploration entirely.
This was partly due to high inflation in the U.S., and partly due to the
agency's focus on the space shuttle, which could only reach low Earth
orbit. The shuttle focused agency leaders’ attention on studying the
Earth from orbit, not on the other planets.It had been known since 1960 that humans were increasing the amount of heat-trapping greenhouse gases in the atmosphere. Would this warm the climate noticeably? Scientists also knew that human emissions of aerosols could cool the Earth. Which effect would dominate? A 1975 study by the U.S. National Academy of Science said, in effect, "We don't know. Give us money for research." A 1979 study of carbon dioxide's role in the climate put it slightly differently. They had found "no reason to doubt that climate changes will result and no reason to believe that these changes will be negligible."
Declining planetary funding and growing scientific interest in the Earth's climate caused planetary scientists to start studying the Earth. It was closer, and much less expensive, to do research on. And NASA followed suit, starting to plan for an Earth observing system aimed at questions of "global change." This phrase included climate change as well as changes in land use, ocean productivity and pollution. But the Earth science program that it established was modeled on NASA’s space and planetary science programs, not the old Applications program. NASA developed the technology and funded the science. In 1984, Congress again revised the Space Act, broadening NASA’s Earth science authority from the stratosphere to “the expansion of human knowledge of the Earth.”
In the early 1980s, NASA began working on an expansive Earth science program plan called Global Habitability, and that eventually became the Mission to Planet Earth. At the same time, a multi-agency effort called the Global Change Research Program was also taking form. NASA's role in that larger U.S. program was the provision of global data from space. Approved in the fiscal year 1991 budget, the resulting Earth Observing System would be the agency's primary contribution to American climate science.
The Earth Observing System era
Instruments on NASA’s Terra and Aqua satellites have provided the first global measurements of aerosols in our atmosphere, which come from natural sources such as volcanoes, dust storms and man-made sources such as the burning of fossil fuels. Other instruments onboard the Aura satellite study the processes that regulate the abundance of ozone in the atmosphere. Data from the GRACE and ICESat missions and from spaceborne radar show unexpectedly rapid changes in the Earth's great ice sheets, while the OSTM/Jason-2 and Jason-1 missions are recording sea level rise at an increasing rate. NASA’s Earth Observing System's weather instruments have enabled the first improvement in weather forecasting skill in more than a decade.
These capabilities -- nearly 30 years of satellite-based solar and atmospheric temperature data -- helped the Intergovernmental Panel on Climate Change come to the conclusion in 2007 that "Most of the observed increase in global average temperatures since the mid-20th century is very likely due to the observed increase in anthropogenic greenhouse gas concentrations." But there's still a lot to learn about what the consequences will be. How much warmer will it get? How will sea level rise progress? What will happen to soil moisture, and therefore agricultural production, in a warmer world? NASA scientists and engineers will help answer these and other critical questions in the future.
Workshop discute ações de adaptação às mudanças climáticas
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) promoveu um workshop
para discutir as estratégias de elaboração do Plano Nacional de
Adaptação às Mudanças Climáticas e Recursos Hídricos. Participaram
representantes de instituições como a Universidade Federal do Ceará
(UFC), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Agência Nacional de Águas
(ANA).
O plano visa incentivar o desenvolvimento e o aprimoramento de ações de redução das emissões de gases de efeito estufa e criar condições para o Brasil lidar com os impactos das mudanças climáticas globais. A iniciativa estrutura-se em quatro eixos: oportunidades de mitigação; impactos, vulnerabilidades e adaptação; pesquisa e desenvolvimento; e educação, capacitação e comunicação.
O CGEE, uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é responsável pelas diretrizes para a elaboração de cenários e o planejamento da gestão das mudanças climáticas e recursos hídricos. De acordo com o assessor do Centro Antônio Magalhães o workshop, promovido nesta terça-feira (1º), em Brasília, foi fundamental para desenvolver o método de trabalho e os temas necessários para debate.
“A discussão girou em torno dos assuntos referentes às técnicas que serão desenvolvidas durante o processo e a definição da estrutura dos próximos capítulos. A equipe colheu as contribuições dos grupos e apresentou as sugestões para o documento preliminar, que será entregue em quatro meses para avaliação”, afirma.
A equipe sugeriu a formação de um "Grupo Espelho" da ANA, que seria um conjunto de especialistas escolhidos para auxiliar os consultores na produção do conteúdo e na identificação dos problemas e soluções para cada questão proposta.
O Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas e Recursos Hídricos é fruto de uma parceria entre a ANA e o CGEE, em conjunto com os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e o de Minas e Energia (MME).
O plano visa incentivar o desenvolvimento e o aprimoramento de ações de redução das emissões de gases de efeito estufa e criar condições para o Brasil lidar com os impactos das mudanças climáticas globais. A iniciativa estrutura-se em quatro eixos: oportunidades de mitigação; impactos, vulnerabilidades e adaptação; pesquisa e desenvolvimento; e educação, capacitação e comunicação.
O CGEE, uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é responsável pelas diretrizes para a elaboração de cenários e o planejamento da gestão das mudanças climáticas e recursos hídricos. De acordo com o assessor do Centro Antônio Magalhães o workshop, promovido nesta terça-feira (1º), em Brasília, foi fundamental para desenvolver o método de trabalho e os temas necessários para debate.
“A discussão girou em torno dos assuntos referentes às técnicas que serão desenvolvidas durante o processo e a definição da estrutura dos próximos capítulos. A equipe colheu as contribuições dos grupos e apresentou as sugestões para o documento preliminar, que será entregue em quatro meses para avaliação”, afirma.
A equipe sugeriu a formação de um "Grupo Espelho" da ANA, que seria um conjunto de especialistas escolhidos para auxiliar os consultores na produção do conteúdo e na identificação dos problemas e soluções para cada questão proposta.
O Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas e Recursos Hídricos é fruto de uma parceria entre a ANA e o CGEE, em conjunto com os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e o de Minas e Energia (MME).
Texto: Ascom do CGEE
Nota do blog
Lamentavelmente essa é uma informação que é tornada pública como fato consumado. Desconhecemos que a UFRN tenha sido contactada a participar deste evento, em que pese os esforços realizados nessa universidade para contribuir com estudos climáticos nos últimos 5 (cinco) anos.
Ministra do Meio Ambiente lança no Rio Projeto de Proteção e Limpeza da Costa
Convênio entre Ibama e iniciativa privada mapeia 2.101 localidades em 19 estados e 282 municípios
LETÍCIA VERDI
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, lançou, nesta quarta-feira (02/04), no Rio de Janeiro, o Projeto de Proteção e Limpeza da Costa (PPLC), sistema de imagens e dados do litoral brasileiro extremamente relevantes para o Plano Nacional de Contingência (PNC). A iniciativa é parte do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) no ano passado.
O projeto mapeou todo o litoral brasileiro - de Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, ao Oiapoque, no Amapá - totalizando 2.101 localidades em 19 estados e 282 municípios, ao longo de 7 mil quilômetros de costa. O banco de dados auxiliará no processo de avaliação de impactos ambientais relacionados às atividades de exploração e produção de petróleo e gás no país. Além disso, servirá para planejar uma eventual ação de emergência em caso de vazamento de óleo no mar.
NOVA FASE
Segundo a ministra Izabella Teixeira, o projeto representa uma nova fase de modernização para as atividades de petróleo e gás no Brasil. “Precisamos aperfeiçoar o licenciamento ambiental cada vez mais e o PPLC aprofunda as informações que os órgãos técnicos precisam”, disse. Destacou, ainda, a transparência do sistema, que disponibiliza as informações para a sociedade brasileira em www.pplc.com.br.
Para o presidente do Ibama, Volnei Zanardi, o PPLC é de extrema importância porque organiza e sistematiza uma série de informações, algumas novas e outras que ainda não estavam sistematizadas. “O projeto facilita a coordenação entre os diversos atores no processo de preservação da costa e de emergências ambientais, inclusive para além do setor de petróleo e gás”, explicou.
O PPLC é o primeiro produto do acordo de cooperação técnica firmado em agosto de 2013 entre IBP e Ibama. “Orgulho-me muito desse trabalho, é um exemplo correto e saudável de relação do IBP com a sociedade e o governo”, comemorou o presidente da instituição, João Carlos de Luca. Segundo ele, o mapeamento georreferenciado da costa também servirá para o setor do turismo e para estudos de universidades.
MAPEAMENTO
Todo conhecimento gerado foi integrado ao Sistema de Informação Geográfica (SIG). O banco de dados, com 30 mil fotografias aéreas e terrestres, identifica os trechos da costa que devem ser prioritariamente protegidos, o índice de sensibilidade ambiental de cada localidade, os limites das unidades de conservação, as áreas de desova de tartarugas, recursos socioeconômicos relevantes, condições de acesso e potenciais áreas de apoio como hospitais, polícia, portos e aeroportos.
O trabalho de campo foi realizado por uma equipe formada por oceanógrafos, biólogos, geógrafos e engenheiros. Os profissionais utilizaram imagens de satélite, mapas rodoviários e carta náuticas para planejar as rotas e o cronograma de trabalho. Foram usados equipamentos como câmeras com GPS integrado, computadores e tablets.
O projeto utilizou os conceitos definidos nas Cartas de Sensibilidade Ambiental a Derramamentos de Óleo (Cartas SAO) e elaborou fichas estratégicas padronizadas. Coordenado pelas empresas membros do IBP, e executado pela empresa O’Brien’s do Brasil, o sistema contribui à atualização dos Atlas de Sensibilidade Ambiental ao Óleo, já publicados, e para o Plano Nacional de Contingência (PNC), criado em 2013 para determinar responsabilidades de entes públicos e privados em casos de desastres naturais com petróleo.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Também no Rio, a ministra Izabella Teixeira participou da primeira reunião do projeto IES-Brasil - Implicações econômicas e sociais: cenários de mitigação de GEE 2030/2050. "Há no mundo politico hoje uma inqueitação para buscar saídas e espaço para um engajamento estruturante da discussão da geopolítica do clima”, disse. Segundo ela, todos esperam o protagonismo do Brasil nesse tema. O Projeto IES-Brasil é uma iniciativa do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) e tem como objetivo gerar diferentes cenários de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) de médio e longo prazo para o Brasil, por meio de um processo participativo, envolvendo o governo, o setor privado, a academia e a sociedade civil.
Fonte: Portal do MMA
LETÍCIA VERDI
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, lançou, nesta quarta-feira (02/04), no Rio de Janeiro, o Projeto de Proteção e Limpeza da Costa (PPLC), sistema de imagens e dados do litoral brasileiro extremamente relevantes para o Plano Nacional de Contingência (PNC). A iniciativa é parte do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) no ano passado.
O projeto mapeou todo o litoral brasileiro - de Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, ao Oiapoque, no Amapá - totalizando 2.101 localidades em 19 estados e 282 municípios, ao longo de 7 mil quilômetros de costa. O banco de dados auxiliará no processo de avaliação de impactos ambientais relacionados às atividades de exploração e produção de petróleo e gás no país. Além disso, servirá para planejar uma eventual ação de emergência em caso de vazamento de óleo no mar.
NOVA FASE
Segundo a ministra Izabella Teixeira, o projeto representa uma nova fase de modernização para as atividades de petróleo e gás no Brasil. “Precisamos aperfeiçoar o licenciamento ambiental cada vez mais e o PPLC aprofunda as informações que os órgãos técnicos precisam”, disse. Destacou, ainda, a transparência do sistema, que disponibiliza as informações para a sociedade brasileira em www.pplc.com.br.
Para o presidente do Ibama, Volnei Zanardi, o PPLC é de extrema importância porque organiza e sistematiza uma série de informações, algumas novas e outras que ainda não estavam sistematizadas. “O projeto facilita a coordenação entre os diversos atores no processo de preservação da costa e de emergências ambientais, inclusive para além do setor de petróleo e gás”, explicou.
O PPLC é o primeiro produto do acordo de cooperação técnica firmado em agosto de 2013 entre IBP e Ibama. “Orgulho-me muito desse trabalho, é um exemplo correto e saudável de relação do IBP com a sociedade e o governo”, comemorou o presidente da instituição, João Carlos de Luca. Segundo ele, o mapeamento georreferenciado da costa também servirá para o setor do turismo e para estudos de universidades.
MAPEAMENTO
Todo conhecimento gerado foi integrado ao Sistema de Informação Geográfica (SIG). O banco de dados, com 30 mil fotografias aéreas e terrestres, identifica os trechos da costa que devem ser prioritariamente protegidos, o índice de sensibilidade ambiental de cada localidade, os limites das unidades de conservação, as áreas de desova de tartarugas, recursos socioeconômicos relevantes, condições de acesso e potenciais áreas de apoio como hospitais, polícia, portos e aeroportos.
O trabalho de campo foi realizado por uma equipe formada por oceanógrafos, biólogos, geógrafos e engenheiros. Os profissionais utilizaram imagens de satélite, mapas rodoviários e carta náuticas para planejar as rotas e o cronograma de trabalho. Foram usados equipamentos como câmeras com GPS integrado, computadores e tablets.
O projeto utilizou os conceitos definidos nas Cartas de Sensibilidade Ambiental a Derramamentos de Óleo (Cartas SAO) e elaborou fichas estratégicas padronizadas. Coordenado pelas empresas membros do IBP, e executado pela empresa O’Brien’s do Brasil, o sistema contribui à atualização dos Atlas de Sensibilidade Ambiental ao Óleo, já publicados, e para o Plano Nacional de Contingência (PNC), criado em 2013 para determinar responsabilidades de entes públicos e privados em casos de desastres naturais com petróleo.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Também no Rio, a ministra Izabella Teixeira participou da primeira reunião do projeto IES-Brasil - Implicações econômicas e sociais: cenários de mitigação de GEE 2030/2050. "Há no mundo politico hoje uma inqueitação para buscar saídas e espaço para um engajamento estruturante da discussão da geopolítica do clima”, disse. Segundo ela, todos esperam o protagonismo do Brasil nesse tema. O Projeto IES-Brasil é uma iniciativa do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) e tem como objetivo gerar diferentes cenários de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) de médio e longo prazo para o Brasil, por meio de um processo participativo, envolvendo o governo, o setor privado, a academia e a sociedade civil.
Fonte: Portal do MMA
Latest IPCC Report Shows Climate Impacts and Risks Worse Than Expected
Last week, Working Group II, the sub-committee of the U.N. Intergovernmental Panel on Climate Change (IPPCC) that is responsible for assessing the impacts of climate change, revealed substantial portions of their latest report,
the second in what will eventually become a series of three. Though not
scheduled to be formally released in its final form until later this
month, the report is already sending shockwaves throughout the world.
Unlike the previous report, which focused on faraway impacts on exotic creatures in the distant future, “It’s us and [it’s] now.” So says Penn State Professor Michael Mann.
Climate change is not some abstraction, nor is it a theory. It is a new challenge that is putting considerable pressure on the already stressed areas of human existence, namely hunger, disease, drought, flooding, refugees and war.
Scientists have already observed numerous impacts from warming, including heat waves across the Southern Hemisphere. Severe floods, such as the one that displaced 90,000 people in Mozambique in 2008, are becoming widespread in the global South. In the North, intense downpours have increased in severity. Changes in the Arctic, where the heating is most pronounced, is affecting not only the polar bear, but the culture and livelihoods of indigenous people in northern Canada.
According to Mashable, the report finds that, “Climate change poses the greatest risks to the most vulnerable populations within all nations, and a potentially existential risk to poorer countries already struggling with food insecurity and civil conflict, as well as low-lying small island states.”
The primary drivers are:
From a decision-making perspective, the report says, “Responding to climate-related risks involves decision-making in a changing world, with continuing uncertainty about the severity and timing of climate-change impacts and with limits to the effectiveness of adaptation.”
Observations made in the report constitute a grim list. Sea ice is collapsing; oceans are rising and becoming more acidic as they absorb more CO2. Organic matter, long-buried in Arctic permafrost, is beginning to thaw — giving off large quantities of methane gas, which further accelerates the warming.
In particular, the world’s food supply is found to be at considerable risk, particularly threatening to the poor, to whom substantial price increases could prove deadly.
“Nobody on this planet is going to be untouched by the impacts of climate change,” said Rajendra K. Pachauri, the IPCC chairman.
The report offers a variety of scenarios that illustrate the impacts that climate change will have on human society. It speaks of “profound disruptions,” regardless of technological and economic changes, though they will be particularly severe if “if emissions are allowed to continue at a runaway pace.”
The report also added that, “throughout the 21st century, climate-change impacts are projected to slow down economic growth, make poverty reduction more difficult, further erode food security, and prolong existing and create new poverty traps, the latter particularly in urban areas and emerging hot spots of hunger.”
These impacts could then, in turn, lead to violent conflicts over resources, bringing with them the risk of death or injury on a wide scale, probable damage to infrastructure and public health, displacement of people, and potential mass migrations.
These impacts are not hypothetical, nor are they relegated to a select number of computer-modeled scenarios. They are happening right now.
Christopher B. Field, co-chairman of the working group that wrote the report and an earth scientist at the Carnegie Institution for Science in Stanford, Calif. said, “I think that dealing effectively with climate change is just going to be something that great nations do.”
Moving forward, investments must simultaneously address both reducing emissions and preparing for the onslaught of expected impacts.
Examples include a $1 billion investment by ConEd, at the behest of the Public Service Commission in the wake of hurricane Sandy to upgrade the electricity grid for New York City, making it less vulnerable to storms and flooding. Other utilities will receive similar requests.
Sadly, the ones expected to be hardest hit will be those least able to afford preparations. The report suggests that $100 billion per year will be required to do this. Wealthier nations will be asked to foot the bill, but in these times of economic hardship, and with the small number of people that now hold most of the money so unwilling to part with any of it, we can expect a bumpy road ahead.
RP Siegel, PE, is an inventor, consultant and author. He writes for numerous publications including Justmeans, ThomasNet, Huffington Post, and Energy Viewpoints. He co-wrote the eco-thriller Vapor Trails, the first in a series covering the human side of various sustainability issues including energy, food, and water in an exciting and entertaining romp that is currently being adapted for the big screen. Now available on Kindle.
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Unlike the previous report, which focused on faraway impacts on exotic creatures in the distant future, “It’s us and [it’s] now.” So says Penn State Professor Michael Mann.
Climate change is not some abstraction, nor is it a theory. It is a new challenge that is putting considerable pressure on the already stressed areas of human existence, namely hunger, disease, drought, flooding, refugees and war.
Scientists have already observed numerous impacts from warming, including heat waves across the Southern Hemisphere. Severe floods, such as the one that displaced 90,000 people in Mozambique in 2008, are becoming widespread in the global South. In the North, intense downpours have increased in severity. Changes in the Arctic, where the heating is most pronounced, is affecting not only the polar bear, but the culture and livelihoods of indigenous people in northern Canada.
According to Mashable, the report finds that, “Climate change poses the greatest risks to the most vulnerable populations within all nations, and a potentially existential risk to poorer countries already struggling with food insecurity and civil conflict, as well as low-lying small island states.”
The primary drivers are:
- Changing precipitation patterns and rates of ice and snow melt
- Movement of numerous species seeking familiar conditions into new habitats, and species extinctions
- Impact on crop yields which have been predominantly negative
- Heat and cold-related mortality
- Expanded distribution of disease vectors
- Climate-related extreme events, such as heat waves, droughts, floods, cyclones, and wildfires.
From a decision-making perspective, the report says, “Responding to climate-related risks involves decision-making in a changing world, with continuing uncertainty about the severity and timing of climate-change impacts and with limits to the effectiveness of adaptation.”
Observations made in the report constitute a grim list. Sea ice is collapsing; oceans are rising and becoming more acidic as they absorb more CO2. Organic matter, long-buried in Arctic permafrost, is beginning to thaw — giving off large quantities of methane gas, which further accelerates the warming.
In particular, the world’s food supply is found to be at considerable risk, particularly threatening to the poor, to whom substantial price increases could prove deadly.
“Nobody on this planet is going to be untouched by the impacts of climate change,” said Rajendra K. Pachauri, the IPCC chairman.
The report offers a variety of scenarios that illustrate the impacts that climate change will have on human society. It speaks of “profound disruptions,” regardless of technological and economic changes, though they will be particularly severe if “if emissions are allowed to continue at a runaway pace.”
The report also added that, “throughout the 21st century, climate-change impacts are projected to slow down economic growth, make poverty reduction more difficult, further erode food security, and prolong existing and create new poverty traps, the latter particularly in urban areas and emerging hot spots of hunger.”
These impacts could then, in turn, lead to violent conflicts over resources, bringing with them the risk of death or injury on a wide scale, probable damage to infrastructure and public health, displacement of people, and potential mass migrations.
These impacts are not hypothetical, nor are they relegated to a select number of computer-modeled scenarios. They are happening right now.
- Some regions around the Mediterranean are drying out, leading to political destabilization in North Africa and the Middle East.
- Snow pack is declining in the Western U.S.
- In Alaska, melting sea ice is causing erosion — forcing entire communities to relocate.
- Several periods of cereal and food price increases have occurred.
- The polar bear was added to endangered species list.
- 70,000 square miles of forest has been lost in the Rocky Mountains of the U.S. and Canada since 2000.
- Arctic ice is 22 percent below normal.
- Sea level rose 7 inches during the 20th century.
- Ninety percent of the world’s glaciers are shrinking.
- The percentage of the Earth’s surface suffering drought has more than doubled since the 1970s.
- The World Health Organization estimates 150,000 extra deaths per year due to temperature increase. That number is expected to double by 2030.
Christopher B. Field, co-chairman of the working group that wrote the report and an earth scientist at the Carnegie Institution for Science in Stanford, Calif. said, “I think that dealing effectively with climate change is just going to be something that great nations do.”
Moving forward, investments must simultaneously address both reducing emissions and preparing for the onslaught of expected impacts.
Examples include a $1 billion investment by ConEd, at the behest of the Public Service Commission in the wake of hurricane Sandy to upgrade the electricity grid for New York City, making it less vulnerable to storms and flooding. Other utilities will receive similar requests.
Sadly, the ones expected to be hardest hit will be those least able to afford preparations. The report suggests that $100 billion per year will be required to do this. Wealthier nations will be asked to foot the bill, but in these times of economic hardship, and with the small number of people that now hold most of the money so unwilling to part with any of it, we can expect a bumpy road ahead.
RP Siegel, PE, is an inventor, consultant and author. He writes for numerous publications including Justmeans, ThomasNet, Huffington Post, and Energy Viewpoints. He co-wrote the eco-thriller Vapor Trails, the first in a series covering the human side of various sustainability issues including energy, food, and water in an exciting and entertaining romp that is currently being adapted for the big screen. Now available on Kindle.
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quarta-feira, 2 de abril de 2014
Brasil se torna referência mundial no combate ao aquecimento global
Sozinho, o país reduziu, em 2010, o dobro dos índices verificados por todas as nações desenvolvidas.
LUCAS TOLENTINO - No portal do MMA
O Brasil se tornou um dos países mais preparados no combate aos avanços e impactos do aquecimento global. O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgado em Yokohama, no Japão, revelou que todas as nações estão sujeitas aos efeitos do possível aumento da temperatura global. As medidas e políticas adotadas ao longo dos anos em território nacional, no entanto, colocam o Brasil em papel de destaque diante da comunidade internacional.
A queda nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) demonstra essa liderança. Sozinho, o Brasil reduziu, em 2010, o dobro dos índices verificados por todos os países desenvolvidos, agrupados no Anexo 1 do Protocolo de Kyoto, acordo internacional que estabelece metas de corte na liberação de gases na atmosfera. Além disso, a redução de GEE gerada pelo controle do desmatamento em apenas um ano equivale às emissões totais anuais de locais como a Espanha e o Reino Unido.
Batizado de Sumário para os Formuladores de Políticas, o relatório do IPCC enfatiza que as mudanças climáticas poderão afetar e trazer prejuízos para o mundo todo. A pesquisa feita por representantes de diversas nacionalidades, inclusive brasileiros, atenta para os impactos tanto ambientais quanto humanos. “É um questão global que tem de ser tratada seriamente pelas Nações Unidas”, salienta o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Carlos Klink. “Mesmo os países que estão bastante preparados vão sofrer as consequências”.
ADAPTAÇÃO
O relatório do IPCC destaca, entre outros aspectos, medidas de adaptação como os acordos de cooperação e as ações voltadas para a agropecuária desenvolvidas na América do Sul. No Brasil, as iniciativas incluem investimentos como os do Fundo Amazônia e do Fundo Clima e a adoção de nove planos setoriais de mitigação e adaptação em setores variados, entre eles indústria, transportes e controle de desmatamento na Amazônia e no Cerrado.
Além disso, deve ser concluído, até o fim do ano, o Plano Nacional de Adaptação, compilado de ações em 10 áreas. Saúde pública e prevenção de desastres naturais são alguns dos temas que integrarão o plano e já se encontram em execução. “Está sendo feito um mapeamento de vulnerabilidade e de quais as metodologias, os custos e projeções econômicas para essas questões”, explica Klink.
A participação popular será fundamental no processo. Depois de submetida e aprovada pelo Grupo Executivo (GEx) do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), a primeira versão do Plano Nacional de Adaptação passará por consulta pública. “Ao trabalhar a adaptação, é preciso considerar a vulnerabilidade econômica e social e a resiliência, um conceito novo para o público”, observa o secretário.
SAIBA MAIS
Apesar de ser considerado um fenômeno natural, o efeito estufa tem sofrido alterações que se tornaram as causadoras do aquecimento global. As mudanças decorrem do aumento descontrolado das emissões de gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono e o metano. A liberação dessas substâncias na atmosfera ocorre por conta de diversas atividades humanas e econômicas, entre elas o transporte, o desmatamento, a agricultura e a pecuária.
LUCAS TOLENTINO - No portal do MMA
O Brasil se tornou um dos países mais preparados no combate aos avanços e impactos do aquecimento global. O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgado em Yokohama, no Japão, revelou que todas as nações estão sujeitas aos efeitos do possível aumento da temperatura global. As medidas e políticas adotadas ao longo dos anos em território nacional, no entanto, colocam o Brasil em papel de destaque diante da comunidade internacional.
A queda nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) demonstra essa liderança. Sozinho, o Brasil reduziu, em 2010, o dobro dos índices verificados por todos os países desenvolvidos, agrupados no Anexo 1 do Protocolo de Kyoto, acordo internacional que estabelece metas de corte na liberação de gases na atmosfera. Além disso, a redução de GEE gerada pelo controle do desmatamento em apenas um ano equivale às emissões totais anuais de locais como a Espanha e o Reino Unido.
Batizado de Sumário para os Formuladores de Políticas, o relatório do IPCC enfatiza que as mudanças climáticas poderão afetar e trazer prejuízos para o mundo todo. A pesquisa feita por representantes de diversas nacionalidades, inclusive brasileiros, atenta para os impactos tanto ambientais quanto humanos. “É um questão global que tem de ser tratada seriamente pelas Nações Unidas”, salienta o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Carlos Klink. “Mesmo os países que estão bastante preparados vão sofrer as consequências”.
ADAPTAÇÃO
O relatório do IPCC destaca, entre outros aspectos, medidas de adaptação como os acordos de cooperação e as ações voltadas para a agropecuária desenvolvidas na América do Sul. No Brasil, as iniciativas incluem investimentos como os do Fundo Amazônia e do Fundo Clima e a adoção de nove planos setoriais de mitigação e adaptação em setores variados, entre eles indústria, transportes e controle de desmatamento na Amazônia e no Cerrado.
Além disso, deve ser concluído, até o fim do ano, o Plano Nacional de Adaptação, compilado de ações em 10 áreas. Saúde pública e prevenção de desastres naturais são alguns dos temas que integrarão o plano e já se encontram em execução. “Está sendo feito um mapeamento de vulnerabilidade e de quais as metodologias, os custos e projeções econômicas para essas questões”, explica Klink.
A participação popular será fundamental no processo. Depois de submetida e aprovada pelo Grupo Executivo (GEx) do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), a primeira versão do Plano Nacional de Adaptação passará por consulta pública. “Ao trabalhar a adaptação, é preciso considerar a vulnerabilidade econômica e social e a resiliência, um conceito novo para o público”, observa o secretário.
SAIBA MAIS
Apesar de ser considerado um fenômeno natural, o efeito estufa tem sofrido alterações que se tornaram as causadoras do aquecimento global. As mudanças decorrem do aumento descontrolado das emissões de gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono e o metano. A liberação dessas substâncias na atmosfera ocorre por conta de diversas atividades humanas e econômicas, entre elas o transporte, o desmatamento, a agricultura e a pecuária.
Pesquisadores recomendam soluções locais para adaptação ao clima
Os países em desenvolvimento precisam fazer adaptações adequadas à sua
realidade socioeconômica para minimizar consequências do aquecimento
global, como a insegurança alimentar. Esse foi um dos pontos abordados
por pesquisadores participantes do Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), em entrevista coletiva
na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, nesta
terça-feira (1º).
“Mudanças climáticas contribuem para a redução na produtividade de culturas integrantes da cesta básica de grande parte dos países em desenvolvimento, como arroz, milho e soja. Esses governos devem fazer adaptações adequadas às suas realidades locais – de país para país e de região para região dentro de um mesmo país”, defendeu o pesquisador José Marengo, chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) e um dos autores do quinto relatório do painel intergovernamental, o IPCC-AR5. A apresentação de hoje focou os resultados do Grupo de Trabalho 2 (GT 2) – Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade.
As políticas públicas devem moldar a demanda dos recursos naturais e não apenas fazer investimentos para expandir a oferta, ressaltou outra autora, Carolina Dubeux. Isso significa que o preço deve refletir a escassez do bem.
“Mas isso deve ser feito de acordo com as características de cada região. O ajuste do preço da água no Nordeste e no Sudeste deve ser feito de forma distinta, pois tem de considerar as diferentes condições socioeconômicas das duas populações”, exemplificou a doutora em planejamento energético pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Projeções
“Antes, as projeções de cenários de modelos climáticos eram feitas a partir de modelos globais. Agora, o Brasil está criando suas próprias previsões, o que coloca o país no mesmo nível de países do primeiro mundo”, disse o representante do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Osvaldo Leal de Moraes, diretor da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento.
O aquecimento global, além de abalar a segurança hídrica e a alimentar no Brasil, impacta a segurança energética, destacaram os participantes. Na América do Sul, os principais problemas listados são a redução da produção de alimentos, o aumento de problemas de saúde, a intensificação de deslizamentos de terra e enchentes.
A contribuição do GT 2 considera a vulnerabilidade e exposição dos sistemas naturais e socioeconômicos, os impactos observados e os futuros riscos das mudanças climáticas, analisando seu potencial para adaptação e seus limites.
Os capítulos do relatório do IPCC avaliam riscos e oportunidades para sociedades, economias e ecossistemas de todo o mundo. Tratam de cada uma das regiões geográficas do planeta, observando tanto o sistema natural quanto o humano e abordando o clima do presente e do futuro.
Insumo científico
Estudos como esse devem ser usados como subsídios para negociações internacionais de redução da emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global, como o dióxido de carbono (CO2). Só a redução da emissão reduzirá as consequências ambientais e socioeconômicas apresentadas no documento, reafirmou a apresentação.
O painel aponta questões ambientais, seus riscos e possíveis caminhos, mas não define políticas públicas, que cabem a cada governo. “Só quando a população estiver bem informada sobre os temas abordados no IPCC conseguirá influenciar os formuladores das políticas. Só assim ocorrerá uma verdadeira mudança”, afirmou o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis.
Texto: Juliana Cariello – Ascom do MCTI
“Mudanças climáticas contribuem para a redução na produtividade de culturas integrantes da cesta básica de grande parte dos países em desenvolvimento, como arroz, milho e soja. Esses governos devem fazer adaptações adequadas às suas realidades locais – de país para país e de região para região dentro de um mesmo país”, defendeu o pesquisador José Marengo, chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) e um dos autores do quinto relatório do painel intergovernamental, o IPCC-AR5. A apresentação de hoje focou os resultados do Grupo de Trabalho 2 (GT 2) – Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade.
As políticas públicas devem moldar a demanda dos recursos naturais e não apenas fazer investimentos para expandir a oferta, ressaltou outra autora, Carolina Dubeux. Isso significa que o preço deve refletir a escassez do bem.
“Mas isso deve ser feito de acordo com as características de cada região. O ajuste do preço da água no Nordeste e no Sudeste deve ser feito de forma distinta, pois tem de considerar as diferentes condições socioeconômicas das duas populações”, exemplificou a doutora em planejamento energético pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Projeções
“Antes, as projeções de cenários de modelos climáticos eram feitas a partir de modelos globais. Agora, o Brasil está criando suas próprias previsões, o que coloca o país no mesmo nível de países do primeiro mundo”, disse o representante do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Osvaldo Leal de Moraes, diretor da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento.
O aquecimento global, além de abalar a segurança hídrica e a alimentar no Brasil, impacta a segurança energética, destacaram os participantes. Na América do Sul, os principais problemas listados são a redução da produção de alimentos, o aumento de problemas de saúde, a intensificação de deslizamentos de terra e enchentes.
A contribuição do GT 2 considera a vulnerabilidade e exposição dos sistemas naturais e socioeconômicos, os impactos observados e os futuros riscos das mudanças climáticas, analisando seu potencial para adaptação e seus limites.
Os capítulos do relatório do IPCC avaliam riscos e oportunidades para sociedades, economias e ecossistemas de todo o mundo. Tratam de cada uma das regiões geográficas do planeta, observando tanto o sistema natural quanto o humano e abordando o clima do presente e do futuro.
Insumo científico
Estudos como esse devem ser usados como subsídios para negociações internacionais de redução da emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global, como o dióxido de carbono (CO2). Só a redução da emissão reduzirá as consequências ambientais e socioeconômicas apresentadas no documento, reafirmou a apresentação.
O painel aponta questões ambientais, seus riscos e possíveis caminhos, mas não define políticas públicas, que cabem a cada governo. “Só quando a população estiver bem informada sobre os temas abordados no IPCC conseguirá influenciar os formuladores das políticas. Só assim ocorrerá uma verdadeira mudança”, afirmou o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis.
Texto: Juliana Cariello – Ascom do MCTI
Países precisam de medidas urgentes de adaptação às mudanças climáticas, diz IPCC
Por Elton Alisson, do Rio de Janeiro
Agência FAPESP – Os efeitos das mudanças climáticas já são percebidos e sentidos em diversos países e regiões do mundo, inclusive no Brasil. É necessário, portanto, que os governos comecem a implementar de forma urgente medidas de mitigação e adaptação para diminuir a vulnerabilidade de suas populações e de setores econômicos às variações do clima.
As conclusões são do Sumário para Formuladores de Políticas (SPM) do Relatório sobre Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades às Mudanças Climáticas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), apresentado nesta terça-feira (1º de abril) na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro.
O documento, com 44 páginas, é um resumo do relatório de cerca de mil páginas sobre impactos, adaptação e vulnerabilidades climáticas preparado pelo IPCC e apresentado no domingo em Yokohama, no Japão.
“O SPM foi escrito especialmente para os tomadores de decisão dos países”, disse José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos 1.719 autores do relatório geral. Marengo é o único representante brasileiro que redigiu a conclusão do sumário para formuladores de políticas.
“Uma das principais mensagens do documento é que as mudanças climáticas já estão acontecendo e afetando as populações. Não vamos precisar esperar mais 20 ou 30 anos para ver a ocorrência de eventos climáticos extremos, como inundações ou secas intensas e ondas de calor, como as que temos observado no Brasil nos últimos anos”, afirmou Marengo, durante o evento.
De acordo com o pesquisador, esses fenômenos climáticos extremos vivenciados neste e em outros países têm ajudado a entender a magnitude das variações do clima e estimulado as nações a adotarem medidas de adaptação.
O Brasil implantou um programa de agricultura de subsistência no Nordeste de melhoramento de plantas adaptadas às mudanças climáticas e tem se dedicado a conservar seus principais ecossistemas, como a Amazônia e a Mata Atlântica, por meio do estabelecimento de corredores biológicos.
O país, contudo, precisa implementar ações de adaptação permanentes, que solucionem, de forma definitiva, problemas relacionados às mudanças climáticas que afetam a população, segundo Marengo.
“A primeira etapa para a adaptação é reduzir a vulnerabilidade à exposição ao clima no presente e isso está acontecendo no Brasil de forma lenta”, avaliou. “A população no Nordeste é afetada frequentemente pela seca, um problema que sempre ocorreu na região.”
Algumas medidas de adaptação à seca que têm sido implementadas no Nordeste são a construção de cisternas para acumular a água de chuvas, exemplificou o pesquisador.
O problema, no entanto, é que, quando a seca perdura muito tempo, como tem acontecido na região nos últimos anos, não há como acumular água porque quase não há estação chuvosa, avaliou.
“A adaptação às mudanças climáticas têm de ser uma medida permanente. Não é algo que se resolve agora, sobre um determinado problema climático que afeta uma população, e depois, no próximo ano, se avalia o que pode ser feito caso o problema volte a surgir”, afirmou.
Diminuição da pobreza
De acordo com os pesquisadores autores do relatório, a capacidade de adaptação às mudanças climáticas dos países das Américas do Sul e Central nos últimos anos melhorou, em parte em razão de iniciativas implantadas por algumas nações, mas também por causa da redução da pobreza.
As condições socioeconômicas nas Américas do Sul e Central melhoraram, ainda que em um ritmo lento, desde a publicação, em 2007, do Quarto Relatório de Avaliação (AR4) do IPCC, apontaram os pesquisadores.
Há ainda, contudo, um elevado e persistente nível de pobreza e de desigualdade socioeconômica na maioria dos países das duas regiões, que resulta em dificuldades de acesso à água potável, saneamento e habitação adequada, especialmente para os grupos mais vulneráveis.
Esse conjunto de fatores contribui para a baixa capacidade de adaptação às mudanças climáticas dessas populações, indica o relatório. “As mudanças climáticas deverão afetar, em maior parte, as populações mais pobres e situadas nas regiões mais tropicais do planeta”, disse Marengo.
O relatório ressalta que as projeções climáticas realizadas após o AR4 preveem aumento de temperatura de 1,7 ºC a 6,7 ºC na América do Sul e entre 1,6 ºC a 4 ºC na América Central em 2100.
Já as chuvas devem diminuir em 22% no Nordeste do Brasil e entre 22% a 7% na América Central também em 2100. Por sua vez, aumentarão os períodos de seca na região tropical da América do Sul e leste dos Andes, e a frequência de dias e noites quentes na maioria das regiões da América do Sul.
Ainda de acordo com o relatório, deverá aumentar a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos, como secas persistentes, chuvas fortes e inundações.
Alguns possíveis impactos dessas alterações climáticas nas duas regiões serão a extinção de hábitats e de espécies significativas, principalmente na região tropical da América Latina; substituição de florestas tropicais por savanas e vegetação semiárida por árida; aumento do número de pessoas em situação de estresse hídrico (com falta de água); e aumento de pragas em culturas agrícolas e de doenças, como a dengue e malária nas populações.
“Os maiores impactos das mudanças climáticas na América do Sul deverão ser na segurança hídrica e alimentar e na saúde da população”, avaliou Marengo.
Mudanças no uso da terra
Segundo os pesquisadores autores do relatório, as mudanças no uso da terra nas duas regiões – como o desmatamento e a degradação ambiental – contribuem significativamente para a piora ambiental e deverão agravar os impactos negativos das alterações climáticas.
Apesar das taxas de desmatamento na Amazônia terem diminuído substancialmente desde 2004 para uma média de 4.656 quilômetros quadrados em 2012, regiões como o Cerrado brasileiro ainda apresentam altos índices de desmatamento, com taxas médias de 14.179 quilômetros quadrados por ano no período de 2002 a 2008, aponta o relatório.
“Os riscos das mudanças climáticas podem aumentar com a elevação das emissões de gás carbônico geradas pela queima de combustível fóssil&ldquo, disse Marengo.
Os altos níveis de desmatamento e degradação do solo observados na maioria dos países da região são atribuídos, principalmente, à expansão da agricultura extensiva e intensiva para atender a crescente demanda mundial por alimentos.
As duas atividades que tradicionalmente dominam a expansão agropecuária da América do Sul são a soja e a carne, no Brasil, e algumas das áreas mais afetadas pela expansão da fronteira agrícola no país estão nas bordas da Floresta Amazônica, no Brasil, Colômbia, Equador, Peru e nos Andes tropicais.
“É importante considerar as necessidades políticas e legais para manter esse processo de mudança de terra em grande escala sob controle tanto quanto for possível”, destaca o relatório.
Foco em adaptação
Na avaliação dos pesquisadores brasileiros, autores do relatório, uma das mudanças sensíveis do Quinto Relatório do IPCC em relação ao AR4 é o foco em adaptação e mitigação.
Para cada projeção de mudanças climáticas para diversas partes do mundo feita no relatório há indicações de ações de adaptação e mitigação, destacou Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do capítulo 27 do relatório, sobre os impactos das mudanças climáticas nas Américas do Sul e Central.
“O relatório deixa muito claro que o problema das mudanças climáticas é irreversível e, portanto, é necessário adotar e implementar medidas adaptativas”, disse Buckeridge, à Agência FAPESP.
“A fase de mitigação está diminuindo e a de adaptar está chegando, porque os países não conseguiram fazer mitigação dentro do que era necessário para que os impactos diminuíssem”, avaliou.
Além de Buckeridge e Marengo, outros pesquisadores brasileiros que participaram da elaboração do relatório do IPCC foram Carlos Afonso Nobre, secretário de Políticas e Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Maria Assunção Silva Dias, da USP; Carolina Dubeux, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Fábio Scarano, da Conservação Internacional; Jean Pierre Ometto, do Inpe, e Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
Agência FAPESP – Os efeitos das mudanças climáticas já são percebidos e sentidos em diversos países e regiões do mundo, inclusive no Brasil. É necessário, portanto, que os governos comecem a implementar de forma urgente medidas de mitigação e adaptação para diminuir a vulnerabilidade de suas populações e de setores econômicos às variações do clima.
As conclusões são do Sumário para Formuladores de Políticas (SPM) do Relatório sobre Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades às Mudanças Climáticas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), apresentado nesta terça-feira (1º de abril) na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro.
O documento, com 44 páginas, é um resumo do relatório de cerca de mil páginas sobre impactos, adaptação e vulnerabilidades climáticas preparado pelo IPCC e apresentado no domingo em Yokohama, no Japão.
“O SPM foi escrito especialmente para os tomadores de decisão dos países”, disse José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos 1.719 autores do relatório geral. Marengo é o único representante brasileiro que redigiu a conclusão do sumário para formuladores de políticas.
“Uma das principais mensagens do documento é que as mudanças climáticas já estão acontecendo e afetando as populações. Não vamos precisar esperar mais 20 ou 30 anos para ver a ocorrência de eventos climáticos extremos, como inundações ou secas intensas e ondas de calor, como as que temos observado no Brasil nos últimos anos”, afirmou Marengo, durante o evento.
De acordo com o pesquisador, esses fenômenos climáticos extremos vivenciados neste e em outros países têm ajudado a entender a magnitude das variações do clima e estimulado as nações a adotarem medidas de adaptação.
O Brasil implantou um programa de agricultura de subsistência no Nordeste de melhoramento de plantas adaptadas às mudanças climáticas e tem se dedicado a conservar seus principais ecossistemas, como a Amazônia e a Mata Atlântica, por meio do estabelecimento de corredores biológicos.
O país, contudo, precisa implementar ações de adaptação permanentes, que solucionem, de forma definitiva, problemas relacionados às mudanças climáticas que afetam a população, segundo Marengo.
“A primeira etapa para a adaptação é reduzir a vulnerabilidade à exposição ao clima no presente e isso está acontecendo no Brasil de forma lenta”, avaliou. “A população no Nordeste é afetada frequentemente pela seca, um problema que sempre ocorreu na região.”
Algumas medidas de adaptação à seca que têm sido implementadas no Nordeste são a construção de cisternas para acumular a água de chuvas, exemplificou o pesquisador.
O problema, no entanto, é que, quando a seca perdura muito tempo, como tem acontecido na região nos últimos anos, não há como acumular água porque quase não há estação chuvosa, avaliou.
“A adaptação às mudanças climáticas têm de ser uma medida permanente. Não é algo que se resolve agora, sobre um determinado problema climático que afeta uma população, e depois, no próximo ano, se avalia o que pode ser feito caso o problema volte a surgir”, afirmou.
Diminuição da pobreza
De acordo com os pesquisadores autores do relatório, a capacidade de adaptação às mudanças climáticas dos países das Américas do Sul e Central nos últimos anos melhorou, em parte em razão de iniciativas implantadas por algumas nações, mas também por causa da redução da pobreza.
As condições socioeconômicas nas Américas do Sul e Central melhoraram, ainda que em um ritmo lento, desde a publicação, em 2007, do Quarto Relatório de Avaliação (AR4) do IPCC, apontaram os pesquisadores.
Há ainda, contudo, um elevado e persistente nível de pobreza e de desigualdade socioeconômica na maioria dos países das duas regiões, que resulta em dificuldades de acesso à água potável, saneamento e habitação adequada, especialmente para os grupos mais vulneráveis.
Esse conjunto de fatores contribui para a baixa capacidade de adaptação às mudanças climáticas dessas populações, indica o relatório. “As mudanças climáticas deverão afetar, em maior parte, as populações mais pobres e situadas nas regiões mais tropicais do planeta”, disse Marengo.
O relatório ressalta que as projeções climáticas realizadas após o AR4 preveem aumento de temperatura de 1,7 ºC a 6,7 ºC na América do Sul e entre 1,6 ºC a 4 ºC na América Central em 2100.
Já as chuvas devem diminuir em 22% no Nordeste do Brasil e entre 22% a 7% na América Central também em 2100. Por sua vez, aumentarão os períodos de seca na região tropical da América do Sul e leste dos Andes, e a frequência de dias e noites quentes na maioria das regiões da América do Sul.
Ainda de acordo com o relatório, deverá aumentar a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos, como secas persistentes, chuvas fortes e inundações.
Alguns possíveis impactos dessas alterações climáticas nas duas regiões serão a extinção de hábitats e de espécies significativas, principalmente na região tropical da América Latina; substituição de florestas tropicais por savanas e vegetação semiárida por árida; aumento do número de pessoas em situação de estresse hídrico (com falta de água); e aumento de pragas em culturas agrícolas e de doenças, como a dengue e malária nas populações.
“Os maiores impactos das mudanças climáticas na América do Sul deverão ser na segurança hídrica e alimentar e na saúde da população”, avaliou Marengo.
Mudanças no uso da terra
Segundo os pesquisadores autores do relatório, as mudanças no uso da terra nas duas regiões – como o desmatamento e a degradação ambiental – contribuem significativamente para a piora ambiental e deverão agravar os impactos negativos das alterações climáticas.
Apesar das taxas de desmatamento na Amazônia terem diminuído substancialmente desde 2004 para uma média de 4.656 quilômetros quadrados em 2012, regiões como o Cerrado brasileiro ainda apresentam altos índices de desmatamento, com taxas médias de 14.179 quilômetros quadrados por ano no período de 2002 a 2008, aponta o relatório.
“Os riscos das mudanças climáticas podem aumentar com a elevação das emissões de gás carbônico geradas pela queima de combustível fóssil&ldquo, disse Marengo.
Os altos níveis de desmatamento e degradação do solo observados na maioria dos países da região são atribuídos, principalmente, à expansão da agricultura extensiva e intensiva para atender a crescente demanda mundial por alimentos.
As duas atividades que tradicionalmente dominam a expansão agropecuária da América do Sul são a soja e a carne, no Brasil, e algumas das áreas mais afetadas pela expansão da fronteira agrícola no país estão nas bordas da Floresta Amazônica, no Brasil, Colômbia, Equador, Peru e nos Andes tropicais.
“É importante considerar as necessidades políticas e legais para manter esse processo de mudança de terra em grande escala sob controle tanto quanto for possível”, destaca o relatório.
Foco em adaptação
Na avaliação dos pesquisadores brasileiros, autores do relatório, uma das mudanças sensíveis do Quinto Relatório do IPCC em relação ao AR4 é o foco em adaptação e mitigação.
Para cada projeção de mudanças climáticas para diversas partes do mundo feita no relatório há indicações de ações de adaptação e mitigação, destacou Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do capítulo 27 do relatório, sobre os impactos das mudanças climáticas nas Américas do Sul e Central.
“O relatório deixa muito claro que o problema das mudanças climáticas é irreversível e, portanto, é necessário adotar e implementar medidas adaptativas”, disse Buckeridge, à Agência FAPESP.
“A fase de mitigação está diminuindo e a de adaptar está chegando, porque os países não conseguiram fazer mitigação dentro do que era necessário para que os impactos diminuíssem”, avaliou.
Além de Buckeridge e Marengo, outros pesquisadores brasileiros que participaram da elaboração do relatório do IPCC foram Carlos Afonso Nobre, secretário de Políticas e Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Maria Assunção Silva Dias, da USP; Carolina Dubeux, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Fábio Scarano, da Conservação Internacional; Jean Pierre Ometto, do Inpe, e Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
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